13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Dezenove

KAI TIROU O CABELO DA TESTA ENQUANTO OLHAVA PARA A holografia que pairava sobre a mesa de conferência com uma mistura de horror e assombro. Parte dele queria rir. Não por ser engraçado, mas porque não parecia haver reação melhor.
A holografia mostrava o planeta Terra. E, ao redor dele, havia centenas de luzinhas amarelas, muitas paradas acima das cidades mais populosas do planeta.
Centenas de pequenas espaçonaves.
Eles estavam cercados.
— E são todas lunares? — disse ele. — Temos certeza?
— Sem dúvida alguma — disse o primeiro-ministro europeu, Bromstad, com o rosto reunido com o dos outros líderes da União Terráquea na tela enorme. — O mais desconcertante é que não tivemos indicação nenhuma dessa aproximação. É como se todas elas simplesmente... aparecessem ali, dez mil quilômetros acima da nossa cabeça.
— Ou — disse a rainha Camilla, do Reino Unido — como se estivessem ali o tempo todo, mas nós não tivéssemos como detectá-las. Não ouvimos há anos sobre naves lunares que entram na nossa atmosfera e escapam de todas as medidas de segurança?
— Importa há quanto tempo estão ali? Ou como chegaram lá? — perguntou o presidente da República Americana, Vargas. — Elas estão ali agora, e isso é uma ameaça óbvia.
Kai fechou bem os olhos.
— Mas por quê? Ela está conseguindo exatamente o que quer. Por que nos ameaçar agora? Por que demonstrar força?
— Talvez para garantir que a Comunidade não vá desistir da aliança de casamento no último minuto? — sugeriu Bromstad.
— Mas ela não tem motivo nenhum... — Kai bufou e colocou a mão nas costas da cadeira... que no passado tinha sido a cadeira de seu pai. Ele estava inquieto demais para se sentar quando olhou para os membros do gabinete e conselheiros, os especialistas mais preparados de seu país, que estavam com expressão tão pasma quanto como ele se sentia. — O que vocês acham disso tudo?
Seus especialistas trocaram olhares, e o chefe Deshal Huy começou a bater com os dedos na mesa.
— Parece indicar que eles estão nos mandando algum tipo de mensagem.
— Talvez seja a forma de confirmarem presença no casamento — murmurou o governador geral Williams, da Austrália.
— Talvez devêssemos perguntar — falou Konn Torin, batendo com um dedo na testa. — Se Luna vai se tornar um aliado pacífico da União Terráquea, deveríamos começar a abrir as linhas de comunicação.
— Naturalmente — disse a primeira ministra da África, Kamin. Kai praticamente a ouvia revirar os olhos. — Já que eles foram tão abertos conosco no passado.
— E você tem ideia melhor?
— Eu tenho — disse Williams. — Essa poderia ser nossa melhor chance de responder à invasão recente. Deveríamos coordenar um ataque completo, derrubar o máximo de naves que pudermos. Mostrar para Luna que eles não podem ficar nos ameaçando cada vez que Levana tiver outro chilique. Se querem lutar, vamos lutar.
— Guerra — disse a primeira ministra Kamin. — Você está sugerindo que iniciemos uma guerra.
— Eles começaram a guerra. Estou sugerindo que terminemos com ela.
Kamin fungou.
— E você acha que nossos militares estão preparados para lançar um ataque contra a frota inteira de naves lunares? Não temos a menor ideia de que tipo de armas eles têm, e acho que os ataques recentes ilustraram que eles não vão lutar usando nenhuma estratégia com a qual estejamos familiarizados. Eles são imprevisíveis, e por mais que me doa admitir, nossa sabedoria militar sofreu com as gerações de paz. Nossos números estão baixos, poucos de nossos homens foram treinados para combate no espaço...
— Eu concordo com a Austrália — interrompeu a rainha Camila. — Essa poderia ser a única vez que teríamos o elemento surpresa do nosso lado.
— Surpresa?! — gritou o presidente Vargas. — Eles estão nos cercando. E se estiverem torcendo para que os ataquemos? E se toda essa história de aliança de casamento foi uma distração para que não percebêssemos enquanto eles assumiam suas posições?
Os dedos de Kai ficaram brancos nas costas da cadeira.
— A aliança não é distração e ninguém vai iniciar uma guerra!
Camila deu um sorriso debochado.
— Ah, sim. Eu tinha esquecido que o jovem imperador sabe tanto sobre esses assuntos.
O sangue dele começou a ferver.
— Essa holografia indica que, apesar de essas naves estarem cercando a Terra, elas ainda estão fora das designações territoriais da União Terráquea. Certo?
— Por enquanto — disse o governador geral Williams.
— Certo. O que quer dizer que por enquanto essas naves não estão violando nenhum dos termos que estabelecemos com Luna. Não estou dizendo que Levana não esteja nos provocando ou ameaçando, mas seria tolice nossa reagir sem antes elaborar algum tipo de estratégia.
Williams balançou a cabeça.
— Quando terminarmos a estratégia, podemos muito bem já ter sido obliterados.
— Tudo bem — disse Kai, endireitando os ombros. — O Tratado de Bremen diz que precisamos de maioria para executar um ato de guerra contra qualquer entidade política. Todos os que forem a favor de atacar essas naves lunares digam sim.
— Sim — disseram Williams e Camilla ao mesmo tempo.
Os outros três líderes ficaram em silêncio, mas Kai percebeu pelas expressões tensas que ninguém estava feliz com isso.
— Nada de maioria.
— Então o que você propõe que nós façamos? — perguntou a rainha Camilla.
— Tem uma pessoa da delegação lunar no palácio neste momento — disse Kai, encolhendo-se por dentro. — Vou conversar com ele. Vou ver se consigo entender o que está acontecendo. As negociações de aliança são entre Luna e a Comunidade, então deixem que eu lido com isso.
Ele cancelou o link de comunicação antes que os outros líderes pudessem discutir ou ver o quanto ele estava ficando frustrado. Frustrado por nunca saber o que Levana estava pensando ou o que ia fazer em seguida. Frustrado por estar cedendo a todas as vontades dela, e, mesmo assim, ela ainda decidir fazer uma coisa assim, sem motivo aparente fora deixar o resto da União nervoso. Frustrado porque, se fosse sincero consigo mesmo, uma grande parte dele concordava que atacar aquelas naves poderia ser a melhor ação.
Mas, se uma guerra começasse, eles não tinham chance de completar a aliança de paz, o que significava esperança zero de pôr as mãos no antídoto da letumose.
Ele olhou para os outros homens e mulheres sentados ao redor da holografia.
— Obrigado — disse ele, com voz quase calma. — Isso é tudo.
— Majestade — falou Nainsi, entrando na sala de reuniões enquanto as pessoas saíam — você tem uma reunião marcada com Tashmi-jie em seis minutos.
Ele sufocou um gemido.
— Me deixe adivinhar. Vamos discutir toalhas de mesa hoje?
— Acho que vai ser a equipe de serviço, Majestade.
— Ah, certo, parece uma excelente forma de usar meu tempo. — Ele prendeu o tablet no cinto. — Avise que estou a caminho.


— OBRIGADA POR CONCORDAR EM ME ENCONTRAR AQUI FORA — disse Tashmi Priya, fazendo uma reverência. — Achei que o ar fresco poderia ajudar você a se concentrar em algumas das decisões finais a serem tomadas com relação à cerimônia.
Kai deu um sorriso tenso.
— É uma forma muito diplomática de observar que não venho levando o planejamento do casamento muito a sério. E provavelmente é verdade. — Ele colocou as mãos nos bolsos e ficou impressionado com a sensação boa da brisa fria no rosto. Ainda estava quente de irritação depois da reunião com os líderes da União. — Mas é mesmo bom estar aqui fora. Sinto que não saio do escritório há um mês.
— Desconfio que haja filmagens de segurança que possam provar isso.
Eles passaram por um laguinho com carpas, ensombreado pelos galhos de um salgueiro-chorão e cercado de uma série de jardins que foram cavados e arados recentemente para o replantio do outono seguinte. Ao sentir o cheiro do ar fresco, Kai ficou momentaneamente perplexo pela forma como a vida no palácio prosseguia; como a vida da cidade e da Comunidade das Nações Orientais e de toda a Terra prosseguira, mesmo quando ele se trancava naquele escritório e queimava o cérebro em busca de alguma forma de proteger isso tudo.
— Vossa Majestade?
Ele levou um susto.
— Sim, desculpe. — Ele indicou um banco simples de pedra. — Vamos nos sentar?
Priya ajeitou o tecido do sári quando se sentou. Os peixes dourados e laranja se aproximaram da margem de pedra do lago na esperança de ganhar comida.
— Eu queria falar com você sobre uma ideia que tive em relação aos profissionais contratados que vão ajudar com a cerimônia de casamento, mas acho que Sua Majestade lunar não aprovaria. Mesmo assim, achei que a decisão deveria ser sua.
— Profissionais contratados?
— Banqueteiros, mordomos, recepcionistas, floristas, coisas assim.
Kai ajeitou o punho da camisa.
— Ah, certo. Continue.
— Achei que talvez fosse prudente contratar para o evento uma mistura de humanos androides.
Ele balançou a cabeça.
— Levana jamais aceitaria.
— Sim. É por isso que eu sugeriria que usássemos os androides-acompanhantes que ela não reconheceria dessa forma.
Ele enrijeceu.
— Acompanhantes?
— Nós usaríamos só os modelos mais realistas. Poderíamos até fazer um pedido especial daqueles com características mais humanoides. Falhas na pele, cabelo e olhos de cor natural, tipos de corpo e de estrutura óssea variados. Eu tomaria o cuidado de encontrar androides que não chamassem a atenção.
Kai abriu a boca para refutar de novo, mas fez uma pausa. Androides-acompanhantes eram feitos basicamente para fazer companhia. Seria um insulto da maior ordem se Levana percebesse que estavam na cerimônia de casamento dela.
Mas...
— Eles não podem sofrer lavagem cerebral.
Priya ficou em silêncio por um momento antes de prosseguir:
— Também poderíamos usá-los para registrar os acontecimentos, caso Sua Majestade ou os convidados tentem fazer qualquer coisa... inconveniente.
— Levana insistiu na ausência de câmeras de novo?
A rainha odiava ser filmada e exigira que não houvesse nenhum aparelho de filmagem no baile anual, quando foi convidada especial.
— Não, Vossa Majestade, a rainha reconhece a importância de esse evento ser transmitido em âmbito internacional. Ela não ofereceu nenhuma resistência quanto a isso.
Ele soltou a respiração.
— No entanto, com androides podemos garantir que teremos olhos por todo o lado, de certa forma. — Ela deu de ombros. — Espero que essa seja uma precaução desnecessária.
Kai mexeu no punho da camisa. Era uma ideia inteligente. Os homens e mulheres mais poderosos da Terra estariam nessa cerimônia, tornando extremamente fácil para Levana abusar de seus poderes de manipulação. Ter funcionários leais que não podiam ser afetados poderia ser uma política de segurança contra uma catástrofe política mundial.
Mas Levana odiava androides. Se descobrisse, ficaria furiosa, e ele gostaria de evitar mais explosões da rainha se pudesse.
— Obrigado pela recomendação — disse ele. — Quando você precisa de uma decisão?
— No final desta semana, para podermos fazer o pedido a tempo.
— Eu aviso.
— Obrigada, Majestade. Além do mais, eu queria contar para você uma pequena descoberta que fiz esta manhã que resulta em mais um benefício de transmitir o evento.
— E qual é?
— Sua Majestade se recusa a retirar o véu na presença de qualquer câmera, e por isso vai usá-lo durante todo o casamento e coroação. — Ela esticou a mão e deu um tapinha no pulso de Kai. — O que quer dizer que você não vai ter que beijá-la.
Ele não conseguiu evitar uma gargalhada aguda. Saber disso realmente diminuiu um pouco do seu pavor, mas também foi um lembrete doloroso. Ele concluiu que ainda teria que beijá-la em algum momento. A ideia o enojava.
— Obrigado, Tashmi-jie. Isso torna tudo um pouco menos horrendo.
O rosto dela se suavizou.
— Posso falar abertamente, Majestade?
— É claro.
Ela puxou a mão e entrelaçou os dedos no colo.
— Não quero cruzar nenhum limite profissional, mas tenho um filho, sabe. Ele é um ano mais velho do que você.
Kai engoliu em seco, surpreso pela pontada de culpa. Ele nunca tinha pensado em quem essa mulher era quando saía do palácio todos os dias. Nunca tinha se dado ao trabalho de visualizá-la com uma família.
— Ultimamente, tentei imaginar como isso tudo seria para ele — prosseguiu Priya, olhando para os galhos caídos da árvore. As folhas estavam mudando para dourado e de vez em quando uma brisa soprava e algumas caíam girando no lago. — Que tipo de preço seria exigido de um jovem com essas responsabilidades, obrigado a tomar essas decisões. — Ela respirou fundo, como se arrependida das palavras antes mesmo de dizê-las. — Como mãe, me preocupo com você.
Ele olhou nos olhos dela e seu coração disparou.
— Obrigado — disse ele —, mas você não precisa se preocupar. Estou fazendo meu melhor.
Ela deu um sorriso gentil.
— Ah, sei que está. Mas, Vossa Majestade, estou planejando esse casamento há onze dias e vi você envelhecer anos nesse tempo. Me dói pensar no quanto as coisas vão ficar mais difíceis depois do casamento.
— Ainda tenho Torin. E o gabinete, e os representantes das províncias... Não estou sozinho.
Enquanto falava, ele sentiu o gosto da mentira.
Não estava sozinho. Estava?
A ansiedade subiu por sua garganta. É claro que não estava. Havia um país inteiro com ele, e todas as pessoas do palácio, e...
Ninguém.
Ninguém conseguia entender de verdade o que ele estava arriscando, que sacrifícios faria. Torin era inteligente o bastante para perceber, claro, mas ainda tinha uma casa para voltar no fim do dia.
E Kai não tinha contado para Torin que ele e Nainsi estavam procurando a princesa Selene de novo. E jamais falaria para Torin que uma parte dele torcia para Cinder estar em segurança. E jamais diria para ninguém o quanto estava apavorado, a cada momento de cada dia. O quanto estava com medo de cometer um erro enorme.
— Sinto muito, Majestade — disse Priya. — Eu esperava, se não fosse muito ousado de minha parte, poder oferecer conselho materno.
Ele apertou a ponta dos dedos na pedra fria do banco.
— Talvez isso pudesse me ajudar.
Priya ajeitou o sári no ombro, e o bordado dourado refletiu a luz do sol.
— Tente encontrar alguma coisa que faça você feliz. Sua vida não vai ficar mais fácil quando a rainha Levana for sua mulher. Se você tivesse ao menos uma pequena coisa que trouxesse felicidade ou esperança de que as coisas pudessem ficar melhores algum dia, talvez isso bastasse para sustentá-lo. Senão, temo que será fácil demais para a rainha ganhar.
— E o que você sugeriria?
Priya deu de ombros.
— Talvez este jardim seja um bom lugar para começar.
Seguindo o gesto dela, Kai observou os bambus sobre os muros de pedra, os lírios começando a murchar depois do longo período de verão, os peixes coloridos que se amontoavam e se empurravam, alheios à tormenta no mundo acima do pequeno lago.
Era bonito, mas...
— Você não está convencido — falou Priya.
Ele forçou um sorriso.
— É um bom conselho. Só não sei se eu teria a energia para ser feliz agora, com qualquer coisa.
Priya pareceu triste com a resposta, mas não surpresa.
— Pense no assunto. Você merece um descanso de vez em quando. Todos merecemos, mas você mais do que qualquer pessoa.
Ele deu de ombros, mas sem entusiasmo.
— Vou manter isso em mente.
— É tudo o que eu posso pedir. — Priya ficou de pé, e Kai se juntou a ela. — Obrigada pelo seu tempo. Me avise sobre sua decisão em relação aos androides-acompanhantes.
Kai esperou até ela voltar ao palácio para se sentar no banco de novo. Uma folha dourada estreita caiu em seu colo, e ele a pegou e girou entre os dedos.
O conselho de Priya tinha mérito. Um pouquinho de felicidade, de esperança, poderia fazer a diferença para preservar sua sanidade, mas era um pedido mais fácil de fazer do que de realizar.
Ele tinha um pouco de felicidade pela qual ansiar. Ver a assinatura de Levana no Tratado de Bremen. Distribuir o antídoto dela e erradicar essa peste horrível do planeta.
Mas essas vitórias viriam de mãos dadas com uma vida frequentando bailes de comemoração com Levana ao lado, e, da próxima vez, Cinder não estaria lá para distraí-lo.
Embora fosse verdade que essa vida pudesse ser mais curta do que se esperava. Era um pensamento mórbido, que sua morte prematura ao menos impediria que ele fosse a muitos bailes sofríveis.
Ele suspirou e seus pensamentos voltaram a Cinder. Não conseguia deixar de pensar nela atualmente, talvez porque o nome dela estivesse no começo de cada relatório, de cada noticiário. A garota que ele convidou para o baile. A garota com quem ele quis dançar.
Ele pensou naquele momento, viu-a no alto da escada, com o cabelo e o vestido molhados da chuva. Quando reparou que ela estava usando as luvas dadas por ele. Um sorriso ameaçou se abrir. Não devia ser isso que Priya tinha em mente; a situação mais impossível de todas. Seu relacionamento com Cinder, se é que podia ser chamado assim, foi fugaz e agridoce.
Talvez se as coisas fossem diferentes. Talvez se ele não fosse se casar com Levana. Talvez se tivesse a chance de conversar com Cinder sobre as coisas que o atormentavam: foi tudo uma enganação? Ela em algum momento pensou em contar a verdade para ele?
Talvez então ele pudesse imaginar um futuro em que eles recomeçassem.
Mas o noivado era muito real, e Cinder era...
Cinder era...
Ele fez um movimento brusco e quase esmagou a folha no punho.
Cinder estava procurando a princesa Selene. Talvez até a tivesse encontrado.
Essa situação era repleta de outras perguntas. Quais eram os motivos de Cinder e o que estava fazendo? Como o povo de Luna reagiria quando a princesa Selene voltasse? Que tipo de pessoa ela tinha se tornado? Será que iria querer o trono de volta?
Apesar das dúvidas, ele acreditava que Selene estava viva. Acreditava que ela era a verdadeira herdeira do trono lunar e que podia encerrar o reinado de Levana. Acreditava que Cinder, que havia se provado a pessoa mais resistente e versátil que ele já conhecera, tinha uma chance verdadeira de encontrá-la e de mantê-la em segurança e de revelar a identidade dela para o mundo.
Podia ser uma esperança frágil, mas, agora, era a melhor que ele tinha.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!