20 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Cinquenta

Cinder se viu em frente a um par de portas ameaçadoras, preto ébano. Tinham o dobro da altura dela e, em um palácio feito quase todo de vidro e pedra branca, parar na frente delas era como estar na beirada de um buraco negro. Eram minimamente decoradas com duas maçanetas grossas de ferro preto que se arqueavam quase até o chão. A insígnia lunar tinha sido entalhada na madeira em detalhes mínimos, representando a capital Artemísia e, ao longe, a Terra.
Dois guardas abriram as portas e Cinder ficou de cara com um corredor de mais taumaturgos e guardas, e agora de soldados lobos mutantes também. A visão fez Cinder tremer. Eles não eram agentes especiais como Lobo. Esses homens foram transformados em algo bestial e grotesco. Os ossos dos maxilares eram deformados e reforçados para suportarem os enormes caninos; os braços pendiam desajeitados ao lado do corpo, como se as colunas não estivessem acostumadas ao peso dos novos músculos e dos membros prolongados.
Ocorreu a ela que eles não eram tão diferentes de ciborgues. Ambos eram feitos para serem melhores do que eram quando nasceram. Ambos não eram naturais. Só que, em vez de serem montados com fios e aço, essas criaturas eram um quebra-cabeça de tecido muscular e cartilagem.
O guarda puxou o cotovelo de Cinder, e ela cambaleou para a frente. Os soldados a observaram com olhares afiados e famintos.
Lobo tinha lhe dito que aqueles soldados eram diferentes. Que eram erráticos e selvagens, desejando apenas violência e sangue. Uma lunar poderosa como a rainha poderia enganá-los para que percebessem um glamour, mas não passava disso. Nem os taumaturgos controlavam as mentes e corpos deles, e por isso tinham que treinar os soldados como cachorros. Se eles se comportassem mal, eram punidos com dor. Se tivessem um bom desempenho, eram recompensados. Só que as recompensas que Lobo mencionou não pareceram a Cinder tão atraentes. Evidentemente, na Terra, cada morte sangrenta era uma recompensa em si. Eles estavam ansiosos para participar de uma guerra.
Cinder abriu a mente para eles, para tentar sentir as pulsações bioelétricas. A energia deles ardia quente e branca e violenta. Fome e tentação se retorciam embaixo da pele.
Ela ficou tonta só com a ideia de tentar controlar tanta energia bruta.
Mas ela tinha que tentar.
Respirando de forma controlada, Cinder tentou alcançar a mente do soldado mais próximo. A energia dele era escaldante e faminta. Ela a imaginou esfriando, se acalmando. Imaginou o soldado olhando para ela e vendo não uma inimiga, mas uma garota que precisava ser salva. Uma garota que merecia sua lealdade.
Ela olhou nos olhos do soldado e viu sua boca se curvar em um sorriso doentio ao redor dos dentes irregulares.
Desanimada, Cinder desviou a atenção.
Ao chegar perto do final do corredor de soldados, ela tentou absorver o resto dos arredores. Havia conversas animadas e gargalhadas e o ruído caótico de copos. O aroma de comida a atingiu como uma nuvem de vapor liberada de uma panela fechada. Sua boca se encheu de saliva. Cebola e alho e carne assada e alguma coisa apimentada que fez seus olhos arderem…
O estômago gritou com ela. Uma tontura surgiu no cérebro, como uma névoa. Ela não comia havia um dia, e mesmo aquela refeição não fora satisfatória.
Ela engoliu em seco e tentou se concentrar, observando o aposento. À direita, janelas enormes davam vista para um lago, ladeado pelas alas curvas do palácio branco, como um cisne protetor enorme. O lago se estendia até onde ela conseguia ver. O chão do aposento se projetava como uma varanda acima da água. Embora formasse uma vista contínua, Cinder não podia negar a sensação de medo surgindo no estômago. Não havia amurada para impedir que uma pessoa caísse da beirada.
As conversas começaram a morrer, mas Cinder só viu a plateia à esquerda quando chegou ao fim da fila de soldados.
A luz laranja se acendeu em sua visão e não se apagou, não importava para onde ela olhava. Havia muito glamour ali.
No centro estava Levana, sentada em um trono branco enorme, com o encosto ornamentado com as fases da lua. Ela estava usando um vestido de noiva vermelho elaborado.
O display na retina de Cinder começou a captar as feições básicas da rainha. Era como estar no baile de novo, na primeira vez que fixou os olhos em Levana e percebeu que era possível enxergar embaixo do glamour com sua optobiônica. Mas não era uma tarefa fácil. Os olhos de ciborgue entravam em conflito com o cérebro dela e com a manipulação da rainha, e sua mente não identificava o que estava vendo. O resultado era um fluxo de dados constantes, cores manchadas, linhas fragmentadas tentando identificar o que era real e o que era ilusão.
Era perturbador e já estava provocando uma dor de cabeça. Cinder piscou para afastar os dados.
Cinco fileiras de assentos faziam um arco ao redor do trono, um crescente de observadores cercando Cinder por todos os lados, exceto o que dava caminho para a queda até o lago. A corte lunar. As mulheres usavam chapéus grandes com formato de pavão, e um homem tinha um leopardo das neves caído sobre os ombros; os vestidos eram feitos de correntes de ouro e rubis, sapatos plataforma tinham peixes beta nadando nos saltos, a pele tinha sido pintada de prateado, os cílios decorados com pedras e escamas de peixe…
Cinder precisou piscar por causa de tanto brilho. Glamour, glamour, glamour.
Uma cadeira foi empurrada. O coração de Cinder deu um pulo.
O noivo estava de pé ao lado do trono de Levana, usando uma camisa branca de seda com uma faixa vermelha. Kai.
— O que é isso? — perguntou ele, o tom de sua voz flutuando entre o horror e o alívio.
— Isso é nosso entretenimento desta noite — disse a rainha Levana, com o olhar cheio de humor. — Considere como meu presente de casamento para você. — Sorrindo, ela passou o nó do dedo na lateral do rosto de Kai. — Marido.
Kai recuou do toque dela e ficou com as bochechas vermelhas. Mas Cinder sabia que não era constrangimento nem acanhamento. Era pura fúria. Sentia na forma como o ar estalava ao redor dele.
Levana girou o dedo com uma unha comprida no ar.
— Os procedimentos desta noite serão transmitidos ao vivo para que meu povo possa testemunhar e participar das comemorações deste dia tão glorioso. E também para que saibam o destino da impostora que ousa se dizer rainha.
Ignorando-a, Cinder examinou o teto. Não havia câmeras visíveis, mas ela sabia que Levana tinha talento para criar aparatos de vigilância que eram praticamente invisíveis. Considerando que a rainha não estava usando véu, era seguro supor que qualquer imagem de vídeo estaria direcionada para o “entretenimento”. Levana queria que o povo visse a execução de Cinder. Queria que perdessem as esperanças na revolução.
Levana levantou os braços.
— Que comecemos o banquete.
Servos uniformizados apareceram em fila única por trás de uma cortina. O primeiro se ajoelhou aos pés da rainha e levantou a tampa de cima de uma tigela, segurando-a acima da cabeça. O sorrisinho da rainha cresceu quando ela escolheu um camarão grande e rosado, e cortou a carne com os dentes.
Outro servo se ajoelhou na frente de Kai, enquanto os outros cercavam o aposento e ficavam de joelhos em frente aos convidados, revelando bandejas de ovas alaranjadas de peixe e ostras fumegantes, tiras grelhadas de carne e pimentões recheados. Cinder percebeu que Kai não era o único terráqueo no aposento. Ela reconheceu o conselheiro dele, Konn Torin, sentado na segunda fila, e o presidente americano, a primeira-ministra africana, o governador-geral australiano e… Ela parou de olhar. Estavam todos lá, como Levana queria.
Com o coração disparado, olhou para os servos, guardas e soldados de novo, torcendo para que Lobo também tivesse sido levado perante a rainha. Mas ele não estava ali. Cinder, Adri e Pearl eram as únicas prisioneiras.
Ela foi tomada de preocupação. Para onde o tinham levado? Será que ele já estava morto?
Cinder desviou o olhar para Kai novamente. Se ele tinha reparado na comida, ignorou. Ela conseguia ver seu maxilar trabalhando, querendo questionar a presença dela, querendo saber o que a rainha estava planejando. Conseguia vê-lo tentando arrumar um jeito lógico de sair daquilo, de encontrar um ângulo diplomático que pudesse usar para impedir que o inevitável acontecesse.
— Sente-se, meu amor — disse Levana. — Senão vai atrapalhar a visão dos convidados.
Kai se sentou rápido demais para que tivesse sido por vontade própria. Ele virou o olhar fulminante para a rainha.
— Por que ela está aqui?
— Você parece zangado, meu bichinho. Está insatisfeito com nossa hospitalidade?
Sem esperar resposta, Levana ergueu o queixo e olhou para Cinder, depois para Adri e Pearl.
— Aimery, pode prosseguir.
Ele andou pela frente do salão e deu um sorrisinho debochado para Cinder quando passou por ela. Embora o casaco tivesse sido lavado para limpar o sangue, ele ainda estava andando com rigidez para esconder a perna machucada.
Aimery ofereceu o cotovelo para Adri, que emitiu um som apavorado e meio estrangulado. Ela demorou para aceitar. Parecia que ia vomitar quando Aimery a levou até o centro da sala do trono.
Ao redor deles, o som de mastigação e dedos lambidos persistiu, como se as iguarias fossem tão interessantes quanto os prisioneiros. Os servos ainda estavam de joelhos, segurando as travessas acima das cabeças. Cinder fez uma careta. Será que aquelas travessas estavam muito pesadas?
— Apresento à corte Linh Adri, da Comunidade das Nações Orientais, União Terráquea — disse Aimery, soltando o braço de Adri para que ela ficasse sozinha, de pé sobre pernas trêmulas. — Ela foi acusada de conspiração contra a coroa. A punição para esse crime é a morte imediata pela própria mão, e que sua filha e dependente, Linh Pearl, seja entregue como serva para uma das famílias de Artemísia.
Cinder ergueu as sobrancelhas. Até o momento, estava preocupada com o próprio destino, e não ocorreu a ela que Adri pudesse ter sido levada ali por qualquer outro motivo além de irritá-la.
Ela queria não se importar. Queria não sentir nada além de desinteresse pelo destino da madrasta.
Mas sabia que, com todos os defeitos que tinha, Adri não fez nada para merecer uma execução lunar. Era um jogo de poder por parte de Levana, nada mais, e era impossível não sentir uma pontada de pena da mulher.
Adri caiu de joelhos.
— Eu juro que não fiz nada. Eu…
Levana levantou a mão e Adri ficou em silêncio. Um momento agonizante veio em seguida, no qual a expressão de Levana se tornou ilegível. Finalmente, ela estalou a língua, como quem repreende uma criancinha.
— Aimery, continue.
O taumaturgo assentiu.
— Uma investigação mostrou que os dois convites com os quais os cúmplices de Linh Cinder invadiram o palácio de Nova Pequim para sequestrar o imperador Kaito foram dados por esta mulher. Os convites eram para ela e para a filha adolescente.
— Não! Ela roubou! Roubou! Eu jamais os daria para ela. Eu jamais a ajudaria. Eu a odeio… odeio! — Chorou de novo, com os ombros tão encolhidos que ela toda era praticamente uma bola no chão. — Por que isso está acontecendo comigo? O que eu fiz? Eu não… Ela não é minha…
Cinder estava achando mais fácil não se importar.
— Você precisa se acalmar, sra. Linh — disse Levana. — Vamos saber a verdade sobre sua lealdade em pouco tempo.
Adri choramingou e fez uma tentativa de se recompor.
— Assim é melhor. Você foi guardiã legal de Linh Cinder por quase seis anos, correto?
O corpo todo de Adri estava tremendo.
— É… é verdade. Mas eu não sabia o que ela era, eu juro. Foi meu marido que quis ficar com ela, não eu. Ela é a traidora! Cinder é uma criminosa, além de uma garota perigosa e falsa. Mas eu achava que ela era só uma ciborgue. Não fazia ideia do que estava planejando, senão eu mesma a teria entregado.
Levana passou uma unha pelo braço do trono.
— Você estava com Linh Cinder quando ela passou pelas cirurgias ciborgues?
Os lábios de Adri se curvaram de nojo.
— Pelas estrelas, não. A operação foi executada na Europa. Eu só a conheci quando ela foi levada para Nova Pequim.
— Seu marido estava presente na operação?
Adri piscou, desconcertada.
— Eu… eu acho que não. Nós nunca falamos disso. Mas ficou fora duas semanas quando foi… buscá-la. Eu sabia que ele ia ver uma criança que tinha sofrido um acidente de aerodeslizador. Mas nunca entendi por que ele achou que devia ir até a Europa para fazer caridade, e a filantropia dele foi recompensada só com sofrimento. Ele contraiu letumose nessa viagem, morreu semanas depois de voltar, me deixando para cuidar das minhas duas filhas pequenas e dessa coisa que deixou sob minha tutela…
— Por que você nunca tentou ganhar dinheiro com as invenções de seu marido após a morte dele?
Adri olhou para a rainha de boca aberta.
— Perdão, Vossa Majestade?
— Ele era inventor, não era? Deve ter deixado alguma coisa de valor.
Adri pensou nisso, talvez se perguntando por que a rainha lunar estava interessada em seu falecido marido. Seu olhar se desviou entre os guardas e os lunares.
— N-Não, Vossa Majestade. Se havia qualquer coisa de valor, nunca vi um único univ derivado dela. — Uma sombra recaiu sobre seu rosto. — Ele nos deixou sem nada, em pura desgraça.
A voz de Levana soou gelada:
— Você está mentindo.
Adri arregalou os olhos.
— Não! Não estou. Garan não nos deixou nada.
— Tenho provas do contrário, terráquea. Você me acha tola?
— Que provas? — gritou Adri. — Eu não… eu juro… — Mas o que ela queria dizer foi afogado por uma onda de soluços e choro.
Cinder trincou o maxilar. Não sabia que jogo Levana estava fazendo, mas sabia que a histeria de Adri não faria a menor diferença. Ela considerou usar seu dom lunar para interromper o choro descontrolado de Adri, para que ela pudesse morrer com um pouco de dignidade, mas endureceu o coração e não fez nada. Ela talvez precisasse de suas forças quando chegasse a hora de seu próprio julgamento. Quando fosse sua vez, ela se prometeu não desmoronar em tremores e choro.
— Aimery — disse Levana, suas palavras interrompendo o choro de Adri. — Um dos nossos regimentos encontrou uma caixa de documentos no depósito alugado para Linh Adri no prédio dela.
Levana deu um sorrisinho.
— Você ainda quer manter sua defesa de que não houve nada de valor deixado pelo seu marido? Nenhuma papelada importante guardada no depósito?
Adri hesitou. Começou a balançar a cabeça, mas parou.
— Eu... eu não sei...
— Os documentos indicavam uma patente pendente de design de uma arma com o propósito de neutralizar o dom lunar — declarou Aimery. — Desconfiamos que essa arma tenha sido criada para ser usada logo contra Vossa Majestade.
Cinder estava se esforçando para acompanhar as acusações de Aimery. Uma arma com o propósito de neutralizar o dom lunar. Ela quase não conseguiu se controlar para não massagear a nuca, onde a invenção de Linh Garan, um dispositivo de segurança bioelétrica, tinha sido instalado na parte ciborgue dela. Era disso que estavam falando?
— Espere — disse Kai, sua voz trovejando. — Você tem esses papéis que supostamente provam a culpa dela?
Aimery inclinou a cabeça.
— Já foram destruídos, por questão de segurança real.
Os nós dos dedos de Kai ficaram brancos nos braços da cadeira.
— Você não pode destruir provas e depois tentar usá-las para condenar uma pessoa. Vocês não podem esperar que acreditemos que vocês encontraram essa caixa de documentos durante uma busca ilegal, devo acrescentar, e que eles tinham as patentes de uma arma direcionada aos lunares, e que Linh Adri tinha qualquer conhecimento disso. É muita especulação. Além disso, vocês violaram uma quantidade de artigos do Acordo Interplanetário quando apreenderam uma cidadã terráquea sem motivo justificado invadiram propriedade particular.
Levana apoiou a bochecha na mão.
— Por que não discutimos isso depois, querido?
— Ah, você quer discutir depois? Isso seria antes ou depois de você ter matado uma terráquea inocente?
Levana deu de ombros.
— Isso ainda vai ser resolvido.
Kai fez um ruído de desprezo.
— Você não pode… — Ele parou de falar de repente, obrigado a calar a boca.
— Você vai aprender logo, querido, que não gosto que me digam que eu não posso. — Levana voltou a atenção para Adri. — Linh Adri, você ouviu as acusações contra você. Como se declara?
Adri gaguejou.
— E-Eu sou inocente. Juro que nunca… eu não sabia… eu…
Levana suspirou.
— Eu quero acreditar em você.
— Por favor — implorou Adri.
Levana comeu outro camarão. Engoliu. Lambeu os lábios vermelho-sangue.
— Estou preparada para oferecer clemência.
Uma agitação de curiosidade se espalhou pela multidão.
— Essa decisão depende de você renunciar a todo o interesse legal na criança órfã, Linh Cinder, e de jurar lealdade a mim, a rainha de Luna por direito e futura imperatriz da Comunidade das Nações Orientais.
Adri já estava balançando a cabeça.
— Sim. Sim, eu juro. Com prazer, Vossa Graça. Vossa Majestade.
Cinder olhou com raiva para a nuca de Adri. Não por a decisão dela ser surpreendente, mas porque não achava que as coisas fossem ser tão fáceis. Levana estava planejando alguma coisa, e Adri estava caindo direto nas mãos dela.
— Que bom. Você está absolvida de todas as acusações. Pode demonstrar respeito por sua soberana. — Levana esticou a mão e Adri, depois de um momento de hesitação, se aproximou de joelhos e deu um beijo grato nos dedos da rainha. Ela começou a chorar de novo. — A criança não tem gratidão? — perguntou Levana.
Pearl gemeu, mas se aproximou lentamente e beijou as mãos de Levana.
Uma mulher na fila da frente, com a boca cheia, aplaudiu educadamente.
Levana assentiu e dois guardas se aproximaram para arrastar Adri e Pearl para a lateral do salão.
Cinder já tinha deixado de lado os pensamentos na madrasta, e estava se preparando quando Levana voltou a atenção para a ciborgue. A rainha não fez nenhuma tentativa de esconder o prazer quando falou:
— Vamos continuar com nosso segundo julgamento.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!