13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Cinquenta e seis

PARA QUEM A VISSE, LEVANA ERA UMA VISÃO DE SERENIDADE COM o vestido de noiva vermelho etéreo e o véu dourado fino que ia até os pulsos. Ela estava sentada em um divã nos aposentos de hóspede, com a postura perfeita e as mãos cruzadas no colo.
Só que elas não estavam cruzadas, mas apertadas em punhos furiosos.
Cada uma tinha uma aliança de casamento. Uma que ela usou por anos demais, que antes acreditava que pudesse trazer amor e felicidade, mas só trouxe dor. A outra devia trazer-lhe não o amor de um marido cego e egoísta, mas o amor de um planeta inteiro. Devia estar usando-a naquele momento.
Tudo estava indo tão bem. Ela esteve a momentos de subir no altar. A momentos. Deveria estar casada. Deveria estar recitando as promessas que a tornariam imperatriz.
Quando descobrisse quem era responsável pelo atraso, atormentaria a mente frágil da pessoa até ela virar um idiota patético e babão, com medo da imagem das próprias mãos.
Uma batida interrompeu a fantasia. Levana desviou o olhar para a porta.
— Entre.
Um de seus guardas entrou primeiro, escoltando Konn Torin, o conselheiro irritante e sempre presente do jovem imperador. Ela lançou-lhe um olhar irritado através do véu dourado, embora soubesse que ele não tinha como perceber.
— Vossa Ilustre Majestade — disse ele, com uma reverência profunda. A adição de um novo adjetivo, junto com a reverência um pouco mais profunda do que o habitual, fez os cabelos da nuca dela se arrepiarem. — Peço desculpas sinceras pelo atraso e pela notícia que preciso dar. Infelizmente, fomos obrigados a adiar a cerimônia de casamento.
— Perdão?
Ele se empertigou, mas manteve o olhar respeitosamente no chão.
— Sua Majestade Imperial, o imperador Kaito, foi sequestrado. Ele foi levado dos aposentos pessoais para uma nave espacial não rastreável.
Os dedos dela apertaram as alianças de casamento.
— Por quem?
— Linh Cinder, Vossa Majestade. A ciborgue fugitiva do baile. Junto com vários cúmplices, ao que parece.
Linh Cinder.
Cada vez que ouvia aquele nome, ela sentia vontade de cuspir.
— Entendo — disse ela, cansada demais para aliviar a severidade de sua raiva. — Devo acreditar que vocês não tinham medidas de segurança para o caso de haver esse tipo de tentativa de ataque?
— Nossa segurança foi comprometida.
— Comprometida.
— Sim, Vossa Majestade.
Ela ficou de pé. O vestido voou como uma brisa ao redor dos quadris. O conselheiro nem se mexeu, embora devesse.
— Você está me dizendo que essa adolescente não só fugiu da sua prisão e da captura por seus militares altamente treinados, mas também invadiu o palácio e os aposentos particulares do próprio imperador, o sequestrou e escapou de novo.
— Precisamente, Vossa Majestade.
— E o que vocês estão fazendo para recuperar meu noivo?
— Reunimos todas as unidades policiais e militares ao nosso disp...
— NÃO É O BASTANTE.
Desta vez, ele se encolheu.
Levana acalmou a respiração.
— A Comunidade falhou muitas vezes em relação a Linh Cinder. A partir de agora, vou usar meus próprios recursos e táticas para encontrá-la. Meus guardas vão precisar ver todas as filmagens de segurança das últimas quarenta e oito horas.
O conselheiro uniu as mãos nas costas.
— Ficamos felizes em dar acesso às filmagens de segurança que temos. No entanto, não temos aproximadamente duas horas de filmagem, que foram comprometidas esta tarde pela falha de segurança.
Ela fez uma expressão de desprezo.
— Certo. Me tragam o que vocês têm.
O taumaturgo Aimery Park apareceu na porta.
— Vossa Majestade. Eu gostaria de pedir um momento em particular.
— Com prazer. — Ela acenou para Konn Torin. — Você está dispensado, mas saiba que a incompetência de sua equipe de segurança não será ignorada.
Sem argumentar, o conselheiro fez outra reverência profunda e saiu.
Assim que ele não estava mais na sala, Levana arrancou o véu da cabeça e o jogou no divã.
— O jovem imperador foi sequestrado, e no próprio palácio. Os terráqueos são patéticos. É incrível ainda não estarem extintos.
— Eu não discordo, Vossa Majestade. Acredito que o sr. Konn não a tenha informado do outro desenvolvimento interessante desta noite, certo?
— Que desenvolvimento?
Os olhos de Aimery dançaram.
— Parece que o dr. Sage Darnel está neste palácio, preso em uma sala de quarentena na ala de pesquisa.
— Sage Darnel? — Ela fez uma pausa. — Ousando retornar depois de ajudar na fuga daquela garota maldita?
— Sem dúvida eles estavam trabalhando juntos, embora eu tenha sido levado a acreditar que o dr. Darnel não vá sobreviver por muito tempo. Pelo que eu soube, contraiu uma variação incomum de letumose, que parece agir bem mais rápido do que a comum. E, é claro, ele é lunar.
A pulsação dela saltou. Isso abria algumas possibilidades interessantes.
— Me leve até ele — ordenou, colocando a verdadeira aliança de casamento no dedo de novo. A outra, a que a ligaria ao imperador Kaito, ela deixou para trás.
— Devo avisá-la — disse Aimery quando ela o seguiu para o corredor — que os elevadores de todo o palácio não estão funcionando. Vamos ser obrigados a tomar as escadas.
— Terráqueos — rosnou ela, levantando a barra da saia.
Foi como atravessar um labirinto infinito, mas eles finalmente chegaram à ala de pesquisa. Um grupo de oficiais tinha se reunido fora do laboratório, e Levana sentiu desprezo ao pensar que pretendiam esconder a informação quando Sage Darnel, assim como Linh Cinder, era problema dela, para resolver como lhe conviesse.
Quando ela entrou na sala do laboratório, penetrou nas mentes dos homens e mulheres ao redor e transmitiu uma vontade intensa de estarem em outro lugar.
A sala ficou vazia em segundos, exceto por ela e Aimery.
Era uma sala imaculada com cheiro de produtos químicos, cheia de luzes fortes e superfícies duras. E, do outro lado de uma janela escura, o dr. Sage Darnel estava deitado na mesa, segurando um boné cinza sobre a barriga.
Com exceção da filmagem de segurança que o mostrava ajudando Linh Cinder a fugir da prisão, Levana não o via desde que ele desapareceu, uma década antes. Houve uma época em que ele foi um dos cientistas mais proeminentes dela, fazendo grandes avanços no desenvolvimento dos soldados lupinos quase mensalmente.
Mas o tempo não foi gentil com ele. O rosto estava cansado e enrugado. Ele estava ficando careca, e o que sobrou do cabelo estava ressecado e grisalho. E havia a doença. A pele reptiliana estava coberta de manchas que pareciam hematomas e de uma irritação que surgia como bolhas, uma em cima da outra. A ponta dos dedos já ficavam azuis. Não, ele não permaneceria vivo por muito tempo.
Levana foi até a janela. Havia uma luz acesa ao lado de um microfone, indicando que a comunicação estava aberta entre as duas salas.
— Meu querido dr. Darnel, eu não achava que voltaria a ter o prazer.
Ele abriu os olhos, ainda brilhantes e azuis por trás dos óculos. A atenção dele estava grudada no teto, e, apesar de ter ocorrido a Levana que a janela só tinha vista em uma direção, ela ficou irritada por ele não se dar ao trabalho de olhar para ela.
— Vossa Majestade — disse ele em tom ríspido. — Eu achava que ouviria sua voz mais uma vez.
Ao lado dela, Aimery verificou um tablet preso ao cinto e pediu licença com uma reverência.
— Devo dizer que estou satisfeita com essa ironia. Você deixou uma posição honorável em Luna para vir para a Terra e dedicar seus últimos anos a encontrar uma cura para essa doença. Uma doença para a qual já tenho o antídoto. Na verdade... pensando bem, eu talvez tenha algumas amostras comigo no palácio. Gosto de tê-las à mão para o caso de alguma coisa acontecer com meu noivo ou com alguém que seja necessário aos meus objetivos. Eu poderia mandar trazerem o antídoto para você, mas acho que não vou fazer isso.
— Não se preocupe, minha rainha. Eu não aceitaria se você trouxesse, agora que sei tudo o que você fez para obtê-lo.
— Tudo o que fiz? Para curar uma doença que, até hoje, não afetava meu próprio povo? Acredito que é bastante caridoso de minha parte, você não acha?
Ele se sentou mais ereto devagar. Baixou a cabeça até o peito ao tentar recuperar o fôlego depois do pequeno esforço.
— Eu descobri, minha rainha. Eu realmente acreditava que os cascudos eram mortos quando você os tirava de nós, mas isso não é verdade. Algum deles é morto ou é só fachada? Um jeito de colocá-los em reclusão e tirar o sangue sem ninguém ir procurá-los?
Ela piscou.
— Você teve um bebê cascudo, não teve? Me ajude a lembrar, era um garotinho ou uma garotinha? Talvez quando eu voltar para casa eu possa encontrá-lo e contar o quanto o pai dele era pequeno e patético quando morreu bem na minha frente.
— O que eu acho mais interessante — disse o doutor, coçando a orelha e agindo como se não a tivesse ouvido — é que o primeiro caso documentado de letumose ocorreu doze anos atrás. Mas você vem coletando anticorpos há bem mais do que isso. Na verdade, foi sua irmã quem começou os experimentos, se meus cálculos estiverem corretos.
Levana abriu os dedos sobre a bancada.
— Você me fez lembrar por que foi uma perda tão terrível para nossa equipe, doutor.
Ele passou o braço pela testa úmida. A pele parecia transparente sob as luzes intensas.
— Essa doença é toda coisa sua. Você fabricou a morte para fazer a Terra se ajoelhar, para, na hora certa, estar aqui e salvar a população com seu antídoto milagroso. Um antídoto que você tinha guardado o tempo todo.
— Você me dá crédito demais. Foi a equipe que trabalhava para meus pais que criou a doença, e a equipe da minha irmã que aperfeiçoou o antídoto. Eu só implementei a pesquisa ao determinar um meio de trazer a doença para a Terra.
— Expondo lunares a ela e enviando-os para cá, sem terem ideia do que estavam carregando.
— Enviando para a Terra? De jeito nenhum. Eu só cuidei para que minha equipe de segurança olhasse para o outro lado quando eles... fugiram.
A última palavra foi mordaz. Ela não gostava da ideia de que algumas pessoas preferiam fugir do paraíso que ela lhes tinha dado.
— É uma guerra biológica. — O dr. Darnel tossiu com o braço dobrado na frente do rosto, deixando pontos vermelho-escuros. — E a Terra nem faz ideia.
— E vai continuar sem fazer ideia. Porque vou ficar aqui e ver você morrer.
Ele deu uma gargalhada aguda.
— Você acha mesmo que eu levaria esse segredo para o túmulo?
Uma pontada de irritação desceu pela coluna dela.
Os olhos do doutor estavam vidrados, mas o sorriso foi enorme quando ele observou a janela.
— É um espelho bem grande esse para onde estou olhando. É impossível me esconder do que sou... do que me tornei. Minha rainha, você não gostaria de morrer nesta sala. Eu desconfio que arrancaria a própria pele se fosse forçada a olhar para si por muito tempo.
Ela apertou bem as mãos e afundou as unhas nas palmas.
— Vossa Majestade.
Expirando, ela se forçou a abrir as mãos. As palmas estavam ardendo.
Aimery tinha voltado com Jerrico, o capitão da guarda, parecendo que tinha participado de uma luta impressionante.
— Finalmente. Onde você e Sybil estavam? Conte tudo.
Jerrico fez uma reverência.
— Minha rainha, a taumaturga e eu, junto com cinco dos meus melhores homens, cercamos Linh Cinder e seus cúmplices na plataforma de pouso de emergência no telhado desta torre.
A esperança aqueceu o peito dela.
— E vocês os capturaram? Eles não fugiram, no fim das contas?
— Não, Vossa Majestade. Nós falhamos em nosso objetivo. Dois dos meus homens estão mortos, os outros três estão seriamente feridos. Eu mesmo estava inconsciente quando a espaçonave fugiu com os traidores e o imperador Kaito a bordo.
A fúria começou a subir pela espinha de novo, desesperada para ser libertada.
— E onde está a taumaturga Mira?
Ele baixou o olhar respeitosamente.
— Morta, Vossa Majestade. Linh Cinder usou o dom para torturar a mente dela; eu ouvi os gritos. Os que estavam conscientes relataram que, depois que a espaçonave partiu, a taumaturga Mira se jogou do telhado. O corpo foi encontrado nos jardins.
Uma risadinha enlouquecida ecoou pela sala. Levana se virou e viu o doutor inclinado sobre os joelhos, batendo com os calcanhares na mesa.
— Ela mereceu, a cobra. Depois de manter meu passarinho dourado trancado na gaiola por tanto tempo.
— Vossa Majestade.
Levana olhou novamente para Jerrico.
— O quê?
— Encontramos um dos cúmplices de Linh Cinder a bordo da nave antes do confronto. O novo piloto dela, ao que parece.
Jerrico indicou o corredor. Passos estalaram, e, um momento depois, dois homens entraram. Outro guarda entrou escoltando...
O sorriso dela surgiu rapidamente.
— Meu querido Senhor Clay.
Apesar de os pulsos estarem presos nas costas, ele se manteve empertigado e parecia mais saudável do que nunca. Estava claro que não tinha sido tratado como prisioneiro na nave de Linh Cinder.
— Minha rainha. — Ele baixou a cabeça.
Ela projetou o dom lunar nele para testar sinais de escárnio ou rebelião, mas não havia nada disso. Ele estava tão vazio e maleável como sempre.
— Minha compreensão é que você abandonou sua taumaturga em uma batalha essencial para se juntar a Linh Cinder contra a coroa lunar. Sua presença aqui me leva a concluir que também está envolvido no sequestro de meu noivo. Você traiu a mim e meu trono. Como você se declara?
— Inocente, minha rainha.
Ela riu.
— É claro. Como você pode se declarar assim?
Ele sustentou o olhar dela sem remorso.
— Durante a batalha a bordo da nave, a taumaturga Mira foi consumida pelo esforço de controlar um agente especial lunar que se juntou aos rebeldes. Com minha mente aberta, Linh Cinder me obrigou a colaborar com ela e lutar contra minha taumaturga, o que fez com que ela abandonasse a nave e me deixasse a bordo. Ao perceber isso como uma oportunidade de conquistar as graças dos rebeldes, eu passei essas últimas semanas agindo como espião com a intenção de relatar as fraquezas e estratégias quando enfim voltasse para minha rainha, a quem tenho a honra de servir.
Ela deu um sorrisinho de desprezo.
— Sem dúvida sua ansiedade em voltar envolvia um desejo de ver sua amada princesa também.
Pronto... finalmente. Uma leve onda de emoção antes de o lago voltar a ficar parado como vidro.
— Eu vivo para servir todos os membros da família real lunar, minha rainha.
Ela passou os dedos pela saia.
— Como posso acreditar que você permanece leal a mim quando está de pé na minha frente acorrentado depois de ter sido arrastado de dentro da nave do meu próprio inimigo?
— Eu esperava que minhas ações provassem minhas lealdades. Se eu quisesse que Linh Cinder tivesse sucesso nos objetivos dela, não teria mandado uma mensagem para a taumaturga Mira informando-a onde e quando chegaria com aquela nave.
Levana sustentou o olhar de Jacin antes de se virar para Jerrico.
— Isso é verdade?
— Não tenho como saber. A taumaturga Mira parecia confiante da localização quando fomos interceptar os traidores, mas não disse nada sobre mensagem nenhuma. E pareceu furiosa quando encontramos Jacin no cockpit. Foi por ordem dela que o prendi.
— Com todo o respeito — disse Jacin. — Eu atirei nela em nosso último encontro. E a mensagem foi enviada anonimamente; ela talvez não tenha percebido que fui eu que mandei a dica.
Levana afastou essa declaração com um aceno.
— Vamos investigar mais, sr. Clay. Mas, como você alega ter coletado informações durante semanas, me conte, que coisas úteis descobriu sobre nossos inimigos?
— Descobri que Linh Cinder tem a capacidade de controlar um agente especial lunar — disse ele, recitando a informação com tanta emoção quanto um androide terráqueo. — No entanto, não tem treino e nem foco. Não demonstra talento nenhum para se envolver em batalhas simultaneamente mentais e físicas.
— Especulação interessante — refletiu Levana. — Na sua avaliação, ela teria o foco mental necessário para torturar um inimigo, levando-o à beira da insanidade?
— De jeito nenhum, Vossa Majestade.
— De jeito nenhum. Muito bem, então. Ou você é muito mais burro do que eu imagino ou está mentindo, pois foi exatamente isso que Linh Cinder fez hoje, e com minha taumaturga chefe.
Outra pontada de emoção despertou um breve sinal de nervosismo, mas foi encoberto por batidas altas vindas da sala de quarentena.
— É claro que ele está mentindo! — gritou o doutor, com a voz falhando. Ele tinha se levantado da mesa e estava batendo com as palmas das mãos no vidro, deixando manchas de cuspe ensanguentado. — Ela é capaz de matar sua taumaturga chefe e todos os seus guardas e toda a sua corte. Ela é a princesa Selene, a verdadeira herdeira do trono. Pode matar vocês todos, e vai matar vocês todos. Ela está vindo atrás de você, minha rainha, ela vai destruir você!
Levana rosnou.
— Cale a boca! Cale a boca, seu velho! Por que você não morre logo?
Ele estava ocupado demais tentando recuperar o fôlego para ouvi-la. Caiu no chão com as mãos no peito, a respiração ofegante pontuada por ataques de tosse.
Quando ela se virou, Jacin Clay estava olhando ceticamente para a janela. Mas, em poucos momentos, seus olhos começaram a se encher de compreensão. Seu lábio tremeu, como se ele estivesse pronto para rir de uma piada que só entendia agora. Era uma rara exibição de emoção que só a enfureceu mais.
— Leve-o. Ele vai passar por investigação completa em Luna.
Enquanto Jacin era levado de volta pelo corredor, ela olhou para o taumaturgo Park de novo, suas mãos fechadas ao lado do corpo.
— Você está sendo promovido. Comece a planejar nossa partida imediatamente e alerte nossa equipe de pesquisa sobre essa nova variação da letumose. Além disso, inicie os procedimentos de mobilização de nossos soldados. Linh Cinder é medrosa demais para me enfrentar. As pessoas da Terra vão sofrer pela covardia dela.
— Você entende que, com a perda da programadora da taumaturga Mira, não somos capazes de transportar nossas naves para a Terra sem sermos percebidos?
— E você acha que eu ligo de a Terra vê-las chegando? Espero que dê tempo para que as pessoas implorem perdão antes de as destruirmos.
Aimery fez uma reverência.
— Vou cuidar para que seja feito, Vossa Majestade.
Levana olhou para trás e viu que o dr. Sage Darnel estava deitado no chão, o corpo convulsionando entre os ataques de tosse. Ela o viu se contorcer e tremer, o sangue ainda fervendo pelas palavras dele.
Até onde as pessoas de Luna e da Terra sabiam, Selene tinha morrido treze anos antes.
Levana ia cuidar para que tudo continuasse assim.
Ela era a rainha de Luna por direito. Da Terra. Da galáxia inteira. Ninguém tiraria isso dela.
Fervendo de raiva, ela chegou mais perto, perto o bastante para ver as marcas de lágrimas no rosto marcado do doutor.
— Doce Lua Crescente... — sussurrou ele, os lábios quase incapazes de formas as palavras. Ele começou a tremer. — Bem alta no céu... — Ele murmurou algumas notas de uma música, uma cantiga que parecia levemente familiar. — Você canta sua música... tão doce... depois que o sol se põe...
A última palavra pairou sem ser dita quando ele parou de tremer e ficou imóvel, os olhos azuis virados para cima como bolas de gude vazias.

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