13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Cinquenta e oito

ELA SONHOU QUE ESTAVA SENDO PERSEGUIDA POR UM ENORME lobo branco, com os dentes à mostra e os olhos brilhando sob a lua cheia. Corria por uma plantação tão enlameada que sugava seus sapatos e sua respiração formava nuvens de vapor. A garganta ardia. As pernas queimavam. Ela estava correndo o mais rápido que conseguia, mas o corpo foi ficando mais pesado a cada passo. As folhas murchas de beterraba estavam podres e ásperas debaixo dela. Ela viu uma casa ao longe, sua casa. A fazenda na qual a avó a criou, com as janelas sorrindo calorosas.
A casa era segurança. A casa era seu lar.
Mas ela foi ficando mais longe a cada passo doloroso. O ar ao redor ficou denso com a neblina, e a casa desapareceu, engolida pelas sombras.
Ela tropeçou e caiu de quatro. Rolou para o lado, se debatendo e chutando o chão. A lama grudava nas suas roupas e no cabelo. A frieza do chão penetrava em seus ossos. O lobo chegou mais perto. Os músculos firmes se moviam graciosamente debaixo do pelo.
Ele rosnou, a fome brilhando em seus olhos.
Ela tateou o chão, procurando com os dedos uma arma, qualquer coisa. Eles bateram em alguma coisa lisa e dura. Ela agarrou e puxou da lama: um machado, sua lâmina afiada brilhando ao luar.
O lobo pulou com a bocarra aberta.
Scarlet ergueu o machado. Preparou-se. Virou-se.
A lâmina cortou a fera em duas partes, da cabeça ao rabo. Sangue quente caiu no rosto de Scarlet quando as duas metades do lobo caíram de cada lado dela. O estômago dela revirou. Ela ia vomitar.
Ela largou o machado e desmoronou no chão. A lama entrou nas orelhas dela. Acima, a lua ocupava todo o céu.
De repente, as metades do lobo começaram a se mexerem. Elas se levantaram gradualmente, só a pele do animal, partida em duas. Scarlet identificava vagas formas humanas de pé acima dela, cada uma usando metade da pelagem branca como neve.
A névoa sumiu, e Lobo e sua avó estavam à frente dela. Com os braços esticados. Recebendo-a calorosamente em casa.
Scarlet ofegou. Abriu os olhos de repente.
Foi recebida pela visão de barras de aço, o cheiro natural de samambaias e musgo e o barulho de mil pássaros, alguns presos em gaiolas elaboradas, outros pousados em galhos de árvore ao redor das enormes vigas que sustentavam o teto de vidro.
Um lobo deu um latidinho, parecendo ao mesmo tempo triste e preocupado. Scarlet se apoiou em um cotovelo para ver a jaula do outro lado do caminho. O lobo branco estava sentado ali, olhando para ela. Ele uivou, um som curto e curioso, não os uivos assustadores que Scarlet ouviu nos sonhos. Imaginou que ele estava perguntando se ela estava bem. Talvez ela tivesse gritado ou se debatido durante o pesadelo, e os olhos amarelos e pálidos do lobo piscavam de preocupação.
Scarlet tentou engolir em seco, mas a boca estava ressecada, a saliva, densa demais. Ela devia estar ficando louca para ter conversas silenciosas com lobos.
— Ele gosta de você.
Ofegante, Scarlet se virou de costas.
Uma estranha, uma garota, estava sentada de pernas cruzadas na jaula, tão perto que dava para Scarlet tocar nela. Scarlet tentou se afastar, mas o movimento gerou dor na mão enfaixada. Ela chiou e se deitou de novo no chão.
A mão era o pior; a machadinha tinha cortado o dedinho esquerdo na segunda junta. Ela não desmaiou, embora desejasse ter desmaiado. Um médico lunar estava esperando para enfaixar o ferimento e o fez com tanta precisão que Scarlet desconfiava ser um procedimento muito comum.
Mas havia também os arranhões no rosto e na barriga dela, do período passado na companhia de mestre Charleson, e dores incontáveis de dormir em pisos duros por... bem, ela perdera a conta de quantas noites.
A única reação da garota à careta de Scarlet foi um piscar de olhos longo e lento.
Estava claro que essa garota não era mais uma prisioneira... ou “bichinho”, como os lunares extravagantemente vestidos chamavam Scarlet quando passavam pela jaula, rindo e apontando e fazendo comentários em voz alta sobre ser ou não seguro alimentar os animais.
A roupa da garota foi o primeiro indicativo do status dela: um vestido fino e prateado que descia pelos ombros e coxas como flocos de neve poderiam cair em uma colina sonolenta. A pele marrom calorosa era perfeita e saudável, as unhas estavam arrumadas e limpas. Os olhos eram brilhantes, da cor de caramelo derretido, mas com manchas cinza ao redor das pupilas. Além disso tudo, tinha cabelo preto sedoso encaracolado em espirais perfeitas que emolduravam as proeminentes maçãs do rosto e os lábios vermelho-rubi.
Ela era o ser humano mais bonito que Scarlet já tinha visto.
Mas havia uma anomalia. Ou... três. O lado direito do rosto da garota era marcado por três cicatrizes que atravessavam a bochecha do canto do olho até o queixo. Como lágrimas perpétuas. Estranhamente, as falhas na pele não reduziam a beleza dela, mas quase a acentuavam. Quase obrigava a pessoa a olhar mais para ela, sem conseguir afastar os olhos.
Foi com esse pensamento que Scarlet percebeu que era um glamour. O que significava que era outro truque.
A expressão dela mudou de impressionada e vermelha (ela desprezava o fato de que estava realmente corando) a ressentida.
A garota piscou de novo e atraiu a atenção para os cílios longos e impossivelmente grossos.
— Ryu e eu estamos confusos — disse ela. — Foi um sonho muito ruim? Ou muito bom?
Scarlet fez expressão de desprezo. O sonho já tinha começado a sumir, como acontece normalmente com sonhos, mas a pergunta reacendeu a lembrança de Lobo e da avó à frente dela. Vivos e em segurança.
O que era uma piada cruel. A avó estava morta, e, na última vez que viu Lobo, ele estava sob o controle de uma taumaturga.
— Quem é você? E quem é Ryu?
A garota sorriu. Foi um sorriso caloroso e conspirador, e fez Scarlet tremer.
Lunares idiotas e seu glamour idiota.
— Ryu é o lobo, sua boba. Vocês são vizinhos há quatro dias, sabe. Estou surpresa por ele ainda não ter se apresentado. — Ela se inclinou para a frente, baixando a voz a um sussurro como se estivesse prestes a compartilhar um segredo bem guardado. — Quanto a mim, eu sou sua nova melhor amiga. Mas não conte para ninguém, porque todos pensam que sou sua mestra agora e você é meu bichinho. Eles não sabem que meus bichinhos são na verdade meus amigos mais queridos. Vamos enganar todo mundo, você e eu.
Scarlet apertou os olhos para observá-la. Reconhecia a voz da garota, a forma como ela dançava pelas frases como se cada palavra tivesse que ser convencida a deixar a língua. Essa foi a garota que falou durante o interrogatório.
A garota esticou a mão para uma mecha de cabelo imundo que tinha caído na bochecha de Scarlet. Ela ficou tensa.
— Seu cabelo parece que está queimando. Tem cheiro de fumaça? — Inclinando-se, a garota levou o cabelo até o nariz e inspirou. — Nem um pouco. Que bom. Eu não iria querer que você pegasse fogo.
A garota se sentou de repente e puxou para perto uma cesta na qual Scarlet não tinha reparado antes. Parecia uma cesta de piquenique, forrada do mesmo tecido prateado do vestido.
— Achei que hoje poderíamos brincar de médico e paciente. Você vai ser a paciente. — Ela tirou um dispositivo da cesta e apertou na testa de Scarlet. O aparelho apitou, e ela olhou para a pequena tela. — Você está com febre. Agora me mostre as amídalas.
Ela esticou uma tira fina de plástico na direção da boca de Scarlet.
Scarlet a afastou com a mão boa e se obrigou a se sentar.
— Você não é médica.
— Não. É por isso que é brincadeira. Você não está se divertindo?
— Divertindo? Estou sendo torturada mental e fisicamente há dias. Estou morrendo de fome. De sede. Estou sendo mantida numa jaula em um zoológico...
— Jardim.
— ... e estou sentindo dor em lugares que nem sabia que existiam no meu corpo. E agora uma pessoa maluca entra aqui e está tentando agir como se fôssemos boas amigas brincando de faz de conta. Me desculpe, mas não estou me divertindo e não vou cair no truquezinho idiota que você está tentando aplicar em mim.
Os grandes olhos da garota estavam vazios, nem surpresos e nem ofendidos pela explosão de Scarlet. Mas ela olhou para o caminho que serpenteava entre as jaulas, tomado de flores e árvores exóticas que sugeriam uma semelhança com uma selva cheia de vida.
Havia um guarda de pé na curva, olhando com desprezo. Scarlet o reconheceu. Era um dos guardas que lhe trazia regularmente pão e água. Foi ele que apalpou o traseiro dela na última vez que foi jogada na jaula. Na hora, ela estava exausta demais para fazer qualquer coisa além de cambalear para longe dele, mas, se tivesse oportunidade, quebraria todos os dedos dele em retaliação.
— Estamos bem — disse a garota, sorrindo alegremente. — Estamos fingindo que cortei o cabelo dela e grudei na minha cabeça porque queria ser uma vela, e ela não gostou disso.
Enquanto ela falava, o olhar de raiva do guarda não se afastou de Scarlet, só se intensificou em um aviso. Depois de um longo momento, ele se afastou.
Quando os passos dele deixaram de ser ouvidos, a garota colocou a cesta no colo e mexeu dentro.
— Você não devia me chamar de maluca. Eles não gostam disso.
Scarlet olhou para ela de novo, o olhar preso à cicatriz na bochecha.
— Mas você é maluca.
— Eu sei. — Ela tirou uma caixinha da cesta. — Quer saber como eu sei?
Scarlet não respondeu.
— Porque as paredes do palácio estão sangrando há anos, mas ninguém mais vê. — Ela deu de ombros, como se fosse uma coisa perfeitamente normal de dizer. — Ninguém acredita em mim, mas, em alguns corredores, o sangue é tanto que não tem lugar seguro onde pisar. Quando preciso passar por esses lugares, deixo uma trilha de pegadas sangrentas pelo resto do dia, e fico com medo de os soldados da rainha seguirem o cheiro e me devorarem enquanto estou dormindo. Tem noites em que não durmo muito bem. — A voz dela baixou a um sussurro assombrado, seus olhos assumindo um brilho frágil. — Mas, se o sangue fosse real, os criados limpariam. Você não acha?
Scarlet tremeu. A garota era mesmo maluca.
— Isso é para você — disse ela, incrivelmente alegre de novo. — As recomendações médicas são de tomar uma pílula duas vezes por dia. — Esticou a mão para Scarlet. — Não me deixaram trazer remédios de verdade, é claro, então é só uma bala.
E ela piscou, e Scarlet não sabia se a piscadela era para indicar que a caixa continha balas ou não.
— Eu não vou comer.
A garota inclinou a cabeça.
— Por quê? É presente, para cimentar nossa amizade eterna. — Ela abriu a tampa da caixa e mostrou quatro balas pequenas sobre uma cama de açúcar. Eram redondas como bolas de gude e vermelhas brilhantes. — Balinhas de maçã azeda. Minhas favoritas. Por favor, pegue uma.
— O que você quer de mim?
Ela piscou os cílios.
— Quero que sejamos amigas.
— E todas as suas amizades são baseadas em mentiras? Espere, é claro que são. Você é lunar.
Pela primeira vez, a garota murchou um pouco.
— Só tive dois amigos na vida — disse ela, e olhou depressa para o lobo. Ryu estava deitado com a cabeça apoiada nas patas, observando-as. — Fora os animais, claro. Mas uma de minhas amigas virou cinzas quando éramos bem pequenas. Uma pilha de cinzas em formato de garota. O outro desapareceu... e não sei se vai voltar algum dia. — Um tremor percorreu o corpo dela, tão forte que ela quase deixou a caixa cair. Com arrepios nos braços, ela colocou a caixa no chão entre as duas e puxou distraidamente o vestido. — Mas pedi às estrelas para mandarem um sinal de que ele estava bem, e elas me mandaram uma estrela cadente no céu. No dia seguinte foi o julgamento, como outro qualquer, só que a garota terráquea à minha frente tinha o cabelo como uma estrela cadente. E você viu.
— Você alguma vez fala coisas que fazem sentido?
A garota apoiou as mãos no chão e se inclinou para a frente até o nariz estar quase tocando no de Scarlet, que se recusou a se afastar, embora tenha prendido a respiração.
— Ele estava bem? Quando você o viu? Sybil disse que ele ainda estava vivo, que talvez fosse ser usado para pilotar aquela nave, mas não disse se foi ferido. Você acha que ele está em segurança?
— Não sei do que você...?
A garota apertou a ponta dos dedos sobre os lábios de Scarlet.
— Jacin Clay — sussurrou ela. — O guarda de Sybil, de cabelo louro e olhos bonitos e com o sol nascente no sorriso. Por favor, me diga que ele está bem.
Scarlet piscou, sem entender. Os dedos da garota ainda permaneciam sobre os lábios dela, mas não importava. Estava perplexa demais para falar. A batalha a bordo da Rampion era mais uma confusão de gritos e tiros em sua memória, e o foco estava na taumaturga naquele momento. Mas ela se lembrava vagamente de outra pessoa lá. Um guarda louro.
Mas sol nascente no sorriso? Por favor.
Ela fez expressão de desprezo.
— Eu me lembro de duas pessoas tentando me matar e matar meus amigos.
— Sim, Jacin era uma delas — disse ela, evidentemente nada preocupada com a parte sobre matar na declaração de Scarlet.
— Acho que sim. Tinha um guarda louro.
Uma alegria se espalhou pelo rosto da garota. A expressão tinha o poder de parar corações e iluminar aposentos.
Mas não para Scarlet.
— E como ele estava?
— Ele parecia querer me matar. Mas tenho certeza de que meus amigos o mataram primeiro. É isso que costumamos fazer com as pessoas que trabalham para sua rainha.
O sorriso sumiu, a garota se encolheu e passou os braços ao redor da cintura.
— Você não está falando sério.
— Estou. E, pode acreditar, ele mereceu.
A garota estava começando a tremer, como se estivesse prestes a hiperventilar.
Scarlet decidiu sem muita culpa que, se isso acontecesse, não faria nada. Não tentaria ajudar. Não chamaria o guarda.
A estranha não era uma amiga.
Do outro lado do corredor, o lobo tinha ficado de pé sobre as quatro patas e estava cavando na base da jaula. Ele começou a choramingar.
Passados alguns momentos, a garota se controlou. Depois de fechar a tampa da caixa de balas, ela a guardou na cesta e ficou de pé encolhida na pequena jaula.
— Entendo — disse ela. — Isso encerra a visita. Recomendo descanso adequado e... — Ela deu um soluço e se virou, mas fez uma pausa antes de chamar o guarda. Lenta e rigidamente, ela se virou. — Eu não estava mentindo sobre as paredes que sangram. Em breve, temo que o palácio vá ficar encharcado de sangue e todo o lago Artemísia vá ficar tão vermelho que até os terráqueos vão ver.
— Não estou interessada nas suas fantasias. — Ela sentiu uma dor intensa e inesperada subir pelo braço que estava usando para se apoiar e caiu no chão, esperando que as pontadas sumissem. Olhou com raiva para a garota, irritada com o quanto estava fraca e vulnerável. Com raiva do brilho de preocupação no rosto, que parecia tão sincero. Ela disse com raiva: — E também não ligo para sua solidariedade fingida. Para seu glamour. Para seu controle mental. Vocês montaram toda a sua cultura sobre mentiras, e não quero ter nada a ver com isso.
A garota ficou olhando para ela por muito tempo. Scarlet começou a desejar não ter dito nada. Mas manter a boca fechada nunca foi um dos seus grandes talentos.
Finalmente, a garota bateu com os nós dos dedos nas barras. Quando os passos do guarda foram soando no caminho, ela enfiou a mão na cesta e pegou a caixa de novo.
Colocou ao lado de Scarlet, de um jeito que o guarda não pudesse ver.
— Não uso meu glamour desde que eu tinha doze anos — sussurrou ela, com um olhar penetrante, como se fosse importante para ela que Scarlet entendesse isso. — Desde que eu tinha idade suficiente para controlar. É por isso que as visões acontecem para mim. É por isso que estou enlouquecendo.
Atrás dela, as trancas da jaula estalaram.
— Vossa Alteza.
Ela se virou e saiu da jaula, com a cabeça baixa de forma que o cabelo denso escondesse tanto a beleza quanto as cicatrizes.
Vossa Alteza.
Perplexa, Scarlet ficou deitada no chão até sua língua começar parecer giz de tanta sede. Até onde ela sabia, só havia uma princesa lunar. Fora Cinder, claro.
A princesa Winter, a enteada da rainha.
A beleza indescritível. As cicatrizes que, de acordo com os boatos, foram provocadas pela própria rainha.
Quando olhou de novo para a jaula do lobo, Ryu havia se afastado para o fundo da prisão. Ele tinha bem mais espaço para andar do que Scarlet, talvez um quarto de acre de terra e grama, árvores e um tronco caído falso que formava um cantinho aconchegante.
Suspirando, Scarlet olhou para o teto de vidro, através do qual via o céu negro e incontáveis estrelas entre os galhos das árvores. Seu estômago doeu, um lembrete de que sua única pequena refeição foi devorada horas antes, e, ao contrário de Ryu e do cavalo branco que morava em uma jaula um pouco mais ao longe e do pavão albino que às vezes andava livremente entre as jaulas, Scarlet só receberia outra refeição no dia seguinte.
Foi preciso uma longa batalha com a força de vontade enfraquecida, sentindo o peso das balas ao lado. Ela não tinha motivo para confiar naquela garota. Não confiava naquela garota. Mas, depois que seu estômago começou a doer de tão vazio e a cabeça a girar de fome, ela cedeu e abriu a tampa da caixa.
Pegou uma das balas. Era lisa como vidro no contato com os dentes. A parte de fora rachou com facilidade e espalhou uma substância quente e viscosa que explodiu doce e azeda na língua dela.
Ela gemeu e apoiou a cabeça no chão duro. Nada, nem mesmo os famosos tomates da avó dela, tinha gosto tão bom.
Mas, de repente, quando estava passando a língua nas gengivas em busca de pedaços perdidos de bala, um formigamento começou a aquecer a garganta dela. Expandiu-se para o peito e pelo abdômen e todos os membros, até o dedo cortado, deixando uma sensação de consolo.
Quando acabou, Scarlet percebeu que a bala tinha levado a dor embora.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!