26 de novembro de 2018

Capítulo 8

Eu estava de pé, com a pistola na mão. Foi meu próximo erro, mostrar que estava alarmada. O mesmo homem que tentou me parar quando entrei deu um assovio agudo. De repente, outros três se levantaram, sacando armas que eu não tinha visto antes.
Eu já estava em movimento, atirando enquanto seguia para o bar, com Sam logo atrás. Um tiro pegou na parede, o próximo no peito de um homem, o último fez uma garrafa explodir, forçando dois homens a cobrir o rosto enquanto nos lançávamos por cima do balcão. Sam deslizou atrás de mim, acertando uma bebida com o pé e fazendo com que se chocasse contra a parede, espalhando bebida e vidro estilhaçado. O atendente se encolheu onde estava agachado, tentando se manter coberto. Ele acabaria morrendo por nossa causa se continuássemos lá atrás.
Minha mente acelerou. Eles armaram a armadilha para atrair alguém da rebelião. Era por isso que a haviam montado ali, naquela caixa flutuante de madeira, longe do alcance do deserto. Estavam se protegendo de mim e de Sam. E dos gêmeos, já que não teriam de onde decolar. Sabiam sobre todos nós.
O tiroteio recomeçou, estilhaçando as prateleiras sobre nossas cabeças, fazendo chover líquido de cor clara e vidro. Levantei e agarrei uma garrafa pela metade, atirando algumas vezes por cima do bar.
— Sam! — Eu podia sentir a areia nas profundezas das águas do mar. Era pesada e lenta, nada que lembrasse a graça rápida como o vento da areia pura do deserto. Mas ainda era areia. — Você sabe nadar, não sabe?
— O quê? — Sam arregalou os olhos em pânico. — Por quê?
Aquilo pareceu um “sim” para mim.
— Me dê seu sheema. — Estiquei a mão para Sam.
— Não! Por quê? Uso o seu — Sam protestou.
— Não vou usar o meu — eu disse, tirando a rolha da garrafa e aproveitando para tomar um gole. — Tem valor sentimental.
— Bem, talvez o meu também tenha — Sam protestou. — Ganhei da esposa de...
— Não vem com essa. — Puxei o sheema do pescoço dele, o nó malfeito se desatando fácil. — Ninguém mandou nunca ter aprendido a amarrar um sheema direito — eu disse, enfiando o tecido na boca da garrafa.
— Está bem, eu estava mentindo sobre o valor sentimental. — Sam se encolheu quando uma nova saraivada de tiros veio. Eles estavam sendo cuidadosos, queriam nos manter vivos. Mas não tão cuidadosos assim. — Mas não quero que minha pele queime com o sol e descasque. E também estou preocupado que você acabe matando nós dois e...
— Ei — eu disse para o atendente. Joguei a garrafa nas mãos de Sam e virei. — Fósforos. Sei que você tem.
Com as mãos tremendo, ele pegou um caixa de fósforos em baixo do balcão e estendeu para mim.
Risquei um fósforo, encostando-o no sheema que usava de pavio para a bomba caseira. Sam ergueu uma sobrancelha para mim.
— Bom saber que meu medo de que você fizesse algo que pudesse nos matar não era infundado.
— É melhor arremessar isso, a menos que realmente queira provar que estava certo — eu disse. — Agora!
Nos movemos em sincronia. Independente de qualquer coisa, Sam sempre fora útil em momentos de crise. Era o mesmo instinto de sobrevivência que o fizera fugir de nós. Formávamos uma boa equipe.
Ele levantou enquanto eu trazia minha energia demdji para a ponta dos dedos. A dor me inundou, me fazendo vacilar por um momento, quase tropeçando e perdendo a concentração.
Sam arremessou a garrafa, fazendo-a espatifar no chão em uma explosão de vidro, fogo e, o melhor de tudo, fumaça.
Ergui os braços como um chicote. A areia subiu com toda a força que havia em mim. As tábuas finas e baratas do chão não tinham qualquer chance de resistir. Racharam com a pressão, criando uma fenda na construção que dava direto na água lá embaixo.
Agarrei Sam pela gola e o arrastei comigo para o buraco. Ele precisaria dar bem rápido uma resposta melhor para minha pergunta sobre saber nadar. Pelo menos um de nós precisava saber.
Só tive tempo de encher os pulmões antes de submergirmos no mar. Foi como pular de um penhasco para o nada, com a água correndo ao meu redor. Então os braços me envolveram, juntando-nos, me ajudando a flutuar nas ondas, me impedindo de mergulhar nas profundezas e me perder por lá. Pus os braços em volta dos ombros de Sam me segurando com força enquanto ele nos levava de volta para cima, na direção do ar. Alcançamos a superfície, nossas cabeças espremidas no espaço estreito entre a base da doca e a superfície da água.
— Uma dica — Sam falou com dificuldade em meu ouvido. Tossi água salgada em seu ombro. — Não tente respirar no mar.
Eu me pendurei em Sam como se minha vida dependesse disso enquanto ele batia as pernas, levando-me para longe do bar e de nossos perseguidores. Tentei ignorar a sensação da água salgada subindo pelo nariz. Fizemos uma parada no espaço estreito entre os cascos de dois imensos navios. Estava escuro agora, e eu ainda podia ouvir gritos, mas vinham de longe. Talvez houvéssemos despistado os homens.
Boiamos por um momento, prestando atenção, com a respiração pesada e tremendo. Podia sentir a dormência dolorida na lateral do meu corpo por usar tanto meu poder, e minha cabeça girava. Quase tinha perdido o controle. Quase matara nós dois.
— Bem — Sam finalmente falou, baixo para que nossos perseguidores não ouvissem. — Parece que tenho menos opções do que havia imaginado. O que você disse mesmo sobre eu usar minhas habilidades excepcionais para tirar vocês heroicamente daqui?
Pensei em esmagar seus dedos e quebrar seus joelhos antes de matá-lo.
— Quem disse que preciso de você para me tirar daqui? — perguntei. — O que acha de me levar para dentro de algum lugar?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!