26 de novembro de 2018

Capítulo 40

O garoto outrora sem nome

EM UM REINO BEM DISTANTE, do outro lado do mar, havia um garoto sem nome.
Sentado nos joelhos de sua mãe, ele tinha ouvido muitas histórias de homens da grande terra onde nascera, que tinham construído sua reputação com atos prodigiosos e heroicos. E então, quando se tornou homem, ele começou a procurar um nome para si. Um dia sua busca o levou para longe das costas onde tinha nascido, para um deserto onde outros como ele tinham chegado sem nada e encontrado seu lugar.
Foi lá que começou a lutar por outro homem. Alguém que tinha vários nomes. O príncipe pródigo. O príncipe rebelde. O príncipe ressuscitado.
Foi em nome dele que o garoto sem nome caiu.
Alguns diriam que tinha falhado em sua busca. Porque ele seria para sempre um sem-nome na sua própria terra. Lá, uma garota pálida que um dia o garoto amou talvez pensasse nele às vezes, em um dia claro de primavera, em seu castelo frio de pedra. Mas ela nunca diria seu nome. Uma família em uma cabana pequena e escura lamentaria seu filho perdido quando a guerra terminasse e ele não retornasse. Mas ninguém saberia como ele tinha morrido e, conforme os anos passassem, eles iam se perguntar com cada vez menos frequência sobre seu destino, até parar de todo.
E, quando eles também tivessem partido, seu nome nunca mais seria pronunciado em sua terra natal. Nenhuma mãe contaria para os filhos em seus joelhos sua história, sentados na frente da lareira. Nenhum cantor comporia odes aos seus feitos. E a rainha do reino do outro lado do mar nunca saberia que um garoto da sua ilha encontrara seu fim sozinho no escuro, lutando na guerra de outro governante.
Mas não no deserto.
Na terra onde ele caiu, diriam seu nome ao redor de fogueiras, com os dos outros heróis do país. As crianças ouviriam contos sobre seus feitos heroicos e bateriam palmas ao saber de seus muitos truques para enganar os inimigos da rebelião. E então fariam silêncio quando a história contasse como ele morreu. Algumas até derramariam lágrimas.
Ele seria lembrado muito tempo depois de seus companheiros morrerem também.
No deserto, o garoto nunca mais seria um sem-nome.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!