26 de novembro de 2018

Capítulo 19

— VOU LEVANTAR AS MÃOS — eu disse automaticamente. Enquanto fazia isso, meu cérebro começou a procurar uma saída. Tinha uma arma apontada para as costas e sabia que Jin e Sam só chegariam depois que fosse baleada.
— Faça isso — disse uma voz de mulher. — E vire para que eu veja seu rosto.
Ela se moveu, e eu notei o brilho do metal no vidro da janela. Um reflexo. Não era muito, mas dava para deduzir sua posição. Movimentei-me de leve, verificando quanta areia tinha grudada nas botas.
— Falei para virar — a voz insistiu atrás de mim, carregada com o sotaque do Último Condado. — Se não se mexer mais rápido, vou fazer você pular.
Eu podia me mexer mais rápido.
Agarrei o deserto no mesmo momento em que caí, me apoiando em um joelho em um giro violento. Ergui as mãos, arremessando a areia no tambor da espingarda e arrancando-a dela. A arma bateu no chão, deslizando para fora do alcance.
Eu já estava novamente de pé, liberando a areia, a dor excruciante diminuindo, a pistola sacada…
Apontando diretamente para o peito da minha tia Farrah.
Ela congelou onde estava, me encarando, o choque tão evidente no seu rosto quanto no meu, nós duas procurando palavras.
Ela as encontrou primeiro.
— Pensei que a essa altura já teria a decência de estar morta. — Era um ato corajoso, considerando que eu apontava uma arma para ela. Por outro lado, aquela era a Vila da Poeira. Todo mundo já havia estado sob a mira de uma arma em algum momento. Você acabava se acostumando. — Imagino que tenha voltado rastejando depois que sua fuga com quem quer que fosse aquele jovem não deu certo. Queria poder dizer que estou surpresa. Quanto tempo ele levou para perceber que não poderia arrancar seu desrespeito a bordoadas? Tentei por um ano, inutilmente.
Parecia que uma vida inteira havia se passado desde a última vez que precisara aguentar os insultos e agressões da minha tia. Eu me esforçara no ano anterior para esquecer a Vila da Poeira e a garota que eu costumava ser. Mas, de repente, parada na frente dela, senti como se tivesse sido ontem. Esperei que suas palavras reabrissem feridas, fizessem com que me sentisse inferior, com raiva e impotente, apesar de estar segurando a arma.
Mas nada disso aconteceu. As palavras pareceram vazias, como se ela estivesse gritando para mim do fundo de um poço profundo e eu fosse a única capaz de perceber que ela estava presa.
— Tia Farrah. — Baixei a arma, embainhando-a novamente. Podia dar conta dela com as mãos livres. — O que aconteceu aqui? — A casa parecia enorme e vazia ao meu redor. — Onde está todo mundo?
— Longe. — Tia Farrah cuspiu a palavra, como se fosse minha culpa. — Todo mundo teve que pegar as coisas e ir embora. Não havia motivos para ficar depois que a fábrica foi destruída. — Lembrei de algo que Shira dissera, lá no harém, sobre como as coisas tinham ficado difíceis na Vila da Poeira sem a fábrica. Então talvez fosse minha culpa, ou de Jin, para ser mais específica.
— E por que ainda está aqui? — perguntei.
— Não que seja da sua conta — um sorriso presunçoso se espalhou em seu rosto enquanto alisava o khalat — mas estou esperando uma carta da minha filha. — Seu tom era arrogante e convencido, mas suas palavras me encheram de apreensão. Ela estava falando de Shira. Lembrei de minha prima me dizendo que podia confiar em Sam, porque confiava sua família a ele. Sam havia dado um jeito de levar cartas e dinheiro para a Vila da Poeira a pedido dela. Mas nenhuma outra carta chegaria. — Ela é a sultima agora, sabia?
Então minha tia ainda não sabia.
— Eu… — Minha voz falhou, e eu engasguei com as palavras. Respirei devagar e com tristeza. — Shira… — Eu não queria ter que dar a notícia. Mas precisava, porque tinha visto Shira ser levada para sua execução, lutando até o último pingo de força, como seria de esperar de uma garota do deserto. Ela havia morrido pela rebelião. — Shira foi executada cerca de seis semanas atrás.
Esperei que seu rosto desmoronasse, mas ela continuou olhando para mim do mesmo jeito.
— Você é uma mentirosa.
Eu era muitas coisas, mas não mentirosa.
— Eu estava lá. Ela foi muito corajosa. O filho dela, seu neto… — comecei, mas o rosto de tia Farrah se dissolveu em fúria antes que eu pudesse terminar.
— Cale a boca! — ela falou, ríspida, a voz tão alta que eu sabia que os outros iam ouvir do lado de fora. — Você é uma vadia mentirosa, igualzinha à sua mãe, e é melhor voltar para o bordel de onde fugiu quando aquele rapaz te chutou da cama dele. Sua inút… — Atravessei o espaço entre nós com um único passo rápido. Tia Farrah cambaleou para trás, parando de falar. Era como se estivesse esperando que eu me encolhesse diante de seus golpes.
Percebi de repente que, apesar de um ano ter se passado desde que eu ficara frente a frente com ela, não fazia tanto tempo que escutava sua voz. Era a mesma que vinha sussurrando no meu ouvido desde a execução de Imin. Exigindo saber quem eu pensava que era para comandar a rebelião, me criticando pelo meu excesso de autoconfiança, por me achar capaz de dar ordens no lugar de um príncipe, mesmo que fosse só uma menina sem valor, vinda de lugar nenhum. Da pobreza, da miséria, da Vila da Poeira.
Só que eu sabia quem era. Tinha uma resposta para a pergunta tola que aquela voz continuava me fazendo. Quem eu pensava que era? A filha de um djinni. Uma rebelde. A conselheira do príncipe. Havia enfrentado soldados, pesadelos e andarilhos. Havia lutado e sobrevivido. Havia me erguido contra o sultão mais de uma vez. Havia conjurado um ser imortal para ser sacrificado. Havia salvado vidas, sacrificado pessoas, tinha visto mais e feito mais do que ela jamais poderia. E tudo para salvar pessoas exatamente como minha tia – habitantes da Vila da Poeira, que haviam se tornado amargos, raivosos e desesperados por causa de um país que não se importava com eles. Havia feito tudo por um príncipe que se importava com o que aconteceria com elas.
Eu sabia quem eu era. Era a Vila da Poeira que não fazia ideia de quem eu havia me tornado desde minha partida.
— Vou dizer isso uma única vez. Meu nome é Amani, ou a Bandida de Olhos Azuis, se quiser ser mais formal. — Pela expressão em seu rosto, eu soube que ela havia entendido. Minha fama havia chegado longe o suficiente. — E nada além disso. — Parei para garantir que compreendesse que meu nome não era “vadia”, “inútil” ou qualquer coisa parecida. — Agora, tenho algumas perguntas e quero respostas diretas. Você veio para cá para esperar uma carta de Shira. De onde veio? Onde estão os outros?
Seus olhos brilharam de raiva antes que me respondesse.
— Quase morremos de fome — ela sibilou. — Não havia nada. Fomos esquecidos, abandonados por todos. Ele ofereceu uma saída.
— Ele quem? — perguntei, mas tia Farrah parecia distraída.
— Não tínhamos nada a perder. Então o seguimos para longe daqui, para uma nova vida. — Seus olhos pareceram distantes enquanto ela falava com um orgulho zeloso.
— Quem vocês seguiram? — perguntei com cautela. Ela soava como alguém que enlouquecera de tanto sol.
— O homem da montanha, é claro.
De repente, eu estava de volta aos aposentos de Balir, segurando a folha arrancada de um livro, olhando para a figura acorrentada dentro da pedra.
Não existe isso de “só uma história”, eu dissera a ele.
— Ele foi enviado para nos ajudar nesse momento de necessidade. — Tia Farrah sorriu maliciosamente, satisfeita ao me ver pega de surpresa. — Mas só protege os bons. Qualquer um que vá ao seu encontro e seja considerado indigno… — Ela só queria me provocar. Balir havia enviado soldados para encontrar o tal homem da montanha, soldados que nunca retornaram. — Ele não é feito de carne e osso como você e eu. É feito de fogo. E queima os indignos.
Alguém feito de fogo não podia ser um homem. Era um djinni.
Uma ideia começou a se formar. Eu já vira o que um djinni era capaz de fazer. Se realmente houvesse um nas montanhas… Era uma suposição muito tentadora. Não teríamos nenhuma chance se enfrentássemos a Muralha de Ashra sozinhos. Mas enfrentar uma lenda com outra, fogo com fogo de djinni… Bem, haveria uma chance.
— Pode me levar até ele? — perguntei. — Ao seu salvador na montanha?
A expressão da minha tia era cruel, como se soubesse algo que eu desconhecia.
— Posso — ela disse. — Mas não comentei uma coisa, Bandida de Olhos Azuis — ela disse, cuspindo o nome de volta para mim. — Você não faz ideia do que vai enfrentar. Ele sabe o que se passa no seu coração. E você vai queimar por conta de cada um dos seus pecados.
— Bem — ouvi Sam dizer atrás de mim, perturbando a compostura de minha tia ao fazê-la virar. Ele estava parado na porta, com Jin ao seu lado. Me perguntei quanto tempo fazia que escutavam nossa conversa. — Parece uma péssima ideia, considerando todos os meus pecados.
— É melhor irmos andando então — disse Jin, batendo jovialmente nas costas de Sam. — Você pode calcular quantos são no caminho.


Tamid era o único de nós que não estava apreensivo ao sair das ruínas da Vila da Poeira e seguir minha tia rumo às montanhas. Ele ia reencontrar sua família, o que era motivo de animação. Eu também ia, só que não queria vê-los. Ver tia Farrah já estava de bom tamanho. Ainda assim, pensar no homem da montanha me fazia colocar um pé na frente do outro quando tudo o que eu realmente queria era dar meia-volta.
Percebi um pouco antes de todo mundo para onde tia Farrah nos conduzia. Estava quase anoitecendo, e entrávamos fundo nas montanhas. Eu só havia passado por aquela trilha uma vez, fugindo do caos da Vila da Poeira com Jin, nas costas de um buraqi. Quase podia sentir o gosto de ferro das minas no ar enquanto subíamos a encosta, nos aproximando, até finalmente, sob os resquícios de luz, chegarmos ao topo de uma subida íngreme, de onde se via Sazi. A cidade mineradora da montanha. Ou pelo menos até meu irmão Noorsham queimá-la usando seu poder.
Mas aquela Sazi não se parecia em nada com a cidade da qual eu lembrava.
Da última vez que estivera ali, Sazi era uma coleção desesperada de casas desmanteladas agarradas à superfície da montanha. Elas haviam sumido, como se dizimadas pelo tempo, apesar de apenas um ano ter se passado. Nos arredores, passamos por um prédio solitário que não estava completamente destruído. Uma parede permanecia de pé e havia uma placa colorida pendurada sobre a porta indicando o Djinni Bêbado, o bar de onde eu tinha fugido, deixando um Jin inconsciente para trás. Em vez de mesas manchadas de bebida, havia apenas um toldo brilhante, preso à única parede remanescente.
Tia Farrah parou abruptamente.
— Não são permitidas armas além deste ponto.
Os gêmeos ergueram as mãos imediatamente.
— Não olhe pra gente.
— Nem pra mim. — Tamid estava com a respiração pesada por causa da subida. Havia recusado minha ajuda várias vezes, até eu parar de oferecê-la.
Com isso, restavam três de nós.
Relutante, desafivelei o coldre. Os rapazes seguiram meu exemplo. Sam girou as armas nos dedos de um jeito exibido e nem um pouco prático antes de entregá-las a tia Farrah. Jin e eu também entregamos nossas facas e armas.
— Só isso? — tia Farrah perguntou, deixando-as ali com todo o cuidado. Havia pilhas de armas sob o toldo: revólveres, bombas, espadas e facas. Um arsenal completo na construção caindo aos pedaços. — Ele vai saber se tiverem alguma escondida.
Aquilo não era tudo. Eu tinha visto Jin ficar com uma de suas pistolas, enfiando-a no cinto antes de puxar a camisa sobre ela. Brinquei com a bala extra que mantinha no bolso. Juntos, tínhamos uma arma funcional.
— Não tenho mais nenhuma faca ou pistola. — Era o mais próximo de uma resposta honesta que eu podia oferecer, e pareceu deixá-la satisfeita. — Que lugar é esse? — perguntei quando ela voltou a caminhar.
— Vimos os erros de nossas escolhas — ela disse, enfiando as mãos em seu khalat. Seu comportamento duro mudou de repente quando entramos no acampamento. Mantinha a cabeça baixa como se estivesse indo às preces. — Fomos arrogantes ao tentar reivindicar este mundo, construindo casas na areia quando deveríamos atravessá-la.
Na região mais central do que restara de Sazi, havia centenas de tendas, uma revolução de cores pontilhando a paisagem da montanha, que de outra forma não teria vida. E entre elas havia centenas de pessoas, mais do que a Vila da Poeira, Tiroteio e Sazi somadas. Gente amontoada entre tendas e pequenas fogueiras, rindo e conversando. Grupos de mulheres sentadas costurando lonas de tendas rasgadas. Um grupo de homens parecia produzir objetos de madeira. A visão me lembrou do acampamento que havíamos perdido, um santuário escondido do mundo.
Duas crianças passaram correndo por nós, gritando entre as risadas. Para minha surpresa, reconheci uma delas.
— Nasima! — gritei o nome da minha prima mais nova sem pensar. Ela parou numa derrapada, a trança escura balançando e chicoteando suas costas. Olhou para mim inexpressiva, cautelosa, como se eu fosse uma estranha.
— Sou eu. — Pressionei minha mão no peito, como faria ao falar com um estrangeiro. Só que ela era sangue do meu sangue. — Amani, sua prima. Não lembra de mim?
— Não é, não. — Nasima deu um passo firme na minha direção, em desafio. — Amani morreu, minha mãe me falou. — Ela recuou. — Você é um andarilho? É o que minha mãe diz de pessoas que fingem ser outras.
Comecei a dizer a ela que, se eu fosse um andarilho, precisaria de mais do que um sheema para me proteger do sol. Mas Nasima não estava ouvindo.
— Um andarilho! — ela gritou, virando e fugindo de mim. Todos olharam para nós. Por instinto, Jin se posicionou à minha frente. Só que não havia armas apontadas na nossa direção ou facas sendo sacadas.
Eles estavam tão desarmados quanto nós. Indefesos.
Então ouvimos alguém na multidão.
— Tamid?
A voz fez com que eu me endireitasse. Era a mesma que costumava me repreender, por estar sempre por perto, por corromper seu filho. Quando a mãe de Tamid abriu caminho na nossa direção, meu coração vacilou um pouco. Da última vez que a vira, estava nas costas de um buraqi, atrás de Jin, fugindo em meio ao sangue e ao caos enquanto ela tentava rastejar até o filho, sangrando na areia com uma bala no joelho, por minha causa. Instantes antes de ser preso e levado para a cidade junto com Shira.
Agora, seu rosto estava cheio de uma esperança incerta.
— Mãe. — Tamid mancou na direção dela, e a esperança se transformou em alegria. Ela foi até ele, mais rápida do que Tamid com sua perna postiça. Estava chorando antes mesmo de alcançá-lo e abraçou-o como se ainda fosse um garotinho. Entendi algumas palavras entre seus soluços agarrada a ele. O que aconteceu com você? O que eles fizeram com você? E então: Você está vivo. Você está vivo. De novo e de novo.
Percebi que estava parada como se houvesse uma barra de ferro nas minhas costas, à espera da bronca pelo que fizera com Tamid. Mas ela nunca veio. A mulher sequer me enxergou. Não se importava que Tamid tivesse sido levado. Só que estivesse de volta.
— E o papai? — ele perguntou, se afastando para olhar em volta, menos esperançoso. A mãe sacudiu a cabeça.
— Seu pai… foi considerado indigno. Ele viu o que seu pai fazia com você. — Tamid estremeceu. Quando nascera com um problema na perna, seu pai quisera matá-lo. Fora a mãe quem o salvara. — Foi queimado por isso. — Nem Tamid nem sua mãe pareciam particularmente chateados, e eu não podia culpá-los. Me perguntei quem mais teria sido julgado pecaminoso demais pelo homem da montanha.
Olhei para minha tia. Havia dor estampada em seu rosto. Duas pessoas tinham sido levadas da Vila da Poeira no dia em que fugi com Jin. Só uma voltara. Tia Farrah nunca reencontraria Shira.
— Tia Farrah — tentei novamente. — Shira batizou o filho de…
— O que ela está fazendo aqui? — A voz beligerante me interrompeu. Eu a reconheci no mesmo instante. Só podia ser brincadeira. Meu acerto de contas com o passado não viria na figura da mãe de Tamid, afinal.
Virei e encarei Fazim Al-Motem. Se realmente éramos julgados por nossos pecados, então eu não precisava me preocupar, não se Fazim continuava vivo. Ele dissera que estava apaixonado por Shira, até tentar me forçar a casar com ele ameaçando revelar a todos que eu era a Bandida de Olhos Azuis. Tudo porque queria o dinheiro que eu receberia por capturar um buraqi.
Se isso não era pecado, eu não sabia o que era. Ainda assim, ali estava ele, se pavoneando na minha direção.
— Tem que ser uma criminosa de muita coragem para dar as caras aqui — Fazim se exaltou. Parecia mais baixo do que eu lembrava. Me perguntei se eu mesma havia crescido. — Depois de ter roubado a própria família.
— Deixe para lá, garoto — outra voz falou. Era meu tio. Mal teria reconhecido se Nasima não estivesse segurando a mão dele, ainda me olhando com receio. Ele vestia trapos, em vez das roupas finas de um comerciante de cavalos, e seu cabelo e sua barba haviam crescido.
Fazim deu outro passo todo empertigado, cheio de falsa confiança, cruzando o terreno rochoso para me confrontar.
— Acha que ele realmente não percebe que está cometendo um erro? — Jin falou num sussurro, para que só eu conseguisse ouvir.
— Talvez não tenha notado que estamos em maior número — Sam sugeriu do meu outro lado. Ele analisava Fazim com curiosidade, como se fosse uma pessoa inofensiva e excêntrica no nosso caminho. Fazim não era exatamente inofensivo, mas os dois tinham razão. Podíamos fazer muito mais mal a ele do que poderia fazer a mim. — Aliás, o que você fez com ele, Amani? Partiu seu coração?
— Não exatamente. — Eu tinha medo dele no passado. Do mesmo modo que tinha medo de tia Farrah. Mas sob a sombra do sultão, os monstros da minha infância pareciam ridículos.
— Bem, Amani. — Fazim estava muito próximo de mim. De canto de olho, vi Jin fechar o punho. Eu não deixaria as coisas chegarem àquele ponto. — O que tem a dizer sobre…
Agitei a mão chamando a areia embaixo dos seus pés, entre as pedras da montanha, fazendo-as rolar, tirando seu equilíbrio — um truque que havia aprendido com os albish em Iliaz. A pontada de dor na barriga sumiu tão rápido quanto viera. Ver Fazim cair com tudo de bunda no chão fez a dor valer a pena.
Ele xingou violentamente enquanto sentava, parecendo envergonhado ao ouvir as pessoas rirem. Algumas poucas deram um passo à frente, sem muita certeza do que fazer. Afinal, eu não tinha encostado um dedo em Fazim. Mas talvez acabássemos precisando lutar.
Então alguém gritou dos fundos.
— Ele está vindo! Abram caminho, ele está vindo!
A multidão se dividiu como um pano cortado. Fazim levantou e se afastou, de repente parecendo intimidado.
Virei, com o coração acelerado, esperando para vê-lo. O homem da montanha. O monstro das minhas histórias de infância. O djinni que tinha sido acorrentado pelos próprios irmãos. A criatura que queimava aqueles que considerava indignos.
E lá estava ele, de pé do outro lado do acampamento, com as mãos erguidas em bênção ou aviso. Meu irmão demdji, Noorsham.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!