29 de outubro de 2018

Capítulo 9

Cairn a amarrou no altar e a deixou.
Fenrys não entrou até muito depois de ela acordar. O sangue ainda escorria de onde Cairn deixara o vidro cravado em suas pernas, seus pés.
Não foi um lobo que entrou na câmara de pedra, mas um macho. Cada um dos passos de Fenrys lhe dizia o suficiente antes de ver o amortecimento de seus olhos, a palidez de sua pele geralmente dourada. Ele olhou para o nada, mesmo quando parou diante dela, onde ela estava acorrentada.
Além das palavras, sem saber se sua garganta funcionaria, Aelin piscou três vezes. Você está bem?
Duas piscadas a responderam. Não.
Trilhas de sal riscavam suas bochechas. Suas correntes farfalharam quando ela esticou um dedo trêmulo na direção dele. Silenciosamente, ele deslizou a mão na dela. Ela murmurou as palavras, mesmo que ele provavelmente não pudesse percebê-las com a fenda da boca da máscara. Eu sinto muito.
O aperto dele apenas aumentou. Sua jaqueta cinza estava desabotoada no topo. Ela estava aberta o suficiente para revelar uma sugestão do peito musculoso abaixo. Como se ele não tivesse se preocupado em fechá-la novamente em sua pressa para sair.
Seu estômago se revirou. O que ele, sem dúvida, tinha que fazer depois, com o corpo de seu gêmeo ainda deitado sobre as lajotas da varanda atrás dele...
— Eu não sabia que ele me odiava tanto — Fenrys falou com a voz rouca. Aelin apertou a mão dele. Fenrys fechou os olhos, respirando com dificuldade. — Ela me deu licença apenas para levar o copo. Quando tiver terminado, eu... voltarei para lá. — Ele apontou com o queixo para a parede onde costumava se sentar.
Ele fez um movimento para examinar as pernas dela, mas ela apertou a mão dele novamente, e piscou duas vezes. Não.
Deixe-o ficar nesta forma por mais algum tempo, deixe-o chorar como um macho e não um lobo. Deixe-o ficar nessa forma para que ela pudesse ouvir uma voz amigável, sentir um toque gentil...
Ela começou a chorar. Não pôde evitar. Não foi possível impedir uma vez que começou. Odiava cada lágrima e respiração trêmula, cada movimento de seu corpo que enviava choques através de suas pernas e pés.
— Eu vou retirá-los — ele falou, e ela não podia dizer a ele, não podia começar a explicar que não era o vidro, a pele desfiada até o osso.
Ele não estava vindo. Ele não estava vindo buscá-la.
Ela deveria estar feliz. Deveria estar aliviada. Ela ficou aliviada. E ainda... e ainda assim...
Fenrys pegou um par de pinças do kit de ferramentas que Cairn deixara em uma mesa próxima.
— Vou ser o mais rápido que puder.
Mordendo o lábio com força suficiente para tirar sangue, Aelin virou a cabeça enquanto o primeiro pedaço de vidro escorregou de seu joelho. A carne e o nervo se romperam novamente.
Sal dominou o cheiro penetrante do sangue dela, e ela sabia que ele estava chorando.
O cheiro de suas lágrimas encheu a pequena sala enquanto ele trabalhava.
Nenhum deles disse uma palavra.

8 comentários:

  1. Torço pra q ele sobreviva até o final


    Emanuelle

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  2. Tô pirando com esse livro

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  3. Até agora muita tranquilidade e sofrimento precisam salvala logo.

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  4. É tanto sofrimento que não tenho nem o que mais escrever para os comentários...

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  5. Eu tô sofrendo tanto!

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  6. Meu Deus!
    Meu coração morre um pouco a cada capítulo.

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  7. Vou me deleitar quando a Aelin matar a vaca da Maeve grrr

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Boa leitura, E SEM SPOILER!