29 de outubro de 2018

Capítulo 98

Estava se despedaçando.
O elo de parceria.
Curvado sobre os joelhos, Rowan ofegou, uma mão no peito enquanto o vínculo se afinava.
Ele agarrou-se ao fio, envolveu sua magia, sua alma, ao redor, como se isso pudesse impedi-la, aonde quer que ela estivesse, de ir para um lugar onde ele não podia seguir.
Ele não aceitou. Nunca aceitaria esse destino. Nunca.
Distantemente, ele ouviu Dorian e Chaol debatendo algo. Ele não se importou.
O elo de parceria estava quebrando. E não havia nada que ele pudesse fazer além de segurar.


Um por um, os deuses atravessaram o arco em direção ao seu próprio mundo.
Alguns zombaram dela quando passaram.
Eles não levariam Erawan.
Não fariam... não fariam nada.
O peito dela estava oco, a alma dela destruída, e ainda assim...
Ainda assim...
Aelin arranhou o chão envolto em névoa que não era o chão enquanto o último deles desaparecia. Até que apenas um permaneceu.
Um pilar de luz e chama. Brilhando na névoa.
Mala permaneceu no limiar de seu mundo.
Como se ela se lembrasse.
Como se lembrasse de Elena e Brannon, e quem se ajoelhava diante dela. Sangue do seu sangue. O recipiente de seu poder. Sua herdeira.
— Sele o portão, Portadora do Fogo — Mala falou suavemente.
Mas a Senhora da Luz ainda hesitou.
E de longe, Aelin ouviu a voz de outra mulher. Certifique-se de que sejam punidos algum dia. Cada um deles.
Eles serão, ela jurara a Kaltain.
Eles tinham mentido. Traíram Elena e Erilea, como acreditavam ter sido traídos.
Seu mundo verde e banhado pelo sol ondulou à frente.
Gemendo, Aelin ficou de pé.
Ela não era um cordeiro para o abate. Nenhum sacrifício em um altar para o bem  maior.
E ela ainda não tinha terminado.
Aelin encontrou o olhar ardente de Mala.
— Faça isso — Mala disse calmamente.
Aelin olhou além dela, em direção àquele mundo intocado pelo qual eles haviam procurado voltar por tanto tempo. E percebeu que Mala sabia – viu os pensamentos na cabeça dela.
— Você não vai me impedir?
Mala apenas estendeu a mão.
Nela, havia um núcleo de poder branco e quente. Uma estrela caída.
— Pegue. Um último presente para a minha linhagem. — Ela poderia jurar que Mala sorriu. — Pelo o que você ofereceu em nome dela. Por lutar por ela. Por todos eles.
Aelin cambaleou os poucos passos para a deusa, para o poder que ela oferecia em sua mão.
— Eu me lembro — disse Mala suavemente, e as palavras eram alegria, dor e amor. — Eu me lembro.
Aelin tomou o núcleo de poder da palma dela.
Era o nascer do sol contido em uma semente.
— Quando estiver feito, feche o portão e pense em seu lar. As marcas a guiarão.
Aelin piscou, o único sinal de confusão que ela podia transmitir enquanto aquele poder preenchia e preenchia e preenchia a ela, fundindo-se nas lugares quebrados, nos lugares vazios.
Mala estendeu a mão novamente e uma imagem se formou em sua palma. Da tatuagem nas costas de Aelin.
A nova tatuagem, de asas abertas, a história dela e Rowan escrita na Língua Antiga entre as penas.
Um movimento dos dedos de Mala e os símbolos se ergueram. Escondidas dentro das palavras, das penas.
Marcas de Wyrd.
Rowan havia escondido marcas de Wyrd em sua tatuagem.
Tinha pintado marcas de Wyrd por toda parte.
— Um mapa para casa — disse Mala, a imagem desaparecendo. — Para ele.
Ele suspeitara, de alguma forma. Que podia chegar a isso. Pedira a ela para ensiná-lo para que ele pudesse fazer essa aposta.
E quando Aelin olhou para trás, para o arco em seu próprio mundo, ela realmente podia... senti-las. Como se as marcas de Wyrd que ele secretamente colocou nela fossem uma corda. Uma corda para casa.
Uma tábua de salvação para a eternidade.
Um último engano.
Outra voz sussurrou depois, um fragmento de memória, falado no telhado de Forte da Fenda. E se continuarmos apenas com mais dor e desespero?
Então não é o fim.
Aquele poder fluiu e fluiu para Aelin. Seus lábios se curvaram para cima.
Não era o fim. E ela não tinha terminado.
Mas eles sim.
— Por um mundo melhor — disse Mala, e atravessou a porta para o dela.
Um mundo melhor.
Um mundo sem deuses. Nenhum mestre do destino.
Um mundo de liberdade.
Aelin se aproximou do arco para o reino dos deuses. Para onde Mala caminhava agora através da relva cintilante, ela mesmo pouco mais que um raio de luz do sol.
A Senhora da Luz parou – e ergueu um braço em despedida.
Aelin sorriu e curvou-se.
Longe, caminhando sobre as colinas, os deuses pararam.
O sorriso de Aelin se transformou em um sorriso. Ferino e furioso.
Não vacilou quando encontrou o mundo que procurava. Enquanto mergulhava naquele eterno e terrível poder.
Ela tinha sido uma escrava e um peão uma vez antes. Nunca mais seria assim novamente.
Não para eles. Nunca para eles.
Os deuses começaram a gritar, correndo em sua direção, quando Aelin abriu um buraco no céu.
Direto em um mundo que ela havia visto apenas uma vez. Tinha acidentalmente aberto um portal em uma noite em um castelo de pedra. Uivos latentes e distantes soltaram-se do vazio cinzento e sombrio.
Um portal para um reino infernal. Uma porta agora aberta.
Aelin ainda sorria quando fechou o arco no mundo dos deuses. E os deixou lá, os sons de seus gritos indignados e assustados soando.


Ainda havia uma última tarefa para selar o portão para sempre.
Aelin abriu a palma da mão, estudando o cadeado que havia forjado. Ela deixou flutuar no coração deste espaço enevoado cheio de portas.
Ela não estava com medo. Não quando abriu a outra palma e o poder se derramou.
O presente final de Mala. E um desafio.
A força de mil sóis explodindo se rompeu na palma de Aelin
Trancar. Fechar. Selar.
Ela desejou, desejou e desejou. Desejou que fechasse enquanto oferecia o seu poder.
Mas não aquele último pedaço de si mesma.
A dívida já foi paga o suficiente.
Um mapa para casa, um mapa com as palavras dos universos, mostraria o caminho.
Mais e mais e mais. Mas nem tudo.
Ela não desistiria disso. Seu eu mais profundo.
Ela não se renderia. Eles não tomariam esse núcleo persistente dela.
Ela não cederia.
Luz fluía pelo cadeado, fraturando como um prisma, seguindo para todas aquelas portas infinitas.
Fechando e selando e trancando. Um arco para todos os lugares agora selando.
Eles não a destruiriam. Não seriam autorizados a isso.
Volte para mim.
Mais e mais e mais, o último poder de Mala saindo dela e entrando no cadeado.
Eles não ganhariam. Eles não podiam tomar isso – não podiam tê-la.
Ela se recusava.
Ela estava gritando agora. Gritando e rugindo seu desafio.
Um raio de luz disparou para o arco atrás dela. Começando a selar também.
Ela viveria. Ela viveria e eles podiam todos ir para o inferno.
Um mundo melhor. Sem deuses, sem destino.
Um mundo que eles mesmos criariam.
Aelin berrou e berrou, o som soando em todos os mundos.
Eles não iriam vencê-la. Eles não conseguiriam tomar isso, esse núcleo essencial de ser. De alma.
Era uma vez, em uma terra há muito queimada até as cinzas, uma jovem princesa que amava o seu reino...
Seu reino. Seu lar. Ela o verei de novo.
Não estava terminado.
Atrás dela, o arco foi selado lentamente. As chances eram pequenas; as probabilidades eram insuperáveis. Ela não estava destinada a escapar disso – a alançar este ponto e ainda estar respirando.
A mão de Aelin alcançou seu coração e ficou ali.
É a força disso que importa, sua mãe lhe dissera, há muito tempo. Não importa onde você esteja, Aelin, não importa a distância, isto a levará para casa.
Não importa onde ela estivesse.
Não importa a distância.
Mesmo que isso a levasse além de todos os mundos conhecidos.
Os dedos de Aelin se curvaram, a palma pressionando o coração palpitante abaixo. Isto a levará para casa.
O arco para Erilea se fechou.
Caminhante dos mundos. Viajante.
Outros fizeram isso antes. Ela também encontraria um caminho. Um caminho para casa.
Não mais A Rainha Que Foi Prometida. Mas A Rainha Que Caminhou Entre Mundos.
Ela não iria em silêncio.
Ela não teria com medo.
Então Aelin puxou seu poder. Puxou o pedaço do que Mala havia lhe dado, uma força para nivelar um mundo e atirou-o na direção do cadeado.
O pedaço final. O último pedaço.
E então Aelin saltou pelos portões.

19 comentários:

  1. Alguém tá respirando? Eu com certeza não

    ResponderExcluir
  2. Chamem os paramedicos... temos leitores com parada respiratória aqui!!! Que livro é esse!!!!!

    ResponderExcluir
  3. Deixa eu ver se entendi direito, a Aelin mandou os deuses para o inferno?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também não :c não entendi o que ela fez com eles... enviou eles para algum lugar ruim? Destruiu o portão? ...

      Excluir
    2. Pelo que eu entendi, sim. A única a ser poupada foi Mala.

      Excluir
    3. Eu acho que ela abriu o portal pro reino infernal no reino dos Deuses, pros valgs e criaturas enfrentarem os Deuses.

      Excluir
    4. Sim, literalmente isso! kkkkk

      Excluir
    5. Isso mesmo, Rodrigo
      E Mala não foi poupada. Ela viu o que Aelin faria e permitiu, foi para o mundo dela mesmo assim

      Excluir
  4. "Alguns zombaram dela quando passaram"
    definitivamente odeio esses deuses

    ResponderExcluir
  5. Quando ela estava nos túneis secretos do castelo de vidro, ela abriu sem querer um portal pra um mundo ruim, foi quando o Chaol descobriu que ela é feérica, ela mandou esses deuses pra lá.

    ResponderExcluir
  6. Um fim digno pra um monte de deuses que mais pareciam demônios

    ResponderExcluir
  7. ROWAN EU TE AMOOOOOOOOOOO

    ResponderExcluir
  8. Será que ela ainda terá o poder dela? Tô em dúvida, tanto do poder foi tirado.

    ResponderExcluir
  9. Será que ela ainda terá o poder dela? Tô em dúvida, tanto do poder foi tirado.

    ResponderExcluir
  10. Adorei os deuses se f....bem feito..rowan colocou marcas na tatoo quem diria

    ResponderExcluir
  11. Deuses imundos, agora assim estão em casa no mundo dos valgs.

    ResponderExcluir
  12. Tô achando o máximo, agora os reis valgs e os deuses que se matem. Já foram tarde.

    ResponderExcluir

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!