29 de outubro de 2018

Capítulo 97

Ela mal conseguia se mexer. Mal pensava.
Se fora. Onde a luz e a vida fluíram dentro dela, não havia nada. Nem uma brasa.
Apenas uma gota, apenas uma, de água.
Ela se agarrou a isso, protegendo-a enquanto doze figuras atravessavam o portal atrás dela. Entrando neste lugar de lugares, esta encruzilhada de eternidade.
— Está feito, então — disse aquela de muitos rostos, aproximando-se do cadeado que pairava no ar. Um movimento de uma mão fantasmagórica e em constante mudança e o cadeado flutuou em direção a Aelin. Pousou em seu colo, dourado e brilhante.
— Mande-nos para o nosso mundo, menina — disse aquela com uma voz como aço e gritos. — E vamos finalmente para casa.
A quebra final. Para mandá-los de volta, selar o portão. Ela usaria sua última essência, a última gota, para selar o portão com o cadeado. E então ela iria embora.
Era uma vez, em uma terra há muito queimada até as cinzas, uma jovem princesa que amava o seu reino...
— Agora — alguém com uma voz como ondas quebrando ordenou. — Nós esperamos o suficiente.
Aelin conseguiu levantar a cabeça. Para olhar as figuras cintilantes. Coisas de outro mundo.
Mas entre elas, pressionada em suas fileiras como se a mantivessem cativa...
Os olhos de Elena estavam arregalados. Agonizados.
Que amava o seu reino...
Um deles estalou os dedos fantasmagóricos para Aelin.
— Chega disso.
Aelin olhou para ela, para a deusa que falara. Ela conhecia aquela voz. Deanna.
Silenciosamente, Aelin os examinou. Encontrou uma como uma aura cintilante, o coração de uma chama.
Mala não olhou para ela. Ou para Elena, sua própria filha.
Aelin afastou o olhar da Portadora do Fogo. E falou a nenhum deles em particular:
— Eu gostaria de fazer uma barganha.
Os deuses se calaram.
— Uma barganha? Você se atreve a pedir uma barganha? — Deanna sibilou.
— Eu escutaria — disse alguém cuja voz era gentil e bondosa.
A coisa em seu braço se contorceu, e Aelin quis que revelasse o que eles procuravam.
O portal para o reino deles. A luz do sol sobre um campo verdejante quase a cegou. Eles se viraram para a porta, alguns suspirando com a visão.
— Uma troca. Antes de vocês alcançarem o seu fim. — Aelin falou.
As palavras eram distantes, tão difíceis e dolorosas. Mas ela as forçou a sair.
Os deuses pararam. Aelin só olhou para Elena. Sorriu suavemente.
— Vocês juraram levar Erawan junto Para destruí-lo — disse Aelin, e aquele com uma voz como a morte a encarou. Como se lembrassem que eles realmente haviam prometido algo tão ultrajante.
— Eu gostaria de negociar — ela falou novamente. E conseguiu apontar, com aquele braço que continha toda a eternidade dentro dele. — A alma de Erawan pela de Elena.
Mala se virou para ela agora. E olhou fixamente.
Aelin disse em silêncio:
— Deixem Erawan em Erilea. Mas em troca, deixem Elena. Deixem sua alma permanecer no além-mundo com aqueles que ela ama.
— Aelin — Elena sussurrou, e lágrimas como prata fluíram por suas bochechas.
Aelin sorriu para a antiga rainha.
— A dívida foi paga o suficiente.
Ela queria aquele debate entre eles – seus amigos. Tinha pedido uma votação quanto ao portão não só para aliviar o fardo da escolha, mas para ouvi-la deles, para ouvi-los dizer que eles poderiam derrotar Erawan sozinhos. Que Yrene Towers poderia ter a chance de destruí-lo.
Assim, ela poderia fazer essa barganha, esse negócio, sem selar a desgraça deles por completo.
— Não façam isso — Elena implorou. Implorou a todos aqueles deuses frios e impassíveis. — Não concordem com isso.
— Deixem-na estar, e vão. — Aelin disse para eles.
— Aelin, por favor — Elena falou, chorando agora.
Aelin sorriu.
— Você me comprou esse tempo extra. Assim eu pude viver. Deixe-me comprar o mesmo para você.
Elena cobriu o rosto com as mãos e chorou. Os deuses olharam entre si. Então Deanna se moveu, graciosa como um cervo através da floresta.
Aelin soltou um suspiro, curvando-se sobre os joelhos, enquanto a deusa se aproximava de Elena.
Ninguém além dela mesma. Ela não permitiria que ninguém além dela fosse sacrificado nessa tarefa final.
Deanna colocou as mãos de ambos os lados do rosto de Elena.
— Eu esperava por isso.
Então ela apertou as mãos, a cabeça de Elena segurada entre elas.
Um clarão de luz de Mala, em advertência e dor, quando os olhos de Elena se arregalaram. Enquanto Deanna apertava.
E então Elena se rompeu. Em mil partes cintilantes que se desvaneceram quando caíram.
O grito de Aelin morreu em sua garganta, seu corpo incapaz de se levantar enquanto Deanna limpava suas mãos fantasmas e dizia:
— Nós não fazemos barganhas com mortais. Não mais. Fique com Erawan, se é isso o que deseja.
Então a deusa caminhou através do arco para o seu próprio mundo.
Aelin olhou para o lugar vazio onde Elena estivera apenas momentos antes.
Nada permanecia. Nem mesmo uma brasa cintilante para enviar de volta ao além-mundo, para o parceiro deixado para trás.
Nada mesmo.

12 comentários:

  1. Aaaa Deuses desgraçados... essa Deanna é pior infeliz 😡😡😡

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  2. aaa mas esses fdp
    talvez os odeie mais que Maeve

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  3. Independente do livro, os deuses sempre estão fazendo oque querem as custas da vida de terceiros

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  4. Ai vc chega o ponto que pensa:"não é que a desgraça da Maeve tinha razao". Esses deuses talvez tivessem mesmo medo de Aelin ou Dorian . Por isso o preço pra que eles podessem destrui-Los. Miseráveis 😠😠😠

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  5. a Aelin pagou o preço da vida dela, ou da magia dela por esses Deuses de bosta!!!

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  6. Sério que faltam tipo, cinco capítulos pra acabar e o livro tá passando por essa merda?
    MINHA ESPERANÇA TA ACABANDO

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  7. Oxi oque que custava deixar a Elena viva?
    Deuses desgraçados, mataram a Elena e não vao levar Erawan.

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  8. Mate todos Aelin. Ou mandeos para o mundo dos Valgs.

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  9. Deuses ridículos 😡😡😡😡😡😡

    Ass:Dessa

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  10. Que deuses filhos da put*

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Boa leitura, E SEM SPOILER!