29 de outubro de 2018

Capítulo 95

Seu pai estava lá. O homem que ele tinha visto pela última vez em uma ponte, em um castelo de vidro, e não mais.
Havia gentileza em seu rosto. Humanidade.
E tristeza. Tal tristeza terrível e dolorosa.
A magia de Dorian vacilou. Mesmo a magia de Aelin diminuiu de surpresa, a torrente diminuindo até um fio, um dreno constante e agonizante.
— Pare — o homem falou, cambaleando em direção a eles, olhando para a fita do poder, cego e puro, alimentando a formação do cadeado.
— Isso não pode ser parado — Aelin falou.
Seu pai balançou a cabeça.
— Eu sei. O que começou não pode ser interrompido.
— Não — disse Dorian. — Não, você não pode estar aqui.
O homem apenas olhou para baixo – para o lado de Dorian. Para onde uma espada estaria.
— Você não me convocou?
Damaris. Ele estava usando Damaris dentro daquele anel de marcas de Wyrd. Em seu mundo, sua existência, ele ainda usava.
A espada, o deus sem nome que ela servia, aparentemente achava que havia uma verdade a ser enfrentada. Mais uma verdade, antes do seu fim.
— Não — Dorian repetiu. Era tudo o que ele conseguia dizer quando olhava para ele, o homem que fizera coisas terríveis a todos eles.
Seu pai levantou as mãos em súplica.
— Meu menino — ele apenas sussurrou.
Dorian não tinha nada a dizer para ele. Odiava que este homem estivesse aqui, no final e no começo.
No entanto, seu pai olhou para Aelin.
— Deixe-me fazer isso. Deixe-me terminar isso.
— O quê? — a palavra saiu de Dorian.
— Você não foi escolhido — disse Aelin, embora a frieza em sua voz vacilasse.
— Inominável é o meu preço — disse o rei.
Aelin ficou imóvel.
— Inominável é o meu preço — repetiu o pai. O aviso de uma bruxa antiga, as palavras condenatórias escritas no verso do Amuleto de Orynth. — Pela marca do bastardo que você carrega, você é Inominável, mas eu também não sou? — ele olhou entre eles, os olhos arregalados. — Qual é o meu nome?
— Isso é ridículo — disse Dorian por entre os dentes. — Seu nome é... — mas onde deveria ter havido um nome, apenas existia um buraco vazio.
— Você... — Aelin respirou. — Seu nome é... Como é que você não tem um, como não sabemos?
A raiva de Dorian escorregou. E a agonia de ter sua magia, sua alma, rasgada dele tornou-se secundária enquanto seu pai dizia:
— Erawan o tomou. Limpou da história, da memória. Um feitiço antigo e terrível, tão poderoso que só poderia ser usado uma vez. Tudo para que eu pudesse ser o seu servo mais fiel. Mesmo eu não sei mais o meu nome. Eu o perdi.
— Inominável é o meu preço — Aelin murmurou.
Dorian olhou então. Para o homem que tinha sido o seu pai. Realmente olhou para ele.
— Meu menino — seu pai sussurrou novamente. E foi amor – amor e orgulho e tristeza que brilhou em seu rosto.
Seu pai, que tinha sido possuído como ele, que tentou salvá-los à sua maneira e falhou. Seu pai, que tirou tudo dele, mas nunca se curvou para Erawan – não inteiramente.
— Eu quero odiá-lo — disse Dorian, com a voz embargada.
— Eu sei — respondeu seu pai.
— Você destruiu tudo. — Ele não conseguia parar suas lágrimas. A mão de Aelin apenas apertou a dele.
— Eu sinto muito — seu pai sussurrou. — Eu sinto muito por tudo isso, Dorian.
E até mesmo a maneira como seu pai dizia seu nome – ele nunca o tinha ouvido falar assim.
Dispensá-lo. Atirá-lo em algum mundo infernal. Isso é o que ele deveria fazer.
E, no entanto, Dorian sabia por quem ele realmente derrubara Morath. Por quem ele enterrou aquela sala de colares, a odiosa tumba ao redor deles.
— Sinto muito — disse o pai novamente. Ele não precisava de Damaris para dizer que as palavras eram verdadeiras. — Deixe-me pagar essa dívida — continuou seu pai, aproximando-se. — Deixe-me pagar, fazer isso. O sangue de Mala também não corre pelas minhas veias?
— Você não tem magia – não como nós — disse Aelin, com os olhos tristes.
Seu pai encontrou o olhar de Aelin.
— Eu tenho o suficiente, apenas o suficiente no meu sangue para ajudar.
Dorian olhou por cima do ombro, em direção ao arco que se abria para Erilea. Para casa.
— Então deixe-o — ele falou, embora as palavras não tivessem saído com a frieza que ele desejava. Apenas peso e exaustão.
Aelin disse baixinho ao seu pai:
— Eu tinha planejado antes de isso chegar ao fim.
— Assim você não estará sozinha agora — respondeu o pai. Então o homem sorriu para ele – uma visão do rei, do pai que ele poderia ter sido. Sempre fora, apesar do que lhe acontecera. — Eu sou grato – por tê-lo visto mais uma vez. Uma última vez.
Dorian não tinha palavras, não conseguia encontrá-las. Não quando Aelin se virou para ele, lágrimas escorrendo pelo seu rosto quando disse:
— Um de nós tem que conduzir.
Antes que Dorian pudesse entender, antes que ele pudesse perceber o acordo que ela acabara de fazer, Aelin tirou sua mão da dele. E empurrou-o através daquele portal atrás deles. De volta ao seu próprio mundo.
Rugindo, Dorian caiu.
Enquanto o reino enevoado dos portões de Wyrd desaparecia, Dorian viu Aelin pegar a mão de seu pai.

3 comentários:

  1. Agora ta explicado a falta de citação do nome do rei de adarlan

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  2. Não creio que a sarah não disse o nome do rei pra isso...
    GENIA

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Boa leitura, E SEM SPOILER!