29 de outubro de 2018

Capítulo 91

CAPÍTULO 91

Dorian não acreditou nisso, não se atreveu a esperar pelo que viu.
Um exército estrangeiro marchando para o norte. Um exército que ele crescera estudando. Havia os soldados de infantaria dos khagan e a cavalaria de Darghan. Havia os lendários ruks, magníficos e orgulhosos, subindo acima deles em um mar de asas.
Ele visou o mais perto possível do chefe do exército, imaginando qual dos membros da realeza tinha chegado. Imaginando se Chaol estava com eles. Se a presença desse exército milagroso significasse que seu amigo tinha sucesso contra todas as probabilidades.
Os ruks o havia notado então.
Perseguido ele, e ele começou a sinalizar quando se aproximou. Esperando que eles parassem.
Mas então ele pousou na encruzilhada. E então ele os viu. Viu ela.
Aelin, galopando para ele. Rowan ao seu lado, Elide e os outros com ela.
Maeve acreditava que Aelin se dirigira a Terrasen. E aqui estava ela, com o exército do khagan.
O sorriso de Aelin desapareceu no momento em que ela se aproximou. Como se ela sentisse o que ele tinha.
— Onde está Manon? – Foi tudo o que ela pediu.
— Terrasen – ele respirou, ofegando ligeiramente. – E provavelmente com as Crochans, se tiver saído tudo conforme o planejado.
Ela abriu a boca, os olhos arregalados, mas outro cavaleiro veio galopando pela estrada.
O mundo ficou quieto.
O cavaleiro que se aproximava parou, outra pessoa - uma bela mulher que Dorian só podia descrever como dourada - logo atrás.
Mas Dorian olhou para o cavaleiro diante dele. Na postura do corpo, o ar dominante que ele possuía.
E quando Chaol Westfall desmontou e correu os últimos metros em direção a Dorian, o rei de Adarlan chorou.

•   •   •

Chaol não escondeu suas lágrimas, o tremor que o atingiu quando ele colidiu com Dorian e abraçou seu rei.
Ninguém disse uma palavra, embora Chaol soubesse que todos estavam reunidos. Sabia que Yrene estava atrás dele, chorando com eles.
Ele apenas segurou seu amigo, seu irmão.
— Eu sabia que você faria isso – disse Dorian, sua voz crua. – Eu sabia que você encontraria um jeito. Por tudo isso.
O exército. O fato de que ele estava agora de pé. Chaol apenas agarrou Dorian com mais força.
— Você tem uma história infernal para contar você mesmo.
Dorian se afastou, com o rosto solene.
Uma história, Chaol percebeu, que poderia não ser tão feliz quanto a dele.
No entanto, antes que qualquer desgraça que Dorian carregasse pudesse cair sobre eles, Chaol gesticulou para onde Yrene desmontara e agora enxugava as lágrimas.
— A mulher responsável por isso – Chaol disse, apontando para sua posição, seu andar, para o exército que se estendia pela estrada. – Yrene Towers. Uma curandeira da Torre Cesme. E minha esposa.
Yrene fez uma reverência e Chaol poderia ter jurado que um lampejo de tristeza escurecia os olhos de Dorian. Mas então seu rei estava tomando as mãos de Yrene, levantando-as. E embora essa tristeza ainda lhe desse um sorriso, Dorian disse a ela:
— Obrigado.
Yrene ficou escarlate.
— Eu ouvi muito sobre você, Sua Majestade.
Dorian apenas piscou, um fantasma do homem que ele tinha sido antes.
— Todas as coisas ruins, espero.
Yrene riu, e a alegria em seu rosto - a alegria que Chaol sabia que era para os dois - o fez amá-la novamente.
— Eu sempre quis uma irmã – disse Dorian, e inclinou-se para beijar Yrene em cada bochecha. – Bem-vindo a Adarlan, Lady.
O sorriso de Yrene ficou mais suave - mais profundo, e ela pôs a mão no abdômen.
— Então você ficará feliz em saber que em breve você será um tio.
Dorian se virou para ele. Chaol assentiu, incapaz de encontrar as palavras para transmitir o que inundou seu coração.
Mas o sorriso de Dorian diminuiu quando ele olhou para onde Aelin agora se apoiava contra uma árvore, Rowan e Elide a seu lado.
—Eu sei – disse Aelin, e Chaol sabia que ela não estava falando sobre a gravidez.
Dorian fechou os olhos, e Chaol colocou a mão no ombro do rei em qualquer que fosse o peso que ele estivesse prestes a revelar.
— Eu recuperei a terceira em Morath – disse Dorian.
Os joelhos de Chaol se dobraram e Yrene foi instantaneamente para lá, com um braço ao redor de sua cintura.
As Chave de Wyrds.
Chaol perguntou a Dorian:
— Você tem todas as três agora?
Dorian assentiu com a cabeça uma vez.
Um olhar de Rowan fez com que a sua armação saísse para garantir que nenhum do exército chegasse perto o suficiente para ouvir.
— Eu entrei em Morath para pegar a terceira – disse Dorian.
— Deuses sagrados – respirou Aelin.
Chaol apenas piscou.
— Essa foi a parte fácil – disse Dorian, empalidecendo. A realeza khaganate emergiu das fileiras e Dorian sorriu para Nesryn. Então acenou para a realeza. As apresentações viriam mais tarde.
— Maeve estava lá – disse Dorian para Aelin.
Fogo dançou na ponta dos dedos de Aelin enquanto descansava a mão em cima de Goldryn. O fogo pareceu afundar na lâmina, o rubi cintilando.
— Eu sei – ela disse baixinho.
As sobrancelhas de Dorian se levantaram. Aelin apenas balançou a cabeça, fazendo-o sinal para continuar enquanto a armação retornava.
— Maeve descobriu a minha presença e... – Dorian suspirou, e toda a história veio para fora.
Quando terminou, Chaol ficou contente que Yrene mantivesse o braço ao redor de sua cintura. O silêncio caiu, grosso e tenso. Dorian destruiu Morath.
— Eu tenho pouca dúvida – admitiu Dorian – que tanto Erawan quanto Maeve sobreviveram ao colapso de Morath. Isso provavelmente só serviu para enfurecê-los.
Isso não impediu Chaol de se maravilhar com seu amigo, os outros olhando embasbacados.
— Muito bem. – Disse Lorcan, examinando o rei da cabeça aos pés. – Bem feito, de fato.
Aelin soltou um assovio impressionado.
— Eu gostaria de ter visto – disse ela para Dorian, balançando a cabeça. Então ela se virou para Rowan. – Seu tio e Essar vieram, então. Eles chutaram Maeve para o meio-fio.
O Príncipe feérico bufou.
— Você disse que sua carta foi fortemente formulada. Eu deveria ter acreditado em você.
Aelin esboçou um sorriso.
Chaol não fazia a menor ideia do que estavam falando, mas Rowan continuou:
— Então, se Maeve não pode ser a Rainha dos feéricos, ela encontrará outro trono.
— Vadia – Fenrys cuspiu. Chaol estava inclinado a concordar.
— Nossos piores temores foram confirmados, então – disse o príncipe Sartaq, olhando para os irmãos. – Um rei Valg e uma rainha unidos. – Um aceno para Elide.  – Seu tio não mentiu.
— Maeve não tem exército agora – Dorian lembrou. – Apenas o poder dela.
Nesryn se encolheu.
— Os híbridos que ela criou com as princesas podem ser desastrosos o suficiente.
Chaol olhou para Yrene, a mulher que segurava a maior arma contra o Valg dentro de seu próprio corpo.
— Quando você deixou Morath? – perguntou Rowan.
— Três dias atrás – disse Dorian.
Rowan virou-se para Aelin, pálido quando ela permaneceu encostada na árvore. Chaol se perguntou se ela faria isso apenas porque suas próprias pernas poderiam não ser capazes de sustentá-la.
— Então, pelo menos, sabemos que Erawan ainda não foi para Terrasen.
— Suas anfitriãs Dentes de Ferro foram à frente dele – disse Dorian.
— Nós sabemos – disse Chaol. – Elas já estão em Orynth.
Dorian balançou a cabeça.
— Isso é impossível. Elas saíram logo depois que eu saí. Estou surpreso que vocês não as tenham visto voando pelas Montanhas Ruhnns.
Silêncio.
— A horda completa de Dentes de Ferro ainda não está em Orynth –  disse Aelin suavemente. Demasiado suavemente.
— Eu contei mais de mil na tropa com a qual eu voei – disse Dorian. – Muitos traziam soldados com elas - todos Valg.
Chaol fechou os olhos e o braço de Yrene se apertou ao redor dele em um conforto silencioso.
— Sabíamos que o rukhin estaria em desvantagem de qualquer maneira – disse Nesryn.
— Não haverá mais nada de Terrasen para os rukhin defenderem – disse o príncipe Kashin, esfregando a mandíbula. – Mesmo que as Crochans tenham chegado antes de nós.
A Rainha de Terrasen afastou-se finalmente da árvore.
— Nós temos duas escolhas, então – ela disse, sua voz inabalável, apesar do inferno que varreu sobre eles. – Continuamos para o norte o mais rápido que podemos. Veremos o que há para lutar quando chegarmos a Terrasen. Eu posso ser capaz de derrubar um bom número desses wyverns.
— E a outra opção? – perguntou a princesa Hasar.
O rosto de Aelin era duro.
— Nós temos as três Chave de Wyrds. Nós temos a mim. Eu posso terminar isso agora. Ou pelo menos tirar Erawan do jogo antes que ele possa nos encontrar, roubar aquelas chaves de volta e governar este mundo e todos os outros.
Rowan começou a balançar a cabeça. Mas Aelin levantou a mão. E até o Príncipe feérico se levantou.
— Não é minha escolha sozinha.
E Chaol percebeu que era de fato uma rainha diante deles, não a assassina que ele arrastara para fora de uma mina de sal a alguns quilômetros da estrada. Nem mesmo a mulher que ele tinha visto em Forte da Fenda.
Dorian endireitou os ombros.
— A escolha também é minha.
Lentamente, tão lentamente, Aelin olhou para ele. Chaol se preparou. Sua voz era mortalmente suave quando ela disse a Dorian:
— Você recuperou a terceira chave. Seu papel nisso foi feito.
— O inferno que foi – Dorian disse, olhos de safira piscando. – O mesmo sangue, a mesma dívida, flui em minhas veias.
As mãos de Chaol se curvaram em seus lados enquanto ele lutava para manter a boca fechada. Rowan parecia estar fazendo o mesmo enquanto os dois governantes se enfrentavam.
O rosto de Aelin permaneceu imóvel, distante.
— Você está tão ansioso para morrer?
Dorian não recuou.
— Você está?
Silêncio. Silêncio absoluto na clareira.
Então Aelin deu de ombros, como se o peso de mundos inteiros não estivesse na balança.
— Independentemente de quem vai colocar as chaves de volta no portão, esse é um destino que pertence a todos nós. Então todos nós devemos decidir. – O queixo dela ergueu. – Continuamos a guerra, esperamos que cheguemos a Orynth a tempo e depois destruamos as chaves? Ou nós destruímos as chaves agora, e então vocês continuam para o norte. – Uma pausa, horrível e insuportável. – Sem mim.
Rowan estava tremendo, seja com contenção ou com medo, Chaol não podia dizer.
Aelin disse, inabalável e calmamente:
— Eu gostaria de colocar em votação.

•   •   •

Uma votação.
Rowan nunca ouvira falar de nada tão absurdo.
Mesmo quando parte dele brilhava de orgulho que ela escolhera agora, aqui, como o momento em que o novo mundo que ela prometera se levantaria.
Um mundo em que alguns não detinham todo o poder, mas muitos. Começando com isso, esta escolha mais vital. Este destino insuportável.
Todos eles haviam se movido mais adiante na estrada, e Rowan não deixou de perceber que eles estavam exatamente em uma encruzilhada. Ou que Dorian, Aelin e Chaol estavam no coração daquela encruzilhada, a poucos quilômetros das minas de sal. Onde tanto disso começou, há pouco mais de um ano.
Houve um rugido surdo nos ouvidos de Rowan enquanto o debate acontecia.
Ele sabia que deveria cair de joelhos e agradecer a Dorian por recuperar a terceira chave. Mas ele odiava o rei mesmo assim.
Ele odiava esse caminho que eles tinham se colocado, mil anos atrás. Odiava que essa escolha estivesse diante deles, quando eles já haviam lutado tanto, dado tanto.
O príncipe Kashin estava dizendo:
— Marchamos sobre cem mil soldados inimigos, possivelmente mais. Esse número não será alterado quando o Portão de Wyrd estiver fechado. Vamos precisar da portadora do fogo para cortá-los.
A princesa Hasar sacudiu a cabeça.
— Mas há a possibilidade de que o exército entre em colapso com o desaparecimento de Erawan. Corte a cabeça da fera e o corpo pode morrer.
— Isso é um grande risco a correr – Chaol disse, sua mandíbula apertada. – A remoção de Erawan de tudo isso pode ajudar, ou talvez não. Um exército inimigo tão grande, cheio de Valg que poderia estar ansioso para ocupar seu lugar, poderia ser impossível parar neste ponto.
— Então por que não usar as chaves? – perguntou Nesryn. – Por que não levar as chaves para o norte e usá-las, destruir o exército e...
— As chaves não podem ser manuseadas – interrompeu Dorian. – Não sem destruir o portador. Não estamos inteiramente certos de que um mortal poderia resistir ao poder. – Ele assentiu com a cabeça em direção a Aelin, silencioso e vigilante enquanto tomava todo o treinamento de Rowan para não arremessar suas entranhas. – Apenas colocá-las de volta no portão requer tudo.
Ele acrescentou com firmeza:
— De um de nós.
Rowan sabia que ele deveria estar argumentando contra isso, deveria estar berrando.
Dorian continuou:
— Eu deveria fazê-lo.
— Não. – A palavra saiu de Chaol e Aelin. Sua primeira palavra desde o início desse debate.
Mas foi Fenrys quem perguntou a Chaol, com uma voz mortalmente macia:
— Prefere que minha rainha morra do que seu rei?
Chaol se enrijeceu.
— Eu prefiro que nenhum dos meus amigos morra. Prefiro que nada disso aconteça.
Antes que Fenrys pudesse dar sua resposta, Yrene interrompeu.
— Então, quando a fechadura for forjada e o Portão de Wyrd estiver selado, os deuses terão sumido?
— Boa viagem – murmurou Fenrys.
Mas Yrene endureceu com a rejeição casual e pôs a mão sobre o coração.
— Eu amo Silba. Carinhosamente. Quando ela se for deste mundo, meus poderes deixarão de existir? – Ela gesticulou para o grupo reunido.
— Duvido – disse Dorian. – Esse custo, pelo menos, nunca foi exigido.
— E os outros deuses deste mundo? – Nesryn perguntou, franzindo a testa. – Os trinta e seis do khaganato. Eles não são deuses também? Eles serão mandados embora, ou apenas esses doze?
— Talvez nossos deuses sejam de um tipo diferente – refletiu a princesa Hasar.
— Eles não podem nos ajudar, então? – Yrene perguntou, tristeza pela deusa que a abençoou ainda escurecendo seus olhos dourados. – Eles não podem intervir?
— Há de fato outras forças em ação neste mundo – disse Dorian, tocando o punho de Damaris. O deus da verdade, é quem abençoou a espada de Gavin. – Mas acho que se essas forças pudessem nos ajudar de alguma maneira, já teriam feito isso.
Aelin bateu com o pé no chão.
— Esperar caridade divina é um desperdício do nosso tempo. E não o tópico em questão.
Ela fixou seu olhar ardente em Dorian.
— Nós também não estamos debatendo quem deve pagar o custo.
— Por quê? – A baixa pergunta de Rowan foi lançada antes que ele pudesse interrompê-la.
Lentamente, sua parceira se virou para ele.
— Porque nós não estamos. – Palavras afiadas, geladas. Ela olhou para Dorian, e o rei de Adarlan abriu a boca. – Nós não estamos – ela rosnou.
Dorian abriu a boca novamente, mas Rowan chamou sua atenção. Manteve seu olhar e deixou que ele lesse as palavras lá. Mais tarde. Vamos debater isso depois.
Se Aelin notou sua conversa silenciosa, se ela viu o sutil aceno de Dorian, ela não deixou transparecer. Ela só disse:
— Não temos tempo a perder num debate interminável.
Lorcan assentiu.
— Cada momento que temos as três chaves é um risco de Erawan nos encontrar e, finalmente, ganhar o que ele procura. Ou Maeve – acrescentou ele, franzindo a testa. – Mas mesmo assim, eu iria para o norte – deixe Aelin colocar fazer algum estrago nas legiões de Morath.
— Seja objetivo – Aelin rosnou. Ela inspecionou todos eles. – Finjam que vocês não me conhecem. Finjam que não sou ninguém e nada para vocês. Finjam que sou uma arma. Vocês me usam agora, ou mais tarde?
— Você não é ninguém, no entanto – Elide disse baixinho. – Não para muitas pessoas.
— As chaves voltam ao portão – disse Aelin, friamente. – Em algum momento ou outro. E eu vou com elas. Estamos decidindo se isso é agora ou daqui a algumas semanas.
Rowan não podia suportar. Ouvir mais outra palavra.
— Não.
Todos pararam mais uma vez. Aelin mostrou os dentes.
— Não fazer nada não é uma opção.
— Nós as escondemos novamente – disse Rowan. – Ele as perdeu por milhares de anos. Podemos fazer isso de novo. – Ele apontou para Yrene. – Ela poderia destruí-lo sozinha.
— Isso não é uma opção – Aelin rosnou. – Yrene está grávida...
— Eu posso fazer isso – disse Yrene, saindo do lado de Chaol. – Se há um jeito, eu poderia fazer isso. Veria se os outros curandeiros poderiam ajudar...
— Haverá Valgs aos milhares para você destruir ou salvar, Lady Westfall – disse Aelin com o mesmo tom frio. – Erawan poderia matá-la antes mesmo de você ter a chance de tocá-lo.
— Por que você está autorizado a desistir de sua vida por isso, e mais ninguém? – Yrene desafiou.
— Eu não sou aquela que carrega uma criança dentro de mim.
Yrene piscou lentamente.
— Hafiza pode ser capaz de...
— Não vou jogar um jogo de hipóteses e insinuações – disse Aelin, num tom que Rowan ouvira tão raramente. Aquele tom da rainha. – Nós votamos. Agora. Colocamos as chaves de volta no portão imediatamente, ou continuamos até Terrasen e depois o fazemos se conseguirmos parar o exército?
— Erawan pode ser detido – pressionou Yrene, imperturbada pelas palavras da rainha. Sem medo de sua ira. – Eu sei que ele pode. Sem as chaves, podemos detê-lo.
Rowan queria acreditar nela. Queria mais do que qualquer coisa que ele já desejara em sua vida acreditar em Yrene Westfall. Chaol, olhando para Dorian, parecia inclinado a fazer o mesmo.
Mas Aelin apontou para a princesa Hasar.
— Como você vota? – Hasar segurou o olhar de Aelin. Considerado por um momento.
— Eu voto para fazer isso agora.
Aelin apenas apontou para Dorian.
— Você? – Dorian ficou tenso, o debate não acabado ainda em seu rosto. Mas ele disse:
— Faça agora.
Rowan fechou os olhos. Mal ouvia os outros governantes e seus aliados enquanto eles davam suas respostas. Ele andou até a beira das árvores, preparado para correr se começasse a vomitar.
Então Aelin disse:
— Você é o último, Rowan
— Não agora, nem nunca.
Os olhos dela estavam frios, distantes. O jeito que eles estiveram em Defesa Nebulosa.
— Está decidido, então – Chaol disse calmamente. Tristemente.
— Ao amanhecer, a fechadura será forjada e as chaves voltarão para o portão – Dorian terminou.
Rowan apenas olhou e olhou para sua companheira. Sua razão para respirar.
Elide perguntou baixinho:
— Qual é o seu voto, Aelin?
Aelin tirou os olhos de Rowan e ele sentiu a ausência daquele olhar como um vento gelado enquanto dizia:
— Não importa.

Um comentário:

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!