29 de outubro de 2018

Capítulo 88

O braço e as costelas de Aedion estavam em chamas.
Pior do que o calor escaldante dos fogos, pior do que qualquer nível do reino em chamas da Hellas.
Ele recuperou a consciência quando a curandeira começou seus primeiros pontos. Tinha mordido o pedaço de couro que ela oferecera e rugido em torno da dor enquanto ela o costurava.
Quando ela terminou, ele desmaiou novamente. Ele acordou minutos depois, de acordo com os soldados designados para asseguraram-se de que ele não morreria, e achou a dor de alguma maneira amenizada, mas ainda assim afiada o suficiente para tornar quase impossível usar o braço para empunhar a espada. Pelo menos até que sua herança feérica o curasse, mais rápido que homens mortais.
Que ele não tivesse morrido de perda de sangue e pudesse tentar mover o braço ao ordenar que sua armadura fosse amarrada de volta em seu corpo, e cambaleasse nas ruas da cidade, visando a muralha, foi graças a essa herança feérica. A da mãe, sim, mas principalmente a do pai.
Gavriel tinha ouvido, através do mar ou onde quer que a busca por Aelin o tivesse levado, que Terrasen estava prestes a cair? Ele se importaria?
Não importava. Mesmo que parte dele desejasse que o Leão estivesse lá. Rowan e os outros certamente, mas a presença constante de Gavriel teria sido um bálsamo para esses homens. Talvez para ele.
Aedion cerrou os dentes, oscilando enquanto subia as escadas escorregadias até as muralhas da cidade, esquivando-se de corpos humanos e valg. Uma hora, ele ficou inconsciente por uma hora.
Nada havia mudado. Os valg ainda cercavam as muralhas e os portões sul e oeste; mas as forças de Terrasen os impediam. Nos céus, o número de Crochans e Dentes de Ferro diminuíra, mas pouco. As Treze eram um aglomerado distante e cruel, destruindo quem quer que voasse em seu caminho.
E no rio... sangue vermelho manchava as margens cobertas de neve. Muito sangue vermelho.
Ele tropeçou um passo, perdendo a visão do rio por um momento enquanto os soldados despachavam os valg menores perante ele. Quando eles passaram, Aedion mal podia respirar enquanto examinava as placas de gelo ensanguentadas. Soldados jaziam mortos por toda parte, mas... Lá. Mais perto das muralhas da cidade do que ele imaginara.
Branca contra a neve e gelo, ela ainda lutava. Sangue escorrendo pelos seus flancos. Sangue vermelho.
Mas ela não recuou para a água. Manteve-se no chão.
Era uma tolice desnecessária. Emboscá-los seria muito mais eficaz.
No entanto, Lysandra lutou, com espinhos no rabo e a boca gigante arrancando as cabeças, bem no ponto em que o rio passava pela cidade. Ele sabia que algo estava errado então. Além do sangramento dela.
Sabia que Lysandra descobrira algo que eles não sabiam. E, mantendo-se no chão, tentou sinalizá-los nas muralhas.
Com a cabeça girando, braço e costelas latejando, Aedion examinou o campo de batalha. Um grupo de soldados atacou-a. Um golpe de sua cauda quebrou as lanças, seus portadores junto.
Mas outro grupo de soldados tentou passar por ela, à beira do rio.
Aedion viu o que eles carregavam, o que eles tentavam carregar e xingou. Lysandra esmagou um barco com a cauda, mas não conseguiu alcançar o segundo grupo de soldados – que dava suporte ao outro.
Eles alcançaram as águas geladas, o barco espirrando e Lysandra se lançou. Assim que ela foi atacada por outro grupo de soldados, tantas lanças e lanças que ela não teve escolha a não ser enfrentá-los. Permitindo que o barco e os soldados que o transportavam passassem.
Aedion observou para onde esses soldados estavam indo e começou a gritar suas ordens. Sua cabeça latejando com cada comando.
Com Lysandra se esgueirando para o rio através dos túneis, ela teve o elemento de surpresa. Mas também revelara a Morath que existia outro caminho para a cidade. Um logo abaixo de seus pés.
E se eles conseguissem atravessar a grade, se conseguissem entrar nas muralhas...
Lutando contra a confusão crescente em sua cabeça, Aedion começou a sinalizar. Primeiro para a metamorfa segurando a linha, tentando tão valentemente manter essas forças à distância. Então, para as Treze, perigosamente alto nos céus, para voltar às muralhas – para impedir que Morath rastejasse sob eles antes que fosse tarde demais.


No alto, o vento trazia os gritos agonizantes dos feridos sangrando, Manon viu o sinal do general, o padrão cuidadoso de luz que ele havia mostrado na noite anterior.
Um comando para correr para as muralhas, imediatamente. Apenas ela e as Treze.
As Crochans controlavam a maré das Dentes de Ferro, mas, para elas recuarem, partirem...
O Príncipe Aedion voltou a sinalizar. Agora. Agora. Agora.
Algo estava errado. Muito errado.
Rio, ele sinalizou. Inimigo.
Manon lançou seu olhar para o chão bem abaixo. E viu o que Morath tentava fazer secretamente.
— Para as muralhas! — ela chamou as Treze, ainda atacando atrás delas, e fez com que Abraxos dirigisse para a cidade, puxando as rédeas para que ele voasse alto acima da batalha.
O grito de aviso de Asterin chegou um pouco tarde demais.
Disparando de baixo, um predador emboscando a presa, a enorme fera mirando em Abraxos.
Manon sabia quem era a cavaleira quando o bicho bateu em Abraxos, garras e dentes cravando fundo.
Iskra Pernas Amarelas já estava sorrindo.
O mundo inclinou e girou, mas Abraxos, rugindo de dor, manteve-se no ar, continuou oscilando.
Mesmo quando a fera de Iskra puxou a cabeça para trás, apenas para fechar as mandíbulas em torno da garganta de Abraxos.

3 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!