29 de outubro de 2018

Capítulo 86

 Concentrem-se na escada — Aedion rosnou para os soldados que se encolhiam ao belo príncipe demônio que pisou nas muralhas da cidade como se estivesse apenas entrando em uma sala.
Ele não usava armadura. Nada além de uma túnica preta cobria seu corpo fino.
O príncipe valg sorriu.
— Príncipe Aedion — ronronou a coisa dentro dele, tirando uma espada de uma bainha escura ao seu lado. — Estávamos esperando por você.
Aedion atacou.
Ele não tinha magia, não tinha nada para combater o poder das trevas nas veias do príncipe, mas ele tinha velocidade. Ele tinha força.
Aedion fintou com sua espada, aquela espada comum e sem nome, e o príncipe empunhou sua própria lâmina – e assim Aedion bateu o escudo na lateral do corpo do homem.
Conduzindo-o para trás. Não em direção à escada, mas ao micênico que manejava uma lança-chamas...
O micênico estava morto.
O príncipe riu e um chicote de poder negro atacou Aedion.
Aedion se abaixou, escudo se erguendo. Como se isso fizesse alguma coisa contra esse poder.
A escuridão atingiu o metal, e o braço de Aedion zumbiu com as reverberações.
Mas a dor, a agonia que drena a vida, não veio.
Aedion instantaneamente se esquivou, dando um golpe para cima do príncipe valg que se esquivou com um pulo para o lado.
Os olhos do demônio estavam arregalados quando ele olhou para o escudo. Então para Aedion.
Então o príncipe valg sibilou:
— Feérico bastardo.
Aedion não sabia o que isso significava, não se importou quando capturou outra explosão em seu escudo, as muralhas já escorregadias com sangue preto e vermelho. Se o micênico nas proximidades estava morto, então havia outro na escada com Ren...
O príncipe valg desencadeou explosão atrás de explosão de poder.
Aedion pegou cada uma com seu escudo, o poder do príncipe saltando como se fosse um jato de água sobre pedra. E por cada explosão de poder que lhe foi atirado, Aedion brandiu a espada.
Aço encontrou aço, a escuridão se chocou com metal antigo. Aedion tinha a vaga sensação de soldados valg e humanos parados enquanto ele e o príncipe demônio batalhavam através da muralha da cidade.
Ele manteve os pés bem posicionados abaixo dele, como Rhoe lhe ensinara. Como Quinn havia ensinado a ele, e Cal Lochan. Como todos os seus mentores e os guerreiros que ele admirara acima de todos os outros lhe ensinaram. Para este momento, quando ele seria chamado para defender as próprias muralhas de Orynth.
Foi por eles que ele brandiu a espada, por eles que levou golpe após golpe.
O príncipe valg sibilou a cada explosão, como se enfurecido que seu poder não pudesse quebrar esse escudo.
Escudo de Rhoe.
Não havia magia nele. Brannon nunca o carregara. Mas um deles forjou-o, alguém da linhagem ininterrupta de reis e rainhas que vieram depois dele, que amavam seu reino mais do que suas próprias vidas. Que havia carregado esse escudo para a batalha, para a guerra, para defender Terrasen.
E enquanto Aedion e o príncipe valg lutavam ao longo das muralhas, quando aquele escudo antigo se recusava a ceder, ele se perguntou se haveria um tipo diferente de poder no metal. Um que o valg nunca poderia e nunca deveria entender. Não verdadeira magia, não como a que Brannon e Aelin tinham. Mas algo tão forte quanto.
Que o valg nunca poderia quebrar, não importa o quanto tentasse.
A espada de Aedion sibilou, e o príncipe valg rugiu quando Aedion o atacou no braço, cortando profundamente.
Sangue preto espirrou. Aedion saltou sobre a vantagem, empurrando com o escudo e apunhalando com sua lâmina.
Mas o príncipe estava esperando.
Tinha armado uma armadilha, seu próprio corpo como isca.
E quando Aedion atacou o príncipe Valg, o demônio tirou uma adaga do cinto da espada e atacou. Exatamente onde a armadura de Aedion expunha uma fina abertura perto de sua axila, vulnerável com a posição estendida de seu braço.
A adaga mergulhou, rasgando carne e músculo e osso.
Dor, ardente e ofuscante, ameaçou fazê-lo abrir a mão, soltar sua espada. Apenas o treinamento de Aedion, apenas aqueles anos de trabalho, o mantiveram sobre os pés quando saltou para trás, livrando-se da lâmina.
O príncipe valg riu, e Aedion estava vagamente consciente da luta ao longo das muralhas, dos gritos e agonias e labaredas de fogo, enquanto o príncipe sorria para a adaga ensanguentado.
Levando-a para sua boca sensual, o príncipe arrastou sua língua ao longo da lâmina. Lambendo o sangue de Aedion.
— Delicioso. — O demônio murmurou, estremecendo de prazer.
Aedion recuou outro passo, seu braço queimando e queimando e queimando, sangue acumulando-se dentro de sua armadura.
O príncipe seguiu atrás dele.
Um chicote de poder das trevas foi lançado para Aedion, e ele novamente ergueu o escudo. O impacto o fez cair no chão, aterrissando em cima do corpo rígido de um soldado da Devastação.
Sua respiração ficou afiada como a adaga que o furara.
O príncipe parou diante de Aedion.
— Devorá-lo será um prazer.
Aedion ergueu o escudo sobre si mesmo, preparando-se para o golpe.
O príncipe levou a adaga ensanguentada para sua boca novamente, os olhos revirando em sua cabeça.
Aqueles olhos se arregalaram quando uma flecha quebrou a pele de sua garganta. Logo acima do colar.
O príncipe segurou a garganta, girando em direção à flecha que não vinha de Aedion, mas de trás. Em direção a Ren Allsbrook e o lança-chamas que ele trazia nos braços.
Ren tocou a mão no gatilho e a chama irrompeu.
Aedion se abaixou, enrolando seu corpo sob o escudo enquanto o fogo ameaçava derreter seus próprios ossos.
O mundo era calor e luz. Então nada. Apenas os gritos de batalha e homens morrendo.
Aedion conseguiu baixar o escudo.
Onde o príncipe valg estivera, agora apenas uma pilha de cinzas e um colar negro da pedra de Wyrd permanecia.
Aedion ofegou, uma mão indo para seu lado sangrando.
— Eu tinha pego.
Ren apenas balançou a cabeça, e girou em suas botas, soltando o fogo sobre os soldados valg mais próximos.
O lorde de Allsbrook voltou-se para ele, com a boca aberta para dizer alguma coisa. Mas a cabeça de Aedion flutuou, seu corpo mergulhando em uma frieza que ele nunca conhecera. Então não havia nada.


A batalha era muito pior do que Evangeline imaginara.
Somente o som a fez tremer em seus ossos, e apenas a tarefa de entregar mensagens para lorde Darrow, onde ele estava em uma das varandas superiores do castelo, a impediu de se enrolar em uma bola.
O fôlego dela era uma coisa áspera e seca quando ela correu de volta para a varanda, para onde Darrow estava junto à balaustrada de pedra, dois outros lordes de Terrasen ao lado dele.
— De Kyllian — Evangeline conseguiu dizer, fazendo uma reverência, como sempre fazia quando transmitia uma mensagem.
Batalhas não eram lugar para boas maneiras, ela sabia – Aelin certamente teria dito isso. Mas ela continuava fazendo a reverência, mesmo quando suas pernas tremiam. Não conseguia se conter.
O mensageiro de Kyllian a encontrara nas escadas do castelo e agora aguardava a resposta de Darrow. Foi o mais perto da luta que ela chegara. Não que estar aqui em cima fosse melhor.
Pressionando-se contra as pedras da muralha da torre, Evangeline deixou que Darrow lesse a carta. As Crochans e as serpentes aladas estavam muito mais próximas daqui. Nesta altura, ela estava no nível delas, o mundo um borrão abaixo. Evangeline colocou as palmas das mãos contra as pedras geladas, como se pudesse extrair alguma força delas.
Mesmo com o rugido da batalha, ela ouviu Darrow declarar aos outros senhores:
— Aedion foi ferido.
O estômago de Evangeline revirou, náusea – oleosa e espessa – surgindo.
— Ele está bem?
Os outros dois lordes a ignoraram, mas Darrow olhou em sua direção.
— Ele perdeu a consciência e o levaram para uma casa perto da muralha. Os curandeiros estão trabalhando nele enquanto falamos. Eles o moverão para cá assim que ele puder aguentar.
Evangeline cambaleou até a balaustrada da sacada, como se pudesse ver aquela construção em meio ao mar de caos perto das muralhas da cidade.
Ela nunca teve um irmão ou um pai. Ainda não tinha decidido qual deles gostaria que Aedion fosse. E se ele estava tão ferido que justificava uma mensagem para Darrow...
Ela apertou a mão contra o estômago, tentando conter a bílis que queimava sua garganta.
Murmúrios soaram, e então havia uma mão em seu ombro.
— Lorde Gunnar cuidará da minha resposta — disse Darrow.  — Você vai ficar aqui comigo. Posso precisar de você.
As palavras eram severas, mas a mão em seu ombro era gentil.
Evangeline apenas assentiu, enjoada e infeliz, e agarrou-se ao balaústre da sacada, como se o aperto de suas mãos pudesse de alguma forma manter Aedion deste lado da vida.
— Caldo quente, Sloane — ordenou Darrow, sua voz não abrindo espaço para discussões.
O outro lorde se afastou. Evangeline não sabia quanto tempo passou depois disso. Quanto tempo demorou até que o senhor voltasse, e Darrow colocasse uma caneca escaldante em seus dedos.
— Beba.
Evangeline obedeceu, achando que fosse algum tipo de caldo. Carne, talvez. Ela não se importou.
Seus amigos estavam lá embaixo. Sua família, aquela que ela formou.
Longe, perto do rio, um borrão de movimento era sua única indicação de que Lysandra ainda vivia.
Nenhuma palavra chegou sobre o destino de Aedion.
Então, Evangeline permaneceu na torre, Darrow em silêncio ao lado dela, e rezou.

11 comentários:

  1. Eu espero realmente que a autora não comece com a palhaçada de matar as pessoas no final... Eu sei que é guerra, mas poxa...todos esses livros, uma saga inteira pra eles morrerem aqui????

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  2. To amando essa atenção especial que a Evangeline ta ganhando

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  3. Só imagino que alguma coisa a Evangeline tem..
    Alguma surpresa acho.
    Pq a autora ta dando ênfase nela.. talvez seja atoa..
    A autora vive surpreendendo...

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    1. Quem sabe dons de curandeiros escondidos ... A Sarah é uma vimaixinha de surpresa

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  4. O livro já tá acabando aaaa, o que vai acontecer?

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  5. Começou os ferimentos nos personagens preferidos. Vamos vê nos próximos capítulos, quem mais vai ficar mortalmente ferido ou vai morrer.🏹💪🏻🤔

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  6. Sarah não matou personagens na serie de corte de espinhos espero q também não mate agora

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  7. Todos os livros q eu leio alguém legal morre, pf autora não faça o mesmo

    Ass:Dessa

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Boa leitura, E SEM SPOILER!