29 de outubro de 2018

Capítulo 85

Manon e as Treze se impulsionaram nos céus enquanto o exército Crochan fluía abaixo, uma maré vermelha correndo em direção ao mar negro à frente.
Forçando a legião Dente de Ferro a escolher: seus antigos inimigos ou seus novos inimigos.
Era um teste, e um que Manon queria fazer cedo. Para ver quantas Dentes de Ferro atenderiam à ordem de avançar, e quantas poderiam romper com suas ordens, a tentação de lutar contra as Treze demais para suportar. E um teste, ela supunha, para as Matriarcas e as herdeiras que lideravam sua legião – elas cairiam misso? Dividiriam suas forças para perseguir as Dentes de Ferro, ou continuariam seu ataque às Crochans?
Mais e mais alto, Manon e os Treze se ergueram, os dois exércitos se aproximando.
As Crochans não hesitaram quando suas espadas brilharam ao sol, apontando para as serpentes aladas que se aproximavam.
As Dentes de Ferro não haviam treinado contra um inimigo capaz de revidar. Um inimigo que capaz de estar no ar, menor e mais rápido, e atacar onde eram mais fracos: as cavaleiras. Esse era o objetivo das Crochans – derrubar as cavaleiras, não os animais.
Mas, para isso, precisariam enfrentar as mandíbulas e as caudas, o veneno cobrindo-as. E se pudessem ultrapassar as serpentes aladas, então seria questão de enfrentar as flechas voadoras, e as guerreiras treinadas montadas nas feras. Não seria fácil e não seria rápido.
As Treze subiram tão alto que o ar ficou rarefeito. Alto o suficiente para que Manon pudesse ver até o fim do exército, onde a horrível e inconfundível montanha que era a serpente alada de Iskra Pernas Amarelas voava.
Um desafio e uma promessa de um confronto por vir. Manon sabia, apesar da distância, que Iskra a marcara como alvo.
Nenhum sinal de Petrah. Ou das duas Matriarcas restantes. Quem substituiu a anciã Pernas Amarelas como Grã-Bruxa, Manon não sabia. Ou se importava. Talvez sua avó as tivesse convencido a não nomear Iskra ou outra ainda – abrindo caminho assim para o seu próprio reinado.
Assim que a cabeça de Manon ficou leve com a altitude, mais ou menos cinquenta serpentes aladas se afastaram do exército inimigo. Voando para cima – disparando para elas, bestas livres de suas amarras. Com fome da glória e dos direitos que matar as Treze renderia.
Manon sorriu.
Os dois exércitos se alcançaram.
Prendendo o fôlego, Manon puxou uma vez as rédeas de Abraxos. Sua serpente alada de coração feroz dobrou as asas enquanto se arqueava – e mergulhou.
O mundo se inclinou enquanto eles se contorciam e mergulhavam para baixo, baixo, baixo, as Treze descendo com eles. Eles rasgaram através das nuvens, dos exércitos em confronto, o castelo e a cidade se aproximando.
E quando as Dentes de Ferro estavam perto o suficiente para que Manon pudesse ver que elas eram Pernas Amarelas e Sangue Azul, Abraxos se inclinou para um lado e uma corrente lançou-o diretamente no coração deles.
As Treze entraram em formação atrás dela, um aríete que esmagou as Dentes de Ferro.
O arco de Manon cantou quando ela disparou flecha após flecha. Ao primeiro borrifo de sangue azul, parte dela oscilou.
Mas ela continuou atirando. E Abraxos continuou voando, rasgando asas e gargantas com a cauda e os dentes.
E assim começou.


Mesmo no rio, o trovejar dos pés em marcha alcançou Lysandra.
Eles não viram o grande focinho branco que periodicamente subia entre os blocos de gelo para respirar fundo. O céu estava escuro agora, espesso com o choque de serpentes aladas e Crochans.
Corpos ocasionalmente mergulhavam no rio, Dentes de Ferro e Crochans igualmente.
As Crochans que se debatiam, ainda vivas, Lysandra transportou secretamente para a margem distante. O que pensaram dela, elas não disseram. Ela não se demorou o suficiente para isso.
As Dentes de Ferro que caíram no rio foram arrastadas até o fundo e presas às rochas.
Ela teve que desviar o olhar a cada vez que fazia isso. O focinho de Lysandra quebrou a superfície quando um assobio agudo se destacou do barulho, vindo das muralhas da cidade. Não é um chamado de aviso, mas um desencadeamento.
Lysandra mergulhou para o fundo. Parou e depois empurrou para cima, a cauda poderosa se debatendo para lançá-la em direção à superfície.
Ela rompeu gelo e água, arqueando-se pelo ar, e caiu direto no flanco leste de Morath.
Soldados gritaram quando ela desencadeou um redemoinho de dentes e garras e uma enorme cauda estalando.
Onde o dragão marinho branco se movia, sangue negro jorrava. E justamente quando os soldados dominaram seu terror o suficiente para lançar flechas e lanças nas escamas opalescentes reforçadas com Seda de Aranha, ela se contorceu e voltou ao rio profundo, desaparecendo sob o gelo. Lanças mergulharam nas águas azul-turquesa, errando o alvo, mas Lysandra já nadava para longe.
A velocidade do dragão marinho – dragão do rio, ela supôs – não diminuiu. Ela forçou até o limite, os grandes pulmões funcionando como um fole.
O rio fez uma curva, e ela aproveitou a vantagem ao pular de novo da água.
Os soldados, tão focados no dano que ela causara antes, não a viram até que ela estivesse em cima deles.
Ela olhou para as muralhas da cidade, onde uma onda negra se chocava, escadas de cerco erguendo-se e flechas voando, rajadas de fogo em meio a tudo isso, antes de voltar para as profundezas geladas do rio.
Sangue preto escorria de sua boca, cauda e garras, quando ela se afastou, a sombra das bruxas guerreando acima do gelo.
Então ela lutou, o gelo flutuando seu escudo. Atacando, depois se movendo; desestabilizando o flanco oriental com cada assalto, forçando-os a fugir da beira do rio para se amontoarem nas fileiras centrais.
Lentamente, as águas azul-turquesa do Florine ficaram azul e preto. Ainda assim, Lysandra continuou atacando os flancos do gigante que se lançava sobre Orynth.


O calor dos lança-chamas chamuscou a bochecha de Aedion, aquecendo seu capacete a um nível perto de desconfortável.
Um pequeno preço, quando as rajadas de fogo fizeram os soldados valg nas muralhas se arrastarem para trás. Onde seus arqueiros derrubaram o inimigo, mais vieram. E onde os fogos os derreteram, apenas chão queimado e armadura derretida permaneceram. Mas não havia o suficiente – nem perto disso.
Acima, além das muralhas, os Dentes de Ferro e Crochans entraram em confronto. Tão violentamente, tão rapidamente, que uma névoa azul pairou nos céus do derramamento de sangue.
Ele não podia determinar quem tinha a vantagem. As Treze lutavam entre elas e, onde mergulhavam na batalha, Dentes de Ferro e suas montarias tombaram. Esmagando infantaria valg lá embaixo.
Escadas de cerco de ferro ergueram-se novamente, apontando para as muralhas da cidade. Explosões dos lança-chamas enviavam aqueles que já subiam nelas para o chão na forma de cadáveres carbonizados. Porém mais valg subiam, o medo da chama não  suficiente para detê-los.
Correndo para a escada mais próxima, Aedion atirou uma flecha após a outra, disparando contra os soldados que subiam seus degraus. Tiros limpos através das lacunas na armadura escura.
Os arqueiros ao redor dele fizeram o mesmo, e os soldados da Devastação atrás dele se estabeleceram em posições de combate, esperando pela primeira brecha nas muralhas.
Nos portões da cidade, chamas explodiram e se enfureceram. Ele concentrou muitos dos micênicos em um dos dois portões em Orynth, a fraqueza mais vulnerável ao longo das paredes.
Que o fogo continuasse a acender-se já lhe dissera o suficiente: Morath estava fazendo seu esforço ali.
A ordem de Rolfe de Conservem o fogo! fez um buraco de pavor se formar em seu intestino, mas Aedion se concentrou na escada do cerco. Seu arco estremeceu e outro soldado caiu. Então outro.
Mais para o lado, Ren assumira outra escada de cerco próxima, o arco do lorde cantando.
Aedion ousou um olhar para o exército à frente. Eles haviam se juntado perto o suficiente agora.
Recuando, deixando um arqueiro tomar o seu lugar, ele levantou a espada, sinalizando para os integrantes da Devastação nas catapultas, a realeza feérica e os arqueiros perto deles.
— Agora!
Madeira estalou e gemeu. Pedregulhos do tamanho de carroças sobrevoaram as paredes. Cada um tinha sido encharcado em óleo e brilharam ao sol enquanto eram atirados para cima.
E quando os pedregulhos atingiram o ponto mais alto, quando começaram a despencar em direção ao inimigo, os arqueiros feéricos soltaram suas flechas flamejantes.
Elas atingiram as pedras cheias de óleo antes que estas atingissem o chão. A chama entrou em erupção, fluindo diretamente para os buracos que Aedion ordenara que perfurassem a rocha, direto para o ninho de explosivos em pó que eles tinham novamente retirado das preciosas reservas dos fogos de Rolfe.
Os pedregulhos explodiram em bolas de fogo e pedra. Ao longo das muralhas da cidade, soldados aplaudiram a carnificina que as ruínas fumegantes revelaram. Nada além de valg derretido, esmagado ou quebrado. Cada lugar onde as seis catapultas haviam atingido tinha agora um anel de terra carbonizada ao redor.
— Recarregar! — Aedion rugiu.
A Devastação já fazia força contra as grandes manivelas que giravam as catapultas em suas bases de madeira. Em poucos segundos, eles apontaram para outro local; em poucos segundos, a realeza feérica erguia mais pedras cheias de óleo do estoque que Darrow adquirira ao longo de semanas e semanas.
Ele não deu a Morath uma chance de se recuperar.
— Fogo!
Pedregulhos voaram, flechas flamejantes seguindo-os. As explosões no campo de batalha sacudiram as muralhas da cidade desta vez. Outro aplauso subiu e Aedion fez sinal para que a realeza feérica e a Devastação parasse. Que Morath pensasse que seu estoque estava esgotado, que eles só tinham alguns disparos de sorte em seu arsenal.
Aedion voltou para a escada de cerco quando o primeiro soldado valg alcançou as paredes.
Ele foi morto antes que seus pés terminassem de tocar o chão, cortesia de um homem da Devastação que esperava.
Aedion soltou o escudo de suas costas e apontou sua espada enquanto a onda de soldados coroava as paredes.
Mas não foi um soldado valg que apareceu em seguida, subindo a escada com facilidade.
O rosto do jovem era frio como a morte, seus olhos negros iluminados pela fome profana.
Um colar preto estava preso em torno de sua garganta.
Um príncipe valg chegara.

2 comentários:

  1. Só eu acho que é bom Dorian disfarçado talvez? Bom assim eu espero, pensamentos positivos sempre né?... Mesmo quando parecem loucuras 😂

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  2. Aelin cade você meu bem?
    É hora de uma entrada triunfal sua

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Boa leitura, E SEM SPOILER!