29 de outubro de 2018

Capítulo 80

A sala girava ligeiramente. Até mesmo a gotícula da magia de sua mãe não poderia estabilizá-la.
Pior. Pior do que tudo que Aelin imaginara ouvir dos lábios de Vernon.
— Maeve trouxe seu exército? — sua voz fria e serena soou longe, muito longe.
— Ela não trouxe ninguém além de si mesma.
— Nenhum exército – nada?
Vernon voltou a beber.
— Não que eu tenha visto antes de Erawan me mandar em uma serpente alada na calada da noite. Afirmou que eu tinha feito muitas perguntas e estava mais bem preparado para ficar postado aqui.
Erawan ou Maeve deviam saber. De alguma forma. Que eles acabariam aqui e plantaram Vernon no caminho deles. Para dizer isso.
— Ela falou onde estava seu exército? — Não Terrasen – se tivesse ido na frente para Terrasen...
— Não, mas assumi que suas forças tivessem sido deixadas perto da costa, para aguardar ordens sobre para onde navegar.
Aelin empurrou de lado sua náusea crescente.
— Você descobriu o que Maeve e Erawan planejam fazer?
— Enfrentar você, aposto.
Ela se forçou a inclinar para trás em seu assento, seu rosto entediado, casual.
— Você sabe onde Erawan mantém a terceiro chave de Wyrd?
— O que é isso? — não é uma pergunta falsa.
— Uma lasca de pedra negra – como a que foi plantada no braço de Kaltain Rompier.
Os olhos de Vernon se fecharam.
— Ela também tinha o dom de fogo, você sabe. Eu tremo ao pensar no que poderia acontecer se Erawan colocasse a pedra dentro de seu braço.
Ela o ignorou.
— Bem?
Vernon terminou sua cerveja.
— Eu não sei se ele tinha outra além da que estava no braço de Kaltain.
— Ele tinha. Ele tem.
— Então eu não sei onde está, sei? Eu só sabia da que a minha pequena sobrinha roubou.
Aelin absteve-se de ranger os dentes. Maeve e Erawan – unidos. E nem um sussurro de onde Dorian e Manon estavam com as outras duas chaves.
Ela não reconheceu as paredes que começavam a pressionar, o suor frio escorrendo novamente pelas suas costas.
— Por que Maeve se aliou a Erawan?
— Eu não estava a par daquela discussão. Fui despachado rapidamente para cá. — Um lampejo de aborrecimento. — Mas Maeve de alguma forma tem... influência sobre Erawan.
— O que aconteceu com as Dentes de Ferro posicionadas aqui no desfiladeiro?
— Foram chamadas para o norte. Para Terrasen. Elas receberam ordens para se juntarem à legião que já estava a caminho depois de derrotar o exército na fronteira, então em Perranth.
Oh, deuses. Levou todo o seu treinamento pensar além do rugido em sua cabeça.
— Cem mil soldados marcham para Orynth — disse Vernon, rindo. — Esse seu fogo será suficiente para detê-los?
Aelin pôs a mão no punho de Goldryn, com o coração trovejando.
— A que distância eles estão da cidade?
Vernon deu de ombros.
— Eles já marchavam fazia alguns dias quando a legião de Dentes de Ferro saiu daqui.
Aelin calculou a distância, o terreno, o tamanho de seu próprio exército. Estavam a duas semanas no máximo – se o tempo não os impedisse. Duas semanas através de floresta densa e território inimigo.
Eles nunca chegariam a tempo.
— Maeve e Erawan vão se juntar a eles?
— Eu diria que sim. Não com o grupo inicial, por razões que não me disseram, mas eles vão para Orynth. E enfrentar você lá.
Sua boca ficou seca. Aelin levantou-se.
Vernon franziu o cenho para ela.
— Você não quer perguntar se eu sei das fraquezas de Erawan, ou de quaisquer surpresas guardadas para você?
— Eu tenho tudo o que preciso saber. — Ela moveu o queixo para Fenrys e Gavriel, e o primeiro se afastou da parede para abrir a porta. Este último, no entanto, começou a apertar as correntes de Vernon mais uma vez. Ancorando-o na cadeira, amarrando as mãos nos braços.
— Você não vai me soltar? — Vernon exigiu. — Eu te dei o que você queria.
Aelin deu um passo para o corredor, observando a fúria no rosto de Lorcan. Ele ouvira cada palavra, incluindo o juramento de não matar Vernon.
Aelin lançou a Vernon um sorriso torto por cima do ombro.
— Eu não disse nada sobre soltar você. — Vernon ficou imóvel. Aelin deu de ombros. — Eu disse que nenhum de nós iria matá-lo. Não é nossa culpa se você não pode sair dessas correntes, é?
O sangue escoou do rosto de Vernon. Aelin disse em voz baixa:
— Você acorrentou e trancou minha amiga em uma torre por dez anos. Vamos ver o quanto você gosta da experiência. — Ela deixou seu sorriso se tornar violento. — Embora, uma vez que os treinadores daqui terminaram o trabalho, não acho que restará alguém para alimentá-lo. Ou te trazer água. Ou até mesmo ouvir seus gritos. Então duvido que você consiga alcançar dez anos antes do fim reclamá-lo, mas dois dias? Três? Posso aceitar isso, eu acho.
— Por favor — Vernon disse quando Gavriel alcançou a maçaneta da porta – para trancar o homem lá dentro.
— Marion salvou minha vida — disse Aelin, segurando o olhar do homem. — E você alegremente se curvou para o homem que a matou. Talvez até tenha dito ao rei de Adarlan onde nos encontrar. Todos nós.
— Por favor! — gritou Vernon.
— Você deveria ter economizado aquela caneca de cerveja — foi tudo o que Aelin disse antes de acenar para Gavriel.
Vernon começou a gritar quando a porta se fechou. E Aelin virou a chave.
O silêncio encheu o corredor. Aelin encontrou o olhar arregalado de Elide, com Lorcan selvagemente satisfeito ao seu lado.
— Não vai ser rápido assim — disse Aelin, estendendo a chave para Elide. O resto da questão ficou suspenso no ar.
Vernon continuou gritando, implorando para que eles voltassem, para libertá-lo.
Elide estudou a porta selada. O homem desesperado por trás dela. A dama de Perranth pegou a chave estendida. Colocou-a no bolso.
— Deveríamos encontrar uma maneira melhor de trancar a sala.


— Nossos piores temores foram confirmados — disse Aelin a Rowan, debruçada sobre a balaustrada de uma das varandas do Canino do Norte, olhando para o exército reunido no chão do desfiladeiro. Para onde seus companheiros agora se dirigiam, a tarefa de selar permanentemente a câmara na qual Vernon estava acorrentado completa. Para onde eles deveriam ir também. Mas ela parou aqui. Esperou um momento.
Rowan pousou a mão no ombro dela.
— Vamos enfrentá-los juntos. Maeve e Erawan.
— E os cem mil soldados que marcham para Orynth?
— Juntos, Coração de Fogo — foi tudo o que ele disse.
Ela encontrou apenas séculos de treinamento e frieza calculista em seu rosto. Aquela vontade inquebrável.
Ela apoiou a cabeça no ombro dele, a têmpora tocando a armadura leve.
— Vamos fazer isso? Restará alguma coisa?
Ele tirou o cabelo do rosto dela.
— Nós tentaremos. Isso é o melhor que podemos fazer. — As palavras de um comandante que entrou e saiu de campos de batalha durante séculos.
Ele juntou uniu suas mãos e juntos eles olharam para o exército abaixo. O fragmento de salvação que oferecia.
Teria ela sido uma tola de gastar aqueles três meses de seu poder duramente conquistados para salvar aquele exército, em vez de guardá-lo para Maeve? Maeve e Erawan?
Mesmo que ela começasse agora, não seria, nunca poderia ser, o mesmo.
— Não se sobrecarregue com os e se — disse Rowan, lendo as palavras em seu rosto.
Não sei o que fazer, ela disse em silêncio.
Ele beijou o topo de sua cabeça. Juntos.
E enquanto o vento uivava através dos picos, Aelin percebeu que seu parceiro, talvez, não tinha solução, tampouco.

2 comentários:

  1. ALGUÉM GRITA PRA ELA QUE MORATH CAIU, QUE ERAWAN TÁ SEM A CHAVE E, ATUALMENTE, DORIAN É O SER MAIS PODEROSO DESSE MUNDO!

    AI QUE AGONIAAA

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  2. Tirou as palavras da minha boca!! kkkkkkkkkk

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Boa leitura, E SEM SPOILER!