22 de outubro de 2018

Capítulo 7

STEPHANIE,
Querida, aqui é a mamãe. Estive pensando que talvez você possa entrar em contato com Rosie pra tentar conversar com ela. Ela voltou de Boston uma semana antes do previsto e parece aborrecida com alguma coisa, embora não diga o que é. Eu já temia que isso acontecesse. Sei que ela sente como se tivesse perdido grandes oportunidades. Só queria que ela conseguisse enxergar o lado positivo de tudo o que tem agora. Você poderia tentar falar com ela? Ela adora quando você escreve.
Te amo, meu amor.
Mamãe

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE: STEPH.
Steph: Ei! Você não atende o telefone.
Steph: Sei que você está aí, Rosie. Posso ver que está online!
Steph: Tá bom, vou ficar na sua cola até você responder.
Steph: Oiiiiiiiiiiiiiiii!
Rosie: Oi.
Steph: Ah, até que enfim! Por que tenho a sensação de que estou sendo ignorada?
Rosie: Desculpe, estava cansada demais pra conversar.
Steph: Acho que posso te perdoar. Está tudo bem? Como foi a viagem pra Boston? A cidade é tão bonita quanto as fotos que Alex mandou pra gente?
Rosie: É, o lugar é muito bonito mesmo. Alex me mostrou tudo. Não fiquei parada um só minuto enquanto estava lá. Alex realmente ficou ao meu lado o tempo todo.
Steph: Imaginei que ele ficaria. E aí, aonde vocês foram?
Rosie: Ele me mostrou a Faculdade de Boston, então pude ver como tudo teria sido se eu tivesse ido estudar lá, e é tudo tão mágico e bonito, e o tempo estava tão maravilhoso...
Steph: Bem, parece que foi ótimo, então. Você gostou, certo?
Rosie: Sim, gostei, sim. É até melhor do que as fotografias que eu via na época em que fiz a minha inscrição. Teria sido um lugar bacana pra estudar...
Steph: Tenho certeza de que teria mesmo. Onde você ficou?
Rosie: Na casa dos pais de Alex. Eles moram numa região muito chique, nada a ver com o nosso bairro aqui. A casa é uma graça: ficou claro que o pai de Alex está ganhando muito dinheiro no atual emprego.
Steph: O que mais vocês dois aprontaram? Sei que você deve ter muita coisa interessante pra me contar. Em se tratando de vocês dois, sei que não tem espaço para o tédio!
Rosie: Bom, fomos passear pelas lojas, ele me levou para assistir a um jogo do Red Sox no Fenway Park e eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, mas comi um cachorro-quente delicioso, fomos a algumas danceterias... Desculpe, Steph, não tenho nada de muito interessante pra te contar...
Steph: Ei, isso é muito mais interessante do que tudo o que fiz durante a semana inteira, acredite! E aí, como vai o Alex? Como ele está fisicamente? Faz anos que não o vejo. Não sei nem se o reconheceria!
Rosie: Parece que ele está muito bem. Pegou um ligeiro sotaque americano, embora negue. Mas continua o mesmo velho Alex. Adorável como sempre. Ele realmente me mimou muito a semana inteirinha, não me deixou pagar nadinha e a cada noite me levou para um lugar diferente. Foi bom me sentir livre pelo menos um pouco.
Steph: Você é livre, Rosie.
Rosie: Eu sei. Só que às vezes não sinto isso. Enquanto estava lá, senti como se não tivesse nada com que me preocupar. Tudo estava tão legal que eu quase senti como se cada músculo do meu corpo tivesse relaxado desde o momento em que coloquei o pé naquele lugar. Fazia anos que eu não ria tanto. Eu me senti como uma jovem de 22 anos, Steph. Não tenho me sentido assim nos últimos tempos. Sei que pode soar estranho, mas me senti como alguém que eu poderia ter sido. Gostei de não ter de me preocupar com outra pessoa enquanto andava pela rua. Não tive nenhum daqueles quase cinquenta ataques cardíacos por dia que tenho quando Katie desaparece da minha vista ou quando ela enfia alguma coisa que não deveria na boca. Não precisei me atirar no meio da rua pra puxá-la pra trás a tempo de evitar que ela fosse atropelada. Não me senti esgotada, nem precisei corrigir a pronúncia de ninguém nem repreender ninguém. Gostei de poder rir de uma piada sem ter alguém puxando a manga da minha blusa pedindo para explicar. Gostei de ter conversas adultas sem ser interrompida pra aplaudir e motivar alguma dancinha ou o aprendizado de uma palavra nova. Gostei de ter sido eu mesma, Rosie, não mamãe, de ter pensado apenas em mim, de ter conversado sobre coisas de que eu gosto, de ter saído sem ter que me preocupar com no que Katie estava mexendo ou enfiando na boca, ou com pirraças na hora de dormir. Não é horrível?
Steph: Não é horrível, Rosie. É bom ter tempo para si mesma, mas também deve ser muito bom voltar para Katie, não é? E, se as coisas lá estavam tão bem assim, por que você voltou tão cedo? Você não ia ficar mais uma semana por lá? Aconteceu alguma coisa?
Rosie: Nem vale a pena mencionar.
Steph: Ah, corta essa, Rosie. Sei quando tem alguma coisa te incomodando. Pode me contar.
Rosie: Não foi nada, só chegou a hora de vir embora mesmo, Steph.
Steph: Você e Alex brigaram? Ou alguma coisa assim?
Rosie: Não! É muito constrangedor para explicar.
Steph: Por quê? O que você quer dizer com isso?
Rosie: Ah, dei um showzinho lá.
Steph: Não seja boba. Tenho certeza de que o Alex nem ligou. Ele já te viu dando vários showzinhos na vida.
Rosie: Não, Steph, dessa vez foi um showzinho diferente. Acredite no que estou dizendo. Não foi nada parecido com o que Alex e Rosie costumavam fazer. Eu meio que me joguei pra cima dele e no dia seguinte não sabia onde enfiar a cara.
Steph: O QUÊ? Quer dizer que você... Você e o Alex?...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!