29 de outubro de 2018

Capítulo 74

Como um, os guardas do lado de fora da torre de Erawan se afastaram.
Sozinho, o rei valg bloqueando a entrada de sua torre, Maeve disse:
— Isso significa que sou bem-vinda?
Ela afrouxou o aperto em seu manto, as dobras da frente se abrindo para revelar o vestido transparente.
Os olhos dourados de Erawan examinaram cada centímetro. Então o rosto dela.
— Embora você possa não acreditar, você é a esposa do meu irmão.
Dorian piscou com isso. À honra do demônio dentro do corpo masculino.
— Eu não tenho que ser — murmurou Maeve, e Dorian soube, então, por que ela o advertira antes de partirem.
Uma sacudida de cabeça e seu espesso cabelo preto se tornou dourado. Sua pele branca como a lua escureceu ligeiramente, para um bronzeado beijado pelo sol. O rosto pontudo arredondou ligeiramente, olhos escuros clareando em turquesa e dourado.
— Poderíamos jogar assim, se você preferir.
Até a voz pertencia a Aelin.
Os olhos de Erawan brilharam, seu peito subindo em uma respiração irregular.
— Isso o atrairia? — Maeve deu um meio sorriso que Dorian só vira no rosto da rainha de Terrasen.
Repulsa e horror o agitaram. Ele sabia – sabia que não havia luxúria nos olhos de Erawan para Aelin. Nenhum desejo verdadeiro além da posse, da dor.
O glamour de Maeve mudou novamente. Cabelos dourados empalideceram até parecerem brancos, e turquesa se transformou em ouro.
Raiva gelada, pura e não diluída, rasgou Dorian enquanto Manon agora parava diante do rei valg.
— Ou talvez esta forma, bela além de qualquer razão. — Ela olhou para si mesma, sorrindo. — Ela era sua rainha pretendida quando esta guerra acabasse, a Líder Alada? Ou meramente uma reprodutora premiada?
As narinas de Erawan se dilataram e Dorian se concentrou na própria respiração, nas pedras sob suas patas, em qualquer coisa para impedir que sua magia explodisse com o desejo – desejo verdadeiro – que surgiu no rosto de Erawan. Mas se isso permitisse a entrada de Maeve naquela torre...
Erawan piscou, e aquele desejo se apagou.
— Você é a esposa do meu irmão — disse ele. — Não importa que pele esteja vestindo. Se quer se aliviar, mandarei alguém para seus aposentos.
Com isso, ele fechou a porta. E não emergiu novamente.


Maeve levou Dorian para sua reunião na manhã seguinte.
No bolso da capa, como rato de campo, Dorian ficou quieto e escutou.
— Depois de todo aquele alarido da noite passada — disse Erawan — você dispensou o que lhe enviei.
De fato, nem quinze minutos depois de terem retornado à torre de Maeve, uma batida soara na porta. Um jovem de rosto inexpressivo estava ali, lindo e frio. Não um príncipe – não com o anel que ele usava. Apenas um humano escravizado. Maeve o mandou embora, embora não por bondade.
Não, Dorian sabia que o homem tinha sido poupado de seus deveres por causa de sua presença e nada mais. Maeve dissera a ele antes de adormecer.
— Eu esperava vinho — Maeve respondeu suavemente — e não uma cerveja aguada.
Erawan riu e o papel foi folheado.
— Estive considerando mais detalhes desta aliança, irmã. — O título era uma farpa, uma provocação da rejeição da noite passada. — E tenho pensado: o que mais você trará? Você tem mais a ganhar do que eu, afinal de contas. E oferecer seis de suas aranhas é relativamente pequeno, mesmo que tenham sido hospedeiras receptivas às princesas.
As orelhas de Dorian se esticaram enquanto ele esperava pela resposta de Maeve. Ela disse em voz baixa, mais tensa do que a tinha ouvido falar antes:
— O que você quer, irmão?
— Traga o resto das kharankui. Abra um portal e as transporte para cá.
— Nem todas serão tais hospedeiras dispostas.
— Não hospedeiras. Soldados. Não pretendo arriscar. Não haverá segunda fase.
O estômago de Dorian se torceu. Maeve hesitou.
— Há uma chance, você sabe, que mesmo com tudo isso, mesmo que eu convoque as kharankui, você poderá enfrentar Aelin Galathynius e falhar. — Uma pausa. — Anielle confirmou seus medos mais sombrios. Eu ouvi o que aconteceu. O poder que ela convocou para deter o rio. — Maeve cantarolou. — Aquilo era para mim, sabe. A explosão. Mas se ela o convocar novamente, vamos dizer contra você em um campo de batalha... Seria capaz de impedir, irmão?
— É por isso que esta pressão para o norte com suas aranhas será vital — foi a única resposta de Erawan.
— Talvez — Maeve respondeu. — Mas não se esqueça que você e eu juntos poderíamos vencer. Sem as aranhas. Sem as princesas. Até mesmo Aelin Galathynius não pode se posicionar contra nós dois. Podemos ir para o norte e obliterá-la. Mantenha as aranhas em reserva para outros reinos. Outras vezes.
Ela não queria sacrificá-las. Como se tivesse algum carinho pelos seres que permaneceram leais por milênios.
— E além disso — continuou Maeve — você sabe muito sobre caminhar entre mundos. Mas nem tudo. — Sua mão deslizou dentro do bolso, e Dorian se preparou enquanto os dedos corriam por suas costas. Como se lhe dissesse para ouvir.
— E suponho que só vou descobrir quando você e eu vencemos esta guerra — disse Erawan por fim.
— Sim, embora eu esteja disposta a lhe dar uma exibição. Amanhã, depois de me preparar. — Mais uma vez, aquele silêncio horrível. — Eles são fortes demais, poderosos demais para eu abrir um portal entre os reinos para permitir que eles passem. Eles desestabilizariam demais a minha magia no esforço de trazer tudo o que são para este mundo. Mas eu poderia mostrá-los a você – só por um momento. Eu poderia mostrar seus irmãos a você. Orcus e Mantyx.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!