29 de outubro de 2018

Capítulo 73

Dorian procurava em Morath em uma centena de peles diferentes.
Nos pés silenciosos de um gato, ou correndo pelo chão como uma barata, ou pendurado em um caibro como um morcego, ele passou a maior parte da semana escutando. Vigiando.
Erawan ainda permanecia inconsciente de sua presença. Talvez a natureza de sua magia crua de fato lhe garantisse anonimato – e Maeve só soube reconhecê-lo graças ao que quer que tivesse arrancado da mente de Aelin.
À noite, Dorian voltava para a câmara da torre de Maeve, onde eles repassavam tudo o que ele tinha visto. O que ela fazia durante o dia para impedir que Erawan notasse a presença pequena e em constante mudança que caçava em seus corredores, ela não revelou.
Ela trouxe as aranhas, no entanto. Dorian ouvira os sussurros aterrorizados dos servos sobre o portal fugaz que a rainha abrira para permitir que seis das criaturas entrassem nas catacumbas. Onde elas, através de alguma magia terrível, hospedaram as princesas valg.
Dorian não conseguia decidir se era um alívio não ter encontrado esses híbridos ainda. Embora tivesse visto os corpos humanos emaciados, meras cascas, que ocasionalmente eram arrastados pelos corredores. Jantar, os guardas que os carregavam haviam sibilado para os criados petrificados. Para alimentar uma fome sem fim. Para prepará-las para a batalha.
O que as criações princesa-aranha podiam fazer, o que fariam com seus amigos no norte... Dorian não conseguia parar de recordar o que Maeve dissera a Erawan. Que as princesas valg foram mantidas aqui para a segunda fase do que ele estava planejando. Talvez para garantir que elas fossem bem e verdadeiramente destruídas quando a maior parte de seus exércitos viesse.
Essa presença afiava seu foco enquanto ele caçava. Empurrava-o e forçava-o para frente, mesmo quando a razão e o instinto lhe diziam para fugir daquele lugar. Mas ele não o faria. Não podia. Não sem a chave.
Às vezes, ele podia jurar que a sentia. A chave. A horrível presença sobrenatural.
Mas quando seguia o poder miserável pelas escadarias e pelos antigos corredores, apenas pó e sombras o saudavam.
Muitas vezes, ele era conduzido de volta à torre de Erawan. Para a porta de ferro trancada e os guardas valg postados do lado de fora. Um dos poucos lugares restantes em que ele não ousara procurar. Embora outras possibilidades ainda permanecessem.
O cheiro desagradável da câmara subterrânea alcançou Dorian muito antes de ele descer a escada sinuosa, a passagem sombria cavernosa e iminente aos sentidos de sua forma de mosquito. Era a forma mais segura do dia. O gato da cozinha estava à espreita mais cedo, e as bruxas Dentes de Ferro se apressavam ao redor da fortaleza, preparando-se para o que ele só podia supor ser uma ordem para marchar para o norte.
Ele estava caçando a chave desde o amanhecer, Maeve ocupando a atenção de Erawan nas catacumbas ocidentais do outro lado da fortaleza. Onde aquelas aranhas-princesas testariam seus novos corpos.
Ele nunca fora tão fundo sob a fortaleza. Abaixo das salas de armazenamento. Abaixo das masmorras. Ele só havia encontrado a escada pelo cheiro que vazara da porta comum em seu topo, o cheiro detectado pelo notável olfato de mosquito. Ele passara pela porta tantas vezes agora em sua caça infrutífera, considerando-a um mero armário de suprimentos – até que o acaso interviu hoje.
Dorian contornou a última curva da escada em espiral e quase caiu do ar quando o cheiro atingiu-o completamente. Mil vezes pior nessa forma, com esses sentidos.
Um cheiro de morte, de podridão, de ódio e desespero. O cheiro que só valg poderia invocar.
Ele nunca esqueceria. Nunca deixaria para trás.
Volte. O aviso era um sussurro em sua mente. Volte.
O corredor inferior estava iluminado com apenas algumas tochas em suportes de ferro enferrujados. Não havia guardas postados ao longo de seu comprimento ou na solitária porta de ferro no final.
O mau cheiro pulsava ao longo do corredor, emanando daquela porta. Acenando.
Erawan deixaria a chave tão desprotegida? Dorian enviou sua magia ao longo do corredor, testando qualquer armadilha escondida.
Não encontrou nenhuma. E quando chegou à porta de ferro, ela recuou. Fugiu.
Ele colocou seu poder de volta em si mesmo, colocando-o mais perto. A porta de ferro estava amassada e arranhada com a idade. Nove travas estavam ao longo de sua borda, cada uma mais complicada que a anterior. Fechaduras antigas e estranhas.
Ele não hesitou. Seguiu para o pequeno espaço entre as pedras e a porta de ferro e se transformou. O mosquito encolheu em uma mosca, tão pequena que era quase uma partícula de pó. Ele voou para baixo da porta, bloqueando o cheiro, o terrível pulsar contra seu sangue.
Levou um momento para entender o que via na câmara de vigas grosseiras, iluminada por uma pequena lanterna pendurada no teto arqueado. Uma labareda de chama esverdeada dançou ali dentro. Não uma chama deste mundo.
Sua luz deslizou sobre a pilha de pedras negras no centro da sala. Pedaços de um sarcófago.
E ao redor disso, construído em prateleiras esculpidas na própria montanha, estavam colares Wyrd.


Apenas os instintos de seu corpo pequeno e inconsequente mantiveram Dorian no ar. Deixaram-no circulando na câmara sem luz. Os destroços no centro do espaço.
A tumba de Erawan – diretamente abaixo de Morath. O local onde Elena e Gavin o prenderam e então construíram a fortaleza no topo do sarcófago que não poderia ser movido.
Onde toda essa confusão começou. Onde, séculos depois, seu pai alegara que ele e Perrington se aventuraram na juventude, usando a chave de Wyrd para destrancar a porta e o sarcófago e, sem querer, libertar Erawan.
O rei demônio havia se apoderado do corpo do duque. Seu pai... O coração de Dorian acelerou quando ele passou por colar após colar, dando voltas pela sala. Erawan não precisou de um para conter seu pai, não quando o homem não possuía magia em suas veias.
No entanto, Erawan dissera que o homem não se curvara – não totalmente. Lutou contra ele por décadas.
Ele não havia se permitido pensar sobre isso na última semana. Sobre se as últimas palavras de seu pai no topo do castelo de vidro realmente tinham sido verdadeiras. Sobre como ele o matou, sem a desculpa do colar como justificativa.
Sua cabeça latejava enquanto ele continuava a circular a tumba. Os colares derramavam seu fedor profano no mundo, pulsando no mesmo compasso de seu sangue.
Eles pareciam dormir. Parecia esperar.
Um príncipe espreitava dentro de cada um? Ou eram conchas, prontas para serem preenchidas?
Kaltain avisara-o desta câmara. Este lugar para onde Erawan o levaria caso ele fosse pego. Por que Erawan tinha escolhido este lugar para guardar seus colares... Talvez fosse um santuário, se tal coisa existisse para um rei valg. Onde Erawan poderia contemplar o método de sua própria prisão, e lembrar a si mesmo que não seria contido novamente. Que usaria esses colares para escravizar aqueles que tentassem selá-lo de volta ao sarcófago.
A magia de Dorian se debatia, impaciente e frenética. Havia um colar aqui designado para ele? Para Aelin?
Ao redor e ao redor, ele voou pelo sarcófago e pelos colares. Nenhum sinal da chave.
Ele sabia qual era a sensação dos colares contra sua pele. A mordida gelada da pedra de Wyrd.
Kaltain lutou contra isso. Destruiu o demônio dentro. Ele ainda podia sentir o peso do joelho de seu pai sobre o peito enquanto ele o prendia no chão de mármore de um castelo de vidro que não existia mais. Ainda sentia a pedra escorregadia do colar contra o pescoço quando ele foi selado. Ainda via a mão flácida de Sorscha enquanto ele tentava alcançá-la uma última vez.
A sala girou e girou, seu sangue latejando.
Nem um príncipe, nem um rei.
Os colares estendiam seus dedos com garras para ele.
Dorian não era melhor do que eles. Aprendera a gostar do que o príncipe valg lhe mostrara. Tinha despedaçado bons homens e deixado o demônio se alimentar de seu ódio, sua raiva.
A sala começou a espiralar, arrastando-o em suas profundezas.
Não era humano – não inteiramente. Talvez ele não quisesse ser. Talvez ele permanecesse em outra forma para sempre, talvez apenas se submetesse...
Um vento sombrio atravessou a sala. Segurou-o em sua bocarra aberta e o arrastou.
Ele se debateu, gritando em silêncio.
Ele não seria levado. Não assim, não de novo...
Mas o vento o afastou dos colares. Puxou-o sob a porta e para fora da sala.
Até uma palma da mão pálida. Olhos escuros e profundos olhavam para ele. Uma enorme boca vermelha se separou para revelar dentes brancos como ossos.
— Menino idiota — Maeve sibilou. As palavras eram um trovão.
Ele ofegou, o corpo de mosca tremendo da ponta de uma asa até a outra. Uma pressão de seus dedos e ele estaria morto.
Ele se preparou, esperando por isso. Mas Maeve manteve a palma da mão aberta. E quando começou a andar pelo corredor, indo para longe da câmara selada, ela disse:
— O que você sentiu lá – foi por isso que eu deixei o mundo deles. — Ela olhou para frente, uma sombra escurecendo seu rosto. — Todos os dias, era isso o que eu sentia.


Ajoelhado no chão em um canto do quarto de Maeve, Dorian esvaziou o conteúdo de seu estômago num balde de madeira.
Maeve assistia da cadeira ao lado do fogo, diversão cruel em seus lábios vermelhos.
— Você viu os horrores das masmorras e não ficou enjoado — comentou ela quando ele vomitou novamente. A pergunta não dita brilhou em seus olhos. Por que hoje?
Dorian levantou a cabeça, limpando a boca no ombro da blusa.
— Aqueles colares... — ele passou a mão pelo pescoço. — Não achei que isso me afetaria assim. Vê-los novamente.
— Você foi imprudente ao entrar naquela câmara.
— Eu teria sido capaz de sair, se você não tivesse me encontrado? — Ele não perguntou como ela o encontrara, como sentiu o perigo. Esse poder dela, sem dúvida, poderia encontrá-lo aonde quer que ele fosse.
— Os colares não podem fazer nada se não estiverem ligados a um hospedeiro. Mas aquela sala é um lugar de ódio e dor, a memória disso gravada nas pedras. — Ela examinou as unhas compridas. — Ela o pegou numa armadilha. Você se deixou pegar.
Kaltain não dissera quase a mesma coisa com relação aos colares?
— Me pegou de surpresa.
Maeve fez hmm, bem ciente de sua mentira.
— Os colares são uma das criações mais brilhantes dele — ela falou. — Nenhum de seus irmãos foi inteligente o bastante para chegar neles. Mas Erawan sempre teve um dom para ideias. — Ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas. — Mas esse dom também o tornou arrogante. — Ela acenou para ele. — Que ele tenha deixado você permanecer em Forte da Fenda com seu pai, ao invés de trazê-lo aqui, só prova isso. Ele pensou que poderia controlá-lo de longe. Se tivesse sido mais cauteloso, o teria trazido para Morath imediatamente. Começado a trabalhar em você.
Os colares brilharam diante de seus olhos, derramando seu cheiro oleoso e envenenado para o mundo, acenando, esperando por ele...
Dorian vomitou de novo.
Maeve soltou uma risada baixa que passou garras por sua espinha. Por seu temperamento.
Dorian dominou-se e se virou para ela.
— Você entregou aquelas aranhas para as princesas, sabendo o que elas suportariam, sabendo como seria se sentir preso assim, embora de uma maneira diferente. — Como, ele não disse. Como pôde fazer isso quando conheceu esse tipo de terror?
Maeve ficou em silêncio por um momento, e ele poderia jurar que algo como arrependimento passou por seu rosto.
— Eu não teria feito isso, a menos que a minha necessidade de provar a lealdade me obrigou. — Sua atenção se dirigiu para onde Damaris estava ao seu lado. — Não deseja verificar a minha resposta?
Dorian não tocou o cabo de ouro.
— Você quer que eu faça isso?
Ela estalou a língua.
— Você é mesmo diferente. Eu me pergunto se algo dos valg passou para você quando seu pai o gerou em sua mãe.
Dorian se encolheu. Ele ainda não ousara perguntar a Damaris sobre isso – se ele era humano. Se isso importava agora.
— Por quê? — ele perguntou, apontando para a torre ao redor deles. — Por que Erawan faz isso? — Uma semana depois de ele próprio ter perguntado ao rei valg, Dorian ainda queria – precisava saber.
— Porque ele pode. Porque Erawan se deleita com essas coisas.
— Você fez parecer que ele era o mais brando dos três irmãos.
— Ele é. — Ela passou a mão pela garganta. — Orcus e Mantyx são aqueles que lhe ensinaram tudo o que ele sabe. Se voltarem para cá, o que Erawan cria nestas montanhas parecerão cordeiros.
Ele dera ouvidos a esse aviso de Kaltain, pelo menos. Não ousara se aventurar nas cavernas além do vale. Para os altares de pedra e as monstruosidades que Erawan fez sobre eles.
— Você nunca teve filhos? Com Orcus?
— Meu futuro marido realmente deseja saber?
Dorian se acomodou em seus calcanhares.
— Eu desejo entender meu inimigo.
Ela pesou suas palavras.
— Eu não permiti que meu corpo amadurecesse, ficasse pronto para crianças. Uma pequena rebelião, e a minha primeira, contra Orcus.
— Os príncipes e princesas valg são descendentes dos outros reis?
— Alguns são, outros não. Nenhum herdeiro digno deu um passo adiante. Embora quem sabe o que aconteceu no mundo deles nesses milênios. — O mundo deles. Não o dela. — Os príncipes que Erawan convocou não eram fortes – não como eram. Tenho certeza de que isso irrita Erawan infinitamente.
— E por isso que ele trouxe as princesas?
— As fêmeas são as mais mortais. Mas mais difícil de conter dentro de um hospedeiro.
A faixa branca de pele em seu pescoço parecia queimar, mas ele manteve o estômago calmo: desta vez.
— Por que você deixou o seu mundo?
Ela piscou para ele, como se estivesse surpresa.
— O que foi? — ele perguntou.
Ela inclinou a cabeça.
— Faz muito, muito tempo desde que conversei com alguém que me conhece pelo que sou. E com alguém cuja mente permaneceu totalmente própria.
— Até mesmo Aelin?
Um músculo em seu queixo magro tensionou.
— Até Aelin do Fogo Selvagem. Eu não conseguia me infiltrar em sua mente por completo, mas pequenas coisas... essas, eu podia convencê-la a ver.
— Por que você a capturou e torturou? — Uma maneira tão simples de descrever o que aconteceu em Eyllwe e depois disso.
— Porque ela nunca concordaria em trabalhar comigo. E ela nunca teria me protegido de Erawan ou dos valg.
— Você é forte – por que não se proteger? Usar as aranhas a seu favor?
— Porque nossa raça só tem medo de certos dons. Os meus, infelizmente, não são parte deles. — Ela brincou com uma mecha de seu cabelo negro. — Eu costumo manter outra fêmea feérica comigo. Uma que possui poderes que trabalham contra os valg. Diferente daqueles que Aelin Galathynius possui. — Que ela não tenha especificado que poderes eram esses fez Dorian saber que não deveria desperdiçar sua respiração em perguntar. — Ela fez o juramento de sangue para mim há muito tempo e raramente saiu do meu lado desde então. Mas não ousei trazê-la a Morath. Tê-la aqui não teria convencido Erawan de que vim em boa fé. — Ela girou a mecha de cabelo ao redor do dedo. — Então veja, eu estou tão indefesa contra Erawan quanto você.
Dorian duvidava muito disso, mas ele finalmente levantou-se, indo para a mesa onde água e comida haviam sido servidas. Uma boa variedade, para o castelo de um rei demônio no auge do inverno. Ele se serviu de um copo de água e engoliu o conteúdo.
— Essa é a verdadeira forma de Erawan?
— De certa forma. Nós não somos como os humanos e os feéricos, onde suas almas são invisíveis, não vistas. Nossas almas têm uma forma. Nós temos corpos que podemos moldar ao redor delas – adorná-las, como joias. A forma que você vê em Erawan sempre foi sua decoração preferida.
— Com o que suas almas se parecem embaixo?
— Você as acharia desagradáveis.
Ele reprimiu um tremor.
— Suponho que isso faça de nós metamorfos, também — refletiu Maeve quando Dorian seguiu para a cadeira ao lado da dela.
Ele passou suas noites dormindo no chão diante do fogo, um olho observando a rainha dormindo na cama com dossel atrás dele. Mas ela não fez nenhum movimento para feri-lo. Nenhum.
— Você se sente valg ou feérica?
— Eu sou o que sou. — Por um instante, ele quase pôde vislumbrar o peso das de existência em seus olhos.
— Mas quem você quer ser? — Uma pergunta cuidadosa.
— Não como Erawan. Ou seus irmãos. Eu nunca fui.
— Isso não é exatamente uma resposta.
— Você sabe quem e o que deseja ser? — Um desafio – e uma pergunta genuína.
— Estou descobrindo — ele respondeu. Estranho. Tão estranho ter essa conversa. Poupando os dois por enquanto, Dorian esfregou o rosto. — A chave está na torre dele. Tenho certeza disso.
A boca de Maeve se apertou.
— Não há como entrar – não com os guardas — Dorian continuou. — E eu voei pelo lado de fora o suficiente para saber que não há janelas, nem rachaduras para eu até mesmo rastejar. — Ele segurou seu olhar de outro mundo. Não se encolheu dele. — Precisamos entrar. Mesmo que apenas para confirmar que está lá. — Ela uma vez possuíra as chaves – sabia qual era a sensação delas. Que ela tenha chegado tão perto então...
— E suponho que você espera que eu faça isso?
Ele cruzou os braços.
— Não consigo pensar em mais ninguém que Erawan admitisse lá dentro.
O único piscar de olhos de Maeve foi o seu único sinal de surpresa.
— Seduzir e trair um rei – um dos truques mais antigos do arco da velha, como vocês humanos dizem.
— Erawan pode ser seduzido por alguém?
Ele teve a impressão de ver repúdio do rosto pálido antes de ela dizer:
— Pode.


Eles não perderam tempo. Não esperaram.
E mesmo Dorian se viu incapaz de desviar o olhar quando Maeve fez um gesto na direção do próprio corpo e seu vestido roxo se desfez, substituído por um vestido preto fluído. Pouco mais que um manto. Fios de ouro haviam sido bordados, artisticamente escondendo as partes dela que somente quem removeria a roupa veria. Mas quando ela se virou do espelho, seu rosto estava sério.
— Você não vai gostar do que está prestes a testemunhar.
Então ela pendurou seu manto nos ombros, escondendo aquele corpo exuberante e o vestido pecaminoso, e seguiu para a porta.
Ele se transformou em um inseto rastejando, rápido e flexível, e seguiu-a, demorando-se em seus calcanhares enquanto Maeve passava pelos corredores. Até a base dessa torre.
Ele enfiou-se numa fresta na parede negra quando Maeve disse ao valg postado lá fora:
— Você sabe quem eu sou. O que eu sou. Diga a ele que eu vim.
Ele poderia ter jurado que as mãos de Maeve tremiam um pouco. Mas um dos guardas – que Dorian nunca vira sequer piscar – virou-se para a porta, bateu uma vez e entrou.
Ele emergiu momentos depois, retomou seu posto e não disse nada.
Maeve esperou. Então, passos soaram do interior da torre. E quando a porta se abriu novamente, o vento pútrido e a escuridão rodopiante ameaçaram mandá-lo correndo. Erawan, ainda vestido com as roupas do dia apesar da hora tardia, ergueu as sobrancelhas.
— Temos uma reunião amanhã, irmã.
Maeve deu um passo mais perto.
— Eu não vim para discutir guerra.
Erawan parou. E então disse aos guardas:
— Deixem-nos.

3 comentários:

  1. Meu coração tá começando a amolecer pela Maeve... Mas sinto que vou me arrepender disso

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  2. Será que a Maeve não é tão fdp assim?
    Cara eu tô imaginando a reação da Manon quando o Dorian chegar com a Maeve e falar que ela é a Rainha dele ;-;

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  3. Eu tô gostando dessa nova perspectiva da Maeve

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Boa leitura, E SEM SPOILER!