29 de outubro de 2018

Capítulo 71

A magia de Dorian lutou, rugindo enquanto o poder sombrio o mantinha em sua rede. Se ele pudesse se transformar em um serpente alada e rasgar a cabeça dela...
Mas Maeve sorriu, cansada e divertida, e ergueu o pé da cauda dolorida. Então soltou seu aperto da magia dele.
Ele estremeceu com o poder obscuro e podre que acariciava sua magia com as garras, roçava o núcleo cru e cintilante e desaparecia.
Foi um esforço não vomitar, não tocar a faixa pálida no pescoço só para ter certeza de que o colar sumira.
O sorriso de Maeve permaneceu em sua boca vermelha, a magia dele ainda tremendo enquanto a sensação do poder dela permanecia. O poder de invadir a mente, destruir a psique. Um tipo diferente de inimigo. Um que exigiria outro caminho. Um imprudente, o caminho do tolo. O caminho de um cortesão.
Então ele se transformou, pelos tornando-se pele, patas tornando-se mãos. Quando finalmente se levantou diante da Rainha Feérica, homem mais uma vez, o sorriso dela cresceu.
— Como você é bonito.
Dorian esboçou uma reverência. Ele não se atreveu a alcançar Damaris em sua cintura.
— Como você sabia?
— Não acha que eu vi você, seu perfume e a sensação do seu poder, nas memórias de Aelin? — Ela inclinou a cabeça. — Embora minha espiã não tenha relatado seu interesse em transformar-se.
Cyrene. Horror rastejou através dele.
Maeve entrou mais fundo na câmara e se sentou no banco diante do pé da cama, tão regiamente quanto se sentasse em seu trono.
— Como acha que as Matriarcas sabiam onde encontrá-los?
— Cirene ficou no acampamento apenas por um dia — ele conseguiu dizer.
— Você realmente acredita que não há outras aranhas lá em cima nas montanhas? Todas respondem a ela, e a mim. Ela precisou apenas sussurrar uma vez, para as pessoas certas, e elas me encontraram. E encontraram as Dentes de Ferro.
Maeve passou a mão pelo colo do vestido.
— Se Erawan sabe de seus dons, descobriremos. Antes de você matá-la, Cyrene certamente me informou que você era... diferente.
Ele não se arrependia de tê-la matado nem um pouco.
— Mas isso não importa agora. Cyrene está morta e você está muito longe dos braços de Manon Bico Negro.
Dorian apoiou a mão no punho de Damaris. Maeve sorriu para a espada antiga.
— Parece que a rainha de Terrasen aprendeu a compartilhar. Ela adquiriu vários tesouros, não é?
Dorian alarmou-se. Se Maeve sabia tudo o que Aelin possuía...
— Também sei disso — disse Maeve com os olhos escuros sem profundidade.
Damaris se aqueceu em seu aperto.
— E saiba que a aranha não adivinhou essa verdade, pelo menos. — Ela examinou-o. — Onde elas estão agora, Dorian Havilliard?
Algo deslizante e afiado deslizou ao longo de sua mente. Tentando entrar...
A magia de Dorian rugiu. Uma camada de gelo bateu naquelas garras mentais. Explodiu-as para longe.
Maeve riu e Dorian piscou, encontrando o quarto também coberto de gelo.
— Um método dramático, mas eficaz.
Dorian sorriu para ela.
— Acha que eu seria tolo o suficiente para permitir que entre em minha mente? — Ainda mantendo uma mão na espada, ele deslizou a outra para dentro do bolso, para esconder o tremor. — Ou para lhe dizer onde estão escondidas?
— Valeu a pena a tentativa — disse Maeve.
— Por que não soar o alarme? — ele apenas devolveu.
Maeve recostou-se, estudando-o novamente.
— Você quer o mesmo que eu. Erawan a tem. Isso não faz de nós aliados de alguma espécie?
— Você deve estar louca, se pensa que eu te daria as chaves.
— Estou? O que você faria com elas, Dorian? Destruí-las?
— O que você faria? Conquistaria o mundo?
Maeve riu.
— Oh, nada tão comum assim. Eu me certificaria de que Erawan e seus irmãos nunca pudessem voltar.
Damaris permaneceu quente em sua mão. A rainha falava a verdade. Ou alguma parte disso.
— Admite tão facilmente que planeja trair Erawan?
— Por que acha que vim aqui? — perguntou Maeve. — Meu povo me expulsou e imaginei que você procuraria Morath em breve.
O calor de Damaris não diminuiu, mas Dorian disse:
— Você não pode pensar que eu acredito que você veio aqui para ganhar a minha lealdade. Não quando vi que planeja oferecer a Erawan suas aranhas para hospedar as princesas dele.
Ele não queria saber o que princesas valg podiam fazer. Por que Erawan demorara em soltá-las.
— Um pequeno sacrifício da minha parte para ganhar sua confiança. — Damaris se manteve quente. — Nós não somos tão diferentes, você e eu. E eu não tenho nada a perder agora, graças à sua amiga.
Verdade, verdade, verdade. E ali estava a abertura pela qual ele esperava. Mantendo sua mente encerrada naquela parede de gelo, sua magia avaliando o inimigo diante deles, Dorian deixou a mão deslizar do cabo de Damaris. Deixou-a ver sua desconfiança derretendo quando disse:
— Aelin parece ser hábil em destruir os reinos dos outros enquanto protege o dela.
— E em deixar os outros pagarem suas dívidas.
Dorian ficou quieto, embora sua magia continuasse vigilante, monitorando o poder sombrio que raspava a barreira de sua mente.
— Não é por isso que você está aqui? — perguntou Maeve. — Para ser o sacrifício para que Aelin não precise se destruir? — Ela estalou a língua. — Um desperdício tão terrível – que qualquer um de vocês pague o preço pela tolice de Elena.
— É. — Verdade.
— Posso te contar o que Aelin me revelou durante aqueles momentos em que consegui espiar sua mente?
Dorian não ousou procurar Damaris novamente.
— Você a escravizou — ele rosnou. — Eu não quero ouvir nada sobre isso.
Maeve jogou a cortina de cabelo sobre um ombro, cantarolando.
— Aelin está feliz que seja você — ela falou simplesmente. — Ela espera que seja tarde demais para voltar. Que você consiga o que se propôs a fazer e a poupe de uma escolha terrível.
— Ela tem um parceiro e um reino. Eu não a culpo. — A nitidez em suas palavras não era totalmente falsificada.
— E você não? Não tem um reino para cuidar, um que não é menos poderoso e nobre que Terrasen? — Quando ele não respondeu, Maeve continuou: — Aelin foi libertada há semanas. E ela não veio procurá-lo.
— O continente é um lugar grande.
Um sorriso conhecedor.
— Ela poderia encontrá-lo, se quisesse. E ainda assim foi para Anielle.
Ele sabia que tipo de jogo ela jogava. Sua magia escorregou uma fração.
Uma abertura.
A própria Maeve atacou, procurando um caminho. Ela mal cruzou o limiar quando ele cerrou os dentes e a expulsou de sua mente novamente, a parede de gelo colidindo com ela.
— Se quer que eu me alie a você, está escolhendo uma maneira péssima de mostrar isso.
Maeve riu suavemente.
— Pode me culpar por tentar?
Dorian não respondeu, e olhou para ela por um longo minuto. Fingiu considerar as palavras dela. Cada pedacinho de intriga e treinamento da corte mantinha seu rosto ilegível.
— Você acha que eu trairia meus amigos tão facilmente?
— Traição? — refletiu Maeve. — Encontrar uma alternativa para você e Aelin Galathynius pagarem o preço final? Era o que eu pretendia para ela o tempo todo: impedi-la de ser um sacrifício para deuses insensíveis.
— Esses deuses são seres poderosos.
— Então onde eles estão agora? — ela gesticulou para a sala, para a fortaleza. Silêncio respondeu. — Eles estão com medo. De mim, de Erawan. Das chaves. — Ela deu a ele um sorriso de víbora. — Eles estão com medo de você. Você e Aelin Portadora do Fogo. Poderosos o suficiente para mandá-los para casa – ou para condená-los.
Ele não respondeu. Ela não estava totalmente errada.
— Por que não os desafia? Por que se curvar aos seus desejos? O que é que eles fizeram para você?
O rosto em sofrimento de Sorscha brilhou diante de seus olhos.
— Não há outro caminho — disse ele por fim. — Para acabar com isso.
— As chaves podem acabar com isso.
Empunhá-las, ao invés de selá-las de volta aos portões.
— Elas podem fazer qualquer coisa — continuou Maeve. — Destruir Erawan, banir esses deuses de volta para sua casa, se é isso o que eles querem. — Ela inclinou a cabeça. — Abrir outra porta para reinos de paz e descanso.
Para a mulher que sem dúvida estaria lá.
O poder sombrio e predatório que espreitava sua mente desapareceu, puxada de volta para sua mestra.
Aelin fizera isso uma vez. Abriu uma porta para ver Nehemia. Era possível. Os encontros com Gavin e Kaltain só confirmavam isso.
— E se você não apenas se aliasse comigo — ele perguntou finalmente — mas com Adarlan em si?
Maeve não respondeu. Como se estivesse surpresa com a oferta.
— Uma aliança maior do que simplesmente trabalhar em conjunto para encontrar a chave — Dorian refletiu, e deu de ombros. — Você não tem reino e claramente quer outro. Por que não emprestar seus dons para Adarlan, para mim? Traga suas aranhas para o nosso lado.
— Uma respiração atrás, você estava lívido por eu ter escravizado sua amiga.
— Ah, ainda estou. No entanto, não tenho tanto orgulho em recusar a possibilidade. Você quer um reino? Então junte-se ao meu. Junte-se a mim, trabalhe comigo para conseguir o que precisamos de Erawan, e farei de você rainha. De um território muito maior, com um povo que não se levantará contra você. Um novo começo, eu suponho.
Quando ela ainda não falou, Dorian encostou-se à porta. O retrato da indiferença cortês.
— Acha que estou tentando enganá-la. Talvez eu esteja.
— E Manon Bico Negro? E suas promessas para ela?
— Eu não fiz nenhuma promessa a respeito do meu trono, e ela não quer nada com ele, de qualquer maneira. — Ele não escondeu a amargura quando deu de ombros novamente. — Casamentos foram construídos em fundações muito mais voláteis do que esta.
— Aelin do Fogo Selvagem pode muito bem marcá-lo como um inimigo, se forjarmos uma verdadeira união.
— Aelin não arriscará matar um aliado – não agora. E ela descobrirá que não é a única capaz de salvar este mundo. Talvez até venha me agradecer, se estiver tão ansiosa para evitar ser sacrificada como você diz.
A boca vermelha de Maeve se curvou para cima.
— Você é jovem e ousado.
Dorian esboçou uma reverência novamente.
— Eu também sou extremamente bonito e disposto a oferecer o meu trono em um gesto de boa fé.
— Eu poderia vendê-lo para Erawan agora e ele me recompensaria generosamente.
— A recompensaria – como se você fosse um cão trazendo de volta um faisão para seu dono. — Dorian riu, e os olhos dela faiscaram. — Foi você quem acabou de sugerir essa aliança entre nós, não eu. Mas considere: vai se ajoelhará, ou governará, Maeve? — Ele bateu o dedo no próprio pescoço, bem sobre a faixa pálida ali. — Eu me ajoelhei e descobri que não tenho interesse em fazê-lo novamente. Nem para Erawan, nem para Aelin, ou para qualquer outra pessoa. — Outro dar de ombros. — A mulher que eu amo está morta. Meu reino está em pedaços. O que eu tenho a perder? — Ele deixou um pouco daquele antigo gelo, o vazio em seu peito, flutuar para seu rosto. — Estou disposto a jogar este jogo. E você?
Maeve ficou em silêncio novamente. E lentamente, aquelas mãos fantasmas penetraram nos cantos de sua mente.
Ele deixou que ela visse. Visse a verdade que ela procurava.
Ele aguentou aquele toque de sondagem.
Por fim, Maeve soltou um suspiro pelo nariz.
— Você veio para Morath procurando uma chave e sairá com uma noiva.
Ele quase oscilou com alívio.
— Eu sairei com os dois. E logo.
— E como propõe que encontremos o que procuramos?
Dorian sorriu para a rainha feérica. A rainha valg.
— Deixe isso comigo.


No topo da torre mais alta de Morath horas depois, Dorian olhou para as fogueiras do exército espalhadas pelo chão do vale, suas penas de corvo agitando-se ao vento gelado dos picos circundantes.
Os gritos e rosnados diminuíram, pelo menos. Como se até mesmo os mestres das masmorras de Morath mantivessem turnos comuns de trabalho. Ele poderia ter achado a ideia sombriamente engraçada, se não soubesse que tipo de coisa estava sendo quebrada e criada aqui.
Seu primo, Roland, acabara aqui. Ele sabia disso, embora ninguém nunca tivesse confirmado. Teria ele sobrevivido à transição para príncipe valg, ou teria sido apenas uma refeição para um dos terrores que rondavam esse lugar?
Ele levantou a cabeça, examinando o céu nublado. A lua era um borrão pálido atrás delas, um fio de luz que parecia ansioso em permanecer escondido dos olhos vigilantes de Morath.
Um jogo perigoso. Ele estava jogando um jogo perigoso como o inferno. Gavin o observava agora, de onde quer que descansasse? Teria ele descoberto a que tipo de monstro Dorian se aliara?
Ele não se atreveu a convocar o rei aqui. Não com Erawan tão perto.
Perto o suficiente para que Dorian pudesse ter atacado. Talvez ele tivesse sido um tolo por não tentar. Talvez fosse tolo tentar, como Kaltain advertira, quando poderia revelar sua missão. Quando Erawan tinha aqueles colares à mão.
Dorian lançou um olhar para a torre adjacente, onde Maeve dormia. Um jogo muito, muito perigoso.
A torre escura além dela parecia palpitar de poder. A sala do conselho no final do corredor ainda estava brilhava. E no corredor – movimento. Pessoas passando pelas tochas. Apressando-se.
Estúpido. Totalmente estúpido, e ainda assim ele se encontrou batendo as asas na noite gelada. Encontrou-se pousando, em seguida, mergulhando para uma janela quebrada ao longo do corredor.
Ele empurrou a janela um pouco mais com o bico e escutou.
— Por meses eu estive aqui, e agora ele recusa o meu conselho? — Um homem alto e magro apareceu no corredor. Indo para longe da sala do conselho de Erawan. Em direção à porta da torre no final do corredor e os guardas de rosto branco estacionados ali.
Ao seu lado, dois homens mais baixos lutavam para acompanhar. Um deles disse:
— Os motivos de Erawan são misteriosos, lorde Vernon. Ele não faz nada sem razão. Tenha fé nele.
Dorian congelou.
Vernon Lochan. Tio de Elide.
Sua magia surgiu, gelo caindo sobre o peitoril da janela. Dorian localizou o lorde esguio enquanto ele passava, sua capa de pele escura roçando sobre as pedras.
— Eu tive fé nele além do que poderia ser esperado — disparou Vernon.
O lorde e seus lacaios deram um amplo espaço à porta da torre quando passaram por ela, viraram a esquina e desapareceram, suas vozes sumindo com eles.
Dorian examinou o corredor vazio. A sala do conselho no outro extremo. A porta ainda entreaberta.
Ele não hesitou. Não se deu tempo para reconsiderar enquanto elaborava seu plano. E esperava.


Erawan surgiu uma hora depois.
O coração de Dorian trovejou através dele, mas ele manteve sua posição no corredor, manteve os ombros retos e as mãos atrás das costas. Exatamente como havia aparecido para os guardas quando dobrou a esquina, tendo voado para um saguão silencioso antes de se transformar e caminhar até aqui.
O rei valg examinou-o uma vez e sua boca se apertou.
— Pensei que eu o tivesse dispensado pela noite, Vernon.
Dorian inclinou a cabeça, desejando que sua respiração ficasse estável a cada passo que Erawan dava em sua direção. Sua magia se moveu, recuando aterrorizada para a criatura que se aproximava, mas ele a forçou para baixo. Para um lugar onde Erawan não a detectaria.
Como ele não havia detectado Dorian antes. Talvez a magia crua nele também apagasse qualquer cheiro rastreável.
Dorian inclinou a cabeça.
— Eu fui aos meus aposentos, mas percebi que eu tinha uma questão persistente, milorde.
Ele rezou para que Erawan não notasse as roupas diferentes. A espada que ele mantinha meio escondida sob o manto. Rezou que Erawan decidisse que Vernon tinha voltado para o seu quarto, trocado de roupa e retornado. E rezou para que ele falasse o suficiente como o Senhor de Perranth para ser convincente.
Um homem que choramingava e rastejava – o tipo que venderia sua própria sobrinha a um rei demoníaco.
— O quê? — Erawan seguiu pelo corredor até a sua torre, um pesadelo envolto em um corpo bonito.
Golpeie-o agora. Mate-o.
E, no entanto, Dorian sabia que não viera aqui para isso. De modo nenhum. Ele manteve a cabeça baixa, voz baixa.
— Por quê?
Erawan deslizou os olhos dourados e brilhantes em direção a ele. Os olhos de Manon.
— Por que o quê?
— Milorde pode ter se tornado senhor de uma dúzia de outros territórios, e ainda assim nos agraciou com este. Há muito tempo me pergunto por quê.
Os olhos de Erawan se estreitaram em fendas, e Dorian manteve seu rosto o retrato da curiosidade. Vernon perguntara isso antes?
Uma aposta estúpida. Se Erawan notasse a espada ao seu lado...
— Meus irmãos e eu planejamos conquistar este mundo, para adicionar ao tesouro que nós já tínhamos. — Os cabelos dourados de Erawan dançaram com a luz das tochas enquanto ele caminhava pelo longo corredor. Dorian tinha a sensação de que, quando chegassem ao outro extremo da torre, a conversa terminaria. — Quando chegamos a este, encontramos uma quantidade surpreendente de resistência, e eles foram banidos de volta. Eu não podia fazer nada menos do que retribuir este mundo pelo golpe que nos deram enquanto estava preso aqui. Então, farei deste mundo um espelho de nossa terra natal – para honrar meus irmãos e prepará-lo para o seu retorno.
Dorian vasculhou incontáveis lições sobre as casas reais de suas terras e disse:
— Eu também sei o que é ter uma rivalidade fraterna. — Ele deu um sorriso simpático ao rei.
— Você matou o seu — disse Erawan, já entediado. — Eu amo meus caros irmãos.
A ideia era risível. Metade do corredor até a porta da torre.
— Realmente pretende dizimar este mundo, então? Todos os que moram nele?
— Aqueles que não se ajoelharem.
Maeve, pelo menos, desejava preservá-lo. Para governar, mas preservá-lo.
— Eles receberiam colares e anéis ou uma morte limpa?
Erawan o examinou de soslaio.
— Você nunca perguntou pelo bem do seu povo. Nem mesmo pelo bem da sua sobrinha, falha como era.
Dorian se encolheu e curvou a cabeça.
— Peço desculpas novamente por isso, milorde. Ela é uma garota esperta.
— Tão inteligente, parece, que um confronto com você e você correu assustado.
Dorian novamente inclinou a cabeça.
— Eu a procurarei, se é isso o que deseja.
— Estou ciente de que ela não tem mais o que procuro, e agora está perdido para mim. Uma perda que você provocou. — a chave de Wyrd que Elide carregara, dada a ela por Kaltain.
Dorian se perguntou se Vernon estivera realmente esperando a poeira baixar há meses – evitando essa conversa. Ele se encolheu novamente.
— Diga-me como retificar isto, milorde, e será feito.
Erawan parou, e a boca de Dorian ficou seca. Sua magia se enrolou dentro dele, preparando-se.
Mas ele se forçou olhar o rei no rosto. Encontrar os olhos da criatura que causou tanto sofrimento.
— Sua linhagem se provou inútil para mim, Vernon — Erawan disse um tom suave demais. — Devo encontrar outro uso para você aqui em Morath?
Dorian sabia exatamente que tipo de usos o homem teria. Ele ergueu as mãos suplicantes.
— Eu sou seu servo, milorde.
Erawan olhou para ele por longos batimentos cardíacos. Então ele disse:
— Vá.
Dorian se endireitou, deixando Erawan andar mais alguns metros em direção à torre. Os guardas de rosto inexpressivo postados na porta se afastaram quando ele se aproximou.
— Você realmente os odeia? — Dorian deixou escapar.
Erawan se virou na direção dele.
— Os humanos. Aelin Galathynius. Dorian Havilliard. Todos eles. Você realmente os odeia? — Por que você nos faz sofrer tanto?
Os olhos dourados de Erawan reluziram.
— Eles me afastaram dos meus irmãos — ele disse. — Eu não permitirei que nada fique no caminho do meu reencontro com eles.
— Certamente deve haver outra maneira de reuni-los. Sem uma guerra tão grande.
O olhar de Erawan passou por ele, e Dorian ficou quieto, desejando que seu cheiro permanecesse normal, a mudança para manter esta forma.
— Onde estaria a diversão nisso? — perguntou o rei Valg, e voltou-se para o corredor.
— O antigo rei de Adarlan fez essas perguntas? — as palavras lhe escaparam.
Erawan novamente pausou.
— Ele não era tão fiel quanto você poderia acreditar. E veja o que lhe custou.
— Ele lutou com você. — Não we bem uma pergunta.
— Ele nunca se curvou. Não completamente.
Dorian ficou atordoado o suficiente para abrir a boca. Mas Erawan começou a andar novamente e disse sem olhar para trás:
— Você faz muitas perguntas, Vernon. Muitas perguntas. Eu as acho cansativas.
Dorian fez uma reverência, mesmo com as costas de Erawan para ele. O rei valg continuou andando, abrindo a porta da torre para revelar um interior sem luz, e fechou-a atrás dele.
Um relógio soou meia-noite, fora de hora e odioso, e Dorian voltou a andar pelo corredor, encontrando outro caminho para os aposentos de Maeve. Uma rápida transformação em uma alcova sombreada fez com que ele corresse pelo chão novamente, seus olhos de rato vendo bem o suficiente no escuro.
Apenas brasas restavam na lareira quando ele deslizou por baixo da porta.
No escuro, Maeve disse da cama:
— Você é um tolo.
Dorian se transformou de novo, de volta para o próprio corpo.
— Por quê?
— Eu sei aonde você foi. Quem procurou. — Sua voz deslizou pela escuridão. — Você é um tolo. — Quando ele não respondeu, ela perguntou: — Planeja matá-lo?
— Eu não sei.
— Você não podia enfrentá-lo e viver. — Palavras casuais e duras. Dorian não precisou tocar Damaris para saber que eram verdadeiras. — Ele teria colocado outro colar em torno de sua garganta.
— Eu sei. — Talvez ele devesse ter aprendido onde o rei valg os mantinha e destruir o esconderijo.
— Esta aliança não funcionará se você estiver se esgueirando e agindo como um garoto imprudente — sussurrou Maeve.
— Eu sei — ele repetiu, as palavras vazias.
Maeve suspirou quando ele não disse mais nada.
— Pelo menos encontrou o que estava procurando?
Dorian deitou-se diante do fogo, enrolando um braço sob sua cabeça.
— Não.

14 comentários:

  1. Por essa eu realmente não esperava
    "Doreave" kkkkkkkkkkkkkk. Ideia risível

    ResponderExcluir
  2. O que será que Dorian está tramando?! Ele não teria coragem de dispensar Manon bico negro, rainha das bruxas para ficar com essa aranha da meave!!! Dorian meu rei não me dececine!!!
    Anna!!!

    ResponderExcluir
  3. Será que só eu que quer que o Dorian queime ela até sobrar nada?

    ResponderExcluir
  4. Que é esse Dorian? Essa valgaranha é muito esperta vai?

    Flávia

    ResponderExcluir
  5. Tenho ctz q nem a Maeve nem o Dorian vao se manter aliados por muito tmp, esperando por quem vai enganar quem...

    Ass: Ahgasa

    ResponderExcluir
  6. Eu tô rindo mt de Dorian com Maeve KKKKKKKKKKKKKKKK EU SEI Q N TEM GRAÇA TÁ? Acho q tô em choque

    ResponderExcluir
  7. E quando achamos que Sarah não pode mais nos surpreender, lá vem ela e
    PA 😶

    ResponderExcluir
  8. Ai o que o Doria esta fazendo ??!!!! Ele e muito doido se aliando a Maeve

    ResponderExcluir
  9. Tô em choque mas depois de ler Torre do alvorecer pensei nisso que maeve podia lutar contra erawan pelos interesses dela..Dorian pensou rápido.. acho q ele não quer cumprir essa promessa mas está pensando a curto prazo em uma solução e maeve pode ajudar..aí depois aelin queima ela até a morte

    ResponderExcluir
  10. Tomara q o Dorian engane a Maeve do pior jeito possível

    Ass:Dessa

    ResponderExcluir
  11. Agora fiquei surpresa. Caminhos que nem imaginava ver o livro tomando. O que será que Dorian planeja, que sequer nós sabemos? Eu espero que algo muito bom.

    ResponderExcluir
  12. gente o Dorian vai tentar manipular a Maeve a própria demônia manipuladora
    socorro

    ResponderExcluir

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!