29 de outubro de 2018

Capítulo 70

A Rainha dos Feéricos viera a Morath.
Dorian forçou seu coração a se acalmar, sua respiração a se estabilizar, enquanto Maeve tomava um gole de vinho.
— Você não me conhece, então — disse a rainha feérica, estudando o rei valg.
Erawan fez uma pausa, cálice meio erguido aos lábios.
— Você não é Maeve, Rainha de Doranelle?
Aelin. Maeve teria trazido Aelin para cá? Para ser vendida a Erawan?
Deuses, deuses...
Maeve inclinou a cabeça para trás e riu.
— Milênios à parte, e você esquece até mesmo sua própria cunhada.
Dorian estava feliz por ser pequeno, silencioso e ignorado. Ele poderia muito bem ter cambaleado.
Erawan ficou rígido.
— Você.
Maeve sorriu.
— Eu.
Aqueles olhos dourados percorreram a rainha feérica.
— Em uma pele feérica. Todo esse tempo.
— Estou desapontada por você não ter percebido.
O pulso do poder de Erawan deslizou sobre Dorian. Tão similar – tão terrivelmente semelhante ao poder oleoso daquele príncipe valg.
— Você sabe o que você... — o rei Valg se calou. Endireitou os ombros. — Suponho que eu deveria agradecer-lhe, então — disse Erawan, dominando-se. — Sem a sua traição ao meu irmão, eu não teria descoberto este mundo maravilhoso. E não estaria preparado para conquistá-lo. — Ele tomou um gole de sua taça. — Mas a questão permanece: por que vir aqui? Por que se revelar agora? Minha antiga inimiga – talvez não mais inimiga.
— Eu nunca fui sua inimiga — disse Maeve com a voz serena. — Seus irmãos, no entanto, eram meus.
— E mesmo assim você se casou com Orcus sabendo muito bem como ele é.
— Talvez eu devesse ter casado com você quando pediu. — Um pequeno sorriso – modesto e horrível. — Mas eu era tão jovem então. Facilmente induzida ao erro.
Erawan soltou uma risada baixa que fez o estômago de Dorian revirar.
— Você nunca foi tais coisas. E agora aqui estamos nós.
Se Aelin estivesse aqui, se Dorian pudesse encontrá-la, talvez eles pudessem enfrentar a rainha valg e o rei...
— Aqui estamos nós — concordou Maeve. — Você, pronto para varrer este continente. E eu, disposta a ajudá-lo.
Erawan cruzou um tornozelo sobre um joelho.
— Mais uma vez: Por quê?
Os dedos de Maeve alisaram as facetas de sua taça.
— Meu povo me traiu. Depois de tudo o que fiz por eles, tudo do que os protegi, eles se levantaram contra mim. O exército que eu havia reunido se recusou a marchar. Meus nobres, meus servos, recusaram-se a se ajoelhar. Eu não sou mais a rainha de Doranelle.
— Posso adivinhar quem pode estar por trás de tal façanha — disse Erawan. Escuridão cintilou na sala, terrível e fria.
— Eu tinha Aelin do Fogo Selvagem contida. Eu esperava trazê-la para você quando ela estivesse... pronta. Mas a sentinela que designei para supervisionar seus cuidados cometeu um erro grave. Eu mesmo admitirei que fui enganada. E agora ela está livre novamente. E encarregou-se de enviar cartas para alguns indivíduos influentes em Doranelle. Ela provavelmente já está neste continente.
Alívio estremeceu através dele.
Erawan acenou com a mão.
— Em Anielle. Gastando o poder dela descuidadamente.
Os olhos de Maeve brilharam.
— Ela me custou meu reino, meu trono. Meu círculo de guerreiros confiáveis. Qualquer neutralidade que eu pudesse ter nessa guerra, qualquer piedade que eu pudesse ter oferecido, desapareceu no momento em que ela e seu parceiro saíram.
Eles a encontraram. De alguma forma, eles a encontraram. E Anielle – ele ousava esperar que Chaol também estivesse lá?
Dorian poderia ter rugido sua vitória. Mas Maeve continuou:
— Aelin Galathynius virá atrás de mim, se sobreviver a você. Não pretendo dar-lhe a chance de fazê-lo.
O sorriso de Erawan cresceu.
— Então você pensa em se aliar a mim.
— Apenas juntos podemos garantir que a linhagem de Brannon seja extinta para sempre. Para nunca mais se erguer.
— Então por que não a matou quando a tinha?
— Você teria feito isso, irmão? Não teria tentado transformá-la?
O silêncio de Erawan foi confirmação suficiente. Então o rei valg perguntou:
— Você traz um grande acordo diante de mim, irmã. Espera que eu acredite em você tão prontamente?
— Eu previ isso. — Seus lábios se curvaram. — Afinal, não tenho mais nada a não ser meus próprios poderes.
Erawan não disse nada, como se estivesse bem ciente da dança em que a rainha o guiara. Estendeu uma mão branca como a lua para o centro da sala.
— Há algo mais que eu poderia trazer para a mesa, se isso lhe interessar.
Um movimento de seus dedos finos, e um buraco simplesmente apareceu no coração da câmara.
Dorian começou a se enrolar na sombra e na poeira. Não se incomodando em esconder o tremor enquanto um horror que só a verdadeira escuridão poderia criar apareceu do outro lado daquele buraco. O portal.
— Eu tinha esquecido que você tinha dominado esse dom — disse Erawan, seus olhos dourados queimando na coisa que agora se curvava para eles, suas pinças estalando.
A aranha.
— E eu esqueci que elas ainda se incomodaram em responder a você — continuou Erawan.
— Quando os feéricos me deixaram de lado — Maeve falou, sorrindo fracamente para a enorme aranha — voltei para aquelas que sempre me foram leais.
— As aranhas estígias se tornaram suas próprias criaturas — retrucou Erawan. — Sua lista de aliados continua curta.
Maeve balançou a cabeça, o cabelo escuro brilhando.
— Estas não são aranhas estígias.
Através do portal, Dorian pôde distinguir a rocha cinzenta irregular. Montanhas.
— Estas são as kharankui, como as pessoas do continente do sul as chamam. Minhas servas mais leais.
O coração de Dorian trovejou quando a aranha se curvou novamente.
O rosto de Erawan ficou frio e entediado.
— Que uso eu teria para elas? — Ele gesticulou para as janelas além, o inferno na terra que ele havia criado. — Eu criei exércitos de feras leais a mim. Não preciso de algumas centenas de aranhas.
Maeve sequer vacilou.
— Minhas criadas são engenhosas, suas teias de longo alcance. Eles falam comigo do que acontece no mundo. E falou comigo da próxima... fase de seus grandes planos.
Dorian se preparou. Erawan ficou rígido.
— As princesas valg precisam de hospedeiros — Maeve falou pausadamente. — Você teve dificuldades em garantir os poderosos o suficiente para hospedá-las. A princesa do khaganato conseguiu sobreviver àquela que você plantou nela, e é dona de seu próprio corpo mais uma vez.
Princesas valg. No continente sul. Chaol...
— Estou ouvindo — disse Erawan.
Maeve apontou para a aranha que ainda se curvava no portal – o portal para o continente sul, aberto tão facilmente quanto uma janela.
— Por que se preocupar com hospedeiros humanos para as seis princesas restantes quando você pode criar seres mais poderosos? E dispostos.
Os olhos dourados de Erawan deslizaram para a aranha.
— Você e sua raça permitiriam isso? — Suas primeiras palavras para a criatura.
As pinças da aranha estalaram, seus olhos horríveis piscando.
— Seria uma honra provar nossa lealdade à nossa rainha.
Maeve sorriu para a aranha. Dorian estremeceu.
— Exércitos imortais e poderosos — Maeve ronronou ao rei Valg. — Com seus dons inatos, imagine como as princesas poderiam prosperar dentro delas. Tanto as aranhas quanto as princesas se tornariam mais.
Tornando-se um horror além de qualquer conta.
Erawan não disse nada e Maeve balançou os dedos, o portal e a aranha desaparecendo. Ela se levantou graciosa como uma sombra.
— Deixarei-o considerar esta aliança, se é isso o que deseja. As kharankui farão o que eu quiser – e ficarão felizes em marchar sob sua bandeira.
— Mas o que direi ao meu irmão quando o vir de novo?
Maeve inclinou a cabeça.
— Você planeja ver Orcus de novo?
— Por que acha que passei tanto tempo construindo este exército, preparando este mundo, senão para encontrar meus irmãos mais uma vez? Senão para impressioná-los com o que fiz aqui?
Erawan traria os reis valg de volta para Erilea, se tivesse a chance. E se o fizesse...
Maeve estudou o rei.
— Diga a Orcus que fiquei entediada em esperar que ele voltasse para casa depois de suas conquistas. — Um sorriso de aranha. — Eu teria preferido muito mais me juntar a ele.
Erawan piscou, o único sinal de sua surpresa. Então acenou com uma mão elegante e as portas se abriram em um vento fantasma.
— Pensarei nisso, irmã. Por sua ousadia em se aproximar de mim, permitirei que permaneça como minha convidada até eu decidir. — Dois guardas apareceram no corredor, e Dorian se preparou, as patas tensionando nas pedras. — Eles lhe mostrarão o seu quarto.
Permanecer nesta câmara por muito tempo poderia levar à sua exposição, mas ele não tinha sentido a chave no rei valg. Mais tarde, ele poderia continuar olhando mais tarde. Contemplar a melhor maneira de matar o rei também. Se ele fosse tolo o suficiente para arriscar. Por enquanto...
Maeve reuniu o manto, enrolando-o ao redor dela, e Dorian correu para frente, mergulhando em suas sombras mais uma vez quando a rainha feérica saiu.
Os guardas a levaram por um corredor, subiram uma escada em espiral e entraram em uma torre adjacente à de Erawan. Ela era bem decorada com móveis de carvalho polido e lençóis de linho. Provavelmente um remanescente dos anos anteriores, quando esta fora uma fortaleza humana e não um lar de horrores.
Quando a porta se fechou atrás de Maeve, ela se inclinou na madeira cravejada de ferro e suspirou.
— Você planeja se esconder nesta forma patética o dia todo?
Dorian se lançou na brecha entre a porta e o chão, mas o pé calçado de bota preta de Maeve pisou em sua cauda.
Dor atravessou seus ossos, mas o pé permaneceu no lugar. Sua magia surgiu, chicoteando, mas um vento escuro envolveu garras ao seu redor, apertando-o. Sufocando-o.
A rainha feérica sorriu para ele.
— Você não é um espião muito habilidoso, Rei de Adarlan.

8 comentários:

  1. Eu sabia que se ele fosse atrás dela isso ia acontecer

    ResponderExcluir
  2. me desculpa gente, mas era muito óbvio que ia dar merda o Dorian não tem o mínimo treinamento nessas coisas é o olfato dos feéricos é coisa de outro mundo (olha o trocadilho kk), por isso o Rowan ta sempre criando escudos pra isolar o cheiro ou aumentando os ventos pra dissipar e essas coisas.


    - jo

    ResponderExcluir
  3. me desculpa gente, mas era muito óbvio que ia dar merda o Dorian não tem o mínimo treinamento nessas coisas é o olfato dos feéricos é coisa de outro mundo (olha o trocadilho kk), por isso o Rowan ta sempre criando escudos pra isolar o cheiro ou aumentando os ventos pra dissipar e essas coisas.


    - jo

    ResponderExcluir
  4. Eu já sabia
    Mas isso nao diminui minha tristeza
    Dorian tomou no botico

    ResponderExcluir
  5. É incrível como as ações da Aelin podem desencadear eventos que tanto podem ajudá-la no futuro ou ferrar um amigo bo presente!!! Essa Sarah realmente é uma sádica e adorar tripudiar meu coração.

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!