29 de outubro de 2018

Capítulo 6

O inverno que soprava das ondas agitadas enregelara Chaol Westfall desde o momento em que ele emergira de seus aposentos. Mesmo com o grosso manto azul, o frio úmido penetrava em seus ossos, e agora, enquanto examinava a água, parecia que a pesada cobertura de nuvens não se dissiparia tão cedo. O inverno se aproximava do continente, tanto quanto as legiões de Morath.
O amanhecer veloz não revelara nada, apenas os mares revoltos e os marinheiros e soldados estoicos que mantiveram o navio viajando rapidamente para o norte. Atrás deles, flanqueando-os, metade da frota do khagan os seguia. A outra metade ainda permanecia no continente do sul enquanto o resto da poderosa armada do império se reunia. Eles só estariam algumas semanas atrás se o clima se mantivesse.
Chaol fez uma oração ao vento gelado que se manteria. Porque, apesar do tamanho da frota reunida atrás dele, e apesar dos milhares de cavaleiros montados em seus ruks que deixavam seus poleiros para ganhar o céu para as caçadas matinais sobre as ondas, ainda não seria suficiente contra Morath.
E eles poderiam não chegar rápido o suficiente para que o exército fizesse diferença de qualquer maneira.
Três semanas de navegação lhes trouxeram poucas notícias da tropa que seus amigos haviam reunido e supostamente levado para Terrasen, e eles se mantiveram longe o suficiente da costa para evitar qualquer navio inimigo – ou serpente aladas. Mas isso mudaria hoje.
Um braço delicado e quente passou por ele e uma cabeça de cabelo castanho dourado encostou-se em seu ombro.
— Está congelando aqui — Yrene murmurou, franzindo o cenho para as ondas açoitadas pelo vento.
Chaol deu um beijo no topo da cabeça.
— O frio constrói caráter.
Ela bufou uma risada, o vapor de sua respiração levado pelo vento.
— Falou como um homem do norte.
Chaol deslizou o braço ao redor de seus ombros, puxando-a para o seu lado.
— Não estou aquecendo-a o suficiente hoje em dia, esposa?
Yrene corou e lhe deu uma cotovelada nas costelas.
— Canalha.
Mais de um mês depois, ele ainda estava maravilhado com a palavra esposa. Com a mulher ao seu lado, que curou sua alma fraturada e cansada. Sua espinha era secundária a isso. Ele passou esses longos dias no navio praticando como poderia lutar – fosse a cavalo, com uma bengala ou de sua cadeira de rodas – durante os momentos em que o poder de Yrene estivesse drenado o suficiente para que a ligação entre eles se esgotasse e a lesão assumisse mais uma vez.
Sua espinha não tinha curado, não verdadeiramente. Isso nunca aconteceria.
Fora o custo de salvar sua vida depois que uma princesa valg o levara ao limiar da morte. No entanto, não parecia um custo muito alto.
Nunca foi um fardo – a cadeira, a lesão. Não seria agora. Mas a outra parte daquela barganha com a deusa que guiara Yrene por toda a sua vida, que a trouxera para as costas de Antica e agora de volta ao seu próprio continente... aquela parte assustava o inferno.
Se ele morresse, Yrene morreria também. Ao canalizar seu poder de cura para ele, de modo que ele pudesse andar quando sua magia não estivesse drenada demais, suas próprias vidas haviam sido entrelaçadas.
Então, se ele caísse em batalha contra as legiões de Morath... Não seria apenas a sua própria vida que seria perdida.
— Você está pensando demais — Yrene franziu a testa para ele. — O que é aquilo?
Chaol se virou para o navio que estava mais próximo do deles. Em sua popa, dois ruks, um dourado e outro marrom avermelhado, ficaram em posição de destaque. Ambos já estavam selados, embora não houvesse nenhum sinal dos cavaleiros de Kadara ou Salkhi.
— Não sei dizer se você está apontando para os ruks ou para o fato de que Nesryn e Sartaq são espertos o suficiente para permanecer na cama em uma manhã como esta. — Como deveríamos estar, seus olhos castanho-dourados meditaram tenazmente.
Foi a vez de Chaol cutucá-la com o cotovelo.
— Você foi quem me acordou esta manhã, sabe. — Ele deu um beijo em seu pescoço, uma lembrança precisa de como, exatamente, Yrene o acordara. E o que eles passaram uma boa hora ao amanhecer fazendo. Apenas a seda aquecida da pele dela contra seus lábios foi o suficiente para aquecer seus ossos gelados. — Podemos voltar para a cama, se você quiser — ele murmurou.
Yrene soltou um som baixo e sem fôlego que fez suas mãos doerem para acariciar aquele corpo encapotado. Mesmo com o tempo pressionando-os, apressando-os para o norte, ele adorava aprender todos os seus sons – amava persuadi-los a sair de sua boca.
Mas Chaol afastou a cabeça da curva do pescoço para fazer um gesto de novo para os ruks.
— Eles sairão em breve para uma missão de reconhecimento. — Ele apostava que Nesryn e o recém-coroado herdeiro do khagan estavam naquela hora vestindo mais camadas de roupas e de armas. — Navegamos para o norte o suficiente para precisarmos de informações sobre onde atracar.
Assim, eles poderiam decidir onde, exatamente, atracar o exército e marchar o mais rápido possível para o interior.
Se Forte da Fenda ainda estivesse guardada por Erawan e as legiões de Dentes de Ferro, então o exército subir o Avery e marchar para o norte em direção a Terrasen seria imprudente. Mas o rei valg poderia muito bem ter forças à espreita em qualquer local. Sem mencionar a frota da rainha Maeve, que desaparecera depois de sua batalha com Aelin e misericordiosamente continuava desaparecida.
Pelos cálculos de seu capitão, eles estavam se aproximando da fronteira que Charco Lavrado compartilhava com Adarlan. Então eles precisavam decidir para onde exatamente iriam. Tão rapidamente quanto possível.
Eles já haviam perdido um tempo precioso contornando as Ilhas Mortas, apesar da notícia de que elas pertenciam mais uma vez ao capitão Rolfe. A notícia da esquadra provavelmente já havia chegado a Morath, mas não havia necessidade de proclamar sua localização exata.
Mas seu sigilo lhes custara: ele não tinha notícias sobre a localização de Dorian. Nem um sussurro se ele foi para o norte com Aelin e o exército que ela reuniu de vários reinos. Chaol só podia rezar para que Dorian tivesse ido, e que seu rei permanecesse a salvo.
Yrene estudou os dois ruks no navio próximo.
— Quantos batedores irão?
— Apenas eles. — Os olhos de Yrene acenderam com o perigo. — Será mais fácil para números menores ficarem escondidos. — Chaol apontou para o céu. — A cobertura de nuvens hoje também a torna ideal para explorar. — Quando a preocupação no rosto dela não diminuiu, ele acrescentou: — Teremos que lutar nessa guerra em algum momento, Yrene.
Quantas vidas Erawan tomara? Para cada dia que eles demoraram?
— Eu sei. — Ela apertou o medalhão de prata em seu pescoço. Ele o dera a ela, mandara um mestre gravar as montanhas e os mares em sua superfície. No interior, ele guardava o bilhete que Aelin Galathynius lhe dera anos atrás, quando sua esposa trabalhava como garçonete em um porto esquecido, e a rainha vivia como uma assassina com outro nome. — Eu só... eu sei que é tolice, mas de alguma forma não achei que aconteceria com a gente tão rápido.
Ele dificilmente chamaria essas semanas no mar de rápido, mas entendia o que ela queria dizer.
— Estes últimos dias serão os mais longos.
Yrene aninhou-se ao seu lado, o braço contornando a cintura dele.
— Eu preciso verificar os suprimentos. Vou pedir a Borte para me levar até o navio de Hasar.
Arcas, o ruk feroz da cavaleira da montanha, ainda cochilava em seu lugar na popa.
— Você pode ter que esperar um pouco por isso.
De fato, ambos haviam aprendido nessas semanas a não perturbar nem o ruk nem o cavaleiro enquanto estes dormiam. Os deuses os ajudassem se Borte e Aelin se encontrassem.
Yrene sorriu e levantou as mãos para segurar o rosto dele. Seus olhos claros examinaram os dele.
— Eu te amo — ela falou suavemente.
Chaol abaixou a cabeça até sua testa tocar a dela.
— Você vai me dizer isso quando estivermos enterrados até os joelhos na lama gelada, não vai?
Ela bufou, mas não fez nenhum movimento para se afastar. Nem ele. Então, testa a testa, alma a alma, eles ficaram ali em meio ao vento frio e ondas agitadas, e esperaram para ver o que os ruks poderiam descobrir.


Ela tinha se esquecido de como era frio no norte.
Mesmo enquanto estava entre os cavaleiros ruk nas Montanhas Tavan, Nesryn Faliq nunca estivera tão enregelada.
E o inverno não chegara completamente. No entanto, Salkhi não mostrava nenhum indício de que o frio o afetava enquanto voavam sobre as nuvens e o mar.
Mas isso também poderia ser porque Kadara voava ao seu lado, a ruk dourada sem se deixar levar pelo vento frio.
Um ponto fraco – seu ruk havia desenvolvido um ponto fraco e uma admiração cada vez maior pela montaria de Sartaq. Embora Nesryn supusesse que o mesmo poderia ser dito sobre ela e o cavaleiro da ruk.
Nesryn tirou os olhos das nuvens cinzentas e olhou para o cavaleiro à sua esquerda.
Seu cabelo havia crescido – um pouco. Apenas o suficiente para ser trançado para trás contra o vento.
Percebendo sua atenção, o herdeiro do khaganato sinalizou: Tudo bem?
Nesryn corou apesar do frio, mas sinalizou de volta, com os dedos entorpecidos e desajeitados sobre os símbolos. Tudo certo.
Uma colegial corada. Foi o que ela se tornou ao redor do príncipe, não importava o fato de que eles compartilhavam uma cama fazia semanas, ou o que ele prometera para o futuro deles.
Governar ao lado dele. Como a futura imperatriz do khaganato. Era absurdo, claro. A ideia de ela se vestir como a mãe dele, naquelas túnicas e toucados vistosos e belos... Não, ela era mais adequada aos couros rukhin, ao peso do aço, não às joias. Ela falou isso para Sartaq. Muitas vezes. Ele rira dela. Dissera que ela poderia andar nua no palácio, se quisesse. O que ela vestia ou não, não o incomodava nem um pouco.
Mas ainda era uma ideia ridícula. Uma ideia que o príncipe parecia achar ser o único caminho para o futuro deles. Ele tinha apostado sua coroa, dissera a seu pai que se ser príncipe significava não estar com ela, então se afastaria do trono. O khagan lhe oferecera então o título de herdeiro.
Antes de partirem, seus irmãos não pareciam irritados com isso, embora tivessem passado a vida inteira lutando para serem coroados o herdeiro de seu pai. Até mesmo Hasar, que navegava com eles, se absteve de seus costumeiros comentários afiados. Se Kashin, Arghun ou Duva – todos ainda em Antica, com Kashin prometendo navegar com o resto das forças de seu pai – haviam mudado de ideia sobre a nomeação da Sartaq, Nesryn não sabia.
Um borrão de movimento à sua direita a fez conduzir Salkhi naquela direção. Falkan Ennar, metamorfo e comerciante que se tornara espião rukhin, assumira a forma de um falcão esta manhã e usava a extraordinária velocidade dessa criatura para voar à frente. Ele devia ter avistado alguma coisa, pois agora voava na direção deles, então deu a volta e voou novamente na direção da terra. Sigam-me, ele parecia dizer.
Navegar para Terrasen ainda era uma opção, dependendo do que eles encontrassem hoje ao longo da costa. Se Lysandra estaria lá, se ela ainda estava viva, era uma questão completamente diferente.
Falkan jurara que sua fortuna, suas propriedades, seria herança dela muito antes de descobrir que ela sobrevivera à infância, ou recebera os dons de sua família. Uma estranha família dos Desertos que se espalhara pelo continente, cujo irmão acabara em Adarlan por tempo suficiente para gerar Lysandra e abandonar a mãe dela.
Mas Falkan não falara desses desejos desde que haviam deixado as Montanhas Tavan e, em vez disso, dedicara-se a ajudar de qualquer maneira que pudesse: patrulha, principalmente. Mas logo chegaria a hora em que precisariam de mais do que sua assistência, como precisaram contra as kharankui nos Montes Dagul.
Talvez tão vital quanto o exército que traziam com eles era a informação que conseguiramlá. Que Maeve não era uma rainha feérica, mas uma impostora valg. Uma antiga rainha valg, que se infiltrou em Doranelle na aurora dos tempos, manipulando as mentes das duas rainhas irmãs e convencendo-as de que tinham uma tericera irmã mais velha.
Talvez o conhecimento não adiantasse nada nessa guerra. Mas isso poderia mudar de alguma forma. Conhecer que outro inimigo espreitava a suas costas. E que Maeve fora para Erilea para fugir do rei valg com quem se casara, irmão de outros dois – que por sua vez separaram as chaves de Wyrd do portão e atravessaram mundos para encontrá-la.
Que os três reis valg haviam invadido este mundo apenas para serem detidos aqui, sem saber que sua presa agora se escondia em um trono em Doranelle, uma estranha reviravolta do destino. Dos três reis, apenas Erawan permanecia aqui – irmão de Orcus, o marido de Maeve. O que ele pagaria para saber quem ela realmente era?
Era uma questão, talvez, para outros ponderarem. Para considerarem como usar. Falkan mergulhou através da cobertura de nuvens, e Nesryn o seguiu.
Ar frio e enevoado atingiu-a, mas Nesryn se inclinou na descida, Salkhi seguindo Falkan sem comando. Por um minuto, apenas nuvens passaram, e então...
Penhascos brancos erguiam-se das ondas cinzentas e, além deles, mato seco espalhava-se na última planície mais setentrional do Charco Lavrado.
Falkan foi em direção à costa, diminuindo sua velocidade para não perdê-los.
Kadara acompanhou-os facilmente, e eles voaram em silêncio enquanto a costa se tornava mais visível.
O mato nas planícies não estava seco pelo inverno. Ele foi queimados. E as árvores sem folhas eram pouco mais que cascas.
No horizonte, nuvens de fumaça destacavam-se contra o céu de inverno. Muitas e grandes demais para serem de agricultores queimando as últimas colheitas para fertilizar o solo.
Nesryn sinalizou para Sartaq, Vou olhar mais de perto.
O príncipe sinalizou de volta, Passe bem baixo entre as nuvens, mas não desça além delas.
Nesryn assentiu, e ela e seu ruk desapareceram na fina camada mais baixa de nuvens. Através de lacunas ocasionais, vislumbres da terra queimada apareciam abaixo.
Aldeias e fazendas: se foram. Como se um exército tivesse vindo do mar e arrasado tudo em seu caminho.
Mas não havia nenhuma força acampada na praia. Não, este exército estava se movendo.
Mantendo-se logo dentro do véu de nuvens, Nesryn e Sartaq cruzaram a terra.
Seu coração batia mais e mais rápido a cada quilômetro de paisagem estéril e queimada que cobriam. Nenhum sinal de um exército adversário ou batalhas em andamento.
Eles queimaram por seu próprio prazer doentio. Nesryn memorizou a terra, os traços que conseguiu distinguir. Eles mal chegaram às fronteiras de Charco Lavrado, Adarlan uma expansão para o norte.
Mas, longe da costa, cada vez mais perto do interior, um exército marchava. Ele se estendia por quilômetros e quilômetros, negro e se contorcendo.
O poder de Morath. Ou alguma fração terrível, enviada para incutir terror e destruição antes da onda final.
Sartaq sinalizou, Um grupo de soldados abaixo.
Nesryn espiou a queda impiedosa por cima da asa de Salkhi e viu um pequeno grupo de soldados de armadura escura atravessando as árvores – um desdobramento da massa apinhada à frente.
Como se tivessem sido enviados para caçar qualquer sobrevivente.
A mandíbula de Nesryn se apertou e ela fez sinal para o príncipe: Vamos.
Não de volta para os navios. Mas para os seis soldados, começando a longa jornada de volta ao seu grupo.
Nesryn e Salkhi mergulharam no céu, Sartaq um borrão à sua esquerda. O grupo de soldados não teve a chance de gritar antes que Nesryn e Sartaq estivessem sobre eles.


Lady Yrene Westfall, anteriormente Yrene Towers, havia contado os suprimentos cerca de seis vezes agora. Todos os barcos estavam cheios deles, mas o navio da princesa Hasar, a escolta pessoal da Alta Curandeira, continha a mistura mais vital de tônicos e pomadas. Muitos tinham sido criados antes de partirem de Antica, mas Yrene e os outros curandeiras que haviam acompanhado o exército passavam longas horas formulando-os da melhor maneira possível a bordo.
No porão escuro, Yrene firmou os pés contra o balanço das ondas e fechou a tampa do caixote de latas de unguento, anotando o número na folha que trouxera consigo.
— O mesmo número de dois dias atrás — uma voz velha crocitou das escadas. Hafiza, a Alta Curandeira, sentou-se nos degraus de madeira, as mãos apoiadas sobre a pesada saia de lã que cobria seus joelhos magros. — O que você acha que vai acontecer com eles, Yrene?
Yrene jogou a trança por cima do ombro.
— Eu queria ter certeza de que contei direito.
— De novo.
Yrene guardou o pergaminho e pegou sua capa forrada de pele que tinha jogado sobre um caixote.
— Quando estivermos nos campos de batalha, manter um estoque dos nossos suprimentos...
— Será vital, sim, mas também impossível — interrompeu ela. — Quando estivermos nos campos de batalha, menina, você terá sorte se conseguir encontrar uma dessas latas em meio ao caos.
— É o que estou tentando evitar.
A Alta Curandeira ofereceu-lhe um suspiro simpático.
— Pessoas morrerão, Yrene. De formas horríveis e dolorosas, elas morrerão, e nem você, nem eu, seremos capazes de salvá-las.
Yrene engoliu em seco.
— Eu sei disso. — Se eles não se apressassem, não chegassem logo em terra e descobrissem para onde o exército do khagan marcharia, quantos mais pereceriam?   
O olhar de sabedoria da velha mulher não desapareceu. Sempre, desde o primeiro momento em que Yrene colocara os olhos em Hafiza, ela emanara essa calma, essa segurança. O pensamento da Alta Curandeira naqueles sangrentos campos de batalha fez o estômago de Yrene se agitar. Mesmo que esse tipo de coisa fosse exatamente por que eles vieram, por que treinaram em primeiro lugar.
Mas isso sem considerar a questão dos valg, que tomavam hospedeiros humanos como parasitas. Valg que os matariam imediatamente se soubessem o que as curandeiras planejavam fazer. O que Yrene planejava fazer com qualquer Valg que cruzasse seu caminho.
— Os unguentos estão prontos, Yrene. — Hafiza gemeu quando se levantou do degrau e ajustou as lapelas de sua grossa blusa de lã – cortada e bordada no estilo dos cavaleiros Darghan. Um presente da última visita que a Alta Curandeira fizera nos estepes, quando levou Yrene junto. — Eles estão contados. Não há mais misturas a fazer, não até chegarmos à terra e pudermos ver o que pode ser usado lá.
Yrene segurou a capa ao peito.
— Eu preciso fazer alguma coisa.
A Alta Curandeira deu um tapinha no corrimão.
— Você fará, Yrene. Em breve, fará.
Com isso, Hafiza subiu as escadas, deixando Yrene no porão em meio às pilhas de caixas.
Ela não contou à Alta Curandeira que não tinha certeza de quanto tempo mais seria de ajuda – ainda não. Não havia dito uma palavra dessa dúvida a ninguém, nem a Chaol.
A mão de Yrene passou por seu abdômen e ali se demorou.

8 comentários:

  1. Chaol papai? Isso mesmo produção???
    Não li Torre do Alvorecer e to meio perdidinha com essas novidades, mas não dá pra parar agora para saber, preciso saber o que vai acontecer com minha Aelin, então... :(((
    Tainá

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    1. Lê Torre do Alvorecer, sério
      É VITAL pra você entender muita coisa

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  2. Maeve não era uma rainha feérica, mas uma impostora valg. Uma antiga rainha valg, que se infiltrou em Doranelle na aurora dos tempos, manipulando as mentes das duas rainhas irmãs e convencendo-as de que tinham uma tericera irmã mais velha. MEU DEUS MAEVE E VALG NUMCA SESPEITEI....

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  3. Como ela sabia que estava grávida? Hmmm...

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  4. Caramba Yrene, isso são horas pra ficar grávida mulher? Pelo amor, vc é curandeira pq não fez os tônicos lá pra c tomar? Tu tá indo enfrentar uma guerra sua louca!!!

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  5. Só eu tô com saudades de torre do alvorecer?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!