29 de outubro de 2018

Capítulo 56

As três Grã-Bruxas vieram sozinhas.
Isso não impediu que as Crochans se reunissem, vassouras prontas no ar – algumas delas tremendo com o que só poderia ser reconhecimento.
O aperto de Manon em Ceifadora do Vento se contraiu com o leve tremor em sua mão quando as três bruxas aterrissaram na beira da fogueira de Glennis, suas serpentes aladas esmagando tendas abaixo delas.
Asterin e Sorrel estavam instantaneamente ao lado dela, o murmúrio de sua segunda em comando engolido pelo estalo das barracas.
— As Sombras estão no ar, mas não sinalizaram nenhum sinal de outra unidade.
— Nenhum de seus covens?
— Não. E nenhum sinal de Iskra ou Petrah.
Manon engoliu em seco. As Matriarcas realmente vieram sozinhas. Tinham vindo de onde quer que estivessem reunidas, e de alguma forma os encontrara.
Ou rastreara.
Manon não deixou o pensamento tomar forma. Que ela poderia ter trazido as três matriarcas para este acampamento. Os rosnados baixos das Crochans em volta dela, dirigidos para Manon, disseram o suficiente de sua opinião.
As serpentes aladas se mexceram, suas longas caudas enrolando-se ao redor, aqueles espinhos mortais envenenados prontos para infligir a morte.
Passos apressados soaram através da neve gelada, parando ao lado de Manon, assim como o cheiro de Dorian em volta dela.
— Essas são...
— Sim — ela disse baixinho, o coração trovejando quando as Matriarcas desmontaram e não levantaram as mãos a pedido de negociação. Não, elas apenas se aproximaram da lareira, da preciosa chama ainda queimando.
— Não se envolva — Manon avisou a ele e às outras, e caminhou para encontrá-las.
Não era a batalha do rei, não importava o poder que vivesse em suas veias.
Glennis já estava armada, uma espada antiga em suas mãos ressequidas. A mulher era tão velha quanto a Matriarca das Pernas Amarelas, mas permaneceu ereta, de frente para as três Grã-Bruxas.
Cresseida Sangue Azul falou primeiro, seus olhos tão frios quanto a coroa de ferro cravada sua testa sardenta.
— Faz uma era, Glennis.
Mas o olhar de Glennis, Manon percebeu, não estava na Matriarca Sangue Azul. Nem mesmo na própria avó de Manon, suas vestes negras ondulando enquanto ela zombava de Manon.
Estava na Matriarca das Pernas Amarelas, curvada e odiosa entre elas. Na coroa de estrelas no topo do cabelo branco desbastado da velha.
A espada de Glennis tremeu ligeiramente. E assim que Manon percebeu o que a Matriarca usava, Bronwen apareceu ao lado de Glennis e falou:
— A coroa de Rhiannon.
Usada pela Matriarca Pernas Amarelas para zombar dessas bruxas. Cuspir nelas.
Um rugido surdo começou nos ouvidos de Manon.
— Que companhia você mantém hoje em dia, neta — disse a avó de Manon, com os cabelos escuros riscados de prata puxados para longe do rosto.
Um sinal suficiente de suas intenções, se o cabelo de sua avó estava naquela trança.
Batalha. Aniquilação.
O peso da atenção das três Grã-Bruxas pressionou-a.
As Crochans reunidas atrás dela se mexeram enquanto esperavam por sua resposta.
No entanto, foi Glennis quem rosnou, numa voz que Manon ainda não ouvira:
— O que vocês querem?
A avó de Manon sorriu, revelando dentes de ferro manchados de ferrugem. O verdadeiro sinal da idade dela.
— Você cometeu um grave erro, Manon Matadora de Parentes, quando procurou virar nossas forças contra nós. Quando semeou essas mentiras entre nossas sentinelas em relação aos nossos planos – meus planos.
Manon manteve o queixo erguido.
— Eu falei apenas a verdade. E deve tê-la assustado o suficiente para que reunisse essas duas para me caçar e provar sua inocência em tramar contra elas.
As outras duas Matriarcas nem sequer piscaram. As garras de sua avó tinham afundado profundamente nelas então. Ou elas simplesmente não se importavam.
— Nós viemos — Cresseida ferveu, o oposto de muitas maneiras da filha que deu a Manon a chance de falar — para finalmente nos livrar de um espinho em nossa lateral.
Petrah tinha sido punida por deixar Manon sair da Ômega viva? A herdeira Sangue Azul ainda respirava? Cresseida uma vez gritou em terror e dor de mãe quando Petrah quase caiu para a morte. Esse amor, tão estranho e diferente, ainda era verdade? Ou o dever e o antigo ódio venceram?
O pensamento foi suficiente para açoitar a espinha de Manon.
— Vocês vieram porque nós representamos uma ameaça.
Por causa da ameaça que você representa para aquele monstro que chama de avó.
— Vocês vieram — continuou Manon, com Ceifadora do Vento subindo uma fração — porque estão com medo.
Manon deu um passo além de Glennis, a espada levantando-se mais.
— Vocês vieram — disse Manon — porque não têm poder verdadeiro além do que lhes damos. E estão morrendo de medo de que estejamos prestes a tirá-lo. — Manon virou Ceifadora do Vento em sua mão, inclinando a espada para baixo e desenhou uma linha na neve entre eles. — Vocês vieram sozinhas por causa desse medo. Que outros possam ver do que somos capazes. A verdade que vocês sempre procuraram esconder.
Sua avó se retraiu.
— Ouça você. Soando como uma Crochan com toda essabobagem de pregação.
Manon a ignorou. Ignorou-a e apontou Ceifadora do Vento diretamente para a Matrícula Pernas Amarelas enquanto rosnava:
— Essa coroa não é sua.
Algo como hesitação ondulou no rosto de Cresseida Sangue Azul. Mas a Matriarca Pernas Amarelas acenou para Manon com unhas de ferro curvadas pela idade.
— Então venha e recupere-a de mim, traidora.
Manon atravessou a linha que ela desenhou na neve. Ninguém falou atrás dela.
Ela se perguntou se algum deles estava respirando. Ela não ganhou contra a avó. Mal havia sobrevivido, e apenas graças à sorte.
Naquela luta, ela estava pronta para encontrar seu fim. Para dizer adeus.
Manon apontou Ceifadora do Vento para cima, seu coração em uma batida constante e violenta.
Ela não encontraria o abraço da Escuridão hoje.
Mas elas iriam.
— Isso parece familiar — sua avó comentou, pernas se movendo para a posição de ataque. As outras duas Matriarcas fizeram o mesmo. — A última Rainha Crochan. Segurando a linha contra nós.
Manon estalou a mandíbula, e dentes de ferro desceram. Uma flexão de seus dedos libertou suas unhas de ferro.
— Não apenas uma rainha Crochan desta vez.
Havia dúvida nos olhos azuis de Cresseida. Como se ela tivesse percebido o que as outras duas Matriarcas não tinham visto.
Lá, era lá que Manon atacaria primeiro. Aquela que agora se perguntava se de alguma forma cometera um grave erro ao vir aqui.
Um erro que lhes custaria o que eles tinham vindo proteger.
Um erro que lhes custaria esta guerra.
E suas vidas.
Pois Cresseida viu a firmeza da respiração de Manon. Viu a clara convicção em seus olhos. Viu a falta de medo em seu coração quando Manon avançou mais um passo.
Manon sorriu para a Matriarca Sangue Azul como se dissesse sim.
— Você não me matou antes — disse Manon à sua avó. — Não acho que será capaz disso agora.
— Veremos quanto a isso — sua avó sibilou e atacou.
Manon estava pronta. Um movimento ascendente de Ceifadora do Vento bloqueou os dois primeiros golpes de sua avó, e Manon se abaixou no terceiro. Virando-se para a investida da Matriarca Pernas Amarelas que se movia com velocidade sobrenatural, pés quase voando sobre a neve e golpeando as costas expostas de Manon.
Manon desviou o ataque da anciã, enviando a bruxa para trás. No momento em que Cresseida se lançou em Manon.
Cresseida não era uma lutadora treinada. Não como eram as Matriarcas Bico Negro e Pernas Amarelas. Anos demais lendo as entranhas e examinando as estrelas em busca das respostas aos enigmas da Deusa de Três Faces.
Um desvio à esquerda e Manon facilmente evitou as unhas de Cresseida, e um giro enviou o cotovelo de Manon no nariz da Matriarca Sangue Azul.
Cresseida tropeçou. A Matriarca Pernas Amarelas e sua avó atacaram novamente.
Tão rápido. Seus três assaltos aconteceram no espaço de algumas piscadas.
Manon manteve os pés sob ela. Viu onde uma Matriarca se moveu e a outra deixou uma perigosa abertura exposta.
Ela não era uma Líder Alada desmiolada e insegura de seu lugar no mundo.
Ela não estava envergonhada da verdade diante dela.
Ela não estava com medo.
A avó de Manon liderou o ataque, as manobras mais mortais. Foi dela que a primeira amostra de dor veio. Um rasgo de unhas de ferro no ombro de Manon.
Mas Manon moveu a espada, de novo e de novo, o som de ferro batendo em aço ecoando pelos picos gelados.
Não, ela não estava com medo.


Dorian nunca tinha visto uma luta como a que se desenrolava diante dele. Nunca tinha visto nada tão rápido, tão letal.
Nunca tinha visto alguém se mover como Manon, um redemoinho de aço e ferro. Três contra uma – as chances não estavam a favor dela. Não quando se levantar contra uma delas deixara Manon no limiar da morte meses antes.
No entanto, onde elas atacavam, ela já não estava mais ali. Já desviara.
Ela não acertou muitos golpes, mas os manteve à distância.
No entanto, eles também não passavam muito longe.
A magia de Dorian se contorcia, procurando uma saída, uma maneira de impedir isso. Mas ela ordenou que ele não se envolvesse. E ele obedeceu.
Ao redor dele, as Crochans vibravam com medo e pavor. Fosse pela batalha que se desenrolava ou pelas três Matriarcas que as encontraram.
Mas Glennis não tremeu. Ao seu lado, Bronwen vibrava com a energia de alguém ansioso para saltar para a luta.
Manon e as Grã-Bruxas se separaram, respirando pesadamente. Sangue azul escorria pelo ombro de Manon e pequenos cortes escorriam das três Matriarcas.
Manon ainda permanecia do outro lado da linha que ela desenhara. Ainda segurava.
A bruxa de cabelos escuros em vestes negras volumosas cuspiu sangue azul sobre a neve. A avó de Manon.
— Patética. Tão patética quanto a sua mãe. — Um sorriso de desprezo por Glennis. — E seu pai.
O grunhido que saiu da garganta de Manon soou pelas montanhas.
Sua avó soltou um grasnido de corvo.
— Isso é tudo que você pode fazer, então? Rosnar como um cachorro e balançar sua espada como imundície humana? Nós acabaremos com você eventualmente. É melhor se ajoelhar agora e morrer com alguma honra intacta.
Manon apenas esticou uma mão com unhas de ferro para trás, dedos abertos em demanda enquanto seus olhos permaneciam fixos nas Matriarcas.
Dorian procurou por Damaris, mas Bronwen se moveu primeiro. A Crochan jogou sua espada, aço brilhando sobre a neve e o sol. Os dedos de Manon se fecharam no cabo, a lâmina cantando enquanto ela girava para encarar as Grã-Bruxas novamente.
— Rhiannon Crochan manteve os portões durante três dias e três noites, e ela não se ajoelhou diante de vocês, mesmo no final. — Um sorriso cortante. — Acho que farei o mesmo.
Dorian poderia jurar que a chama sagrada que queimava à sua esquerda estava mais brilhante. Poderia jurar que Glennis respirou fundo. Que cada Crochan assistindo fez o mesmo.
Os joelhos de Manon flexionaram, espadas erguendo-se.
— Vamos terminar o que começou então, então.
Ela atacou, lâminas piscando. Sua avó cedeu passo atrás de passo, as outras duas Matriarcas não conseguiram romper suas defesas.
A bruxa que dormira e desejara a morte se fora. A bruxa que se enfureceu com a verdade que a tinha rasgado em pedaços se fora.
E em seu lugar, lutando contra as Matriarcas como se fosse o próprio vento, estava alguém que Dorian ainda não conhecera.
Era uma rainha de dois povos. A Matrícula Pernas Amarelas lançou uma ofensiva que fez com que Manon recuasse um passo, depois outro, as espadas erguendo-se a cada contragolpe.
Recuando apenas esses poucos passos e nada mais. Porque Manon com convicção em seu coração, com total destemor em seus olhos, era completamente imparável.
A Matriarca Pernas Amarelas empurrou Manon perto o bastante da linha que seus calcanhares quase a tocaram. As outras duas bruxas haviam recuado, como se esperassem para ver o que aconteceria.
Para uma velha encurvada, a bruxa Pernas Amarelas era o retrato dos pesadelos. Pior do que Baba Pernas Amarelas jamais fora. Seus pés mal pareciam tocar o chão, e suas unhas de ferro curvadas tiravam sangue onde quer que cortassem.
As espadas de Manon bloquearam após golpe, mas ela não fez nenhum movimento para avançar. Para empurrar de volta, embora Dorian tenha visto várias chances de fazê-lo.
Manon levou os cortes que deixaram seu braço e lateral sangrando. Mas ela não cedeu mais terreno. Uma parede contra a qual a Matriarca Pernas Amarelas não poderia avançar. A velha soltou um rosnado, atacando de novo e de novo, sem sentido e furiosa.
Dorian viu a armadilha no momento em que aconteceu. Viu o lado que Manon deixou aberto, a isca colocada em uma bandeja de prata. Atacando em fúria, a Matriarca Pernas Amarelas não pensou duas vezes antes de se lançar, garras saltando.
Manon estava esperando. Perdida em sua sede de sangue, o horrível rosto da Matriarca Pernas Amarelas se iluminou com triunfo enquanto procurava o fácil golpe mortal que arrancaria o coração de Manon.
A Matriarca Bico Negro rosnou em alerta, mas Manon já estava se movendo.
Assim que as garras curvadas rasgaram o couro e a pele, Manon virou-se para o lado e desceu Ceifadora do Vento sobre o pescoço estendido da Matriarca Pernas Amarela.
Sangue azul espirrou na neve. Dorian não desviou o olhar dessa vez para a cabeça que caiu no chão. Ao corpo de manto marrom que caiu com ele.
As duas Matriarcas restantes pararam. Nenhuma das Crochans atrás de Dorian falou enquanto Manon encarava impiedosamente o torso ensanguentado da Matriarca Pernas Amarelas.
Ninguém pareceu respirar enquanto Manon mergulhava a espada de Bronwen na terra gelada abaixo e se inclinava para pegar a coroa de estrelas da cabeça caída da bruxa Pernas Amarelas.
Ele nunca tinha visto uma coroa como essa. Uma coisa viva e brilhante que reluzia em sua mão. Como se nove estrelas tivessem sido arrancadas dos céus e se pusessem a brilhar ao longo da simples tira prateada.
A luz da coroa dançou sobre o rosto de Manon quando ela a ergueu acima da cabeça e colocou sobre o cabelo branco solto.
Até o vento da montanha parou. No entanto, uma brisa fantasma balançava os fios de cabelo de Manon enquanto a coroa brilhava com força, as estrelas brancas brilhando com núcleos de cobalto, rubi e ametista.
Como se estivesse dormindo há muito, muito tempo. E agora fosse despertada.
Aquele vento fantasma puxou o cabelo de Manon para o lado, fios de prata roçando seu rosto.
E ao lado dele, ao redor dele, as Treze tocaram dois dedos em suas sobrancelhas em deferência.
Em fidelidade à rainha que encarava as duas Grã-Bruxas restantes.
À rainha Crochan, coroada novamente.
O fogo sagrado saltou e dançou, como se em boas-vindas alegres.
Manon pegou a espada de Bronwen, erguendo a ela e Ceifadora do Vento, e disse para a Matriarca Sangue Azul, a bruxa parecendo apenas alguns anos mais velha que a própria Manon:
— Vá.
A bruxa Sangue Azul piscou, os olhos arregalados com o que só podia ser medo e pavor.
Manon moveu o queixo em direção à serpente alada esperando atrás da bruxa.
— Diga a sua filha que todas as dívidas entre nós estão pagas. E ela pode decidir o que fazer com você. Leve essa outra serpente alada daqui.
A avó de Manon se arrepiou, os dentes de ferro brilhando como se ela fosse ladrar um contra-comando para a Matriarca Sangue Azul, mas a bruxa já corria para a sua serpente alada.
Poupada pela Rainha Crochan em nome da filha que dera a Manon a chance de falar com as Dentes de Ferro.
Em poucos segundos, a Matriarca Sangue Azul estava no céu, a serpente alada da bruxa Pernas Amarelas voando ao lado dela.
Deixando a avó de Manon sozinha. Deixando Manon com as espadas erguidas e uma coroa de estrelas brilhando em sua testa.
Manon brilhava, como se as estrelas em cima de sua cabeça pulsassem através de seu corpo.
Uma beleza maravilhosa e poderosa, como nenhuma outra no mundo. Como ninguém jamais foi, ou seria de novo.
E lentamente, como se saboreasse cada passo, Manon seguiu em direção à sua avó.


Os lábios de Manon se curvaram em um pequeno sorriso enquanto ela avançava para sua avó.
Uma luz quente e dançante fluía através dela, tão infalível quanto a que havia se derramado em seu coração nos últimos minutos sangrentos.
Ela não recuou. Não tenha medo.
O peso da coroa era leve, como se fosse feita de luar. No entanto, sua força alegre era uma canção, murmurando até onde a única Grã-Bruxa restante estava de pé.
Então Manon continuou andando. Ela deixou a espada de Bronwen alguns passos atrás. Deixou Ceifadora do Vento alguns passos depois disso.
Unhas de ferro libertadas, dentes prontos, Manon parou a apenas cinco passos de sua avó.
Um traço de existência odioso e desperdiçado. Isso é o que sua avó era.
Ela nunca havia percebido quão baixa a Matriarca era. Quão estreitos eram os seus ombros, ou como os anos de raiva e ódio a haviam atingido.
O sorriso de Manon cresceu. E ela poderia jurar que sentiu duas pessoas atrás de seus ombros.
Ela sabia que ninguém estaria lá se olhasse. Sabia que ninguém mais podia vê-los, senti-los, de pé atrás dela. De pé com a filha deles contra a bruxa que os destruiu.
Sua avó cuspiu no chão, mostrando seus dentes enferrujados.
Esta morte, no entanto...
Não era morte dela para reivindicar.
Não pertencia aos pais cujos espíritos permaneciam ao seu lado, que poderiam estar lá o tempo todo, levando-a a isso.
Que não a deixaram, mesmo com a morte separando-os.
Não, também não lhes pertencia.
Ela olhou para trás. Para sua tenente aguardando ao lado de Dorian.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Asterin. De orgulho – orgulho e alívio.
Manon acenou para Asterin com uma mão com unhas de ferro.
Neve foi triturada, e Manon girou, inclinando-se para tomar o peso do ataque.
Mas sua avó não tinha investido. Não contra ela.
Não, a Matriarca Bico Negro corria para a sua serpente alada. Fugindo.
As Crochans ficaram tensas, o medo cedendo à ira enquanto sua avó se arrastava para a sela.
Manon levantou a mão.
— Deixem-na ir.
Um estalo das rédeas, e sua avó estava no ar, as asas da grande serpente alada enviando grandes rajadas de vento contra elas.
Manon observou enquanto a serpente alada subia cada vez mais alto.
Sua avó não olhou para trás antes de desaparecer no céu.
Quando não havia vestígios das Matriarcas exceto pelo sangue azul e um cadáver sem cabeça manchando a neve, Manon se virou para as Crochans.
Os olhos estavam arregalados, mas elas não fizeram nenhum movimento.
As Treze permaneceram onde estavam, Dorian com elas.
Manon pegou as duas espadas, embainhou Ceifadora do Vento nas costas e foi até onde Glennis e Bronwen estavam, monitorando cada respiração dela.
Sem palavras, Manon entregou sua espada a Bronwen, assentindo em agradecimento. Então ela removeu a coroa de estrelas e estendeu-a para Glennis.
— Isto pertence a você — ela falou, sua voz baixa.
As Crochans murmuraram, se mexendo.
Glennis pegou a coroa e as estrelas esmaeceram. Um pequeno sorriso enfeitou o rosto da velha.
— Não — ela respondeu — não pertence.
Manon não se moveu quando Glennis levantou a coroa e colocou-a novamente na cabeça de Manon.
Então a bruxa anciã se ajoelhou na neve.
— O que foi roubado foi restaurado; o que foi perdido voltou para casa. Eu a saúdo, Manon Crochan, Rainha das Bruxas.
Manon se postou rapidamente contra o tremor que ameaçava sacudir suas pernas.
Se postou rapidamente enquanto as outras Crochans, Bronwen com elas, caíram de joelhos.
Dorian, de pé entre elas, sorriu, mais brilhante e mais livre do que ela já tinha visto.
E então as Treze ajoelharam-se, dois dedos indo para suas sobrancelhas enquanto baixavam a cabeça, um orgulho feroz iluminando seus rostos.
— Rainha das Bruxas — Crochan e Bico Negro declararam como uma só voz.
Como um só povo.

9 comentários:

  1. E disso que tô falando Brasil 😱 manon lacradora fodastica 💥 como eu amo essa mulher 😍

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  2. Emocionante a coisa tá ficando cada vez mais tensa
    #manoslacradorafodastica

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  3. Melhor capítulo da saga inteira 😍😍😍 Manon minha musaaaa

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  4. Essa bicha é fodah kkkkkkk . Salve a rainha das bruxas.

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  5. Issoooo as melhores rainhas: Aelin, Manon, Ansel e Nersey futura imperatriz

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  6. só eu que chorei nesse capítulo?kkkk

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  7. Eu to arrepiada e chorando, meu Deus do céu

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  8. Manon recuperou sua coroa por direito, só falta Aelin e Dorian

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