29 de outubro de 2018

Capítulo 53

Alguém havia incendiado sua coxa.
Não Aelin, porque Aelin se fora, selada em um caixão de ferro e levada pelo mar.
Mas alguém a queimou até o osso, tão completamente que o menor dos movimentos de onde quer que ela estivesse – uma cama? Um catre? – a agonia doentia a atravessava.
Lysandra abriu os olhos, um gemido baixo subindo pela garganta ressecada.
— Calma — uma voz profunda retumbou. Ela conhecia aquela voz. Conhecia o cheiro – como um riacho límpido e grama fresca. Aedion.
Ela arrastou os olhos, pesados e queimando, em direção ao som. Seu cabelo brilhante pendia caído, embaraçado com sangue. E aqueles olhos turquesa estavam manchados de púrpura por baixo – e totalmente sombrios. Vazios.
Uma tenda áspera estava erguida ao redor deles, a única luz fornecida por uma lanterna balançando no vento frio que penetrava através das abas. Ela estava amontoada com cobertores, embora ele se sentasse em um balde virado, ainda em sua armadura, sem nada para aquecê-lo.
Lysandra desgrudou a língua do céu da boca e ouviu o mundo além da tenda escura.
Caos. Gritaria. Alguns homens gemendo.
— Nós entregamos Perranth — disse Aedion com voz rouca. — Estamos fugindo há dois dias agora. Mais três dias e chegaremos a Orynth.
Suas sobrancelhas se estreitaram ligeiramente. Ela esteve inconsciente por tanto tempo?
— Nós tivemos que colocá-la em uma carroça com os outros feridos. Hoje é a primeira vez que ousamos parar. — A forte estrutura de sua garganta balançou. — Uma tempestade atingiu o sul. Retardou Morath – apenas o suficiente.
Ela tentou engolir a secura em sua garganta. A última coisa que ela se lembrava era de enfrentar aqueles ilken, nunca tão ciente das limitações de um corpo mortal, de como até mesmo Aelin, que parecia tão alta enquanto girava pelo mundo, foi ofuscada pelas criaturas. Então aquelas garras rasgaram sua perna. E ela conseguira fazer um movimento perfeito. Para derrubar um deles.
— Você reuniu o nosso exército — ele falou. — Nós perdemos a batalha, mas eles não correram com vergonha.
Lysandra conseguiu puxar uma mão debaixo dos cobertores, e se esforçou para pegar o jarro de água ao lado da cama. Aedion estava imediatamente em movimento, enchendo um copo.
Mas quando os dedos dela se fecharam, ela notou a cor deles, a forma deles.
Suas próprias mãos. Seu próprio braço.
— Você... se transformou — falou Aedion, notando seus olhos arregalados. — Enquanto a curandeira costurava a sua perna. Eu acho que a dor... Você mudou de volta para este corpo.
Horror, rugindo e nauseante, agitou através dela.
— Quantas viram? — Suas primeiras palavras, cada uma áspera e seca como uma lixa.
— Não se preocupe com isso.
Ela engoliu a água.
— Todos sabem? — Um aceno solene. — O que você disse a eles – sobre Aelin?
— Que ela está em uma missão vital com Rowan e os outros. E é tão secreta que não ousamos falar disso.
— Os soldados...
— Não se preocupe com isso — repetiu ele. Mas ela podia ver isso na cara dele. A tensão.
Eles se reuniram com a rainha, apenas para perceber que tinha sido uma ilusão. Que o poder da Portadora do Fogo não estava com eles. Não os protegeria contra o exército em seus calcanhares.
— Sinto muito — ela respirou.
Aedion pegou o copo vazio de água antes de segurar a mão dela, apertando suavemente.
— Eu que sinto muito, Lysandra. Por tudo isso. — Sua garganta voltou a balançar. — Quando vi os ilken, quando a vi contra eles... — Inútil. Puta mentirosa. As palavras que ele atirara para ela a enfureceram, afastando ainda mais da névoa de dor. Afiando seu foco. — Você fez isso — disse ele, baixando a voz — por Terrasen. Por Aelin. Você estava disposta a morrer por isso, deuses acima.
— Eu estava. — Suas palavras saíram frias como aço. Aedion piscou quando ela puxou a mão da dele. Sua perna doía e latejava, mas ela conseguiu se sentar. Para encontrar seu olhar. — Fui degradada e humilhada de muitas maneiras, por tantos anos — disse ela, com a voz tremendo. Não por medo, mas pelo maremoto que varreu tudo dentro dela, queimando ao lado da ferida em sua perna. — Mas nunca me senti tão humilhada como quando me jogou na neve. Quando me chamou de puta mentirosa na frente dos nossos amigos e aliados. Nunca. — Ela odiava as lágrimas de raiva que ardiam em seus olhos. — Uma vez eu fui forçada a rastejar diante dos homens. E deuses acima, eu quase rastejei por você durante esses meses. E ainda eu precisei quase morrer para você perceber que tem sido um idiota? Precisei quase morrer para você me enxergar como humana novamente?
Ele não escondeu o pesar em seus olhos. Ela passou anos lendo homens e sabia que toda emoção agonizante no rosto dele era genuína. Mas isso não apagava o que foi dito e feito.
Lysandra pôs a mão no peito, bem em cima do próprio coração despedaçado.
— Eu queria que fosse você — ela falou. — Depois de Wesley, depois de tudo, eu queria que fosse você. O que Aelin me pediu para fazer não tinha nada a ver com isso. O que ela me pediu para fazer nunca pareceu um fardo, porque eu queria que fosse você no fim, de qualquer maneira. — Ela não enxugou as lágrimas que deslizaram por suas bochechas. — E você me jogou na neve.
Aedion caiu de joelhos. Caído pelas mãos dela.
— Eu nunca vou parar de me arrepender. Lysandra, nunca esquecerei um segundo, nunca vou parar de me odiar por isso. E eu estou tão...
— Não. — Ela abaixou a mão. — Não se ajoelhe. Não se incomode. — Ela apontou para as abas da tenda. — Não há nada que eu tenha para lhe dizer. Ou o contrário.
Agonia novamente ondulou no rosto dele, mas ela afastou o que isso fez com ela. O que lhe causou ver Aedion se levantar, gemendo suavemente com alguma dor não específica em seu corpo poderoso. Por algumas respirações, ele apenas olhou para ela.
Então falou:
— Eu falava a verdade em todas as promessas que fiz a você naquela praia em Baía da Caveira.
E então ele se foi.


Aedion havia passado boa parte de sua vida se odiando pelas várias coisas que fizera.
Mas ver as lágrimas no rosto de Lysandra por sua culpa... Ele nunca se sentiu mais como um bastardo.
Ele mal ouviu os soldados ao seu redor, tensos e nervosos na neve que soprava entre as tendas rapidamente erguidas. Quantos mais feridos morreriam esta noite?
Ele já usara sua patente para garantir a Lysandra um dos melhores curandeiros que eles tinham restando. E ainda não era bom o suficiente, os curandeiros não dotados magicamente. E apesar das habilidades de cura rápida de Lysandra, eles ainda tiveram que costurar sua perna. E agora mudavam as bandagens a cada poucas horas. A ferida tinha sido selada, felizmente, provavelmente rápido o suficiente para evitar a infecção.
Muitos dos feridos entre eles não podiam dizer o mesmo. As feridas apodrecidas, o sangue purulento dentro de suas veias... Todas as manhãs, mais e mais corpos eram deixados para trás na neve, o chão congelado demais para cavar e sem tempo para queimá-los.
Comida para as bestas de Erawan, os soldados murmuravam quando saíam. Eles também podiam oferecer ao inimigo uma refeição grátis.
Aedion encerrou o falatório, junto com qualquer tipo de sibilo sobre a fuga e a derrota deles. No momento em que pararam para acampar esta noite, um bom terço dos soldados, membros da Devastação incluídos, receberam várias tarefas para mantê-los ocupados. Para deixá-los tão cansados depois de um dia de fuga que não teriam energia para reclamar.
Aedion seguiu para a sua própria tenda, erguida na beirada do círculo de tendas dos curandeiros onde Lysandra era atendida. Dar a ela uma tenda particular era outro privilégio que ele conquistara com sua patente.
Ele quase chegara à pequena tenda – inútil erguer sua tenda de guerra quando voltariam a desmontar em poucas horas – quando avistou as figuras amontoadas ao lado da fogueira.
Ele diminuiu seu passo para examiná-los melhor.
Ren se levantou, o rosto tenso sob o pesado capuz.
No entanto, foi o homem ao lado de Ren que fez o temperamento de Aedion se tornar uma coisa perigosa.
— Darrow — disse ele. — Eu teria pensado que você estaria em Orynth a esta hora.
O lorde embrulhado em peles não sorria.
— Eu vim para entregar a mensagem eu mesmo, já que meu mensageiro mais confiável parece inclinado a escolher outra lealdade.
O velho bastardo sabia, então. Sobre Lysandra se disfarçando de Aelin. E o papel de Nox Owen em tirar seu exército de seu alcance.
— Vamos acabar com isso, então — disse Aedion.
Ren ficou tenso, mas não disse nada. Os finos lábios de Darrow se curvaram em um sorriso cruel.
— Por seus atos de rebelião irresponsável, por sua falha em atender nosso comando e levar suas tropas aonde foram ordenadas, por sua total derrota na fronteira e pela perda de Perranth, você está despojado de sua posição.
Aedion mal ouviu as palavras.
— Considere-se agora um soldado da Devastação, se eles o quiserem. E quanto à impostora que você desfilou por aí... — um sorriso de escárnio para as tendas das curandeiras. Aedion rosnou. Os olhos de Darrow se estreitaram. — Se ela for novamente flagrada fingindo ser a princesa Aelin... — Aedion quase arrancou a garganta com aquela palavra, princesa — então não teremos outra escolha a não ser assinar a ordem de execução.
— Eu gostaria de vê-lo tentar.
— Eu gostaria de vê-lo nos impedir.
Aedion sorriu.
— Ah, não será comigo com quem lidarão. Boa sorte para qualquer homem que tentar atingir uma metamorfa tão poderosa.
Darrow ignorou a promessa e estendeu a mão.
— A Espada de Orynth, por favor.
— Você está fora de si, Darrow. — Ren falou.
Aedion apenas olhou.
— Essa espada pertence a um verdadeiro general de Terrasen, ao seu príncipe-comandante — o velho lorde falou. — Como você não é mais o portador desse título, a espada retornará a Orynth. Até que um portador novo e apropriado possa ser determinado.
— Essa espada está em nossa posse, Darrow, por causa de Aedion — Ren rosnou. — Se ele não a tivesse ganhado de volta, ela ainda estaria enferrujado no tesouro de Adarlan.
— Ele sempre terá a nossa gratidão por isso. Mesmo que apenas a esse respeito, pelo menos.
Um rugido alto encheu a cabeça de Aedion. A mão de Darrow permaneceu estendida. Ele merecia isso, supôs. Por seu fracasso nesse campo de batalha, seu fracasso em defender a terra que prometera a Aelin que salvaria. Pelo o que ele fez à metamorfa que segurava seu coração desde o momento em que se atirou contra aqueles soldados valg nos esgotos de Forte da Fenda.
Aedion soltou a espada antiga do cinto. Ren soltou um som de protesto.
Mas ele ignorou o senhor e atirou a Espada de Orynth para Darrow.
A leveza no lugar em que aquela espada estivera o deixou desequilibrado.
O velho olhou para a espada em suas mãos. Foi tão longe a ponto de passar o dedo pelo pomo de osso, o odioso bastardo incapaz de conter sua reverência.
— A Espada de Orynth é apenas um pedaço de metal e osso. Sempre foi — Aedion falou. — É o que a espada inspira no portador que importa. O verdadeiro coração de Terrasen.
— Poético da sua parte, Aedion — foi a resposta de Darrow antes de se virar, seguindo para onde sua escolta esperava além da borda do acampamento. — Seu comandante, Kyllian, é agora general da Devastação. Reporte-se a ele para conhecer suas ordens.
As neves rodopiantes esconderam o velho lorde depois de poucos passos.
— Como o inferno você não é general — Ren grunhiu.
— Os lordes de Terrasen decretaram, e assim será.
— Por que você não está lutando contra isto? — os olhos de Ren arderam. — Você acabou de entregar a espada...
— Eu não dou a mínima — Aedion não se incomodou em manter sua exaustão, sua decepção e raiva, longe da voz. — Deixe-o ter a espada e o exército. Eu não dou a mínima.
Ren não o impediu quando Aedion entrou em sua tenda e não emergiu até o amanhecer.


Os senhores de Terrasen haviam despojado o general Ashryver de sua espada.
A notícia se espalhou de fogueira para fogueira, ondulando pelas fileiras. O soldado era novo na Devastação, tinha sido aceito em suas fileiras apenas neste verão.
Uma honra, mesmo com a guerra contra eles. Uma honra, embora a família do soldado tenha chorado ao vê-lo partir.
Lutar pelo Príncipe Aedion, lutar por Terrasen – valera a pena, o peso de deixar sua fazenda para trás. Deixar para trás aquela filha de fazendeiro de rosto doce a quem ele nunca teve a chance de beijar.
Tinha valido a pena então. Mas não agora.
Os amigos que ele fez nos meses de treinamento e luta estavam mortos. Amontoados ao redor da fogueira pequena demais, o soldado era o último deles, os recrutas mais novos que estavam tão ansiosos para se testar contra os valg no começo do verão.
No coração do inverno, ele agora se chamava de idiota. Se ele se incomodasse em falar.
Palavras se tornaram desnecessárias, estranhas. Tão estranhas quanto seu corpo meio congelado, que nunca se aquecia, embora tivesse dormido tão perto do fogo quanto se atrevia. Se o sono o encontrasse, com os gritos dos feridos e agonizantes. O conhecimento do que os caçava para o norte.
Não havia mais ninguém para ajudá-los. Salvá-os. A rainha que eles pensaram estar entre eles tinha sido uma mentira. O engodo de um metamorfo. Onde Aelin Galathynius lutava agora, o que ela considerava mais importante que eles, ele não sabia.
A noite gelada pressionava, ameaçando devorar o pequeno fogo diante dele.
O soldado avançou mais perto da chama, estremecendo sob o manto gasto, cada dor e arranhão do dia latejando.
Ele não abandonaria este exército, no entanto. Não como alguns dos outros estavam murmurando. Mesmo com o príncipe Aedion despojado de seu título, mesmo com a rainha ausente, ele não abandonaria esse exército.
Ele fizera um juramento para proteger Terrasen. Para proteger sua família.
Ele o manteria.
Mesmo que agora soubesse que nunca mais os veria.


A neve ainda caía quando eles levantaram acampamento.
Caiu pelos dois dias seguintes, perseguindo-os para o norte a cada longo quilômetro.
O decreto de Darrow teve pouca influência. Kyllian se recusou a fazer qualquer coisa sem a aprovação de Aedion. Recusou-se a vestir a insígnia de seu posto. Recusou-se a ficar com a tenda de guerra.
Aedion sabia que ganhara essa lealdade há muito tempo. Assim como a Devastação ganhou a dele. Mas isso não o impediu de odiar, só um pouquinho. De desejar que Kyllian assumisse completamente.
A perna de Lysandra estava curada o suficiente para andar, mas ele pouco a viu. Ela manteve-se ao lado de Ren, os dois viajando perto dos curandeiros, caso seus pontos fossem repuxados. Quando Aedion a vislumbrava, ela frequentemente o encarava até que ele começasse a passar mal.
No terceiro dia, batedores correram para eles. Relatando que Morath havia ganhado terreno e estava se aproximando – rápido.
Aedion sabia como aconteceria. Viu cada passo da marcha e os rostos famintos ao redor dele.
Orynth estava a meio dia de distância. Se o terreno fosse fácil, eles teriam uma chance de se posicionar atrás de suas antigas muralhas. Mas entre eles e a cidade estava o rio Florine. Demasiado largo para atravessar sem barcos. A ponte mais próxima estava muito ao sul para arriscar.
Nesta época do ano, poderia já ter congelado. E, mesmo assim, com o rio tão largo e profundo, a camada de gelo muitas vezes o revestia apenas superficialmente. Para o exército deles cruzá-lo, eles teriam que arriscar o gelo em colapso.
Havia outros caminhos para Orynth. Ir direto para o norte, para a Galhada do Cervo, e recuar para o sul, para a cidade aninhada ao pé deles. Mas cada hora retardada permitia ao exército de Morath ganhar terreno.
Aedion cavalgava ao lado de Kyllian quando Elgan galopou até eles, exalando nuvens de quente para o dia coberto de neve.
— O rio está dez quilômetros a frente — disse Elgan. — Temos que tomar nossa decisão agora.
Arriscar a ponte ao sul, ou o tempo que levaria fazer a longa rota para o norte.
Ren, avistando sua reunião, forçou o cavalo para mais perto.
Kyllian esperou pela decisão. Aedion arqueou uma sobrancelha.
— Você é o general.
— Merda — cuspiu Kyllian.
Aedion apenas se voltou para Elgan.
— Alguma notícia sobre o estado do gelo?
Elgan sacudiu a cabeça.
— Nenhuma palavra sobre ele ou a ponte.
Infinita, a neve rodopiava à frente. Aedion não se atreveu a olhar para trás, para as fileiras de soldados que se arrastavam e se inclinavam contra ela.
Ren, tão silenciosamente quanto veio, recuou para onde cavalgava ao lado de Lysandra.
Asas bateram pelo vento e pela neve, e então um falcão disparou para o céu, com uma pata meio desajeitada sob ele.
— Continuem em frente — foi tudo o que disse Aedion para seus companheiros.


Lysandra retornou em uma hora. Ela se dirigiu a Ren e Ren apenas, e então o jovem lorde galopou até o lado de Aedion, onde Kyllian e Elgan ainda cavalgavam.
O rosto de Ren estava pálido.
— Não há gelo no Florine. E os batedores Morath se adiantaram e derrubaram a ponte ao sul.
— Eles estão nos levando para o norte — murmurou Elgan.
Ren assentiu.
— Eles estarão em cima de nós amanhã pela manhã.
Eles não teriam tempo para considerar fazer uma corrida para a entrada norte de Orynth. E com o Florine poucos quilômetros à frente, largo e profundo demais para atravessar, gelado demais para ousarem atravessar a nado, e Morath se aproximando por trás, eles estavam totalmente presos.

Um comentário:

  1. Sério chegou num ponto que eu não faço a MÍNIMA IDEIA de COMO eles vão se safar dessa sem morrer. Sério, tô mal

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Boa leitura, E SEM SPOILER!