29 de outubro de 2018

Capítulo 49

Rowan conversava com o capitão do navio quando o ruk passou voando.
De acordo com seu parceiro, o ruk quase bateu de frente no navio graças ao denso nevoeiro no mar. Uma batedora – de uma armada ao sul.
A tripulação principal permanecia entre eles, embora a batedora não tivesse conhecimento dos planos da realeza. Tudo o que ela sabia era que o exército do khagan tinha ido para Anielle.
Para onde iriam depois disso – para Forte da Fenda, para Eyllwe – não havia sido decidido.
Então Aelin os ajudaria a decidir. Se certificaria de que quando este assunto com Anielle terminasse, o exército do khagan marchasse para o norte.
Para Terrasen.
E para nenhum outro lugar. Tudo o que ela precisasse fazer para convencê-los, oferecer-lhes em troca, ela pagaria. Mesmo que ir para Anielle significasse atrasar seu próprio retorno a Terrasen.
Ela supôs que seria melhor voltar com um exército atrás dela do que sozinha.
No entanto, agora, parada na tenda de guerra da realeza, Aelin ainda não conseguia acreditar em quantos o khagan havia enviado. Com mais por vir, pelo o que o príncipe Sartaq dissera.
Eles passaram pelas tendas organizadas e soldados, tanto a infantaria quanto a cavalaria imponente e inspiradora. Os Darghan, os lendários cavaleiros das estepes do khaganato. A mãe da família real, que havia tomado o continente para si.
E então eles viram os ruks, e até mesmo o miserável Lorcan praguejou em admiração aos poderosos e belos pássaros adornados com armaduras ornamentadas, e os cavaleiros armados sobre eles. A batedora tinha sido uma coisa. Um exército deles tinha sido glorioso.
Um olhar para Rowan disse a ela que sua mente perspicaz já bolava um plano.
Então Aelin perguntou casualmente, dando um sorriso à realeza:
— Aonde vocês de fato planejaram ir depois disso?
A princesa Hasar, tão perspicaz quanto o parceiro de Aelin, retribuiu o sorriso – uma coisa afiada como uma navalha de pouca beleza.
— Sem dúvida, você está prestes a começar um esquema para nos convencer a ir para Terrasen.
O ambiente ficou tenso, mas Aelin bufou.
— Começar? Quem disse que já não estou no meio disso?
— Que os deuses nos ajudem — Chaol murmurou. Rowan ecoou o sentimento.
Hasar abriu a boca, mas o príncipe Sartaq interrompeu:
— Para onde marcharmos será decidido depois que Anielle estiver salva.
O rosto do príncipe permanecia sério, calculista – mas não frio. Aelin decidiu em instantes que gostava dele. E gostou ainda mais quando descobriu que ele acabara de ser coroado o herdeiro do khagan. Com Nesryn como sua noiva em potencial.
Potencial, para diversão de Aelin, porque Nesryn não estava muito interessada em ser a imperatriz do império mais poderoso do mundo.
Mas o que Sartaq dissera...
— Você quer dizer que não vai para Terrasen? — Elide perguntou.
Aelin ficou imóvel, os dedos se fechando ao lado do corpo.
 — O nosso plano inicial era ir para o norte, mas pode haver outros lugares como Anielle precisando ser libertado — o príncipe Sartaq disse cuidadosamente.
— Terrasen precisa de ajuda — disse Rowan, seu rosto o retrato da calma enquanto observava seus novos aliados e os velhos amigos.
— E, no entanto, Terrasen não pediu por ela — contrapôs Hasar, totalmente indiferente à muralha de guerreiros feéricos que a encaravam. Exatamente o tipo de pessoa que Aelin esperava que ela fosse quando escreveu para ela todos aqueles meses atrás.
Chaol pigarreou. Deuses acima, Chaol estava andando novamente. E casado com Yrene Towers, que o curara.
Um fio em uma tapeçaria. Era como ela sentia que isto era, como a noite em que deixara o ouro para Yrene em Innish. Como se puxasse um fio em uma tapeçaria, e testasse o quão distante e largo se tornava.
Todo o caminho para o continente do sul, parecia. E esse fio voltava com um exército e um amigo feliz e curado. Ou tão feliz quanto qualquer um deles poderia estar no momento.
Aelin encontrou o olhar de Chaol.
— Concentre-se em vencer essa batalha — ele disse, acenando uma vez em compreensão para o fogo que ela sabia que ardia em seus olhos — e então decidiremos.
A princesa Hasar sorriu para Aelin.
— Então, certifique-se de nos impressionar.
Mais uma vez, aquela tensão ondulou pela sala. Aelin manteve o olhar da princesa. Sorriu levemente. E não disse nada.
Nesryn se mexeu, como se soubesse bem o que aquele silêncio poderia significar.
— Quão sólidos são os muros da fortaleza? — Gavriel perguntou a Chaol, gentilmente desviando a conversa.
Chaol esfregou a mandíbula.
— Eles já enfrentaram cercos antes, mas Morath os está martelando há dias. As ameias são sólidas o bastante, mas mais alguns golpes das catapultas e as torres podem começar a cair.
Rowan cruzou os braços.
— Os muros foram violados hoje?
— Foram — disse Chaol sombriamente. — Por uma torre de cerco. Os ruks não conseguiram chegar a tempo de derrubá-la. — Nesryn se encolheu, mas Sartaq não pediu desculpas. Chaol continuou: — Nós mantivemos os muros, mas os soldados valg acabaram com vários de nossos homens – de Anielle, isto é.
Aelin examinou o mapa, bloqueando o desafio da princesa de olhos ferozes que era um espelho de várias maneiras.
— Então, como faremos isso? Nós acabamos com suas fileiras, ou apanhamos um por um?
Nesryn apontou um dedo para o mapa, parando em cima do Lago Prateado.
— E se nós os empurrarmos para o próprio lago?
Hasar considerou, a provocação em seu rosto se foi.
— Morath colocou-se em uma posição insensata em sua ganância de saquear a cidade. Eles não imaginaram ser atropelados pelo Darghan, nem atacados pelo rukhin.
Aelin olhou de soslaio para Rowan. Encontrou-o já olhando para ela.
Nós vamos convencê-los a ir para Terrasen, seu parceiro falou silenciosamente.
Chaol se inclinou para frente, oscilando um pouco, e passou o dedo pela margem oeste do lago.
— Esta parte do lago, infelizmente, está a menos de cem metros da costa. O exército pode ser capaz de sair por ali e nos arrastar para a água.
— Algumas horas naquela água — Yrene contrapôs, a boca com uma linha apertada — as mataria. A hipotermia se instalaria rapidamente. Talvez em questão de minutos, dependendo do vento.
— Isso se os valg forem atingidos por essas coisas — observou Hasar. — Eles não morrem como homens de verdade em muitos aspectos, e você afirma que eles vêm de uma terra de escuridão e frio. — A realeza realmente sabia sobre seus inimigos, então. — Nós podemos empurrá-los para a água para descobrir que eles não ligam. E, ao fazê-lo, correr o risco de expor nossas tropas aos elementos. — A princesa apontou os muros da fortaleza. — É melhor empurrá-los contra pedra, quebrá-los contra ela.
Aelin estava inclinada a concordar. Lorcan abriu a boca para dizer algo sem dúvida desagradável, mas o som de passos na lama lá fora fizeram com que se virassem em direção à entrada muito antes que uma jovem bonita de cabelos escuros entrar, com tranças gêmeas balançando.
— Vocês não vão acreditar...
Ela parou ao ver Aelin. Ao ver os machos feéricos. Sua boca se abriu em um O.
Nesryn riu.
— Borte, conheça...
Outro conjunto de passos na lama, mais pesados e mais lentos que os movimentos rápidos de Borte, e então um jovem entrou cambaleando, a pele não do marrom dourado de Borte ou da realeza, mas pálida.
— Estão de volta — ele arquejou, boquiaberto para Nesryn. — Por dias agora, juro que senti algo, notei mudanças, mas hoje eles apenas voltaram.
Nesryn inclinou a cabeça, a cortina de cabelo escuro deslizando sobre um ombro coberto por amadura.
— Quem...
Borte apertou o braço do jovem.
— Falkan. É Falkan, Nesryn.
O príncipe Sartaq se posicionou ao lado de Nesryn, gracioso como qualquer guerreiro feérico.
— Como.
Mas o jovem se virou para Aelin, estreitando os olhos. Como se estivesse tentando lembrar de onde a conhecia.
Então ele disse:
— A assassina do mercado em Xandria.
Aelin arqueou uma sobrancelha.
— Espero que o cavalo que eu roubei não pertença a você.
Uma tosse vinda de Fenrys. Aelin lançou ao guerreiro um sorriso por cima do ombro.
Os olhos do jovem se lançaram sobre o rosto dela, depois pousaram na enorme esmeralda adornando seu dedo. O rubi ainda maior no punho de Goldryn.
— Num minuto, estávamos jantando ao redor da fogueira — Borte disse a Nesryn — e no próximo, Falkan apertou seu estômago como se fosse vomitar seus intestinos sobre todo mundo — Falkan encarou Borte — e então seu rosto estava jovemEle estava jovem.
— Eu sempre fui jovem — Falkan murmurou. — Apenas não aparentava assim. — Seus olhos cinzentos encontraram novamente os de Aelin. — Eu te dei um pedaço de Seda de Aranha.
Por um instante, o antes e o agora se misturaram e oscilaram.
— O mercador — murmurou Aelin. Ela o vira pela última vez no Deserto Vermelho – parecendo vinte anos mais velho. — Você vendeu sua juventude a uma aranha estígia.
— Vocês dois se conhecem? — Nesryn ficou boquiaberta.
— Os fios do destino se entrelaçam de formas estranhas — disse Falkan, depois sorriu para Aelin. — Eu nunca soube o seu nome.
Hasar riu do outro lado da mesa.
— Você já sabe, metamorfo.
Antes que Falkan pudesse entender, Fenrys se adiantou.
— Metamorfo?
— E tio de Lysandra — Nesryn acrescentou.
Aelin caiu na cadeira ao lado de Chaol. Rowan pousou a mão no ombro dela e, quando olhou para cima, encontrou-o quase às gargalhadas.
— O que, exatamente, é tão engraçado? — ela sussurrou.
Rowan sorriu.
— Por uma vez, você foi aquela que caiu para trás por causa de uma surpresa.
Aelin mostrou a língua. Borte sorriu e Aelin piscou para a garota.
Falkan disse para Aelin e seus companheiros:
— Você conhece a minha sobrinha.
O irmão dele deve ter sido muito mais velho para ser pai de Lysandra. Não havia nada de Falkan no rosto de sua amiga, embora Lysandra tivesse esquecido a sua forma original.
— Lysandra é minha amiga e senhora de Caraverre — disse Aelin. — Ela não está conosco — acrescentou sobre o olhar esperançoso de Falkan em direção às abas da tenda. — Ela está no norte.
Borte voltou a estudar os machos feéricos. Não sua beleza considerável, mas seu tamanho, suas orelhas pontudas, suas armas e caninos alongados.
— Faça-os mostrar tudo antes de pagar a eles — Aelin sussurrou conspiratoriamente para a garota.
Lorcan olhou com fúria, mas Fenrys se transformou num instante, o enorme lobo branco preenchendo o espaço.
Hasar xingou, Sartaq recuou um passo, mas Borte sorriu.
— Vocês todos são verdadeiramente feéricos, então.
Gavriel, sempre o cavaleiro galante, esboçou uma reverência. Lorcan, o bastardo, apenas cruzou os braços.
No entanto, Rowan sorriu para Borte.
— De fato somos.
Borte se virou para Aelin.
— Então você é Aelin Galathynius. Você parece exatamente como Nesryn falou.
Aelin sorriu para Nesryn, a mulher encostada no lado de Sartaq.
— Espero que você tenha dito coisas horríveis sobre mim.
— Só as piores — disse Nesryn com um tom inexpressivo, embora sua boca se torcesse em um sorriso.
— A rainha — Falkan sussurrou, e caiu de joelhos.
Hasar riu.
— Ele nunca mostrou esse tipo de admiração quando nos conheceu.
Sartaq ergueu as sobrancelhas.
— Você disse a ele para se transformar em um rato e fugir.
Aelin ergueu Falkan pelos ombros.
— Não posso ter o tio da minha amiga ajoelhado no chão, posso?
— Você falou que era uma assassina. — Os olhos de Falkan estavam tão arregalados que a parte branca ao redor deles brilhava. — Você roubou cavalos do senhor de Xandria...
— Sim, sim — disse Aelin, acenando com a mão. — É uma longa história, e estamos no meio de um conselho de guerra, então...
— Saia? — Falkan terminou.
Aelin riu, mas olhou para Nesryn e Sartaq. A primeira fez um movimento com o queixo na direção de Falkan.
— Ele se tornou uma espécie de espião para nós. Ele se juntará a nós nessa reunião.
Aelin assentiu, depois piscou para o metamorfo.
— Suponho que não precisa de mim para matar aquela aranha estígia, afinal de contas.
Mas Falkan ficou tenso, sua atenção indo de Nesryn e Sartaq para Borte, que ainda encarava os machos feéricos.
— Eles sabem?
Aelin teve a sensação de que precisaria se sentar novamente. Chaol realmente deu um tapinha na cadeira ao lado dele, ganhando uma risada de Yrene.
Fazendo um favor a si mesma, Aelin realmente se sentou, Rowan ocupando seu lugar atrás dela, as duas mãos pousando em seus ombros. Seu polegar correu ao longo de sua nuca, em seguida, deslizou sobre as marcas de parceria novamente cicatrizando na lateral graças à água do mar que eles usaram para selá-las.
Mas enquanto seus músculos se acalmavam sob aquele toque amoroso, sua alma junto, sua respiração permanecia difícil.
Não melhorou quando Nesryn afirmou:
— As aranhas estígias são valg.
Silêncio.
— Encontramos suas parentas, as kharankui, nas profundezas dos Montes Dagul. Elas vieram para este mundo através de uma fissura temporária entre os mundos, e depois permaneceram para proteger a entrada, caso algum dia reaparecesse.
— Isso não pode acabar bem — murmurou Fenrys. Elide murmurou em acordo.
— Elas se alimentam de sonhos e anos e vida — disse Falkan, com a mão no próprio peito. — Como meus amigos disseram que os valg fazem.
Aelin viu príncipes valg drenarem um humano de cada gota de juventude e vigor e deixar apenas um cadáver seco para trás. Ela não pensara nas aranhas como possuidoras de um dom semelhante.
— O que isso significa para a guerra? — Rowan perguntou, seus polegares ainda acariciando o pescoço de Aelin.
— Se elas se juntarão às forças de Erawan é a melhor pergunta — Lorcan desafiou com uma expressão dura como pedra.
— Elas não respondem a Erawan — disse Nesryn em voz baixa, e Aelin soube.
Soube pelo olhar que Chaol lhe deu, a simpatia e o medo, soube em seus ossos antes que Nesryn terminasse.
— As aranhas estígias, as kharankui, respondem à sua rainha valg. A única rainha valg. À Maeve.

3 comentários:

  1. Finalmente geral sabe da safada da rainha valg maeve

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  2. Tô aq imaginando Aelin, Lyssandra, Ansel, Hasar, Manon e as Treze, Elide, e Yrene juntas falando sobre " bastardos territoriais"
    Haaa... e ainda, se juntar Feyre, Mor, e Armen com elas... Deus, o mundo acaba ����

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Boa leitura, E SEM SPOILER!