29 de outubro de 2018

Capítulo 47

Aedion imaginou que todos seriam mortos onde estavam, lutando juntos até o fim. Não apanhados um por um enquanto fugiam.
Ele foi forçado a ficar para trás das linhas quando Morath mergulhou, até a Devastação tendo que se afastar da frente. Logo, a derrota estaria completa.
Flechas ainda voavam das profundezas de suas fileiras, Ren tendo conseguido alguma ordem, apenas para cobrir sua retirada.
Não era uma marcha ordenada para o norte. Não, soldados corriam, empurrando um ao outro.
Um fim vergonhoso, indigno de uma menção, indigno de seu reino. Ele ficaria – ele ficaria aqui até que eles o derrubassem.
Milhares de homens passaram por ele com os olhos arregalados de terror. Morath seguia em perseguição, seus príncipes valg sorrindo enquanto esperavam que o banquete viesse.
Terminado. Isso estava terminado aqui neste campo sem nome diante de Perranth.
Então algo foi dito através das fileiras que se quebravam.
Os homens que fugiam começaram a parar. Para virar na direção da notícia.
Aedion espetou um soldado de Morath com sua espada antes de entender completamente as palavras.
A rainha chegou. A rainha está na linha de frente.
Por um tolo batimento cardíaco, ele examinou o céu em busca de uma explosão de chamas.
Nenhuma veio.
Terror se instalou em seu coração, medo mais profundo do que qualquer outro que ele conheceu.
A rainha está na linha de frente – no flanco direito.
Lisandra.
Lysandra tinha assumido a pele de Aelin.
Ele girou em direção ao inexistente flanco direito.
Ali onde a rainha de cabelos dourados na armadura emprestada enfrentava dois ilken, uma espada e um escudo em suas mãos.
Não.
A palavra foi um soco através de seu corpo, maior do que qualquer golpe que ele sentiu.
Aedion começou a correr, empurrando seus próprios homens.
Em direção ao flanco direito muito distante. Em direção à metamorfa que enfrentava aqueles ilken, sem garras ou presas ou qualquer coisa para defendê-la além daquela espada e escudo.
Não.
Ele empurrou os homens para fora do caminho, a neve e a lama impedindo cada passo enquanto os dois ilken se aproximavam da rainha-metamorfa.
Saboreando a matança.
Mas os soldados retardaram a sua fuga. Alguns até formaram as fileiras novamente quando o chamado ecoou novamente. A rainha está aqui. A rainha luta na linha de frente.
Exatamente por que ela fez isso. Por que ela vestiu a forma humana indefesa.
Não. Os ilken se elevaram sobre ela, sorrindo com seus rostos horríveis e mutilados.
Muito longe. Ele ainda estava muito longe para fazer qualquer coisa...
Um dos ilken a atacou com seu longo braço terminando em garras. O grito dela enquanto garras envenenadas rasgavam sua coxa soou acima do barulho da batalha.
Ela caiu, escudo subindo para se cobrir.
Ele se arrependia.
Ele se arrependia de tudo o que disse a ela, cada momento de raiva em seu coração.
Aedion empurrou através de seus próprios homens, incapaz de respirar, pensar.
Ele se arrependia; não quis dizer uma palavra, não de verdade.
Lysandra tentou se levantar sobre sua perna machucada. O ilken riu.
— Por favor — exclamou Aedion. As palavras foram devoradas pelo choro dos moribundos. — Por favor!
Ele faria qualquer barganha, ele venderia sua alma para o deus das trevas, se eles a poupassem.
Ele não quis dizer aquilo. Ele se arrependia, tomava de volta todas aquelas palavras
Inútil. Ele a chamara de inútil. A jogara nua na neve.
Ele se arrependia.
Aedion soluçou, lançando-se para ela enquanto Lysandra tentava novamente se levantar, usando seu escudo para equilibrar seu peso.
Homens se reuniram atrás dela, esperando para ver o que a Portadora do Fogo faria. Como ela queimaria os ilken.
Não havia nada para ver, nada para testemunhar. Nada, apenas a morte dela.
No entanto, Lysandra se levantou, os cabelos dourados de Aelin caindo em seu rosto quando ela ergueu o escudo e ergueu a espada entre ela e os ilken.
A rainha veio; a rainha luta sozinha.
Os homens correram de volta para a linha de frente. Viraram-se e correram para ela.
Lysandra manteve a espada firme, manteve-a apontada para os ilken em desafio e raiva. Pronta para a morte que viria em breve. Ela estava disposta a desistir desde o início. Tinha concordado com os planos de Aelin, sabendo que poderia chegar a isso.
Uma transformação, uma mudança para a forma de uma serpente alada, e ela destruiria os ilken.
Mas ela permaneceu no corpo de Aelin. Segurou aquela espada, sua única arma, erguida.
Terrasen era sua casa. E Aelin, sua rainha.
Ela morreria para manter este exército unido. Para evitar que as fileiras se desfizessem. Para reunir seus soldados uma última vez.
Sua perna escorria sangue na neve, e os dois ilken cheiraram, rindo novamente. Eles sabiam – o que se escondia sob a pele dela. Que não era a rainha que eles enfrentavam.
Ela se manteve firme. Não cedeu um centímetro para os ilken, que avançaram mais um passo.
Por Terrasen, ela faria isso. Por Aelin.
Ele se arrependia. Ele tomou todas as palavras de volta.
Aedion estava a pouco mais de trinta metros de distância quando os ilken atacaram.
Ele gritou quando o da esquerda atacou com as garras, e o da direita deu o bote sobre ela como se fosse atirá-la na neve.
Lysandra desviou o golpe da esquerda com o escudo, fazendo o ilken se esparramar e, com um rugido, cortou para cima com a espada à direita.
Rasgando o ilken que dava o bote do umbigo ao esterno.
Sangue negro jorrou, e o ilken uivou, alto o suficiente para fazer os ouvidos de Aedion latejarem. Ele tropeçou, caindo na neve, recuando enquanto agarrava sua barriga aberta.
Aedion corria com mais força, a dez metros de distância, o espaço entre eles limpo. O ilken que atacava pela esquerda não estava terminado. Os olhos de Lysandra sobre o que recuava, o caído preparando-se para atacar as pernas dela novamente.
Aedion atirou a Espada de Orynth com tudo o que restava nele enquanto Lysandra se voltava para o ilken que atacava.
Ela começou a pular para trás, levantando o escudo em sua única defesa, ainda muito devagar para escapar daquelas garras que a alcançavam.
As pontas escorregadias de veneno roçaram suas pernas no momento em que a espada dele atravessou o crânio da fera.
Lysandra caiu na neve, gritando de dor, e Aedion estava lá, levantando-a, arrancando a espada da cabeça do ilken e baixando-a sobre o pescoço musculoso.
Uma vez. Duas vezes.
A cabeça do ilken caiu na neve e na lama, a outra fera foi instantaneamente engolida pelos soldados de Morath que tinham parado para observar.
Que agora olhavam para a rainha e seu general e atacaram.
Apenas para encontrarem uma onda de soldados de Terrasen passando por Aedion e Lysandra, os gritos de batalha se estilhaçando de suas gargantas.
Aedion arrastou a metamorfa mais para o fundo atrás das fileiras reformadas, através dos soldados que haviam se reunido para a rainha.
Ele tinha que extrair o veneno, tinha que encontrar um curandeiro que pudesse extraí-lo imediatamente. Apenas alguns minutos até chegar ao coração dela...
Lysandra tropeçou, um gemido em seus lábios. Aedion pendurou o escudo nas costas e puxou-a por cima do ombro. Um vislumbre em sua perna revelou pele desfiada, mas nenhuma putrefação esverdeada.
Talvez os deuses o tivessem escutado. Talvez fosse a ideia deles de misericórdia: que o veneno do ilken tivesse se esgotado nas vítimas anteriores a ela.
Mas a perda de sangue sozinha... Aedion pressionou a mão na pele dilacerada e sangrenta para estancar o fluxo. Lysandra gemeu.
Aedion examinou o exército que se reagrupava em busca de qualquer sinal das faixas brancas nos capacetes que indicavam os curandeiros. Nenhum. Ele girou em direção às linhas de frente. Talvez houvesse um guerreiro feérico hábil o suficiente para curar, com magia suficiente...
Aedion parou. Contemplou o que aparecia no horizonte.
Bruxas Dentes de Ferro.
Várias dezenas montadas em serpente aladas.
Mas não no ar.
As serpentes aladas caminhavam em terra.
Puxando uma gigantesca torre de pedra atrás delas. Nenhuma torre de cerco comum.
Uma torre de bruxa.
Erguia-se a trinta metros de altura, toda a estrutura construída em uma plataforma cuja fabricação ele não podia determinar com o ângulo do chão e as fileiras de serpentes aladas acorrentadas arrastando-a pela planície. Pelo menos uma dúzia de bruxas voava no ar em volta, guardando-a. Pedras escuras – pedra de Wyrd – tinham sido usadas para fabricá-las, e janelas em forma de fenda shaviam sido intercaladas em todos os níveis.
Não janelas. Portais por meio dos quais se inclinava o poder dos espelhos que revestiam seu interior, como Manon Bico Negro havia descrito. Tudo capaz de ser ajustado para qualquer direção, qualquer foco.
Tudo de que precisavam era uma fonte de poder para os espelhos amplificarem e dispararem para o mundo.
Oh deuses.
— Recuar! — Aedion gritou, mesmo enquanto seus homens continuavam a se reunir. — TODOS PARA TRÁS.
Com sua visão feérica, ele podia ver vagamente o nível mais alto da torre, mais aberto para os elementos do que os outros.
Bruxas de vestes escuras estavam reunidas em torno do que parecia ser um espelho côncavo inclinado no centro oco da torre.
Aedion girou e começou a correr, carregando a metamorfa com ele.
— TODOS PARA TRÁS!
O exército viu O que se aproximava. Tivessem percebido ou não que não era uma torre de cerco, eles entenderam sua ordem com clareza suficiente. O viram correndo, Aelin por cima de seu ombro.
Manon nunca soubera o alcance da torre, até onde poderia disparar a magia negra reunida dentro dela.
Não havia nenhum lugar para se esconder no campo. Nenhuma reentrância na terra onde ele poderia se jogar e a Lysandra, rezando que a explosão passasse por cima deles.
Nada além de neve aberta e soldados frenéticos.
— RETIRADA! — A garganta de Aedion se esforçou. Ele olhou por cima do ombro enquanto as bruxas no topo da torre se separavam para permitir a passagem de uma pequena figura em vestes de ônix, seu cabelo pálido solto.
Uma luz negra começou a brilhar em torno da figura – da bruxa. Ela levantou as mãos acima da cabeça, o poder se reunindo.
O Rendimento. Manon Bico Negro havia descrito o processo para eles. As bruxas Dentes de Ferro não tinham mágica a não ser essa. A capacidade de liberar o poder de sua deusa negra em uma explosão incendiária que explodia tudo ao seu redor.
Incluindo a bruxa em si.
Aquele poder sombrio ainda estava crescendo, crescendo ao redor da bruxa em uma aura profana, quando ela simplesmente pulou da borda do patamar da torre.
Bem no buraco no centro.
Aedion continuou correndo. Não tinha escolha a não ser continuar se movendo, enquanto a bruxa caía no centro revestido de espelhos da torre e libertava o poder sombrio dentro dela.
O mundo estremeceu.
Aedion jogou Lysandra na lama e na neve e atirou-se sobre ela, como se de algum modo a poupasse da força que rugia da torre, direto para o seu exército.
Em um batimento cardíaco, o flanco esquerdo deles lutava quando eles recuaram mais uma vez. No seguinte, uma onda de luz negra acertou quatro mil soldados.
Quando ela recuou, havia apenas cinzas e metal amassado.

3 comentários:

  1. Cara...
    Acabou matou todo mundo
    MDS EU TÔ COMEÇANDO A ENTRAR EM DESESPERO!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Quanto sangue derramado!!! Quando Aelin vai aparecer cuspindo fogo pra cima desses bastardos de Morath?!
    Anna!!!

    ResponderExcluir
  3. A cada capítulo as coisas só pioram tô muito agoniada...
    Não sei se estou pronta pra ler a morte se algum deles
    Rezando pra que isso não aconteça

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!