22 de outubro de 2018

Capítulo 43

QUERIDO ALEX,
Em relação às dimensões, caixões não podem ter largura maior do que 76 cm; podem ser feitos de compensado com plásticos e materiais laminados para fins de cremação. Você sabia?
Parafusos ferrosos são aceitáveis em pequenas quantidades, e suportes de madeira darão um bom reforço, mas só podem ser colocados na parte interna do caixão.
O caixão precisa ter o nome completo do falecido na tampa. Acho que é para não misturarem os corpos. O que eu gostaria mesmo de não precisar saber é que o interior do caixão tem que ser forrado com uma substância chamada de “Cremfilm”, ou com tecidos ou um forro de algodão absorvente, porque parece que os fluidos corporais podem acabar escorrendo.
Eu não sabia de nada disso.
E os formulários. Havia muitos e muitos formulários. Formulários A, B, C, F e todos os formulários médicos. Ninguém falou nada sobre os formulários D e E. Eu não sabia que era preciso tanta documentação para provar que alguém está morto. Achei que o fato de parar de viver e respirar fosse prova suficiente. Ao que parece, não é.
Imagino que seja parecido com o ato de ir morar em outro país. Tivemos que cuidar da documentação do meu pai, vesti-lo com suas melhores roupas, escolher como ele seria transportado e lá foi ele rumo ao seu destino final, seja lá onde isso for. Minha mãe adoraria poder ir nessa última viagem com ele, mas ela sabe que não pode.
Ela não parava de repetir para todas as pessoas durante o funeral: “Ele simplesmente não acordou. Eu chamava e chamava, mas ele não acordou”. Ela não para de tremer desde que tudo aconteceu e parece ter envelhecido uns vinte anos. Mesmo assim, está parecendo mais jovem, de certa forma. Como uma criança perdida que olha ao redor e não sabe para onde ir, como se ela de repente estivesse em um lugar totalmente novo e não soubesse como voltar para casa.
Acho que é assim mesmo que ela está se sentindo. Acho que é como todos nós estamos nos sentindo.
Nunca estive assim antes. Tenho 35 anos e nunca perdi uma pessoa que fosse próxima de mim. Estive em dez velórios durante a minha vida e foram ocasiões para chorar a perda de parentes distantes, amigos de amigos e familiares de amigos que não faziam diferença na minha vida.
Mas meu pai morrer? Meu Deus, isso sim é um golpe forte.
Ele tinha só 65 anos. Não era velho ainda. E era saudável. O que faz com que um homem saudável de 65 anos adormeça e não volte a acordar? O único pensamento que me consola é achar que talvez ele tenha visto algo tão bonito que simplesmente teve que partir. É o tipo de coisa que meu pai faria.
Há uma coisa totalmente enervante quando você vê seus pais irritados. Imagino que seja porque eles é que devem ser as pessoas fortes da família, mas não é só isso. Quando as pessoas são crianças elas usam os pais como uma espécie de medida para ter noção do quanto a situação está ruim. Quando você cai no chão com força no chão e não consegue saber se o seu corpo dói ou não, você olha para os seus pais. Se eles estiverem com uma expressão de preocupação no rosto e vierem correndo na sua direção, você chora. Se eles riem e o seguram pelo braço, dizendo “levanta daí, moleque”, você se levanta e continua a brincar.
Quando descobre que está grávida e fica atordoado com todas as emoções, você olha para as expressões deles. Quando sua mãe e seu pai o abraçam e dizem que tudo vai ficar bem e que eles vão lhe dar todo o apoio de que você precisar, você sabe que isso não é o fim do mundo. Mas, dependendo dos pais, pode ser algo bem próximo.
Os pais são os barômetros das emoções para os filhos, e isso tem um efeito dominó. Nunca vi minha mãe chorar tanto em toda a minha vida, o que me deixou assustada e me fez chorar. E isso deixou Katie assustada e a fez chorar. Nós três choramos juntas.
Em relação ao meu pai, eu achava que ele ia viver para sempre. Ele era o cara que conseguia abrir as tampas de potes que nenhum de nós era capaz, que sabia consertar tudo que estava quebrado, e deveria fazer tudo isso para sempre. O homem que me deixava sentar de cavalinho em seus ombros, me pendurar nas suas costas, que me perseguia pela casa imitando o barulho de um monstro, que me jogava no ar e me agarrava, que me girava com tanta força que eu ficava tonta e não parava de rir.
E, no final, sem poder dizer obrigado e me despedir do jeito certo, as últimas memórias que tenho dele incluem o tamanho do caixão e os formulários do hospital.
Ainda estou em Galway com a minha mãe. No meio do oeste selvagem. Está um verão bonito, mas as coisas não parecem estar muito certas. A atmosfera não está adequada ao sentimento geral. Ouvimos os sons do riso das crianças que vêm da praia lá embaixo, há pássaros cantando e dançando pelo céu, dando voos rasantes e agarrando seu almoço fresquinho no mar. Não parece certo amar o mundo e ver tanta alegria quando uma coisa tão horrível aconteceu.
É como ouvir o riso dos bebês ecoando pela igreja durante o funeral. Não há nada que traga mais alegria do que ouvir o riso de uma criança inocente mostrando o quanto está feliz em um lugar em que as pessoas estão tristes. Serve para nos lembrar de que a vida continua, só não para a pessoa de quem você está se despedindo. As pessoas vêm e vão e nós sabemos que isso acontece, mesmo assim sofremos um choque enorme quando acontece. Para usar aquele velho clichê, a única certeza que temos na vida é a morte. É uma certeza, a única condição de vida que recebemos, mas nós com frequência deixamos que ela acabe conosco.
Não sei o que fazer ou dizer para a minha mãe se sentir melhor. Não imagino que exista alguma coisa que possa fazer isso de verdade, mas observá-la chorando o dia todo está acabando comigo. Talvez chegue uma hora em que ela simplesmente não tenha mais lágrimas para chorar.
Alex, você é um cirurgião especializado em corações. Você conhece o coração por dentro e por fora, no sentido literal. O que se pode fazer quando o coração de alguém está despedaçado? Existe cura para isso?
Obrigada por vir ao funeral. Foi muito bom ver você. Pena que teve que ser nessas circunstâncias. Foi ótimo ver os seus pais, também. Minha mãe ficou muito agradecida. Obrigada por se livrar de Qual-é-mesmo-o-nome-dele, também; eu não estava com a menor vontade de conversar com ele, sobre o que quer que fosse, em plena igreja. Foi bom ele ter vindo, mas se o meu pai o visse era capaz de ter saltado de dentro daquele caixão e colocado meu ex lá dentro.
Stephanie e Kevin voltaram para suas casas há alguns dias, mas eu vou ficar aqui por mais algum tempo. Só não posso deixar a minha mãe sozinha. Os vizinhos estão sendo muito bondosos com ela. Sei que ela vai ficar em boas mãos quando eu enfim tiver de ir embora.
Perdi todas as minhas provas e, pelo que estou vendo, terei que repetir o ano inteiro se quiser completar o curso. Duvido que vá ter cabeça para isso. Mesmo assim, terei que ir para casa em alguns dias, já que, sem dúvida, as contas devem estar abarrotando a minha caixa de correio desde que saí de lá. Eu realmente preciso voltar antes que eles cortem tudo e me despejem.
Obrigada por estar comigo e me ajudar mais uma vez, Alex. Já percebeu que essas tragédias sempre acabam nos reaproximando?
Beijos,
Rosie

De: Rosie
Para: Alex
Assunto: Meu pai
Acabei de voltar de Connemara e encontrei uma caixa de correio que estava quase transbordando. Na pilha de contas a pagar eu encontrei a carta anexa. Foi postada na véspera do dia em que o meu pai morreu.

QUERIDA ROSIE,
Sua mãe e eu ainda estamos rindo com a sua última carta sobre a tatuagem de Katie. Eu adoro quando você nos escreve! Espero que você já tenha superado o trauma de ver que sua filha se tornou uma adolescente no sentido pleno da palavra. Eu me lembro do dia em que isso aconteceu com você. Acho que aconteceu com você antes de acontecer com Stephanie! Você sempre teve muita vontade de experimentar coisas novas e conhecer novos lugares, minha corajosa Rosie. Achei que, quando você terminasse de estudar, iria sair pelo mundo e nós nunca mais voltaríamos a vê-la. Fico feliz por isso não ter acontecido. Sempre foi muito bom ter você em casa. Você e Katie. A única coisa de que me arrependo é o fato de que nós nos afastamos de vocês no momento em que mais precisavam de nós. Sua mãe e eu questionamos nossas ações várias e várias vezes. Espero que tenhamos feito a coisa certa.
Eu sei que você sempre sentiu que estava atrapalhando ou que havia nos decepcionado, mas isso é algo que está muito longe da verdade. Na verdade, isso fez com que eu pudesse ver a minha garotinha crescer. Crescer, desde que era bebê até ficar adulta, e crescer também como mãe. Você e Katie são uma dupla maravilhosa, e ela é um belo exemplo da criação que recebeu. Um pouco de tinta na pele não vai macular a bondade ou apagar o brilho que emana dela. Um tributo à mãe que ela tem.
A vida dá cartas diferentes a cada um de nós, e, entre nós todos, não há dúvida de que você recebeu a mão mais difícil. Mas você conseguiu brilhar em meio a tempos sombrios. Você é uma garota forte e ficou ainda mais forte quando aquele homem (Qual-é-mesmo-o-nome-dele, sua mãe me mandou dizer) aprontou com você. Você se levantou, sacudiu a poeira e começou tudo outra vez, criou um lar para você e Katie, encontrou um novo emprego, sustentou a sua filha e deixou seu pai orgulhoso mais uma vez. E agora faltam apenas alguns dias para as suas provas finais. Depois de tudo que você passou, agora você afinal terá um diploma. Vou sentir orgulho de vê-la aceitar aquele canudo, Rosie. Vou ser o pai mais orgulhoso do mundo.
Com amor,
Pai

De: Rosie
Para: Alex
Assunto: Diploma
Agora eu não vou largar esse curso de jeito nenhum. Como diria o sábio Johnny Logan, o que é mais um ano? Vou fazer essas provas e vou conseguir o meu diploma em administração hoteleira. Meu pai não iria querer ser o motivo para que eu deixasse tudo ir pelos ares.
Era o adeus que eu precisava, Alex. Um presente maravilhoso, incrivelmente maravilhoso de receber.

De: Julie
Para: Rosie
Assunto: Vai continuar comigo?
Quer dizer, então, que você vai continuar comigo por mais um ano?
Vou deixar que isso aconteça, mas depois, quando você conseguir aquele diploma, vou realmente despedi-la e estou falando sério. Já tenho 55 anos. Não tenho muito mais tempo para passar neste emprego esperando até que você realize os seus sonhos.
Neste ano o curso vai ser moleza para você. Em primeiro lugar porque você já estudou todo o conteúdo, e, em segundo lugar e mais importante, porque você tem a bênção e o orgulho do seu pai para lhe dar forças. É a melhor motivação que alguém pode ter.
Importa-se se eu perguntar o que é que tanto a atrai nesses hotéis?

De: Rosie
Para: Julie
Assunto: Por que eu amo hotéis!
Eu sinto algo muito bom quando entro em hotéis bonitos. Para mim eles representam tudo na vida em termos de luxo e são cheios de esplendor. Adoro o fato de que as pessoas paparicam e cuidam de você. Tudo é tão limpo e imaculado, completamente perfeito. Bem diferente de casa, pelo menos da casa onde moro.
Adoro o fato de que as pessoas vão a hotéis para se divertir. Não considero um local de trabalho, e sim algo como ser a anfitriã do paraíso. Fico encantada pelos banheiros reluzentes, os roupões grandes e felpudos, os chinelos que dão de brinde e a decoração. Onde mais você conseguiria encontrar chocolate sobre o travesseiro? É como se fosse uma mistura entre a fada do dente e o Papai Noel. Tem também o serviço de quarto vinte e quatro horas, carpetes fofos para caminhar, cama arrumada e frigobar, tigelas cheias de frutas e xampu grátis. Tenho a sensação de que sou o Charlie na Fantástica Fábrica de Chocolate. Tudo o que você quer está ao seu dispor. Tudo que você precisa fazer é pegar o telefone e digitar o número mágico e as pessoas do outro lado da linha ficarão muito felizes em poder ajudar.
Ficar em um hotel é a melhor experiência do mundo; trabalhar em um deles seria um prazer que se renova a cada dia. Quando eu terminar o curso, serei automaticamente colocada em um hotel como gerente temporária em treinamento, então eu sei que há um emprego me esperando no fim do arco-íris.

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE: RUBY.
Ruby: Olá, estranha.
Rosie: Ah, oi, Ruby. Desculpe, faz tempo que não conversamos. Tenho andado superocupada.
Ruby: Você sabe que não precisa se desculpar. Como está a sua mãe?
Rosie: Não muito bem. Aquele reservatório de lágrimas ainda não secou. Ela vai vir passar um tempo aqui comigo.
Ruby: No seu apartamento?
Rosie: Sim.
Ruby: Mas como assim? Você não tem nenhum quarto sobrando.
Rosie: Ah, meu Deus, faz muito tempo mesmo que não conversamos. Depois de passar muitos dias conversando com Brian Chorão, eu acabei cedendo e decidi deixar que Katie fosse passar o verão com ele em Ibiza. Acho que devo estar louca. Não importa o quanto Brian Chorão me garanta que é um pai responsável e vai ficar de olho na filha, não consigo parar de pensar no fato de que ele desapareceu quando descobriu que eu estava grávida e só voltou quando ela tinha 13 anos. Não sei se concordo muito com a definição que ele tem sobre ser responsável. Além disso, ele trabalha durante a noite, então eu não faço a menor ideia de como ele vai saber o que ela estará aprontando.
Ruby: O lado bom de Brian ser o pai de Katie é o fato de ser o dono de uma danceteria suja na parte da ilha onde ele está acostumado a ver exatamente o que os adolescentes de 16 anos aprontam para se divertir. Duvido que ele queira ver a filha envolvida com esse tipo de diversão. Pode confiar em mim. De qualquer maneira, ela estará sozinha. Quanto uma menina é capaz de aprontar estando sozinha?
Rosie: Você de fato quer que eu responda essa pergunta? Bem, de qualquer maneira, John vai passar algumas semanas com ela, e Toby e Monica irão até lá para passar alguns dias, também. Mas não posso oferecer muita resistência porque Brian Chorão foi bondoso o suficiente para passar a maior parte do ano aqui por causa de Katie, mas agora precisa voltar à Espanha para o verão. Eu também preciso ceder em algum ponto, e Katie nunca chegou a ver a casa onde o pai dela mora. Além disso, Brian disse que iria fazer o possível para que ela conseguisse ganhar experiência como DJ enquanto estiver lá, o que será ótimo para ela.
Ruby: Já se convenceu disso?
Rosie: Meu Deus. Eu realmente estou falando assim?
Ruby: Aham.
Rosie: Bem, sem querer parecer uma reclamona (porque todo mundo sabe que eu nunca reclamo de nada), este verão vai ser bem solitário para mim. Mesmo a minha mãe vai acabar ficando comigo apenas por um tempo antes de voltar para Connemara. Algumas pessoas que meus pais conheceram no cruzeiro entraram em contato com a minha mãe. Eles estão planejando fazer uma viagem à África do Sul e vão passar um mês por lá. Esse era o próximo lugar para onde meu pai queria ir. Ele adorava assistir ao canal da National Geographic, e jurou que algum dia faria um safári. Bem, ele vai conseguir o que queria, porque a minha mãe vai levar as cinzas dele e espalhá-las entre os tigres e os elefantes. Ela ficou muito feliz com a ideia, então não vou me atrever a interferir. Kevin ficou um pouco irritado — ele quer que o meu pai tenha um lugar onde nós possamos visitá-lo —, mas a minha mãe insiste que é assim que o meu pai iria querer. Não sei por que raios Kevin está causando tanto tumulto. Ele mal visitava o meu pai enquanto ele estava vivo. Nem consigo imaginá-lo visitando o lugar da cremação todos os dias. Pensando bem, talvez esse seja o problema com ele. De qualquer maneira, minha mãe não quer ficar sozinha em Connemara nem mais um minuto. Por isso, ela virá ficar comigo por duas semanas antes de viajar. Depois disso, todo mundo já terá ido embora. Minha mãe, meu pai, Katie, Steph, Kev e Alex. E eu ficarei sozinha porque a escola estará fechada. Terei apenas que estudar.
Ruby: Você não acha que isso pode ser um sinal indicando que você deve conhecer mais pessoas?
Rosie: Eu sei, eu sei. Estou sozinha por decisão própria. Quando eu tinha 18 anos, todas as pessoas da minha idade queriam falar sobre garotos, não sobre bebês; com 22 elas queriam falar sobre a faculdade, e não sobre crianças. Aos 32 elas queriam falar sobre casamento e divórcio, e agora que tenho 35 anos e finalmente estou disposta a falar sobre homens e a faculdade, as pessoas só querem falar sobre bebês. Tentei todas as estratégias. Tentei conversar com outras mães enquanto esperávamos nossos filhos diante do portão da escola. Não funcionou. Ninguém me entende como você, Ruby.
Ruby: E até mesmo eu tenho dificuldade com isso. Você é uma pessoa única, Rosie Dunne, é sem dúvida uma singularidade. Mas estou aqui para ajudá-la, e a menos que eu e Gary por milagre nos tornemos os campeões irlandeses de salsa e sejamos levados para Madri para participar do campeonato europeu, não vou a lugar nenhum.
Rosie: Obrigada.
Ruby: Não tem de quê. Mas, continuando com essa ideia de “conhecer novas pessoas”, quando é que você vai começar a sair para algum encontro romântico outra vez? Já faz alguns anos que você não entra em ação!
Rosie: Espere aí, eu não saí com Adam, o cara que você me arrumou? Bem, com exceção daquela noite superagradável com Adam, não sinto tanta falta assim de namorar. Não era algo tão especial.
Ruby: É mesmo?
Rosie: Ah, por favor. Transar com Qual-é-mesmo-o-nome-dele era algo totalmente mecânico. Ele se mexia no mesmo ritmo do despertador, que tinha um tique-taque tão alto que me fazia passar a noite inteira acordada (à noite, é claro, não durante o sexo). O sexo com Brian Chorão foi apenas um arroubo regado a bebida no escuro, e eu mal consigo me lembrar daquilo. Acho que a noite com Adam foi especial, ele era diferente dos outros dois, mas não acho que vá encontrar meu Don Juan algum dia. E nem me importo. Você não pode sentir falta daquilo que não conhece.
Ruby: Mas aquilo que você não conhece não deixa você nem um pouco curiosa? Nem um pouquinho?
Rosie: Não. Tenho um trabalho de merda com uma merda de salário, um apartamento de merda pelo qual pago uma merda de aluguel. Não tenho tempo para um sexo de merda com uma merda de homem.
Ruby: Rosie!
Rosie: O que foi? Tô falando sério.
Ruby: Não acredito no que estou ouvindo. Estou passada com essa notícia. Certo, o negócio é o seguinte: vou levar você para uma balada neste fim de semana.
Rosie: Balada? Você acha mesmo que me levar para um lugar onde eu tenho dez anos a mais do que a média das pessoas que estão ali vai fazer com que eu me sinta melhor? Você acha que homens jovens e de sangue quente se interessam por mães solteiras de 35 anos e fora de forma hoje em dia? Duvido. Acho que eles preferem mulheres cujos peitos estejam acima do umbigo.
Ruby: Ah, não exagere. Você tem 35, não 95. Conheci o meu Teddy em uma danceteria, e talvez ele não seja o Brad Pitt, mas o que lhe falta em aparência acaba sobrando no quarto.
Rosie: É mesmo? Você está me dizendo que Teddy é bom de cama?
Ruby: Bem, eu não estou com ele só para conversar, não é?
Rosie: É claro que não. Mas o sexo era a última coisa que passaria pela minha cabeça.
Ruby: Bem, tudo isso vai mudar agora. Por isso, vamos sair e nos divertir.
Rosie: Olhe, Ruby, honestamente, obrigada, mas não quero ir. Eu não estou nem um pouco a fim de conhecer ninguém. E se eu estivesse, o que faria? Traria o rapaz para casa para conhecer a minha mãe que acabou de perder o marido e está dormindo no quarto ao lado?
Ruby: Acho que você tem razão nesse ponto. Mas cedo ou tarde você vai ter que começar a se divertir de novo. Reconhece essa palavra, Rosie? Diversão. Curtir a vida mesmo.
Rosie: Não, nunca ouvi falar.
Ruby: Está bem, iremos ao cinema de novo neste fim de semana, mas depois disso você vai voltar ao mercado.
Rosie: Tá bom, mas estou falando sério quando digo que só saio da prateleira se pagarem o preço total que estou pedindo. E, se ninguém estiver interessado em comprar, não vou aceitar um simples aluguel.
Ruby: E se algum pobre coitado quiser invadir a sua propriedade?
Rosie: Hahaha. Invasores serão processados de acordo com a lei.
Ruby: Acabei de visualizar você ali com uma escopeta na mão, mandando esses homens ficarem longe do seu imóvel.
Rosie: Agora você está começando a entender.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!