22 de outubro de 2018

Capítulo 41

OI, MÃE,
O inverno chegou de novo. Às vezes eu me assusto com a rapidez com que os meses passam. Eles se transformam em anos e eu nem percebo. Katie acaba sendo o meu calendário, já que eu a observo crescer e mudar. Ela está crescendo muito rápido, aprendendo a ter as próprias opiniões e aprendendo que eu nem sempre tenho resposta para tudo. E, no momento em que uma criança começa a entender isso, você sabe que está encrencada.
Ainda estou na minha jornada, mãe. Ainda estou presa naquele estágio meio indefinido da vida quando acabei de chegar de algum lugar, deixei essa parte completamente para trás e agora estou começando a ir em direção a algo novo. Acho que o que estou tentando dizer é que a minha mente ainda não se acomodou. Ainda, não. Bem, você e o meu pai não fizeram nada além de viajar durante todo o ano passado; vocês não passaram mais do que algumas semanas no mesmo país, mas vocês dois estão numa situação bem mais estável do que a minha, e eu nem consegui sair da Irlanda nesse ano que passou. Vocês dois sabem onde querem estar. Eu acho que isso acontece porque vocês têm um ao outro, e onde quer que o meu pai esteja você tem a sensação de que está no seu lar.
Aprendi que lar não é um lugar, e sim uma sensação. Posso deixar esse apartamento muito bonito, colocar um monte de floreiras nas janelas, colocar um capacho com boas-vindas diante da porta, pendurar uma placa com os dizeres “Lar, Doce Lar” em cima da lareira e passar a vestir um avental e assar biscoitos, mas a verdade é que eu sei que não quero ficar aqui para sempre.
É como se eu estivesse esperando na estação de trem e tocando algum instrumento musical para ganhar dinheiro, apenas o bastante para pegar o próximo trem que me leve para longe daqui. E, é claro, Katie é a coisa mais importante para mim. Todos os lugares onde eu estiver com ela deveriam me dar a sensação de estar no meu lar, mas isso não acontece porque sou eu que tenho que construir um lar para ela. Sei que Katie vai me deixar dentro de alguns anos e não vai precisar de mim como precisa agora.
Tenho que montar a minha própria vida pra quando Katie partir. Preciso fazer isso porque não vejo nenhum Príncipe Encantado vindo na minha direção para me salvar. Contos de fada são historinhas muito cruéis para crianças pequenas. Toda vez que eu me meto em alguma confusão, fico esperando que um homem de cabelos longos e fala refinada entre trotando na minha vida (montado em um cavalo, claro, e não literalmente trotando). Nessas horas eu percebo que não quero que um homem entre trotando na minha vida, porque foram homens que fizeram com que a minha vida se transformasse nessa bagunça toda.
Hoje em dia eu me vejo como a treinadora de Katie, preparando-a para a enorme luta que será a sua vida adulta. Ela ainda nem começou a pensar em como será a vida depois que se afastar de mim. Claro, ela tem os próprios sonhos, quer viajar pelo mundo e trabalhar como DJ para ganhar a vida sem mim, mas ela ainda não se deu conta do que representa a parte do sem mim. E nem deveria. Ela só tem 14 anos. De qualquer maneira, ela ainda não tem condições de tomar as próprias decisões, e eu bati o pé quando ela disse que queria abandonar a escola.
Mesmo assim, não ando precisando obrigá-la a se levantar da cama pela manhã por causa de John, o novo namoradinho que ela arrumou. Essa dupla é inseparável: toda sexta-feira à noite eles vão para uma danceteria no clube da GAA3 perto de onde ele mora. Ele é um membro típico do GAA e joga hurling4 no time juvenil de Dublin. Inclusive, neste domingo, nós vamos ao Croke Park para assistir Dublin × Tipperary e estamos superanimadas. De qualquer forma, é complicado para mim, é claro, porque eu não sei dirigir, então às vezes delego a tarefa a Ruby. Ela diz que eu sou a versão preguiçosa daquele filme “Conduzindo Miss Daisy”. A mãe de John é uma pessoa bem agradável, e faz a gentileza de vir buscar Katie e trazê-la para casa às vezes.
Não tenho visto nem conversado muito com Toby nos últimos tempos, mas vi a mãe do garoto na escola quando ela estava deixando o filho mais novo. E ela me disse que ele está agindo mais ou menos do mesmo jeito que Katie quando está com sua nova namorada, Monica.
Nunca namorei quando tinha 14 anos. A juventude dos dias de hoje está crescendo bem rápido (Nossa... De repente eu me senti TÃO VELHA!). Certo, certo, mãe, já consigo ouvir você bufando aí. Eu realmente engravidei aos 18 anos sem ter emprego, formação ou um homem ao meu lado, e quase lhe causei um colapso nervoso, mas em alguns países do mundo essa já é uma idade avançada para uma mulher. Você devia dar graças a Deus por eu não ter começado antes.
Kevin ligou e veio passar o fim de semana aqui, com a namorada. Ela é um amor de pessoa, mas eu não faço a menor ideia do que ela vê nele. Sabia que eles já estão namorando há um ano? Olhe, esse meu irmão é fechado demais. É preciso quase bater nele para arrancar qualquer informação. Nunca se sabe, mas os sinos do matrimônio podem acabar tocando de novo para a família Dunne! Diga ao meu pai para pegar aquele smoking velho do sótão e tirar as teias de aranha e as bolotas de naftalina nesse estágio de preparação. Acho que ele vai ficar feliz ao saber que não precisará entrar na igreja com o noivo desta vez. (Sinceramente, ele conseguiu me deixar uma pilha de nervos no meu casamento!)
Em relação ao meu palácio em North Strand, é quase como se não tivéssemos vidros nas janelas aqui, com todo o vento que consegue entrar neste lugar. Está tão frio e o vento está tão forte esta noite que a chuva bate nas janelas como se fosse granizo. O poste da rua joga a luz diretamente para dentro deste apartamento. Se fosse possível colocá-lo um pouco mais para a direita, quem sabe ele poderia incomodar Rupert. Embora sirva para eu economizar um pouco de dinheiro com a conta de luz, às vezes eu imagino se não vou ver Gene Kelly dançando na rua com aquele guarda-chuva. Por que diabos os filmes conseguem fazer com que tudo, até mesmo a chuva, pareça ser algo tão divertido?
Toda manhã eu acordo quando ainda está tudo escuro lá fora (e você sabe, não é natural acordar em um horário em que o sol ainda nem se incomodou em surgir). O apartamento está gelado, eu saio correndo do chuveiro para o meu quarto tremendo feito vara verde, saio para a rua e tenho que caminhar dez minutos até chegar ao ponto de ônibus, sempre enfrentando vento e chuva. Minhas orelhas doem e meu cabelo acaba ficando encharcado, então eu nem preciso me incomodar em lavá-lo e usar o secador. O delineador começa a escorrer pelo rosto, meu guarda-chuva já virou do avesso por causa da força do vento e eu fico parecendo uma versão desgrenhada da Mary Poppins. Aí o ônibus atrasa. Ou está lotado demais para parar. E eu acabo chegando atrasada no trabalho, parecendo um rato afogado, depois de ter pelo menos uma briga com o motorista do ônibus enquanto todas as outras pessoas estão com a maquiagem, as roupas e o cabelo perfeitos porque acordaram uma hora mais tarde do que eu, entraram em seus carros e vieram dirigindo confortavelmente para o trabalho, chegaram à escola quinze minutos antes que as aulas começassem e tiveram tempo de tomar uma xícara de café para começar o dia de maneira bem relaxada.
Cantando na chuva é a puta que pariu.
Perceba que estou escrevendo uma carta de verdade para você hoje, e não enviando um email. Isso acontece porque o cara do cybercafé no andar de baixo me pegou várias vezes olhando para ele. Ele tem o rosto tão atraente que eu tenho vontade de mordê-lo. Acho que ele percebeu o que eu quero, então decidi ficar em casa esta noite. O outro motivo pelo qual eu estou escrevendo à mão agora é para fingir que estou estudando. As provas do fim do ano estão chegando para nós duas e eu disse a Katie que ela precisava levá-las mais a sério. Bem, tive que seguir meu próprio conselho. Então, cá estamos na mesa da cozinha, no meio dos nossos livros, pastas, papéis e canetas, fingindo que somos intelectuais.
Tenho tanto conteúdo para rever e estudar que nem consegui preparar o jantar durante toda a semana. Assim, nestes últimos dias nós temos nos deliciado com as iguarias que vêm do térreo. Por sorte, Sanjay está nos dando um desconto de quarenta por cento na comida que compramos para viagem, e criou até mesmo um novo prato chamado Frango com Curry à Rosie. Ele o colocou como cortesia junto com o nosso pedido de ontem. Nós provamos e o mandamos de volta. Haha, brincadeira. Nada mais é que frango e curry. Tudo que ele fez foi acrescentar “Rosie” ao nome do prato. Fiquei lisonjeada ao ver o meu nome no cardápio de um restaurante indiano, e é interessante ouvir homens bêbados gritarem o meu nome com aquelas vozes arrastadas. Não paro de pensar que o meu Romeu está lá embaixo, na calçada, me chamando e jogando pedriscos para que eu desperte do meu sono. E é aí que eu lembro que é sábado, uma hora da manhã, o pub acabou de fechar, os bêbados estão gritando seus pedidos por cima do balcão e os pedriscos que batem na minha janela, na verdade, são apenas os pingos da chuva. Mas uma garota sempre pode sonhar.
Toda vez que passo diante da esposa de Sanjay ela revira os olhos e bufa. Ele ainda está me convidando para sair, e convida até quando ela está logo ao lado. Assim, eu digo que o que ele está me pedindo é totalmente errado considerando que ele é casado, que ele precisa ter mais respeito pela esposa e que, mesmo que ele não fosse casado, eu diria não. Eu digo tudo em voz alta para que ela possa ouvir, mas ela ainda fica bufando. E Sanjay sorri para mim e coloca alguns paparis indianos de graça na sacola, junto com o resto do pedido. O homem é maluco.
Rupert (meu outro vizinho) perguntou se eu gostaria de ir ao National Concert Hall no fim de semana. Parece que a Orquestra Sinfônica Nacional vai tocar o Concerto para Piano número 2 de Brahms em Si bemol, Op. 83, que é a sua peça musical favorita. Não é um encontro romântico nem nada do tipo. Acho que Rupert é um ser completamente assexuado e só quer alguém para lhe fazer companhia. Para mim, está ótimo. Além disso, a tatuagem “Amo minha mãe” que ele tem no braço é algo que acaba com qualquer desejo sexual. Aquela citação de James Joyce que ele tem no peito também me irrita, porque Rupert é tão alto que eu sou obrigada a ler “Erros são os portais da descoberta” o tempo todo. É como uma placa de sinalização ou coisa parecida, como se Rupert tivesse sido colocado no apartamento ao lado do meu para me fazer entender que a minha vida é uma sequência de erros. Eu só gostaria que a mensagem fizesse mais sentido do que isso. Erros são os buracos na estrada das descobertas, eu acho. E é uma estrada longa e esburacada até chegar a essa descoberta, cheia de obstáculos e perigos. Eu queria que a inscrição dissesse “Chocolate é bom” em vez de citar Joyce.
Por falar em erros, eu ainda não falei com Alex e já faz um ano desde a última vez que conversamos. Acho que desta vez não tem mais volta. Tudo que fazemos é mandar cartões idiotas um para o outro. É como se estivéssemos fazendo aquela brincadeira de ficar um encarando o outro, e nenhum de nós quer ser o primeiro a piscar. Sinto saudades demais dele. Há tantas coisas que acontecem comigo, coisinhas bobas do dia a dia que eu morro de vontade de contar para ele. Como o carteiro desta manhã que estava entregando as cartas do outro lado da rua e aquele cachorrinho idiota, um Jack Russell Terrier chamado Jack Russell, atacou o pobre homem outra vez. Eu olhei pela janela e vi o carteiro esperneando para se livrar do cachorro como faz todas as manhãs, mas desta vez ele acertou o bicho por engano na barriga. O cachorro caiu de lado e passou um tempão sem se mexer. O dono saiu para a rua e eu fiquei olhando enquanto o carteiro fingia que Jack Russell já estava daquele jeito quando ele chegou. O dono acreditou nele e houve um pandemônio generalizado enquanto eles tentavam reavivar o cão. Após algum tempo Jack Russell se levantou e, quando olhou para o carteiro, ganiu e fugiu correndo para dentro da casa. Foi muito engraçado. O carteiro apenas deu de ombros e foi embora. Ele estava assoviando quando chegou à minha porta. Coisas como essa decerto fariam Alex rir, ainda mais enquanto eu lhe contasse tudo sobre aquele maldito cachorro que não me deixa dormir, latindo a noite inteira, e sempre rouba a minha correspondência do coitado do carteiro.
Espera um pouco, Katie está tentando espiar o que estou escrevendo...
TEORIA DAS HIERARQUIAS DE MASLOW.
Haha, aposto que isso vai fazer com que ela perca o interesse logo, logo. Bom, é melhor eu terminar por aqui e começar a estudar de verdade. Nós nos vemos em breve. Diga ao meu pai que eu mando lembranças e que o amo.
Ah, antes que eu esqueça: Ruby arranjou um encontro às cegas para mim na noite de sábado. Eu quase a matei, mas não posso cancelar. Cruze os dedos e reze para que ele não seja algum tipo de serial killer.
Beijos,
Rosie

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE: ROSIE.
Rosie: Oi, Julie. Cadastrei você na minha lista de amigos para receber mensagens instantâneas. Assim, sempre que você aparecer online, eu posso lhe enviar mensagens.
Julie: A menos que eu te bloqueie.
Rosie: Você não ousaria.
Julie: Por que você quer me cadastrar na sua lista de mensagens quando estou na sala ao lado?
Rosie: É o que eu faço com todo mundo. Assim eu posso fazer várias coisas ao mesmo tempo. Posso falar com as pessoas no telefone enquanto resolvo coisas com você pelo computador. De qualquer maneira, o que exatamente você faz, srta. Casey? Tudo que eu vejo você fazer é aterrorizar criancinhas inocentes e fazer reuniões com pais irritados.
Julie: Isso é praticamente tudo o que eu faço, Rosie, você tem razão. Pode acreditar, você foi uma das piores alunas que eu já tive, e as reuniões com os seus pais eram as piores de todas. Eu detestava ter que chamar você para a minha sala.
Rosie: E eu detestava ir à sua sala.
Julie: E agora você me adicionou à sua lista de amigos. Como as coisas mudam, não é? Ah, por falar nisso, vou convidar algumas pessoas para o meu aniversário na semana que vem e gostaria de saber se você gostaria de vir.
Rosie: Quem mais irá?
Julie: Ah, apenas algumas das outras crianças que eu costumava aterrorizar há vinte anos. Nós adoramos nos reunir e lembrar os velhos tempos.
Rosie: Sério?
Julie: Não. Apenas alguns amigos e alguns membros da minha família para beber e comer alguma coisa e celebrar a ocasião. Depois você pode ir embora e me deixar sozinha.
Rosie: Quantos anos você vai fazer? Estou perguntando só para poder comprar um cartão de aniversário com o número certo. Talvez encontre um broche para você prender na blusa com a idade, também.
Julie: Faça isso e eu a demito por justa causa. Vou fazer 53.
Rosie: Você só tem vinte anos a mais do que eu. Eu pensava que você era bem mais velha!
Julie: Engraçado, não é? Imagine, eu tinha mais ou menos a sua idade quando você saiu desta escola. As crianças devem achar que você é velha também.
Rosie: Eu me sinto velha.
Julie: Pessoas velhas não saem para fazer encontros às cegas. Vamos lá, abra o jogo. Como foi?
Rosie: O nome dele é Adam, e ele é um homem muito, muito atraente. Durante toda a noite ele foi educado, tem um ótimo papo e é bem engraçado. Ele pagou o jantar, o táxi, as bebidas e quase tudo, e não deixou que eu abrisse a bolsa (não que eu tivesse algum dinheiro comigo, já que recebo esse salário de fome). Era alto, moreno e bonito, se vestia de maneira impecável. As sobrancelhas eram tão simétricas que eu acho que ele as faz em algum salão. Tinha também os dentes bonitos e nada de pelos aparentes no nariz.
Julie: E o que ele faz?
Rosie: É engenheiro.
Julie: Quer dizer, então, que ele é educado, bonito e tem um ótimo emprego. Parece bom demais para ser verdade. Vocês vão se encontrar de novo?
Rosie: Bom, depois do jantar, nós fomos para a cobertura onde ele mora, em um prédio na região do cais de Sir John Rogerson. O lugar era um luxo só. Nós nos beijamos, eu passei a noite lá, ele me convidou para sair de novo e eu disse não.
Julie: Ficou louca?
Rosie: Talvez. Ele era um homem muito bom, mas não havia nada ali. Não senti aquele fogo.
Julie: Mas foi só a primeira vez que vocês saíram. Não se pode ter certeza disso no primeiro encontro. O que você queria? Fogos de artifício?
Rosie: Não. Na verdade, queria exatamente o oposto. Quero o silêncio, um momento perfeito de quietude.
Julie: Silêncio?
Rosie: Ah, é uma longa história. Mas a noite de ontem prova apenas que alguém pode me juntar com um cara perfeito e mesmo assim não estarei pronta. As pessoas precisam parar de me pressionar. Vou encontrar alguém quando estiver pronta para isso.
Julie: Tudo bem, tudo bem, prometo que vou parar de tentar lhe arranjar homens até que você me dê permissão. Por falar nisso, como vão os estudos?
Rosie: É difícil conciliar trabalho, estudo e ser mãe ao mesmo tempo. Eu acabo ficando acordada até altas horas da noite ponderando as questões da vida e do universo e tudo que existe entre eles, ou seja: não consigo me concentrar em nada.
Julie: Não se preocupe, todas nós já passamos por esses dias. Acredite no que eu digo: quando você chegar à minha idade, vai parar de se preocupar tanto. Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?
Rosie: Na verdade, tem, sim. Um aumento de salário seria maravilhoso.
Julie: De jeito nenhum. E como está a poupança?
Rosie: Estaria ótima se eu não tivesse que alimentar, vestir e educar a minha filha, além de gastar com o aluguel da caixa de sapatos onde estou morando.
Julie: Isso sempre parece atrapalhar os planos, essa coisa de ter que cuidar dos filhos. Já conversou com Alex?
Rosie: Não.
Julie: Rosie, vocês dois estão agindo de um jeito ridículo. Passei a minha vida inteira tentando separar vocês dois, mas agora isso não me diverte mais. Diga a ele que a srta. Casey Narigão Bafo de Onça deu permissão para que vocês dois voltem a sentar um do lado do outro.
Rosie: Isso não vai dar certo. Ele nunca prestou atenção no que você dizia, de qualquer maneira. E não estamos assim tão sem contato. Katie manda e-mails para ele o tempo todo e eu envio cartões sempre que aparece qualquer ocasião, por mais boba que seja, e ele faz o mesmo. A cada dois ou três meses eu recebo um cartão-postal que chega de algum país exótico com relatos tediosos sobre o clima. E, quando não está viajando a passeio, ele passa o tempo todo trabalhando. Portanto, não estamos nos ignorando por completo. Na verdade, estamos até mesmo tendo uma discussão bastante civilizada.
Julie: Claro, com exceção do fato de que vocês não estão conversando. Seu melhor amigo tem um filho de seis meses que você nem conhece. O que estou dizendo é que, se continuarem deixando as coisas acontecerem dessa maneira, os anos vão se multiplicar e, quando se derem conta, vai ser tarde demais.

3 Gaelic Athletic Association, ou Associação Atlética Gaélica: organização cultural e esportiva de origem irlandesa com presença nos cinco continentes. (N. T.)
4 Espécie de jogo de hóquei de campo disputado por duas equipes de 15 jogadores cada. (N. T.)

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