29 de outubro de 2018

Capítulo 38

A rainha e seu consorte precisavam de um momento em particular, parecia. Elide ficou mais surpresa ao ver Fenrys em sua bela forma de macho do que com o ouro que ele e Gavriel carregavam, quase derramando de seus bolsos.
Lorcan riu baixinho enquanto eles guardavam o tesouro em suas mochilas. Mais do que algumas pessoas poderiam sonhar.
— Pelo menos ela está pensando um passo à frente.
Fenrys parou onde estava agachado diante de sua bolsa, o ouro em suas mãos cintilando como o cabelo dele. Não havia nada remotamente quente em seus olhos escuros.
— Estamos nessa posição apenas por sua causa.
Elide ficou tensa quando Lorcan endureceu. Gavriel parou de guardar seu saque, uma mão deslizando para o punhal ao seu lado.
Mas o guerreiro de cabelos escuros inclinou a cabeça.
— Então eu fui lembrado — disse ele, mas não olhou para Elide.
Fenrys mostrou os dentes.
— Quando isso acabar — ele sussurrou — você e eu resolveremos as coisas.
O sorriso de Lorcan era um corte brutal de branco.
— Será um prazer.
Elide sabia que ele falava sério. Ele ficaria feliz em aceitar o que Fenrys atirasse em seu caminho, em se envolver naquele conflito devastador e sangrento.
Gavriel soltou um suspiro, seus olhos castanhos se encontraram com os de Elide. Nada poderia ser dito ou feito para convencê-los do contrário.
No entanto, Elide se viu puxando ar para sugerir que lutar entre eles, por vingança ou não, não seria satisfatório, quando Aelin e Rowan emergiram da passagem.
Goldryn presa na cintura da rainha, sem dúvida devolvida a ela pelo príncipe. Seu rubi brilhante parecia uma ametista na luz azul, balançando com cada um dos passos de Aelin.
Eles mal haviam pisado no barco quando um sibilar saiu da passagem que eles haviam desocupado.
Tensos, Rowan e Gavriel rapidamente empurraram o barco da costa. As criaturas puxando-as avançaram em movimentos, puxando-as para mais longe no rio.
Lâminas brilharam, todos os guerreiros imortais ainda mortais. Aelin não desembainhou Goldryn, no entanto. Não ergueu uma mão em chamas. Ela apenas permaneceu com Elide, seu rosto como pedra.
O sibilar ficou mais alto. Mãos escuras e sombreadas arranhavam o arco da passagem, recuando onde quer que encontrassem a luz.
— Alguém está bravo por causa do tesouro — murmurou Fenrys.
— Eles podem entrar na fila — disse Aelin, e Elide poderia jurar que o dourado nos olhos da rainha brilhou. Um clarão de luz oculta, depois nada.
Um vento gelado beijou as cavernas. O sibilar parou.
Estremecendo, Elide murmurou:
— Acho que não voltarei mais a essas terras.
Fenrys riu, uma risada sensual que não alcançou os seus olhos.
— Eu concordo com você, senhora.


Eles entraram na escuridão por mais um dia, e depois por mais outros dois. Ainda assim, o mar não apareceu.
Aelin estava dormindo, um sono sem sonhos e pesado, quando uma mão forte apertou seu ombro.
— Olhe — Rowan sussurrou, sua respiração roçando sua orelha.
Ela abriu os olhos para a luz pálida. Não o oceano, ela percebeu quando se sentou, os outros despertando, sem dúvida, com a palavra de Rowan.
No alto, prendendo-se ao teto da caverna como se fossem estrelas presas sob a rocha, pequenas luzes azuis brilhavam.
Vaga-lumes, como aqueles na lanterna. Milhares deles, tornados infinitos pelo reflexo na água negra. Estrelas acima e abaixo.
Pelo canto do olho, Aelin vislumbrou Elide pressionando a mão contra o peito.
Um mar de estrelas – era isso o que a caverna se tornara.
Beleza. Ainda havia beleza neste mundo. As estrelas ainda podiam brilhar, ainda queimar, mesmo enterradas sob a terra.
Aelin respirou o ar frio da caverna, a luz azul. Deixou fluir através dela.
Balançar as estrelas. Ela prometera fazer isso. Tinha feito tanto em relação a isso, porém ainda faltava. Eles tinham que se apressar. Quantos sofreram nas garras de Morath?
A beleza permanecia – e ela lutaria por isso. Precisava lutar.
Era uma constante batida em seu sangue, seus ossos. Bem ao lado do poder que ela empurrava profundamente e descartava a cada respiração. Lute – uma última vez.
Ela escapou para poder fazer isso. Pensaria em todos aqueles que ainda desafiavam Morath, desafiavam Maeve, enquanto ela treinava. Ela não hesitaria. Não se atreveria a fazer uma pausa.
Ela faria esse tempo contar. De todas as maneiras possíveis.
A esmeralda de sua aliança de casamento brilhava com seu próprio fogo.
Egoísta da parte dela, impor esse vínculo quando o sangue dela era destinado a um altar de sacrifício, e ainda assim ela havia saído do barco para procurá-las. As alianças. Pegar o tesouro foi uma reflexão tardia. Mas se ela não tivesse nenhuma cicatriz, nenhum lembrete de onde ela viera, quem era e o que tinha prometido, então ela precisava disto para provar.
Aelin poderia jurar que as estrelas vivas acima cantavam, um coro celestial que flutuava pelas cavernas.
Uma canção de estrelas carregada ao longo da corrente do rio, correndo ao lado deles, pelos últimos quilômetros até o mar.

5 comentários:

  1. Nossa só eu que ti amando esse livro

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  2. "às estrelas que ouvem e aos sonhos que são atendidos"

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  3. Não, mas eu estou tão ansiosa para continuar lendo, que fica difícil parar para fazer comentários.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!