29 de outubro de 2018

Capítulo 37

Dias de viagem quase silenciosa passaram.
Três dias, se qualquer coisa que Rowan e Gavriel sentissem se provasse ser verdade. Talvez Gavriel tivesse um relógio de bolso. Aelin não se importava particularmente.
Ela usou cada um desses dias para considerar o que havia sido feito, o que estava diante dela. Às vezes, o rugido de sua magia afogava seus pensamentos. Às vezes ficava adormecido. Ela nunca deu atenção.
Eles navegaram através da escuridão, o rio abaixo tão negro que eles poderiam estar flutuando no reino de Hellas.
Era perto do fim do quarto dia, através da escuridão e da rocha, suas escoltas puxando o barco incansavelmente, quando Rowan murmurou:
— Estamos entrando no território criaturas tumulares.
Gavriel desviou os olhos de seu lugar na proa.
— Como você sabe?
Deitado ao lado dele, ainda em forma de lobo, Fenrys inclinou as orelhas para a frente. Ela não perguntou por que ele permanecia em seu corpo de lobo. Ninguém perguntou por que ela permanecia em sua forma feérica, afinal. Mas ela supôs que, se ele usasse sua forma feérica, poderia se sentir inclinado a falar. A responder a perguntas que talvez ainda não estivesse pronto para discutir. Poderia simplesmente começar a gritar e a gritar com o que fora feito a eles, a Connall.
Rowan apontou um dedo tatuado em direção a uma alcova na parede. Sombra velava seus recessos, mas quando a luz azul da lanterna a tocou, o ouro brilhou ao longo do chão rochoso. Ouro antigo.
— O que é uma criatura tumular? — Elide sussurrou.
— Criaturas de malícia e pensamento — respondeu Lorcan, examinando a passagem, uma mão deslizando para o punho de sua espada. — Elas cobiçaram ouro e tesouro e infestaram os antigos túmulos de reis e rainhas para poder habitar entre eles. Eles odeiam luz de qualquer tipo. Espero que isso os mantenha longe.
Elide se encolheu e Aelin se sentiu inclinada a fazer o mesmo. Em vez disso, ela engoliu em seco o suficiente para perguntar a Rowan:
— São as mesmas sob aqueles túmulos que visitamos?
Rowan se endireitou, os olhos brilhando com a pergunta – ou com o fato de ela ter falado. Ele manteve perto dela esses dias, uma presença silenciosa e constante. Mesmo quando dormiam, ele permanecia a poucos passos de distância, ainda sem tocar, simplesmente ali. Perto o suficiente para que o cheiro de pinho e neve dele a embalasse em sono.
Rowan apoiou a mão na borda do barco.
— Há várias criaturas tumulares em Wendlyn, mas não outras entre as montanhas Cambrian e Doranelle além daqueles que visitamos. Tanto quanto sabemos — ele emendou. — Eu não sabia que seus túmulos tinham sido escavados tão fundo assim.
— As criaturas precisavam de alguma maneira para entrar, com as portas da tumba provavelmente fechadas lá em cima — Gavriel observou, estudando uma alcova maior que aparecia à direita. Não uma alcova, mas uma boca seca de caverna que fluía para a beira do rio antes de sumir de vista.
— Parem o barco — disse Aelin.
Silêncio à ordem, até mesmo de Rowan.
Aelin apontou para a parte da margem junto à boca da caverna.
— Parem o barco — ela repetiu.
— Eu não acho que podemos — Elide murmurou.
De fato, as duas tinham recorrido a usar um balde para atender às suas necessidades nesses poucos dias, os homens participando de qualquer conversa que pudessem para tornar o silêncio mais tolerável.
Mas o barco dirigiu-se para a alcova, sua velocidade diminuindo. Fenrys se levantou, farejando o ar quando se aproximaram da borda da praia. Rowan e Lorcan se inclinaram para apoiar as mãos contra a pedra para evitar que colidissem com força.
Aelin não esperou que o barco parasse de balançar antes de pegar uma lanterna e pular no chão alisado pelo rio.
Rowan xingou, pulando atrás dela.
— Fiquem aqui — ele avisou a quem permaneceu no barco.
Aelin não se incomodou em ver quem obedeceria enquanto entrava na caverna.


A rainha fora imprudente antes de Cairn e Maeve trabalharem nela por dois meses, mas agora parecia que nenhum senso restava.
Lorcan absteve-se de dizer isso, no entanto, quando se viu sozinho com Elide no barco. Gavriel e Fenrys foram atrás de Rowan e Aelin, o caminho marcado apenas pelo brilho desbotado de luz azul nas paredes.
Não de luz do fogo. Ela não mostrara uma brasa desde que entraram na caverna.
Elide permaneceu sentada à sua frente no lado esquerdo do barco, as costas repousando na borda curva. Ela passou os últimos minutos em silêncio, observando a boca da caverna agora escura.
— Os monstros não são nada a temer se você estiver armado com magia — Lorcan se viu dizendo.
Seus olhos escuros deslizaram para ele.
— Bem, eu não tenho nenhuma, então perdoe-me se eu permanecer alerta.
Não, ela dissera uma vez disse que enquanto a magia fluía na linhagem sanguínea Lochan, ela não tinha nada para falar. Ele nunca disse a ela que sempre considerou sua inteligência como uma poderosa magia própria, independentemente dos sussurros de Anneith.
— Não são as criaturas que me preocupam — Elide prosseguiu.
Lorcan avaliou o rio calmo que passava pelas cavernas ao redor deles, antes de dizer:
— Levará tempo para ela se reajustar.
Ela olhou para ele com aqueles olhos malditos.
Ele apoiou os antebraços nos joelhos.
— Nós a resgatamos. Ela está com a gente agora. O que mais você quer? — De mim, ele não precisou acrescentar.
Elide se endireitou.
— Eu não quero nada. — De você.
Ele cerrou os dentes. Aqui era o lugar onde eles resolveriam entã.
— Por quanto tempo mais eu deveria me redimir?
— Você está ficando entediado com isso?
Ele rosnou. Ela apenas olhou para ele.
— Eu não tinha percebido que você estava se redimindo.
— Eu vim aqui, não vim?
— Por quem, exatamente? Rowan? Aelin?
— Pelos dois. E por você.
Ali. Que ficasse exposto diante deles.
Apesar do brilho azul da lanterna, ele podia distinguir o rosa que se espalhava por suas bochechas.
No entanto, a boca dela se apertou.
— Eu disse a você naquela praia: não quero nada com você.
— Então, um erro e eu sou seu inimigo eterno?
— Ela é a minha rainha, e você convocou Maeve, então falou para ela onde estavam as chaves e apenas ficou lá parado enquanto faziam aquilo com ela.
— Você não tem ideia do que o juramento de sangue pode fazer. Nenhuma.
— Fenrys quebrou o juramento. Ele encontrou um jeito.
— E se Aelin não estivesse lá para lhe oferecer outro, ele teria morrido. — Ele soltou uma risada baixa e sem alegria. — Talvez fosse o que você teria preferido.
Ela ignorou seu último comentário.
— Você nem tentou.
— Eu tentei — ele rosnou. — Lutei com tudo o que eu tinha. E não foi suficiente. Se ela tivesse ordenado que eu cortasse a sua garganta, eu teria feito. E se eu tivesse encontrado uma maneira de quebrar o juramento, eu teria morrido, e ela poderia muito bem tê-la matado ou te levado depois. Naquela praia, meu único pensamento era fazer com que Maeve esquecesse você, a deixasse ir...
— Eu não me importo comigo! Eu não me importei comigo naquela praia!
— Bem, eu importo. — Suas palavras rosnadas ecoaram pela água e pedra, e ele baixou a voz. Coisas piores do que criaturas tumulares poderiam farejar o caminho para cá. — Eu me importei com você naquela praia. E a sua rainha também.
Elide balançou a cabeça e desviou o olhar, olhando para qualquer lugar, menos para ele.
Isso o que dava abrir aquela porta para um lugar dentro dele que ninguém jamais entrou. Essa bagunça, esse vazio em seu peito que o forçava a continuar precisando consertar as coisas.
— Ressinta-se de mim o quanto precisar — falou ele, condenando a rouquidão de suas palavras. — Tenho certeza de que vou sobreviver.
Mágoa brilhou em seus olhos.
— Ótimo — respondeu ela, sua voz quebradiça.
Ele odiava essa fragilidade mais do que qualquer coisa que já encontrou. Se odiava por ser a causa disso. Mas ele tinha limites para o quão baixo engatinharia.
Ele fez a sua parte. Se ela quisesse lavar as mãos dele para sempre, então ele encontraria uma maneira de respeitar isso. Viver com isso.
De alguma forma.


A caverna subiu por alguns metros, depois nivelou-se e se tornou pedra. Uma passagem rústica talhada, não pela água ou pela idade, Rowan percebeu, mas por mãos mortais. Talvez os reis e lordes há muito mortos tivessem seguido o rio subterrâneo para depositar seus mortos antes de selarem os túmulos à luz do sol e ao ar acima, o conhecimento dos caminhos terminando com seus reinados.
Um leve brilho pulsou da lanterna que Aelin segurava, banhando as paredes da caverna em azul. Ele rapidamente a alcançara, e agora caminhava ao lado dela, Fenrys trotando em seus calcanhares e Gavriel pegando a traseira.
Rowan não se incomodou em liberar suas armas. O aço era de pouca utilidade contra as criaturas tumulares. Apenas magia poderia destruí-las.
Por que Aelin precisara parar, o que ela precisava ver, ele só podia adivinhar quando a passagem se abriu em uma pequena caverna e o ouro brilhou.
Ouro ao redor – e uma sombra vestida com roupas negras esfarrapadas espreitando pelo sarcófago no centro.
Rowan rosnou em aviso, mas Aelin não atacou. A mão dela se fechou ao seu lado, mas ela permaneceu imóvel.
A criatura sibilou. Aelin apenas a olhou.
Como se ela não pudesse, não conseguisse, tocar em seu poder. O peito de Rowan ficou tenso. Então ele enviou um chicote de gelo e vento através da caverna.
A criatura gritou uma vez e se foi. Aelin fitou o espaço onde a criatura estivera por um instante e depois olhou para ele por cima do ombro. Gratidão brilhou nos olhos dela.
Rowan apenas deu um aceno de cabeça. Não se preocupe com isso.
No entanto, Aelin se afastou, desligando aquela conversa silenciosa enquanto inspecionava o espaço.
Tempo. Levaria tempo para ela se curar.
Mesmo que ele soubesse que seu Coração de Fogo fingiria o contrário.
Então Rowan também olhou ao redor. Do outro lado do túmulo, além do sarcófago e do tesouro, um arco se abria para outra câmara. Talvez outro túmulo, ou uma passagem de saída.
De alguma forma.
— Não temos tempo para encontrar uma saída — Rowan murmurou enquanto entrava no túmulo. — E as cavernas continuam mais seguras do que a superfície.
— Eu não estou procurando uma saída — ela falou naquela voz calma e imóvel. Ela se inclinou, pegando um punhado de moedas de ouro estampadas com o rosto de um rei esquecido. — Nós precisaremos financiar nossa viagem. E os deuses sabem o que mais.
Rowan arqueou uma sobrancelha.
Aelin deu de ombros e enfiou o ouro no bolso do manto.
— A menos que o tilintar lamentável que ouvi da sua bolsa de moedas não indique que seus fundos estão baixos.
Essa faísca de humor irônico, o insulto... Ela estava tentando. Pelo bem dele, dos outros, ou talvez o dela, ela estava tentando.
Ele também não podia oferecer nada menos. Rowan inclinou a cabeça.
— Estamos realmente na necessidade extrema de reabastecer nossos cofres.
Gavriel tossiu.
— Isso pertence aos mortos, você sabe.
Aelin acrescentou outro punhado de moedas no bolso, iniciando um circuito em torno do túmulo carregado de tesouros.
— Os mortos não precisam comprar passagens em um navio. Ou cavalos.
Rowan deu ao Leão um sorriso cortante.
— Você ouviu a dama.
Uma luz brilhou de onde Fenrys estivera farejando um baú de joias, e então um macho estava parado ali. Suas roupas cinzentas estavam gastas, mas intactas – em melhor forma do que o olhar vazio em seus olhos.
Aelin fez uma pausa em sua pilhagem. A garganta de Fenrys tremeu, como se estivesse tentando lembrar como falar. Então ele disse com voz rouca:
— Nós precisávamos de mais bolsos. — Ele deu um tapinha no seu para dar ênfase.
Os lábios de Aelin se curvaram em uma sugestão de sorriso. Ela piscou para Fenrys – três vezes.
Fenrys piscou uma vez em resposta.
Um código. Eles inventaram algum código silencioso para se comunicarem quando ele foi ordenado a permanecer em sua forma de lobo.
O sorriso de Aelin permaneceu, apenas o suficiente, enquanto ela caminhava até o macho de cabelos dourados, sua pele bronzeada pálida. Ela abriu os braços em oferta silenciosa.
Para deixá-lo decidir se ele queria contato. Se podia suportar isso. Assim como Rowan a deixaria decidir se ela queria tocá-lo.
Um pequeno suspiro saiu de Fenrys antes de envolver Aelin em seus braços, um tremor percorrendo-o. Rowan não podia ver o rosto dela, talvez não precisasse, enquanto suas mãos seguravam a jaqueta de Fenrys com tanta força que ficaram brancas.
Um bom sinal – um pequeno milagre, que qualquer um deles desejasse, pudesse, ser tocado. Rowan lembrou-se disso, mesmo enquanto uma parte intrínseca dele como macho tivesse ficado tensa com o contato. Um bastardo feérico territorial, ela uma vez o chamara. Ele faria o seu melhor para não fazer jus a esse título.
— Obrigada — falou Aelin, sua voz pequena de uma forma que fez o peito de Rowan quebrar ainda mais.
Fenrys não respondeu, mas, pela angústia em seu rosto, Rowan sabia que nenhum agradecimento adiantaria.
Eles se afastaram e Fenrys tocou sua bochecha.
— Quando você estiver pronta, podemos conversar.
Sobre o que eles suportaram. Desvendar tudo o que aconteceu.
Aelin assentiu, soltando um suspiro.
— Digo o mesmo. — Ela voltou a enfiar ouro nos bolsos, mas olhou de volta para Fenrys, o rosto indeciso. — Eu te dei o juramento de sangue para salvar a sua vida — disse ela. — Mas se você não quiser, Fenrys, eu... podemos encontrar alguma maneira de libertar você...
— Eu quero — disse Fenrys, sem nenhum traço de seu habitual humor arrogante. Ele olhou para Rowan e baixou a cabeça. — É uma honra servir a esta corte. E servi-la — acrescentou para Aelin.
Ela acenou com a mão, embora Rowan não tivesse deixado de notar o brilho em seus olhos enquanto se abaixava para juntar mais ouro. Dando-lhe um momento, ele caminhou até Fenrys e apertou seu ombro.
— É bom ter você de volta. — Ele acrescentou, tropeçando um pouco na palavra: — Irmão.
Pois era isso o que eles seriam. Nunca foram antes, mas o que Fenrys fizera por Aelin... Sim, irmão era como Rowan o chamaria. Mesmo que o próprio irmão de Fenrys...
Os olhos escuros de Fenrys tremiam.
— Ela matou Connall. Fez com que ele se esfaqueasse no coração.
Um colar de pérolas e rubis escorregou por entre os dedos de Gavriel. A temperatura na tumba aumentou, mas não houve clarão de chamas, nenhum redemoinho de brasas.
Como se a magia de Aelin tivesse surgido, apenas para ser controlada novamente.
No entanto, Aelin continuou jogando ouro e joias nos bolsos. Ela também testemunhou aquilo. Aquele assassinato.
Mas foi Gavriel, aproximando-se em pés silenciosos, mesmo com as joias e o ouro no chão, que segurou o outro ombro de Fenrys.
— Vamos garantir que a dívida seja paga antes do fim.
O Leão nunca pronunciara tais palavras – não em relação à antiga rainha.
Mas a fúria queimava no olhar castanho de Gavriel. Tristeza e fúria.
Fenrys respirou fundo e se afastou, a perda em seu rosto misturando-se com algo que Rowan não conseguia identificar. Mas agora não era a hora de perguntar, de bisbilhotar.
Eles encheram os bolsos com o máximo de ouro que conseguiram, Fenrys indo tão longe a ponto de tirar sua jaqueta cinza para formar uma trouxa improvisada.
Quando quase caía no chão com o ouro, os fios se esticando, ele silenciosamente voltou para o corredor. Gavriel, ainda estremecendo com seu saque desavergonhado, seguiu atrás dele um momento depois.
Aelin continuou escolhendo seu caminho entre o tesouro, no entanto. Ela tinha sido mais seletiva do que o resto deles, examinando peças com o que Rowan assumira ser um olho de joalheiro. Os deuses sabiam que ela possuía enfeites suficientes para saber o que conseguiria o preço mais alto no mercado.
— Devemos ir — disse ele. Seus próprios bolsos estavam prestes a explodir, cada passo dele pesado.
Ela se levantou perto de uma caixa de metal enferrujada que estivera olhando dentro.
Rowan permaneceu imóvel enquanto ela se aproximava, algo apertado em sua palma. Foi só quando ela parou perto o suficiente para ele tocá-la que ela abriu os dedos.
Dois anéis de ouro brilhavam lá.
— Eu não conheço os costumes feéricos — ela começou. O anel mais grosso continha um rubi elegantemente cortado dentro do próprio aro, enquanto o menor tinha uma esmeralda retangular cintilante, a pedra do tamanho de sua unha. — Mas quando os humanos se casam, anéis são trocados.
Os dedos dela tremeram – apenas ligeiramente. Muitas palavras não ditas estavam entre elas.
No entanto, agora não era o momento para essa conversa, para aquela cura. Não quando eles tinham que estar a caminho tão rápido quanto possível, e esta oferta que ela fizera a ele, esta prova de que ela ainda queria o que havia entre eles, os votos que fizeram...
— Suponho que a esmeralda brilhante seja para mim — Rowan disse com um meio sorriso.
Ela bufou uma risada. O som suave e sussurrado era tão precioso quanto os anéis que ela encontrou para eles neste tesouro.
Ela pegou a mão dele, e ele tentou não estremecer de alívio, tentou não cair de joelhos quando ela deslizou o anel de rubi em seu dedo. Se encaixava perfeitamente, o anel sem dúvida forjado para o rei deitado nesta tumba.
Silenciosamente, Rowan segurou a mão dela e colocou o anel de esmeralda.
— Para qualquer fim — ele sussurrou.
Prata brilhou em seus olhos.
— Para qualquer fim. — Um lembrete – e um juramento, mais sagrado que os votos de casamento que eles fizeram naquele navio.
Para percorrer este caminho juntos, de volta da escuridão do caixão de ferro.
Para enfrentar o que os esperava em Terrasen, promessas antigas aos deuses condenados.
Ele passou o polegar pelas costas da mão dela.
— Eu frei a tatuagem novamente. — Ela engoliu em seco, mas assentiu. — E — acrescentou ele — eu gostaria de acrescentar outra. Para mim e para você.
As sobrancelhas dela se levantaram, mas ele apertou a mão dela.
Você terá que esperar para ver, princesa.
Outra sugestão de um sorriso. Ela não recuou às palavras silenciosas desta vez.
Típico.
Ele abriu a boca para expressar a pergunta que estava morrendo de vontade de fazer por dias agora.
Posso te beijar?
Mas ela puxou a mão da dele.
Admirando a aliança de casamento que brilhava em seu dedo, sua boca se apertou quando ela virou a palma da mão.
— Preciso reaprender.
Nenhum calo marcava suas mãos. Aelin franziu a testa para o corpo magro demais.
— E conseguir algum músculo novamente.
Um leve tremor agraciou suas palavras, mas ela fechou as mãos em punhos ao seu lado e sorriu para suas roupas – as roupas de Defesa Nebulosa.
— Será como nos velhos tempos.
Tentando. Ela estava pescando aquela arrogância e tentando. Então ele também tentaria. Até que ela não precisasse mais tentar.
Rowan deu-lhe um sorriso torto.
— Será como nos velhos tempos — repetiu ele, seguindo-a para fora da tumba e voltando para o rio de ébano — mas com muito menos horas de sono.
Ele poderia jurar que a passagem estava aquecida. Mas Aelin continuou andando.
Mais tarde. Aquela conversa, aquele negócio inacabado entre eles, viria depois.

Um comentário:

  1. "Ouro ao redor – e uma sombra vestida com roupas negras esfarrapadas espreitando pelo sarcófago no centro."
    Me lembro do Suriel��

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Boa leitura, E SEM SPOILER!