22 de outubro de 2018

Capítulo 36

Bon Voyage!
Vou sentir muitas saudades de vocês. As coisas não serão as mesmas sem vocês por aqui, mas espero que se divirtam muito!
Com amor,
Rosie

Para a vovó e o vovô,
Divirtam-se e mandem um monte de cartões-postais para nós.
Beijos,
Katie (sua neta favorita)

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE: ALEX.
Alex: Oi.
Rosie: Ah, então ele ainda está vivo! Onde você esteve nessas últimas semanas?
Alex: Escondido.
Rosie: De quem?
Alex: De você.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque voltei a namorar a Bethany e fiquei com medo de contar para você, já que você a odeia com um fervor infernal. E você recebeu a notícia diretamente dela, o que fez com que as coisas ficassem ainda piores. Por isso eu estava me escondendo de você.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque eu achei que você viria até aqui me matar.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque você acha que ela é uma vadia e que namorá-la não é bom para mim.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque você é a minha melhor amiga superprotetora e sempre detestou as minhas namoradas (e a minha esposa) e eu sempre odiei os seus namorados (e o seu marido).
Rosie: Por quê?
Alex: Bem, porque ele teve um caso com outra, para citar um motivo...
Rosie: Por quê?
Alex: Porque ele foi um completo idiota e ele não sabia a sorte que tinha. Mas não vamos falar mais dele. Ele foi embora e não vai mais voltar.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque eu dei um susto nele.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque sou seu melhor amigo e me importo com você.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque não tenho nada melhor para fazer.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque, infelizmente, foi isso que aconteceu com a minha vida. Tudo o que aconteceu fez com que eu me importasse com você e com os seus. Bom, pelo menos não preciso mais ficar me escondendo.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque pedi desculpas.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque estou cansado de não receber notícias suas e sinto saudade de você.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque (e agora estou dizendo isso com os dentes rangendo de tanto apertá-los) VOCÊ É A MINHA MELHOR AMIGA. Mas preciso avisá-la, não vou mais dar atenção a nenhuma das suas reclamações ou comentários irritantes desta vez.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque eu gosto dela de verdade, Rosie, e ela me faz feliz. Estou me sentindo outra vez como se fosse aquele garotinho trabalhando no escritório do meu pai. E pense: se você não tivesse ficado tão bêbada no seu aniversário de 16 anos a ponto de precisar fazer uma lavagem estomacal, nós nunca teríamos sido apanhados, não teríamos sido suspensos e eu não teria sido castigado de modo tão severo, obrigado a arquivar todos os documentos do mundo no escritório do meu pai, onde, diga-se de passagem, eu nunca teria conhecido Bethany. Então, tudo isso aconteceu por sua causa, minha querida amiga!
Rosie: POR QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊ? Meu Deus, por quê?
Alex: Haha. Bom, preciso ir agora. Vou fazer uma cirurgia daqui a algumas horas.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque sou um cirurgião cardíaco e há um pobre homem, chamado sr. Jackson, que, se você precisa mesmo saber, necessita de uma cirurgia na válvula aórtica.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque ele tem estenose aórtica.
Rosie: Por quê?
Alex: Bem, as razões por trás da incompetência aórtica, em geral, são de origem reumática. Mas não se preocupe (e eu cei que você está preocupada), o sr. Jackson vai ficar bem.
Rosie: Por quê?
Alex: Porque, graças a setenta e cinco anos de estudo, eu aprendi a fazer uma cirurgia que envolve uma prótese esférica que irá ajudar o paciente a se recuperar. Mais alguma pergunta?
Rosie: Tipo assim, a aorta fica no coração, não é?
Alex: Muito engraçado. Tudo bem, eu preciso ir mesmo. Fiquei feliz por termos tido essa conversa, e também por termos esclarecido toda a situação em relação a Bethany. Estou perdoado?
Rosie: Não.
Alex: Que maravilha, obrigado. Conversamos mais daqui a pouco.
Alex fez logoff.
Rosie: Obrigada por perguntar sobre o meu emprego, doutor.

De: Rosie
Para: Ruby
Assunto: Socorro!
Socorro... Ajude... Ai, minha cabeça. Coitada da cabeça. Mais pobres ainda são as minhas células cerebrais, elas não tiveram a menor chance. Já eram. Estão todas mortas. São quatro da tarde e eu estou na cama (e isso não é tão divertido quanto pode parecer), e a cama é o lugar em que ficarei pelo restante dos meus anos. Adeus mundo, adeus a todos, obrigada pelas lembranças.
E, das lembranças que sobraram da noite passada, eu vou tentar explicar exatamente o que aconteceu comigo, embora pareça haver uma névoa espessa que está se formando ao redor do meu cérebro e indo em direção ao centro. Vou tentar explicar tudo antes que eu fique cercada por imagens desfocadas.
Após uma reunião muito frustrante com o gerente do meu banco, eu voltei para a casa do Brian Chorão me sentindo diminuída, irritada e sem qualquer certeza sobre a minha vida. Eu não estava nem um pouco a fim de conversar ou de ficar perto de ninguém, mas ali na sala de estar estavam os pais de Brian, que vieram diretamente de Santa Ponsa para discutir um encontro com Katie e a perspectiva de começarem a fazer parte da vida dela. Eu já estava me sentindo cansada e fraca, e a ideia de que Katie teria outra dupla de avós — ainda mais pessoas em sua vida que ela poderia ter conhecido, mas que não conheceu — acabou me afetando demais. E eu fiquei ainda mais irritada pelo fato de que todos esses anos eu sabia quem eles eram, eles sabiam quem eu era, eles já haviam passado por mim na rua em várias ocasiões enquanto eu estava grávida, outras vezes quando Katie nasceu, ouviram os rumores de que ela era filha de Brian e mesmo assim nunca se importaram em fazer qualquer tipo de contato ou ajudar de qualquer maneira que fosse. Da última vez em que ouvi falar deles, haviam vendido todos os seus bens e se mudado para um lugar ensolarado para ajudar a tratar a artrite da sra. Chorão.
A conversa foi acalorada e não muito agradável. Vamos dizer apenas que eu pedi licença e saí. É claro que eu não tinha nenhum lugar para ir, então só andei pelas ruas por vários e vários séculos, pensando na vida. Depois de algum tempo eu decidi que odiava a minha vida e todas as pessoas que estão nela (eu sei, eu sei — de novo). Quando vi que Katie já estava segura em casa e Brian Chorão estava acompanhado, eu fui até o pub mais próximo e afoguei as mágoas. O bar era um lugar realmente horrível, mas, como eu estava muito irritada, nem me importei. Tudo que eu vi foi um barman amigável e dois serial killers entretidos em uma conversa do outro lado do bar. Bem, o barman viu que eu estava muito irritada e, isso parece até cena de filme, perguntou o que havia de errado e parecia estar de fato preocupado. Eu disse a ele que Greg acabou com a minha vida. (Por eliminação, cheguei à conclusão de que tudo isso aconteceu por culpa dele.) Eu coloquei tudo pra fora, Ruby. Tudo, falei sobre Alex e o baile de formatura, Brian Chorão, o nascimento de Katie, o fato de não poder fazer faculdade, o casamento de Alex, a ocasião em que conheci Greg, quando Greg me traiu, quando perdi a promoção no meu emprego, Greg me traindo outra vez... Contei a ele sobre Greg ter todas aquelas amantes enquanto dizia que estava viajando para participar de conferências e que, como ele era gerente de banco, eu acreditava que ele tinha mesmo que fazer todas aquelas viagens. Foi então que os dois outros caras que estavam no bar de repente ficaram muito interessados em mim. Eles viram o quanto eu estava irritada e me pagaram um monte de bebidas. Eram caras enormes, Ruby, com mais de um metro e oitenta de altura, com músculos tão grandes que pareciam ser halterofilistas, cabeças raspadas, e um deles tinha uma tatuagem de uma cabeça cortada no antebraço, mas foram tão bonzinhos! Estavam muito preocupados, fizeram várias perguntas, me deram lenços de papel quando eu chorei e me disseram que eu podia encontrar alguém melhor do que Greg. Eu fiquei muito surpresa, Ruby. Eles foram gentis o bastante para me trazer para casa e se certificar de que eu voltasse em segurança, porque eu não tinha a menor condição de voltar caminhando. Apontei para a casa de Greg quando passamos por lá e eles ficaram muito interessados, e nós três mostramos o dedo médio para ele. Uns moços muito bons. Isso mostra que não se pode julgar um livro pela capa. De qualquer maneira, estou com uma dor de cabeça tão forte que tenho que parar de digitar, mas a noite passada me provou que, pelo menos, ainda existem alguns homens sensíveis no mundo e nem todos estão preocupados apenas consigo mesmos.

GERENTE DE BANCO É ATACADO NA PRÓPRIA CASA
Um gerente de banco foi brutalmente agredido em um ataque perverso e milhares de euros foram roubados em um assalto na manhã de ontem. A vítima foi Greg Collins, 42 anos, gerente do banco AIB, no bairro de Fairview, Dublin.
A agressão ocorreu quando Collins foi despertado ainda durante a madrugada por invasores em sua casa, em Abigail Road. Dois homens mascarados entraram à força na casa e exigiram que o gerente abrisse o banco e esvaziasse o cofre. Apavorado, Collins tentou reagir, mas os agressores lhe acertaram socos no rosto. Seu nariz, que estava quase curado de um ferimento anterior, ficou ainda mais danificado.
Abalado, Collins descreveu que foi vendado e forçado a entrar no furgão dos assaltantes, ainda usando o pijama.
Acredita-se que os suspeitos tenham mais de um metro e oitenta de altura e, de acordo com Collins, pareciam ser halterofilistas. Embora não fosse capaz de ver seus rostos, ele percebeu que um deles tinha uma cabeça cortada tatuada no antebraço.
Os homens roubaram 20 mil euros e saíram em disparada, deixando Collins sozinho no interior do banco, machucado e usando apenas as roupas de dormir. A polícia chegou à cena do crime momentos depois que os homens fugiram, depois que o alarme foi acionado. Collins não tem certeza de como eles descobriram o seu endereço. “Sempre tomo muito cuidado caso alguém esteja me seguindo até em casa durante a noite, mas não percebi ninguém ontem. Foi a pior noite da minha vida, um verdadeiro pesadelo”, disse Collins, visivelmente abalado. “Aqueles criminosos invadiram a minha casa e me atacaram. Estou apavorado.”
Collins estava sozinho em casa no momento da agressão em consequência do fim do seu casamento, ocorrido há pouco tempo. O crime começou a ser investigado hoje, mas o policial encarregado disse que, por não haver pistas, é improvável que os culpados sejam encontrados.
Se alguém tiver qualquer informação em relação ao crime, a polícia pede que se apresente sem demora.
Acima: foto mostra Greg Collins, 42, diante da agência bancária com o nariz quebrado.

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE: RUBY.
Ruby: Viu o jornal hoje?
Rosie: Não. Parei de acreditar em horóscopo.
Ruby: Bem, posso sugerir que você compre o Daily Star de hoje e lembre-se do que ocorreu na noite de sábado?
Rosie: Ah, não. Os paparazzi me fotografaram saindo do pub? Haha.
Ruby: Não é engraçado, Rosie. Estou falando daqueles homens. Agora, rápido, vá olhar o jornal.
Rosie: O quê? Que homens? Do que você está falando?
Ruby: O tabloide. Agora. Rápido. Vai lá.
Rosie: Tá bom.
Rosie fez logoff.

De: Rosie
Para: Alex
Assunto: A reportagem de hoje
Sou eu, Rosie. Veja um fax que te mandei, rápido! Mandei um artigo para você que estava no jornal de hoje. Enquanto estiver lendo, lembre-se também da história do meu sábado à noite. Aquela que eu lhe contei.
Leia o jornal e me diga o que acha. Rápido! Preciso da sua opinião.

De: Alex
Para: Rosie
Assunto: Re: A reportagem de hoje
Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha.

Um comentário:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!