29 de outubro de 2018

Capítulo 29

Com o acampamento em caos absoluto, foi muito mais fácil entrar.
O poder de Rowan explodiu para a borda ocidental, despedaçando tenda e osso. Qualquer soldado que ainda estava entre a fronteira leste do acampamento e o centro correu naquela direção.
Abrindo o caminho. Direito para a tenda que ele esteve tão perto de alcançar quando o poder de Lorcan se acendeu. Um sinal.
Que eles a encontraram. Ou ela os encontrou, parecia.
E quando Rowan a viu, primeiro dos céus e depois ao lado dela, quando sentiu o cheiro do sangue, tanto dela quanto dos outros, quando viu as correntes e a máscara de ferro presas no rosto, quando soluçou à vista dele, terror e desespero revestindo seu cheiro...
A raiva que o agitava não deixava espaço para a misericórdia. Nem para a compaixão.
Não havia nenhum dos dois dentro dele quando ele e Gavriel passaram pelo último agrupamento de tendas até a grande situada em um círculo limpo de grama. Como se ninguém pudesse suportar estar perto de Cairn.
Fenrys estava com ela. Ou tinha estado.
Pelo interior silencioso, ele se perguntou se o lobo estava morto.
Gavriel mudou para a sua forma feérica, e libertou uma faca em seu quadril. Um olhar trocado transmitiu a ordem do silêncio enquanto Rowan enviava uma rajada de vento para a tenda.
Ele cantou de volta falando de duas formas de vida. Ambos feridos. Sangue engrossando o ar. Era tudo o que ele precisava.
Silenciosos como a brisa na grama, eles deslizaram entre as abas da tenda.
Rowan não sabia para onde olhar primeiro.
Para o lobo e o macho feérico esparramados no chão.
Ou para o caixão de ferro do outro lado da tenda.
A caixa de ferro em que eles a tinham trancado.
Tinha sido reforçada, aparentemente, grossas placas soldadas desleixadamente em cima dele.
A caixa era tão pequena. Tão estreita.
O cheiro do sangue dela, o medo dela, saturava a tenda. Emanava da caixa.
Uma mesa de metal estava por perto. E por baixo... Rowan examinou os três braseiros apagados, a corrente ancorada na cabeça e no pé da mesa e finalmente olhou para o homem feérico ensanguentado, mas ainda vivo, no chão em frente a Fenrys.
Fenrys, com quem Gavriel já estava agachado, a luz dourada de seu poder envolvendo o pelo ensopado de sangue. Curando-o. O lobo branco não voltou à consciência, mas sua respiração se estabilizou. Bom o bastante.
— Cure-o — Rowan disse com suavidade letal.
O Leão olhou para cima e descobriu que o olhar de Rowan não estava mais no lobo. Mas em Cairn.
Pedaços de carne haviam sido arrancados do corpo de Cairn. Um caroço em sua têmpora disse a Rowan que fora aquele o golpe que o deixara inconsciente. Como se Fenrys tivesse batido o crânio de Cairn na lateral da mesa de metal. E então desabado a poucos metros de distância.
Desabado, talvez não das próprias feridas, mas... Rowan começou a perceber. O que acontecera aqui, o que tinha sido tão terrível que o lobo foi capaz de fazer o impossível para poupar Aelin de suportá-lo?
Os olhos castanhos de Gavriel brilharam com cautela. Rowan apontou para Cairn novamente.
— Cure-o.
Eles não tinham muito tempo. Não para fazer o que ele desejava. O que ele precisava.
Algumas das gavetas da cômoda alta tinham sido abertas. Ferramentas polidas brilharam ali dentro. Uma bolsa delas também havia sido colocada sobre um pedaço de veludo preto ao lado da mesa de metal.
O sangue dela cantou para ele de dor e desespero, de terror absoluto. Seu Coração de Fogo.
A magia de Gavriel brilhava, a luz dourada se instalando em Cairn.
Rowan examinou as ferramentas que Cairn havia disposto, as que estavam na gaveta. Cuidadosamente, pensativamente, selecionou uma faca fina e afiada. A ferramenta de um curandeiro, feita para incisões suaves e raspagem da podridão.
Cairn gemeu quando a inconsciência cedeu. No momento em que Cairn acordou, acorrentado àquela mesa de metal, Rowan estava pronto.
Cairn viu quem estava em cima dele, a ferramenta na mão tatuada de Rowan, as outros que ele também havia colocado sobre aquele pedaço de veludo, e começou a se debater. As correntes de ferro se mantiveram firmes.
Então Cairn viu a raiva congelada nos olhos de Rowan. Entendeu o que ele pretendia fazer com aquela faca afiada e cruel. Uma mancha escura se espalhou pela frente das calças de Cairn.
Rowan envolveu um vento gelado na tenda, bloqueando todo o som, e começou.

3 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!