29 de outubro de 2018

Capítulo 28

Aelin correu.
Suas pernas enfraquecidas tropeçaram na grama, suas mãos ainda amarradas restringindo toda a amplitude de movimento, mas ela correu. Escolheu uma direção, qualquer direção, menos a do rio à sua esquerda e correu.
O sol estava nascendo e o acampamento do exército... Havia movimento atrás dela. Gritos.
Ela ignorou e virou para a direita. Em direção ao sol nascente, como se fosse o abraço acolhedor de Mala.
Ela não conseguia puxar ar suficiente através da fina fenda da máscara, mas continuava se movendo, passando por tendas, passando por soldados que giravam a cabeça na direção dela, como se estivessem intrigados. Ela segurava o atiçador em suas mãos cobertas por manoplas, recusando-se a ver qual era a comoção, se era Cairn enfurecido atrás dela.
Mas então ela as ouviu. Ordens sendo gritadas.
Passos apressados na grama atrás dela, se aproximando. Pessoas adiante alertadas por seus gritos.
Com os pés descalços voando sobre o chão, as pernas exaustas imploravam para parar. Ainda assim, Aelin correu para o horizonte oriental. Em direção às árvores e Às montanhas, em direção ao sol que se erguia sobre eles.
E quando o primeiro dos soldados bloqueou seu caminho, berrando para que ela parasse, ela ergueu o atiçador e não vacilou.


Morte cantava para Lorcan.
Pelas aves de rapina que avançavam mais e mais no acampamento, ele sabia que Whitethorn estava perto da tenda de Cairn.
Logo eles receberiam o sinal. Lorcan e Gavriel firmaram a respiração, preparando o poder. Ele vibrava através deles, ondas gêmeas se formando.
Mas a morte começou a acenar em outro lugar do campo. Mais perto deles. Se movendo rápido. Lorcan examinou o céu luminoso, a linha das primeiras tendas. A entrada com os guardas.
— Alguém está agindo desse lado — Lorcan murmurou para Gavriel. — Mas Whitethorn ainda está lá.
Fenrys. Ou Connall, talvez. Talvez a irmã de Essar, de quem ele nunca gostou. Mas ele não daria a mínima se ela não os tivesse traído.
Ele apontou para o norte da entrada.
— Você toma esse lado. Esteja pronto para atacar pelo flanco.
Gavriel saiu em disparada, um predador pronto para atacar sem ser visto quando Lorcan atacou de frente.
A morte brilhou. Whitethorn estava quase no centro do acampamento. E aquela força se aproximando de sua entrada oriental.
Para o inferno com a espera. Lorcan se separou da cobertura de árvores, o poder negro girando, preparado para encontrar o que quer que atravessasse a linha de tendas.
Libertando a espada ao seu lado, ele procurou no céu, no acampamento, no mundo quando a morte cintilou, quando o sol nascente iluminou s grama que se estendia e começou a evaporar o orvalho.
Nada. Nenhuma indicação de que, de quem...
Ele alcançou a primeira das trilhas que levavam para a borda do acampamento, as depressões estreitas e íngremes, quando Aelin Galathynius apareceu.
Lorcan não esperava o soluço que apareceu em sua garganta enquanto ela corria entre as barracas, enquanto via a máscara de ferro e as correntes nela, as mãos ainda atadas.
Quando ele viu o sangue encharcando sua pele, a pequena parte branca, o cabelo dela, mais longo do que ele tinha visto pela última vez e grudado em sua cabeça com sangue.
Seus joelhos pararam de funcionar, e até mesmo sua magia vacilou diante da visão de sua corrida selvagem e desesperada pela borda do acampamento.
Soldados corriam atrás dela. Lorcan entrou em movimento, enviando sua magia para cima e para longe. Não para ela, mas para Whitethorn, ainda lutando no centro do acampamento.
Ela está aqui, ela está aqui, ela está aqui, ele sinalizou.
Mas Lorcan estava longe demais, as elevações e brechas entre eles agora intermináveis, enquanto dez soldados convergiam para Aelin, bloqueando seu caminho em direção ao campo aberto.
Um deles balançou a espada, um golpe para fender seu crânio em dois.
O tolo não percebeu quem enfrentava. O que enfrentava.
Que não era uma rainha cuspidora de fogo presa em ferro que o atacava, mas uma assassina.
Com uma torção, levantando os braços, Aelin encontrou a espada de frente.
Assim como ela planejou.
A espada do macho ficou aquém do alvo, mas atingiu exatamente onde ela queria.
No centro das correntes que prendiam suas mãos.
Ferro estalou.
Então a espada do macho estava em suas mãos livres. Então a garganta dele estava espirrando sangue.
Aelin girou, atacando os outros soldados que estavam entre ela e a liberdade.
Mesmo enquanto ele corria para ela, Lorcan só podia ficar boquiaberto com o que se desenrolava.
Ela atacou antes que eles soubessem para onde se virar. Cortou, desviou, estocou. Ela uma adaga com a outra mão. E então estava terminado. E então não havia mais nada entre ela e a entrada do acampamento, apenas os seis sentinelas sacando suas armas...
Lorcan atacou com sua magia, uma rede letal de poder que fez os guardas caírem de joelhos. Pescoços estalaram.
Aelin não vacilou quando eles murcharam no chão. Ela passou correndo, indo diretamente no campo e nas colinas. Para onde Lorcan corria para ela.
Ele sinalizou novamente. Para mim, para mim.
Se Aelin reconheceu a magia, ou a ele, ela ainda correu em sua direção
O caminho todo.
Seu corpo parecia inteiro, e ainda assim ela estava tão magra, as pernas salpicadas de sangue se esforçando para mantê-la em pé.
Um espaço cheio de saliências íngremes e buracos estava entre eles. Lorcan praguejou.
Ela não conseguiria, não naquele terreno, não drenada assim...
Mas ela fez.
Aelin desapareceu no primeiro declive, e a magia de Lorcan se acendeu de novo e de novo. Para ela, para Whitethorn.
E então ela surgiu novamente, subindo a colina, e ele pôde ver a lentidão tomando conta, a pura exaustão de um corpo em seu limite.
Flechas brotaram de arcos e uma chuva delas disparou para o céu.
Apontando para ela naquelas colinas expostas.
Lorcan enviou uma onda de seu poder, destruindo-as.
Ainda mais foram atiradas. Tiros únicos desta vez, de tantas direções que ele não conseguia rastrear suas fontes. Arqueiros treinados, alguns dos melhores de Maeve. Aelin tinha que...
Ela já estava fazendo. Aelin começou a ziguezaguear, privando-os de um alvo fácil. Da esquerda para a direita, ela disparou sobre as colinas, mais devagar a cada elevação que subia, cada passo em direção a Lorcan enquanto ele corria até ela, cem metros entre eles.
Uma flecha quase acertou suas costas, mas Aelin se lançou para o lado, derrapando na grama e na terra. Ela estava de pé novamente em um piscar de olhos, armas ainda na mão, correndo pelas saliências e cavidades entre eles.
Outra flecha foi atirada na direção dela, e Lorcan fez um movimento para afastá-la. Uma parede dourada cintilante chegou primeiro.
Vindo do norte, saltando sobre as aberturas, atacou Gavriel. Aelin desapareceu em um mergulho na terra, e quando emergiu, o Leão corria ao lado dela, um escudo dourado ao seu redor. Não envolvendo a ela, mas o ar ao redor deles. Incapaz de tocá-la completamente com a máscara de ferro, com as correntes que envolviam seu torso. As manoplas de ferro nas mãos dela.
Soldados saíam do acampamento, e Lorcan enviou um vento negro chicoteando para eles. Onde os tocou, eles morreram. E aqueles que não caíram encontraram um escudo impenetrável impedindo o caminho para o campo.
Ele o espalhou o máximo que pôde. Com juramento de sangue ou não, eles ainda eram seu povo. Seus soldados. Ele evitaria suas mortes, se pudesse. Os salvaria de si mesmos.
Aelin tropeçava agora, e Lorcan percorreu a última elevação entre eles.
Ele abriu a boca, para dizer o que, ele não sabia, mas um brado perfurou o céu azul.
O soluço que saiu de Aelin ao brado de fúria do falcão rachou o peito de Lorcan.
Mas ela continuou correndo para as árvores, para a cobertura. Lorcan e Gavriel ficaram ao lado dela, e quando ela tropeçou novamente, aquelas pernas finas perdendo o chão, Lorcan segurou-a por baixo do braço e ergueu-a.
Rápido como uma estrela cadente, Rowan mergulhou na direção deles. Ele os alcançou quando passaram pela primeira das árvores, mudando de forma quando aterrissou. Eles se detiveram, Aelin se esparramando no chão coberto por agulhas de pinheiros.
Rowan estava imediatamente diante dela, as mãos indo para a máscara no rosto, as correntes, o sangue cobrindo os braços, o corpo ferido...
Aelin soltou outro soluço e gemeu:
— Fenrys.
Lorcan demorou um momento para entender. Ela apontou para trás, para o acampamento, quando disse novamente, como se a fala estivesse além dela:
— Fenrys.
Sua respiração era uma rouquidão úmida. Um apelo.
Um apelo quebrado e sangrento.
Fenrys permanecia com Cairn. No acampamento.
Aelin apontou novamente, soluçando.
Rowan desviou o rosto de sua parceira.
A raiva nos olhos de Rowan poderia devorar o mundo. E essa raiva estava prestes a conseguiu o tipo de vingança que apenas um macho com elo de parceria poderia conseguir.
Os caninos de Rowan reluziram, mas sua voz era mortalmente suave quando ele disse a Lorcan:
— Leve-a para o vale. — Um movimento de seu queixo para Gavriel. — Você vem comigo.
Com um último olhar em direção a Aelin, sua raiva congelada uma tempestade se armando ao vento, o príncipe e o Leão se foram, voltando para o acampamento caótico e sangrento.

6 comentários:

  1. SOCORRO!!!!!!!!!
    TÔ CHORAAAAAAAAANDOOOOOO

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  2. ATÉ QUE ENFIM CARALHO.

    Mesmo quebrada, fodida, e mutilada, ela ainda tem pique pra matar vários féericos e semi-feéricos, e fugir.

    Celaena Sardothien, a melhor assassina do mundo, e de todos os outros mundos.

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  3. Esperando ansiosa o livro esta mas que valendo a pena

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  4. AAAAAAAAAAAAAAAA MEU DEUUUUUUUUUUUS, O MOMENTO QUE EU TANTO ESPERAVAAAAAA!

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  5. Tô chorando e rindo, o que é isso Brasil!!? 😆😃😁😀 Que momento feliz.
    Que ainda tenha salvação para o Fenrys. 🤞🏻🤞🏻

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Boa leitura, E SEM SPOILER!