29 de outubro de 2018

Capítulo 24

As Crochans ignoravam-na. E ignoravam as Treze. Alguns insultos eram sibilados à sua passagem, mas um olhar de Manon e as Treze mantinham os punhos cerrados ao lado do corpo.
As Crochans permaneceram no acampamento por uma semana para cuidar de seus feridos, e assim Manon e as Treze também ficaram, ignoradas e odiadas.
— Que lugar é este? — Manon perguntou a Glennis quando encontrou a velha polindo o cabo enfeitado de ouro de uma vassoura ao lado do fogo. Duas outras vassoram jaziam em um manto próximo. Trabalho humilde para a bruxa encarregada deste acampamento.
— Este é um acampamento antigo – um dos mais antigos que reivindicamos. — Os dedos nodosos de Glennis voavam sobre o cabo da vassoura. — Cada uma das sete Grandes Lareiras tem fogo aqui, assim como muitas outras — de fato, havia muito mais do que sete no acampamento. — Foi um local de encontro para nós depois da guerra e, desde então, tornou-se um lugar para levar algumas das nossas jovens bruxas à idade adulta. É um rito que nós desenvolvemos ao longo dos anos – enviá-las para as profundezas da mata por algumas semanas, para caçar e sobreviver apenas com sua vassouras e uma faca. Nós permanecemos aqui enquanto elas fazem isso.
— Você sabe qual é o nosso ritual de iniciação? — Manon perguntou baixinho.
O rosto de Glennis se apertou.
— Sei. Todos nós sabemos.
De que lareira fazia parte a bruxa que ela matou aos dezesseis anos? O que sua avó fizera com o coração Crochan que ela levara a Fortaleza Bico Negro, vestindo o manto de sua inimiga como troféu?
Mas Manon apenas perguntou:
— Quando vocês partem para Eyllwe?
— Amanhã. Aquelas que foram mais gravemente feridas na escaramuça se curaram o suficiente para viajar – ou sobreviver aqui por conta própria.
O estômago de Manon se apertou, mas ela espantou o arrependimento. Glennis estendeu uma das vassouras para Manon, seu cabo atado com fios de metal comum.
— Voará para o sul conosco?
Manon pegou a vassoura, a madeira atravessada contra sua mão. O vento sussurrava ao ouvido dela da corrente rápida e perversa entre os picos acima.
Ela e as Treze já haviam decidido dias atrás. Se o sul era para onde as Crochans iam, então para o sul eles iriam. Mesmo que cada dia pudesse significar desgraça para os que estavam no norte.
— Nós voaremos com vocês — disse Manon.
Glennis assentiu.
— Essa vassoura pertence a uma bruxa de cabelos negros chamada Karsyn. — A anciã moveu o queixo para as tendas atrás de Manon. — Ela está de plantão junto a suas serpentes aladas.


Dorian decidiu que não precisava de um lugar escondido para praticar. O que era uma sorte, já que não havia privacidade no acampamento das Crochans.
Não dentro do acampamento, e certamente não ao redor, não com os olhos afiados de suas sentinelas patrulhando dia e noite.
Foi assim que ele acabou sentado diante de Vesta na lareira de Glennis, a bruxa ruiva meio adormecida de tédio.
— Aprender a se transformar — resmungou ela, bocejando pela décima vez a essa hora — parece uma perda de tempo colossal. — Ela apontou uma mão branca como a neve para o círculo de treinamento improvisado onde as Treze mantinham seus corpos e instintos afiados. — Você poderia estar lutando com Lin agora.
— Eu acabei de assistir Lin quase forçar Imogen e engolir os próprios dentes. Perdoe-me se não estou com vontade de entrar no ringue com ela.
Vesta arqueou uma sobrancelha ruiva.
— Nada de macho se gabando vindo de você, então.
— Eu gosto dos meus dentes onde estão. — Ele suspirou. — Estou tentando me concentrar.
Nenhuma das bruxas, nem Manon, questionou por que ele praticava. Ele mencionou, quase uma semana atrás, que a aranha o fez pensar se ele conseguia se transformar, usando sua magia crua, e eles encolheram deram de ombros.
O foco delas estava nas Crochans. Na viagem a Eyllwe, que provavelmente aconteceria a qualquer momento.
Ele não tinha ouvido nenhuma menção a uma esquadra de guerra, mas se isso pudesse dividir as forças de Morath mesmo que pouco, ao precisarem seguir para o sul para lidar com eles, se distraísse Erawan quando Dorian fosse para a fortaleza do rei valg... Ele aceitaria.
Ele já havia oferecido a Manon e Glennis o que sabia sobre o reino e seus governantes. Os pais de Nehemia e dois irmãos mais novos. O império de Adarlan havia feito todo o seu trabalho em dizimar o exército de Eyllwe, de modo que qualquer esperança naquela frente era impossível, mas se reunissem alguns milhares de soldados para seguir para o norte... Seria uma benção para seus amigos.
Se eles conseguissem sobreviver, seria o suficiente.
Dorian fechou os olhos e Vesta ficou em silêncio. Durante dias, ela se sentou com ele quando seu treinamento e patrulha permitiam, de olho em qualquer transformação que ele tentasse: mudar o cabelo, a pele, os olhos.
Nada disso ocorreu. Sua magia havia tocado levemente o poder roubado daquele metamorfo – aprendera apenas o suficiente antes de matar a aranha.
Agora era uma questão de convencer sua magia a se tornar como o poder daquele metamorfo. Se já havia sido feito com magia crua antes, ele não sabia.
Seja o que você quiser, Cyrene havia dito a ele.
Nada. Ele queria ser nada.
Mas Dorian continuou buscando para dentro. Em todo canto oco e vazio. Ele só precisava fazer isso por tempo suficiente. Para dominar a transformação. Para se infiltrar em Morath e encontrar a terceira chave. Para então oferecer tudo o que era e tinha sido para o cadeado e o portão.
E então tudo acabaria.
Para Erawan, sim e para ele.
Mesmo que isso deixasse Hollin com o direito ao trono. Hollin, que também era filho de um homem possuído por valg. O demônio tinha passado algum traço para seu irmão?
O menino tinha sido bestial – mas seria humano?
Hollin não havia matado o pai deles. Quebrado o castelo. Deixado Sorscha morrer.
Dorian não ousara perguntar a Damaris. Não tinha certeza do que faria se a espada revelasse o que ele era, no fundo.
Então Dorian olhou para dentro, onde sua magia fluía, onde podia se mover entre chama e água e gelo e vento.
Mas não importava o quanto ele desejasse, o quanto imaginasse cabelos castanhos, pele pálida ou sardas, nada aconteceu.


Ela não era uma mensageira, mas Manon aceitou a sugestão – e a oferta. Junto com outras três vassouras, todas para bruxas do outro lado do acampamento.
Não bastaria voar com elas para Eyllwe. Não, ela teria que aprender sobre elas. Sobre cada uma dessas bruxas.
Asterin, que monitorava do outro lado do fogo, deu um passo ao lado dela, pegando duas das vassouras.
— Esqueci que elas usavam sequoia — falou sua tenente, estudando as vassouras em seus braços. — Muito mais fácil de esculpir do que pau-ferro.
Manon ainda podia sentir a dor de suas próprias mãos durante os longos dias que esculpira sua primeira vassoura do tronco de pau-ferro que encontrara no fundo de Carvalhal. Os dois primeiros empreendimentos resultaram em flechas estaladas, e ela resolveu cortar sua vassoura com mais cuidado. Três tentativas, uma para cada face da Deusa.
Ela tinha treze anos, poucas semanas depois de seu primeiro sangramento, que provocara o zumbido de energia que chamava o vento, que fluía pelas vassouras e as levava para o céu. Cada golpe do cinzel, cada batida do martelo que transformava o bloco de material quase impenetrável, transferira esse poder para a própria vassoura emergente.
— Onde você deixou a sua? — Manon perguntou.
Asterin deu de ombros.
— Em algum lugar da Fortaleza Bico Negro.
Manon assentiu. A dela estava atualmente descartada no fundo de um armário em seu quarto, no centro de poder de sua avó. Ela a jogou lá depois que a magia desapareceu, a vassoura pouco mais que uma ferramenta de limpeza sem ela.
— Suponho que não as recuperaremos agora — disse Asterin.
— Não, não recuperaremos — disse Manon, examinando os céus. — Nós voaremos com as Crochans para Eyllwe amanhã. Para encontrar com qualquer esquadra humana de guerra que elas conheçam.
Asterin apertou a boca.
— Talvez nós convençamos todos eles – as Crochans, a esquadra de guerra Eyllwe – a seguirem para o norte.
Talvez. Se elas tivessem sorte o suficiente. Se não demorassem tanto tempo que Erawan esmagaria o norte em pó.
Elas alcançaram a primeira das bruxas que Glennis havia indicado, e Asterin não disse nada quando Manon fez sinal para ela passar a vassoura.
O nariz da Crochan franziu-se de desgosto quando ela segurou a vassoura entre dois dedos.
— Agora precisarei limpar novamente.
Asterin lançou-lhe um sorriso torto que significava que o problema se aproximava rapidamente.
Então Manon empurrou-a para outra caminhada, passando entre as tendas em busca das outras donas.
— Você realmente acha que vale a pena o nosso tempo? — Asterin murmurou quando a segunda, em seguida, a terceira bruxa zombou ao receber suas vassouras. — Bancar a serva para estas princesas mimadas?
— Espero que sim — Manon murmurou de volta quando chegaram à última das bruxas. Karsyn. A Crochan de cabelos escuros olhava para o círculo de serpentes aladas, exatamente onde Glennis dissera que ela estaria.
Asterin limpou a garganta e a bruxa se virou, o rosto de pele de oliva se contraindo.
Mas ela não zombou. Não sibilou.
Missão cumprida, Asterin se virou. Mas Manon disse à Crochan, movendo o queixo na direção dos serpente aladas:
— É diferente de usar as vassouras. Mais rápido, mais mortal, mas você também precisa alimentá-las e dar água.
Os olhos verdes de Karsyn eram cautelosos – mas curiosos. Ela olhou novamente para as serpentes aladas encolhidas contra o frio, a montaria azul de Asterin pressionada ao lado de Abraxos, a asa dele sobre ela.
— Erawan as criou usando métodos que não temos certeza — Manon continuou. — Ele pegou um modelo antigo e o trouxe à vida. — Porque houvera serpentes aladas em Adarlan antes – muito tempo atrás. — Ele pretendia criar uma série de assassinos sem cérebros, mas alguns não assim.
Asterin ficou quieta por uma vez.
— Sua serpente alada parece mais um cão do que qualquer coisa — Karsyn falou finalmente.
Não era um insulto, Manon se lembrou. As Crochans mantinham cães como animais de estimação. Os adorava, assim como os humanos.
— O nome dele é Abraxos — disse Manon. — Ele é... diferente.
— Ele e a azul são parceiros.
— Eles são o quê? — Asterin soltou.
A Crochan apontou para a montaria azul encolhida ao lado de Abraxos.
— Ele é menor, mas ele a adora. Se aconchega nela quando ninguém está olhando.
Manon trocou um olhar com Asterin. Suas montarias flertavam incessantemente, sim, mas parceria...
— Interessante — Manon conseguiu dizer.
— Vocês não sabiam que eles faziam essas coisas? — as sobrancelhas de Karsyn se franziram.
— Nós sabíamos que eles procriam. — Asterin finalmente falou. — Mas não testemunhamos acontecendo por... escolha.
— Por amor — disse a Crochan, e Manon quase revirou os olhos. — Essas bestas, apesar de seu mestre sombrio, são capazes de amar.
Bobagem, ainda que algum núcleo nela percebesse que era verdade. Em vez disso, Manon perguntou, embora já soubesse:
— Qual é o seu nome?
Mas novamente a cautela inundou os olhos de Karsyn, como se lembrasse com quem falava, que havia outras que poderiam vê-las conversando.
— Obrigada pela vassoura — falou a bruxa, e caminhou entre as tendas.
Pelo menos uma das Crochans havia conversado com ela. Talvez esta viagem a Eyllwe lhe oferecesse a oportunidade de falar com mais. Mesmo que ela pudesse sentir cada hora e minuto passando pesando sobre eles.
Corra para o norte, o vento cantava dia e noite. Depressa, Bico Negro.
Quando Karsyn se foi, Asterin permaneceu olhando para Abraxos e Narene, coçando a cabeça.
— Você realmente acha que eles são parceiros?
Abraxos ergueu a cabeça de onde descansava sobre as costas de Narene e olhou para elas, como se dissesse: Você demorou bastante para descobrir.


— O que eu deveria estar observando, exatamente?
Sentados joelho a joelho em sua pequena tenda, o vento uivando lá fora, os olhos dourados de Manon se estreitaram enquanto ela olhava para o rosto de Dorian.
— Meus olhos — falou ele. — Apenas me diga se eles mudarem de cor.
Ela rosnou.
— Esta transformação é realmente uma coisa urgente para aprender?
— Faça minha vontade — ele ronronou, e alcançou para dentro, sua magia queimando.
Castanho. Vocês vão mudar de azul para castanho.
Mentiroso – ele achava que era um mentiroso por manter suas verdadeiras razões ocultas dela. Ele não precisava de Damaris para confirmar.
Ela poderia proibi-lo de ir a Morath, mas havia outra possibilidade, ainda pior do que essa.
Que ela insistiria em ir com ele.
Manon lançou-lhe um olhar que faria um homem menor sair correndo.
— Eles ainda estão azuis.
Deuses acima, ela era linda. Ele se perguntou quando pararia de sentir que era traição pensar assim.
Dorian respirou fundo, concentrando-se novamente. Ignorando a presença sussurrante das duas chaves no bolso do casaco.
— Diga-me se mudar de alguma forma.
— É tão diferente da sua magia?
Dorian recostou-se, apoiando os braços atrás dele enquanto procurava as palavras para explicar.
— Não é como outros tipos de magia, que flui em minhas veias, e meio pensamento muda de gelo para chama para água.
Ela o estudou, a cabeça inclinada em um movimento que ele vira as serpentes aladas fazerem. Logo antes de devorarem uma cabra inteira.
— Qual você gosta mais?
Uma pergunta extraordinariamente pessoal. Embora na semana anterior, graças ao relativo calor e privacidade da tenda, tivessem passado horas enrolados nos cobertores agora sob eles.
Ele nunca teve ninguém parecida com ela. Às vezes se perguntava se ela nunca tivera alguém parecido com ele também. Ele vira quantas vezes ela encontrava seu prazer quando ele tomava as rédeas, quando seu corpo se contorcia debaixo dele e ela perdia o controle inteiramente.
Mas as horas nessa barraca não haviam produzido nenhum tipo de intimidade. Apenas abençoada distração. Para ambos. Ele estava feliz por isso, disse a si mesmo. Nada disso poderia terminar bem. Para qualquer um deles.
— Gosto mais do gelo — Dorian admitiu finalmente, percebendo que deixara o silêncio crescer. — Foi o primeiro elemento que veio a mim – não sei por quê.
— Você não é uma pessoa fria.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Esst é a sua opinião profissional?
Manon estudou-o.
— Você pode descer a esses níveis quando está com raiva, quando seus amigos estão ameaçados. Mas você não é frio, não de coração. Eu vi homens que são, e você não é.
—  Nem você — ele falou quase baixinho.
A coisa errada a dizer.
Manon endureceu, erguendo o queixo.
— Eu tenho cento e dezessete anos de idade — disse ela categoricamente. — Passei a maior parte desse tempo matando. Não se convença de que os eventos dos últimos meses apagaram isso.
— Continue dizendo isso a si mesma. — Ele duvidava que alguém tivesse falado com ela com tanta facilidade – se deleitasse com o que fez agora, e mantivesse a garganta intacta.
Ela rosnou em seu rosto.
— Você é um tolo se acredita no fato de que sou a rainha deles, quando na verdade matei muitas Crochans.
— Esse fato sempre permanecerá. É como você faz isso valer que importa agora.
Fazer valer. Aelin dissera lá atrás, naqueles primeiros dias depois de ele ter sido libertado do colar. Ele tentou não se perguntar se a mordida fria da pedra de Wyrd logo apertaria seu pescoço mais uma vez.
— Eu não sou uma Crochan de bom coração. Nunca serei, mesmo que use sua coroa de estrelas.
Ele ouvira os sussurros sobre aquela coroa entre as Crochans esta semana – sobre se ela seria finalmente encontrada. A coroa de estrelas de Rhiannon Crochan, roubada de seu corpo moribundo pela própria Baba Pernas Amarelas. Para onde ela foi depois que Aelin matou a matriarca, Dorian não tinha a menor ideia. Se tinha ficado com aquele estranho circo com que ela viajara, poderia estar em qualquer lugar. Poderia ter sido vendido por moedas rápidas.
— Se é isso que as Crochans esperam que eu me torne antes de entrarem nesta guerra — Manon prosseguiu — então vou deixá-las aventurar-se em Eyllwe amanhã sozinhas.
— É tão ruim, se importar?
Os deuses sabiam que ele estava lutando para isso.
— Eu não sei como — ela rosnou.
Ridículo. Uma mentira descarada. Talvez fosse por causa da grande probabilidade de ele ser novamente preso em Morath, talvez fosse porque ele era um rei que deixara seu reino sob controle do inimigo, mas Dorian se viu dizendo:
— Você se importa. Você também sabe disso. É o que a deixa tão assustada com tudo isso.
Seus olhos dourados se arregalaram, mas ela não disse nada.
— Importar-se não a torna fraca — ele ofereceu.
― Então por que você não presta atenção ao seu próprio conselho?
― Eu me importo. — Seu temperamento subiu para encontrar o dela. E ele decidiu mandar tudo para o inferno – decidiu deixar de lado a coleira que tinha colocado em si mesmo. Deixar de lado essa restrição. — Eu me importo com mais do que deveria. Eu ainda me importo com você.
Outra coisa errada a dizer.
Manon se levantou tão alta quanto a tenda permitiria.
— Então você é um tolo.
Ela vestiu suas botas e saiu para a noite gelada.


Eu ainda me importo com você.
Manon fez uma careta quando se virou durante o sono, deitada entre Asterin e Sorrel. Restavam apenas algumas horas até que levantassem – para ir a Eyllwe e qualquer força que estivesse à espera para se aliar às Crochans. E precisando de ajuda.
Importar-se não a torna fraca. O rei era um tolo. Pouco mais que um menino. O que ele sabia sobre qualquer coisa?
Ainda assim, as palavras entravam sob sua pele, seus ossos. É tão ruim, se importar?
Ela não sabia. Não queria saber.


O amanhecer não estava muito distante quando um corpo quente escorregou ao lado dele.
Dorian disse na escuridão:
— Três para uma barraca não é muito confortável, não é?
— Eu não voltei porque concordo com você. — Manon puxou os cobertores sobre si mesma.
Dorian sorriu levemente e adormeceu mais uma vez, deixando sua magia aquecer os dois.
Quando eles acordaram, algo afiado em seu peito havia entorpecido – apenas uma fração.
Mas Manon estava franzindo a testa para ele.
Dorian se sentou, gemendo quando ele esticou os braços até onde a tenda permitiria.
— O que foi? — Ele perguntou quando a sobrancelha dela permaneceu franzida.
Manon calçou as botas, depois a capa.
— Seus olhos estão castanhos.
Ele levantou a mão para o rosto, mas ela já tinha ido embora.
Dorian ficou olhando para as costas dela, o acampamento já se apressando para sair.
Onde aquela borda afiada estivera entorpecida em seu peito, sua magia agora fluía mais livre. Como se também tivesse sido libertada daquelas restrições internas que ele havia afrouxado um pouco na noite passada. Pelo o que ele abriu, revelou para ela. Uma espécie de liberdade, deixar ir.
O sol mal estava no céu quando começaram o longo voo para Eyllwe.

2 comentários:

  1. Engraçado o fato de q no livro anterior o shipp q eu fazia entre Manon e Dorian era mais forte do que está sendo nesse.
    Estranho né? Acho que é pq eu esteja com receio de eles não poderem ficar juntos no fim. Eu tenho certeza que a Sarah vai acabar matando alguém q eu amo ai durante a guerra, e as vezes tenho uma estranha certeza de q esse alguém possa a vir ser o Dorian.

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  2. eu amo o Dorian, vei, realzão kkkkkkkk

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Boa leitura, E SEM SPOILER!