29 de outubro de 2018

Capítulo 20

— Você conhece a história da rainha que caminhou através de mundos?
Sentada no tapete de musgo de um vale antigo, uma mão brincando com as pequenas flores brancas espalhadas ali, Aelin balançou a cabeça.
Entre os imensos carvalhos que formavam uma treliça sobre a clareira, pequenas estrelas piscavam e brilhavam, como se tivessem sido capturadas pelos próprios galhos. Além deles, banhando a floresta com luz brilhante que tornava possível enxergar, uma lua cheia se elevara. Ao redor delas, um canto fraco e ritmado flutuava no ar quente do verão.
— É uma história triste — falou sua tia, um canto de sua boca pintada de vermelho se curvando para cima quando ela se recostou em seu assento esculpido em uma pedra de granito. Seu lugar de costume quando elas tinham essas lições, essas longas e pacíficas conversas nas noites quentes de verão — e antiga.
Aelin levantou uma sobrancelha.
— Eu não estou um pouco velha para contos de fadas? — Ela de fato comemorara seu vigésimo aniversário três dias atrás, em outra clareira não muito longe daqui. Metade de Doranelle viera, parecia, e ainda assim seu parceiro havia encontrado uma maneira de roubá-la da folia. Por todo o caminho até uma piscina isolada no coração da floresta. Seu rosto ainda se aquecia ao pensar naquele mergulho ao luar, o que Rowan a fizera sentir, como ele a adorara na água aquecida pelo sol.
Parceiro. A palavra ainda era uma surpresa. Como fora chegar aqui no final da primavera e vê-lo ao lado do trono de sua tia e simplesmente saber. E nos meses seguintes, a corte deles... Aelin corou de verdade ao pensar nisso. O que eles fizeram naquela piscina florestal foi o ponto culminante daqueles meses. E libertador. As marcas da parceria em seu pescoço – e no de Rowan – o provavam. Ela não voltaria a Terrasen sozinha quando o outono chegasse.
— Ninguém é velho demais para contos de fadas — disse sua tia, um leve sorriso crescendo. — E como você é parte fada, achei que teria algum interesse neles.
Aelin sorriu de volta, inclinando a cabeça.
— É justo, tia. — Tia não estava inteiramente certo, não com gerações e milênios separando-as, mas foi o que a rainha sugerira que Aelin a chamasse.
Maeve se acomodou ainda mais em seu assento.
— Há muito tempo, quando o mundo era novo, quando não havia reinos humanos, quando nenhuma guerra havia destruído a terra, uma jovem rainha nasceu.
Aelin cruzou as pernas, inclinando a cabeça.
— Ela não sabia que era uma rainha. Entre seu povo, o poder não era herdado, simplesmente nascia. E quando ela cresceu, sua força cresceu junto. Ela achava que a terra em que morava era pequena demais para esse poder. Muito escura e fria e sombria. Ela tinha dons semelhantes a muitos usados por sua espécie, mas recebera mais, seu poder, uma arma mais afiada e intricada – o bastante para ser diferente. Seu povo viu esse poder e se curvou a ele, e ela os governou.
“A notícia de seus dons se espalhou e três reis vieram pedir sua mão. Formar uma aliança entre o trono deles e o que ela construiu para si, por menor que fosse. Por um tempo, ela pensou que seria a novidade, o desafio que ela sempre desejou. Os três reis eram irmãos, cada um deles poderoso, com seu dom vasto e aterrorizante. Ela escolheu o mais velho entre eles, não por qualquer habilidade ou graça em particular, mas por suas inúmeras bibliotecas. O que ela poderia aprender em suas terras, o que poderia fazer com seu poder... Era esse conhecimento que ela ansiava, não o próprio rei.
Uma história estranha. As sobrancelhas de Aelin se levantaram, mas sua tia continuou.
— Então eles se casaram e ela deixou seu pequeno território para se juntar a ele em seu castelo. Por um tempo, ela ficou contente, tanto pelo marido quanto pelo conhecimento que sua casa lhe oferecia. Ele e seus dois irmãos eram conquistadores, e passavam grande parte do tempo longe, trazendo novas terras ao trono compartilhado. Ela não se importava, não quando isso lhe dava liberdade para aprender quanto podia. As bibliotecas de seu marido continham conhecimento, mesmo que ele não percebesse o que havia dentro delas. Conhecimento e sabedoria de mundos há muito tempo transformados em pó. Ela aprendeu que havia de fato outros mundos. Não o reino escuro e destruído em que eles viviam, mas mundos além disso, vivendo um em cima do outro sem perceber. Mundos onde o sol não era uma luz baça através das nuvens de cinzas, mas um fluxo dourado de calor. Mundos onde existia o verde. Ela nunca tinha ouvido falar de tal cor. Verde. Nem ouvira falar de azul – nem do tom do céu que era descrito. Ela não podia nem imaginar.
Aelin franziu a testa.
— Uma existência lamentável.
Maeve assentiu severamente.
— Era. E quanto mais ela lia sobre esses outros mundos, onde os viajantes mortos há tempos vagavam, mais ela queria vê-los. Para conhecer o beijo do sol em seu rosto. Ouvir as canções matinais dos pardais, o grito das gaivotas sobre o mar. O mar também era estranho para ela. Um corpo interminável de água, com seus próprios humores e profundidades escondidas. Tudo o que tinham em suas terras eram lagos rasos e escuros e riachos meio secos. Então, enquanto seu marido e seus dois irmãos travavam outra guerra, ela começou a refletir sobre como poderia encontrar um caminho para um desses mundos. Como ela poderia ir embora.
— Isso é possível?
Algo a incomodou, como se aquilo de fato pudesse ser verdade, mas talvez fosse uma das histórias de sua própria mãe, ou mesmo de Marion, atiçando sua memória.
Maeve assentiu.
— Foi. Usando a linguagem da própria existência, portas podiam ser abertas, ainda que brevemente, entre mundos. Era proibido, banido muito antes de seu marido e seus irmãos nascerem. Uma vez que o último dos antigos viajantes morrera, os caminhos entre os reinos foram selados, seus métodos de caminhar pelos mundos se perderam com eles. Ou assim todos pensaram. Mas no fundo da biblioteca particular de seu marido, ela encontrou os antigos feitiços. Ela começou com pequenos experimentos. Primeiro, abriu uma porta para o reino do descanso, para encontrar um desses viajantes e perguntar como se fazia corretamente. — Um sorriso conhecedor. — O viajante se recusou a contar a ela. Então a rainha começou a ensinar a si mesma. A abrir e fechar portas há muito esquecidas ou lacradas. Espiando profundamente o funcionamento do cosmos. Seu próprio mundo se tornou uma gaiola. Ela se cansou da guerra do marido, sua crueldade casual. E quando ele partiu para a guerra mais uma vez, a rainha reuniu suas criadas mais próximas, abriu uma porta para um novo mundo e deixou aquele em que nascera.
— Ela foi embora? — Aelin perguntou. — Ela... ela apenas deixou seu próprio mundo? Permanentemente?
— Nunca tinha sido o mundo dela, não de verdade. Ela nasceu para governar os outros.
— Para onde ela foi?
Aquele sorriso cresceu um pouco.
— Para um mundo lindo e adorável. Onde não havia guerra, nem escuridão. Não como aquela em que ela nasceu. Ela foi feita uma rainha lá também. Conseguiu esconder-se dentro de um novo corpo para que ninguém soubesse o que ela era por baixo, de modo que até seu próprio marido não a reconheceria.
— Ele a encontrou de novo?
— Não, embora procurasse. Descobriu tudo o que ela aprendera e ensinou a si mesmo e a seus irmãos. Eles destruíram mundo após mundo para encontrá-la. E quando chegaram ao mundo onde ela tinha feito sua nova casa, não a reconheceram. Mesmo quando foram para a guerra, ela não se revelou. Ela ganhou, e dois dos reis, incluindo o marido, foram banidos de volta ao seu próprio mundo. O terceiro permaneceu preso, seu poder quase quebrado. Ele se arrastou para as profundezas da terra, e a rainha vitoriosa passou sua longa existência preparando-se para seu retorno, preparando seu povo para isso. Pois os três reis haviam ido além de seus métodos de caminhar pelo mundo. Eles haviam encontrado uma maneira de abrir permanentemente um portão entre os mundos e haviam feito três chaves para isso. Empunhar essas chaves era controlar todos os mundos, ter o poder da eternidade na palma da sua mão. Ela queria encontrá-las, só assim possuiria a força para banir quaisquer inimigos, banir o irmão mais novo de seu marido de volta ao seu reino. Para proteger seu mundo novo e adorável. Era tudo o que ela sempre quis: habitar em paz, sem a sombra de seu passado a caçá-la.
De longe, aquele fantasma de memória pressionou. Como se ela tivesse se esquecido de apagar uma vela acesa em seu quarto.
— E a rainha encontrou as chaves?
O sorriso de Maeve ficou triste.
— Você acha que ela encontrou, Aelin?
Aelin considerou. Tantos de suas conversas, suas lições neste vale, continham enigmas mais profundos, perguntas para ela trabalhar, para ajudá-la quando ela um dia assumisse seu trono, Rowan ao seu lado.
Como se ela o tivesse convocado, o cheiro de pinho e neve de seu parceiro encheu a clareira. Um farfalhar de asas e lá estava ele, empoleirado em forma de falcão em um dos enormes carvalhos. Seu príncipe guerreiro.
Ela sorriu em direção a ele, como fazia há semanas, quando ele a escoltava de volta a seus aposentos no palácio do rio. Foi durante aqueles passeios da floresta até a cidade envolta em névoa que ela veio a conhecê-lo, amá-lo. Mais do que ela alguma vez amara qualquer coisa.
Aelin voltou a encarar a tia.
— A rainha era inteligente e ambiciosa. Acho que ela poderia fazer qualquer coisa, até encontrar as chaves.
— Então você acha. E, no entanto, eles a iludiram.
— Onde elas estavam?
O olhar sombrio de Maeve segurou firmemente o dela.
— Onde você acha que elas estavam?
Aelin abriu a boca.
— Eu acho... — ela piscou. Pausou.
O sorriso de Maeve voltou, suave e gentil. Como sua tia fora para ela desde o início.
— Onde você acha que as chaves estão, Aelin?
Ela abriu a boca mais uma vez. E novamente parou. Enquanto uma corrente invisível a puxava de volta. A silenciava.
Corrente... uma corrente.
Ela olhou para as mãos, os pulsos. Como se esperasse que elas estivessem ali.
Ela nunca sentira o peso de grilhões em sua vida. E ainda assim, olhou para o lugar vazio em seu pulso onde ela poderia jurar que havia uma cicatriz. Apenas pele suave e beijada pelo sol permanecia.
— Se este mundo estivesse em risco, se aqueles três reis terríveis ameaçassem destruí-lo, onde você encontraria as chaves?
Aelin olhou para sua tia. Outro mundo. Havia outro mundo. Como um fragmento de sonho, havia outro mundo e nele havia um pulso com uma cicatriz. Havia cicatrizes por toda parte.
E seu parceiro, empoleirado no alto... Ele tinha uma tatuagem no rosto, no pescoço e no braço daquele mundo. Uma história triste – sua tatuagem contava uma história triste e terrível. Sobre a perda. Perda causada por uma rainha sombria...
— Onde estão as chaves escondidas, Aelin?
Aquele sorriso plácido e amoroso permaneceu no rosto de Maeve. E ainda assim...
E ainda assim.
— Não — respirou Aelin.
Algo deslizou nas profundezas do olhar de sua tia.
— Não o quê?
Esta não era a sua existência, sua vida. Este lugar, estes meses felizes aprendendo em Doranelle, encontrando seu parceiro...
Sangue e areia e ondas quebrando.
— Não.
Sua voz era um trovão através do vale pacífico. Aelin mostrou os dentes, os dedos cravando-se no musgo.
Maeve soltou uma risada suave.
Rowan voou dos galhos para pousar no braço erguido da rainha.
Ele não lutou muito quando ela envolveu suas finas mãos brancas ao redor do pescoço dele. E o partiu.
Aelin gritou. Gritou, agarrando-se ao seu peito, ao laço de parceria...


Aelin arqueou-se no altar e cada parte quebrada e rasgada de seu corpo gritou com ela.
Acima dela, Maeve sorria.
— Você gostou dessa visão, não gostou?
Não era real. Não tinha sido real. Rowan estava vivo, ele estava vivo...
Ela tentou mover o braço. Relâmpago em brasa açoitou-a e ela gritou novamente.
Apenas um arquejar quebrado saiu. Quebrado, assim como o braço dela estava agora...
Estava agora...
O osso brilhava, projetando-se para cima ao longo de mais lugares do que ela podia contar. Sangue e pele retorcida, e...
Sem cicatrizes de grilhões, mesmo com os pedaços de osso.
Neste mundo, neste lugar, ela também não tinha cicatrizes.
Outra ilusão, outra paisagem sonhada...
Ela gritou novamente. Gritou com o braço arruinado, a pele sem cicatrizes, gritou com o eco persistente do elo de parceria cortado.
— Sabe o que mais me magoa, Aelin? — As palavras de Maeve eram suaves como as de um amante. — É que você acredita que eu sou a vilã aqui.
Aelin soluçou entre os dentes enquanto tentava e não conseguia mover o braço. Ambos os braços.
Ela lançou seu olhar através do espaço, esta sala que-ainda-não-era-real.
Eles consertaram a caixa. Tinham soldado uma nova placa de ferro sobre a tampa. Assim como nas laterais. No fundo. Menos ar entrava, as horas ou dias agora passados ali dentro repletos de calor quase sufocante. Foi um alívio quando ela finalmente foi acorrentada ao altar.
Sempre que tinha sido. Se isso tivesse acontecido mesmo.
— Não tenho dúvidas de que seu parceiro, Elena ou o próprio Brannon encheram sua cabeça de mentiras sobre o que farei com as chaves. — Maeve passou a mão pela beirada pedra do altar, através de seu sangue salpicado e fragmentos de osso. — Eu falei a verdade. Gosto deste mundo, não desejo destruí-lo. Apenas melhorá-lo. Imagine um reino onde não há fome, nem dor. Não é por isso que você e seus companheiros lutam? Um mundo melhor?
As palavras eram uma zombaria. Uma zombaria do que ela prometera a muitos. O que ela havia prometido a Terrasen, e ainda devia.
Aelin tentou não se mover contra as correntes, contra seus braços quebrados, contra a pressão apertada que empurrava sua pele por dentro. Uma intensidade crescente ao longo de seus ossos, em sua cabeça. Um pouco mais, todos os dias.
Maeve soltou um pequeno suspiro.
— Eu sei o que você pensa de mim, Portadora do Fogo. O que você assume. Mas há algumas verdades que não podem ser compartilhadas. Mesmo para as chaves.
No entanto, a tensão crescente estalou dentro dela, sufocando a dor... talvez fosse pior.
Maeve tocou sua bochecha por cima da máscara.
— A Rainha Que Foi Prometida. Eu quero salvá-la desse sacrifício, oferecido por uma garota obstinada. — Uma risada suave. — Eu até deixaria você ter Rowan. Vocês dois aqui juntos. Enquanto nós duas trabalhamos para salvar este mundo.
As palavras eram mentiras. Ela sabia disso, embora não conseguisse lembrar onde a verdade terminava e a mentira começava. Se o parceiro dela pertencesse a outra antes dela. Foi dado. Ou esse era o pesadelo?
Deuses, a pressão em seu corpo. O sangue dela.
Você não cede.
— Você pode sentir, mesmo agora — continuou Maeve. — O desejo do seu corpo de dizer sim.
Aelin abriu os olhos e a confusão deve ter brilhado ali, porque Maeve sorriu.
— Você sabe o que ser encapsulada em ferro faz com um portador de magia? Você não sentiria imediatamente, mas com o passar do tempo... sua magia precisa ser liberada, Aelin. Essa pressão é a sua magia gritando que você quer se libertar dessas correntes e liberar a tensão. Seu próprio sangue lhe diz para me dar atenção.
Verdade. Não a parte da submissão, mas a pressão profunda que ela sabia que seria pior do que qualquer dor do esgotamento. Ela sentiu isso uma vez, quando mergulhou o máximo que pôde em seu poder.
Aquilo não seria nada comparado a isto.
— Estou saindo por alguns dias — Maeve falou.
Aelin ficou quieta.
Maeve balançou a cabeça em uma zombaria de decepção.
— Você não está progredindo tão rápido quanto desejei, Aelin.
Do outro lado da sala, Fenrys soltou um grunhido de advertência. Maeve nem sequer olhou para ele.
— Chegou ao meu conhecimento que nosso inimigo em comum foi visto novamente nestas terras. Um deles, um príncipe valg, estava contido a alguns dias de viagem daqui, perto da fronteira sul. Trouxe vários colares, sem dúvida para usar no meu próprio povo. Talvez até mesmo em mim.
Não. Não.
Maeve passou a mão sobre o pescoço de Aelin, como se traçasse uma linha onde o colar estaria.
— Então, eu vou pegar aqueles colares e ver o que o servo de Erawan pode dizer. Eu destruí os príncipes valg que me encontraram na primeira guerra — ela disse baixinho. — Será fácil, suponho, dobrá-los à minha vontade. Bem, dobrar um deles à minha vontade e arrancá-lo do controle de Erawan, uma vez que eu colocar o colar em volta do seu pescoço.
Não.
A palavra era um canto constante, um grito crescente dentro dela.
— Não sei por que não pensei nisso antes — ponderou Maeve.
Não.
Maeve cutucou o pulso quebrado de Aelin e Aelin engoliu seu grito.
— Pense nisso. E quando eu voltar, discutiremos a minha proposta novamente. Talvez toda essa tensão crescente a faça ver com mais clareza também.
Um colar. Maeve ia pegar um colar de pedra de Wyrd...
Maeve se virou, o vestido preto girando com ela. Ela cruzou o limiar e sua coruja voou de seu poleiro em cima da porta aberta para pousar no ombro dela.
— Eu tenho certeza de que Cairn encontrará maneiras de entretê-la enquanto eu estiver fora.


Ela não sabia por quanto tempo ficou no altar depois que os curandeiros entraram com sua fumaça de cheiro doce. Eles colocaram as manoplas de metal sobre ela.
A cada hora, a pressão sob sua pele aumentava. Mesmo naquele sono pesado e drogado. Como se uma vez que tinha sido reconhecida, não seria ignorada. Ou contida.
Seria o menor dos problemas dela, se Maeve colocasse um colar no pescoço dela.
Fenrys estava sentado junto à parede, preocupação brilhando em seus olhos quando ele piscou. Você está bem?
Ela piscou duas vezes. Não.
Não, ela não estava nem perto de estar bem. Maeve estava esperando por isso, esperando que essa pressão começasse, pior do que qualquer coisa que Cairn pudesse fazer. E com o colar, que Maeve agora ia pessoalmente buscar...
Ela não podia se permitir contemplar. Uma forma mais horrível de escravidão, uma da qual ela nunca poderia escapar, nunca seria capaz de lutar contra. Não uma Portadora do Fogo quebrada, mas apagada.
Que tomaria tudo o que ela era, poder e conhecimento, arrancaria dela. Que a prenderia lá dentro, enquanto ela testemunharia sua própria voz revelar a localização das chaves de Wyrd. Fazer o juramento de sangue para Maeve. Submeter-se completamente a ela.
Fenrys piscou quatro vezes. Eu estou aqui, estou com você.
Ela respondeu na mesma moeda. Eu estou aqui, estou com você.
Sua magia surgiu, buscando uma saída, preenchendo as lacunas entre a respiração e os ossos. Ela não conseguia encontrar espaço para ela, não podia fazer nada para acalmá-la.
Você não cede.
Ela se concentrou nas palavras. Na voz de sua mãe. Talvez a magia a devorasse por dentro antes que Maeve retornasse.
Mas ela não sabia como suportaria. Aguentar mais alguns dias disso, quanto mais a próxima hora. Aliviar a tensão, apenas uma fração...
Ela desligou os pensamentos que serpenteavam em sua mente. Ela própria ou de Maeve, ela não se importava.
Fenrys piscou de novo, a mesma mensagem repetidamente. Eu estou aqui, estou com você.


— Levante-se.
Palavras zombeteiras que ela ouviu uma vez.
Cairn estava acima dela, um sorriso torcendo seu rosto odioso. E a luz selvagem em seus olhos...
Aelin ficou imóvel quando ele começou a soltar seus grilhões.
Guardas entraram. Fenrys rosnou.
A pressão se contorceu contra sua pele, batendo em sua cabeça como um martelo brutal. Pior que as ferramentas de quebrar penduradas ao lado de Cairn.
— Maeve quer que você seja movida — ele falou, aquela luz febril crescendo enquanto ele a erguia e a levava para a caixa. Deixou-a cair com tanta força que as correntes se chocaram contra seus ossos, seu crânio. Seus olhos lacrimejaram e ela se lançou para cima, mas a tampa se fechou.
Escuridão, quente e apertada, que pressionava. A gêmea da que crescia sob sua pele.
— Com Morath se arrastando para essas praias novamente, ela quer que você se mude para um lugar mais seguro até seu retorno — Cairn cantou através da tampa. Guardas grunhiram e a caixa foi levantada, Aelin se mexeu, apertando os lábios contra o movimento. — Eu não dou a mínima para o que ela vai fazer quando você passar a usar o colar demoníaco em torno da garganta. Mas até lá... Eu terei você toda para mim, não terei? Uma última diversão para nós, até que você se encontre com um novo amigo aí dentro.
Pavor enrolou em seu estômago, sufocando a pressão. Movê-la para outro local – ela havia alertado uma vez uma jovem curandeira sobre isso. Tinha dito a ela que se um atacante tentasse movê-la, eles definitivamente a matariam, e ela deveria tomar uma posição final antes que eles pudessem.
E isso era sem a ameaça de um colar de pedra de Wyrd se aproximando a cada dia que passava.
Mas Cairn não a mataria, não quando Maeve precisava dela viva.
Aelin concentrou-se em sua respiração. Para dentro e para fora, para fora e para dentro.
Não impediu que o medo oleoso e agudo tomasse conta. Que começasse a tremer.
— Você deve se juntar a nós, Fenrys — disse Cairn, com uma risada em sua voz quando Aelin escorregou contra o metal da caixa enquanto subiam as escadas. Aelin fechou os olhos, rezando pelo esquecimento. — Eu não quero que você perca um segundo disso.

7 comentários:

  1. Ela não pode sair, logo agora que o Rowan sabe onde ela tá!

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  2. Cadê esse povo que não aparece pra resgatar a Aelin?!

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  3. Espero que ela coma o coração desse merda grrrr

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  4. Por favor, que isso seja o plano do Rowan em ação, por favor q eles enfim a resgatem, por favor, por favor,por favor.. 🤞🏻

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  5. eu não consigo descrever o sentimento crescente a cada capitulo.
    medo, amor, esperança, panico, odio, é muita emoção pra pouca eu

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  6. A cada capítulo eu fico mais sem fôlego! Isso sim é uma guerra!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!