29 de outubro de 2018

Capítulo 121

Rowan sabia que este dia seria difícil para ela.
Para todos eles, que se tornaram tão próximos nessas semanas e meses.
No entanto, uma semana depois da coroação de Aelin, eles se reuniram novamente. Desta vez não para comemorar, mas para dizer adeus.
O dia amanheceu, claro e ensolarado, mas ainda brutalmente frio. Como seria por um tempo.
Aelin pedira a todos na noite passada que ficassem. Esperassem os meses de inverno e partissem na primavera. Rowan sabia que ela estava ciente de que seu pedido era improvável de ser concedido.
Alguns pareciam inclinados a pensar, mas no final, todos, menos Rolfe, decidiram ir.
Hoje – como um. Dispersos aos quatro ventos. As Dentes de Ferro e Crochans partiram antes da primeira luz, desaparecendo rápida e silenciosamente. Indo para o oeste em direção ao seu antigo lar.
Rowan estava ao lado de Aelin no pátio do castelo, e ele podia sentir a tristeza, o amor e a gratidão que fluíam através dela. A realeza do khaganato e os rukhin já haviam se despedido, Borte a mais relutante em dizer adeus, e o abraço de Aelin e Nesryn Faliq foi longo. Elas tinham sussurrado uma para a outra, e ele sabia o que Aelin oferecia: companheirismo, mesmo a milhares de quilômetros de distância. Duas jovens rainhas, com poderosos reinos para governar.
As curandeiras tinham ido com eles, algumas a cavalo com o Darghan, algumas em carroças, algumas com os rukhin. Yrene Westfall soluçara quando abraçara as curandeiras, a Alta Curandeira, uma última vez. E então soluçou nos braços do marido por um bom tempo depois disso.
Então Ansel de Penhasco dos Arbustos, com o que restava de seus homens. Ela e Aelin trocaram insultos, depois riram e depois choraram, abraçadas. Outra ligação que não seria tão facilmente quebrada apesar da distância.
Os Assassinos Silenciosos saíram em seguida, Ilias sorrindo para Aelin enquanto partia.
Então o príncipe Galan, cujos navios permaneciam sob a guarda de Ravi e Sol em Suria, e que iria para lá antes de partir para Wendlyn. Ele abraçou Aedion, depois apertou a mão de Rowan antes de se virar para Aelin.
Sua esposa, sua parceira, sua rainha dissera ao príncipe:
— Você veio quando eu pedi. Veio sem conhecer nenhum de nós. Eu sei que já falei isso, mas serei eternamente grata.
Galan sorriu.
— Era uma dívida de longa data, prima. E eu a paguei de bom grado.
Então ele também partiu, seu povo com ele. De todas as alianças que construíram, apenas Rolfe permaneceria para o inverno, pois agora ele era o lorde de Ilium. E Falkan Ennar, tio de Lysandra, que queria aprender o que sua sobrinha sabia sobre a mudança de forma. Talvez construísse seu próprio império mercantil ali, e ajudaria com os acordos de comércio exterior que precisariam fazer rapidamente.
Mais e mais partidas sob o sol de inverno, até que apenas Dorian, Chaol e Yrene permaneceram.
Yrene abraçou Elide, as duas mulheres jurando escrever com frequência uma para a outra. Yrene, sabiamente, apenas acenou para Lorcan, depois sorriu para Lysandra, Aedion, Ren e Fenrys antes de se aproximar de Rowan e Aelin.
Yrene continuava sorrindo enquanto olhava para eles.
— Quando o seu primeiro filho estiver perto de chegar, mandem me chamar e eu virei. Para ajudar com o nascimento.
Rowan não tinha palavras para a gratidão que ameaçava curvar seus ombros. Partos de feéricos... ele não se permitiu pensar nisso. Não enquanto abraçava a curandeira.
Por um momento, Aelin e Yrene apenas se encararam.
— Estamos muito longe de Innish — sussurrou Yrene.
— Mas não estamos mais perdidas — Aelin sussurrou de volta, a voz se quebrando quando elas se abraçaram.
As duas mulheres que tinham segurado o destino de seu mundo entre elas. Que o tinham salvado.
Atrás delas, Chaol enxugou o rosto. Rowan, abaixando a cabeça, fez o mesmo.
Seu adeus a Chaol foi rápido, seu abraço firme. Dorian permaneceu mais tempo, gracioso e firme, mesmo quando Rowan se viu lutando para falar além da tensão em sua garganta.
E então Aelin se postou diante de Dorian e Chaol, e Rowan recuou, parando ao lado de Aedion, Fenrys, Lorcan, Elide, Ren e Lysandra. Sua nova corte, a corte que mudaria esse mundo. O reconstruiria.
Dando espaço à sua rainha para este último e mais difícil adeus.


Ela sentiu como se tivesse chorado um choro sem fim por alguns minutos.
No entanto, esta despedida, esta última despedida...
Aelin olhou para Chaol e Dorian e soluçou. Abriu os braços para eles e chorou enquanto se abraçavam.
— Eu amo vocês dois — ela sussurrou. — E não importa o que aconteça, não importa o quão longe possamos estar, isso nunca vai mudar.
— Vamos vê-la novamente — Chaol falou, mas até mesmo sua voz estava cheia de lágrimas.
— Juntos. — Dorian respirou, tremendo. — Nós vamos reconstruir este mundo juntos.
Ela não podia suportar isso, essa dor em seu peito. Mas ela se obrigou a se afastar e sorrir para os rostos riscados de lágrimas, uma mão no coração.
— Obrigada por tudo o que fizeram por mim.
Dorian curvou sua cabeça.
— Essas são palavras que eu nunca pensei que ouviria de você.
Ela soltou uma risada rouca, e deu-lhe um empurrão.
— Você é um rei agora. Tais insultos estão abaixo do seu nível.
Ele sorriu, enxugando o rosto.
Aelin sorriu para Chaol, para a esposa que o esperava atrás dele.
— Desejo-lhes toda a felicidade do mundo — ela disse a ele. Aos dois.
Essa luz brilhava nos olhos de bronze de Chaol, algo que ela nunca vira antes.
— Vamos vê-la novamente — ele repetiu.
Então ele e Dorian se viraram para os cavalos, em direção ao dia claro além dos portões do castelo. Para o seu reino ao sul. Quebrado agora, mas não para sempre.
Não para sempre.


Aelin ficou em silêncio por um longo tempo depois disso, e Rowan ficou com ela, seguindo-a enquanto ela caminhava até as ameias do castelo para assistir Chaol, Dorian e Yrene descendo a estrada que cortava a planície selvagem de Theralis. Até que eles desapareceram no horizonte.
Rowan manteve o braço ao redor dela, respirando o seu cheiro enquanto ela descansava a cabeça contra o ombro dele.
Rowan ignorou a dor fraca que persistia nas tatuagens que ela o ajudara a pintar na noite anterior. O nome de Gavriel, traduzido para língua antiga. Exatamente como o Leão uma vez tatuou os nomes de seus guerreiros caídos em si mesmo.
Fenrys e Lorcan, com uma tentativa de paz entre eles, também usavam a tatuagem agora, exigiram uma assim que perceberam o que Rowan planejava fazer.
Aedion, no entanto, pedira a Rowan algo diferente. Adicionar o nome de Gavriel ao nó de Terrasen que já cobria seu coração.
Aedion ficou quieto enquanto Rowan trabalhava, quieto o suficiente para Rowan começar a contar histórias. História após história sobre o Leão. As aventuras que eles compartilharam, as terras que tinham visto, as guerras que travaram. Aedion não dissera nada enquanto Rowan falara e trabalhara, o cheiro de sua dor transmitindo o suficiente.
Era um perfume que provavelmente perduraria nos muitos meses por vir.
Aelin soltou um longo suspiro.
— Você vai me deixar chorar na cama pelo resto do dia como um verme patético — perguntou ela finalmente — se eu prometer começar a trabalhar na reconstrução amanhã?
Rowan arqueou uma sobrancelha, a alegria fluindo através dele, livre e brilhante, como um riacho descendo uma montanha.
— Você gostaria que eu lhe trouxesse bolos e chocolate para que seu chafurdar seja completo?
— Se você conseguir encontrar algum.
— Você destruiu as chaves de Wyrd e matou Maeve. Acho que consigo encontrar alguns doces para você.
— Como você me disse uma vez, foi um esforço coletivo. Também pode exigir um para comprar bolos e chocolate.
Rowan riu e beijou o topo de sua cabeça. E por um longo momento, ele apenas se maravilhou que pudesse fazer isso. Poderia ficar com ela ali, naquele reino, naquela cidade, neste castelo, onde eles fariam o seu lar.
Ele podia ver agora: os salões restaurados em seu esplendor, a planície e o rio cintilando além, as montanhas Galhada do Cervo acenando. Ele podia ouvir a música que ela trazia para esta cidade e o riso das crianças nas ruas. Nestes salões. Na suíte real deles.
— O que você está pensando? — ela perguntou, olhando para o rosto dele.
Rowan deu um beijo em sua boca.
— Que eu cheguei aqui. Com você.
— Há muito trabalho a ser feito. Alguns podem dizer que será tão ruim quanto lidar com Erawan.
— Nada nunca será tão ruim quanto isso.
Ela bufou.
— Verdade.
Ele a puxou para mais perto.
— Estou pensando em quão grato eu sou. Por termos feito isso. Por eu tê-la encontrado. E como, mesmo com todo esse trabalho a ser feito, não me importarei por nenhum instante porque você está comigo.
Ela franziu a testa, os olhos umedecendo.
— Terei uma terrível dor de cabeça por todo esse choro e você não está ajudando.
Rowan riu e a beijou novamente.
— Muito majestoso.
— Eu sou nada mais do que retrato consumado da graça real — ela cantarolou.
Ele riu contra sua boca.
— E humilde. Não vamos nos esquecer disso.
— Ah, sim — disse ela, passando os braços ao redor do pescoço dele. Seu sangue aqueceu, provocando um poder maior que qualquer força que um deus ou uma chave de Wyrd pudesse invocar.
Mas Rowan se afastou, apenas o suficiente para descansar sua testa contra a dela.
— Vamos levá-la para seus aposentos, Majestade, para que você possa começar sua chafurdação real.
Ela tremeu de tanto rir.
— Eu posso ter outra coisa em mente agora.
Rowan soltou um grunhido e mordiscou sua orelha, seu pescoço.
— Bom. Eu também.
— E amanhã? — ela perguntou sem fôlego, e ambos pararam para olhar um para o outro. Para sorrir. — Você vai trabalhar para reconstruir este reino, este mundo, comigo amanhã?
— Amanhã e todos os dias depois disso. — Em cada dia dos mil anos abençoados que seriam concedidos juntos. E além.
Aelin beijou-o novamente e pegou a mão dele, guiando-o para o castelo. Para seu lar.
— Para qualquer fim? — ela sussurrou.
Rowan a seguiu, como se tivesse feito isso a sua vida inteira, muito antes de eles terem se conhecido, antes que suas almas começassem a existir.
— Para qualquer fim, Coração de Fogo. — Ele olhou de soslaio para ela. — Posso lhe dar uma sugestão para o que devemos reconstruir primeiro?
Aelin sorriu, e a eternidade se abriu diante deles, brilhante, gloriosa e adorável.
— Diga-me amanhã.

13 comentários:

  1. Sempre quando termina uma série, é doloroso e emocionante :'O

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  2. Eu não acredito que acabou... A série da minha vida acabou, minha cabeça dói de tanto chorar e meu coração já não existe.

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  3. eu gostei do livro, só n gostei q n teve um vilão inteiramente humano e poderoso pra ser derrotado no fim, é como se no universo da autora, até mesmo o pior dos homens ainda servisse a um demonio, no caso de Cairn ou Lochan por exemplo, mas mesmo assim a melhor serie de livros que li depois de nobres vigaristas e as cronicas do matador do rei ( ta impatando com mistborn o império final kkkkk)

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  4. Adorei. Livro fantástico!!! Vive tantas emoções. Karina Você é a melhor.😍😍😍❤❤❤
    Anna!!!

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  5. Obrigada pela tradução maravilhosa❤️

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  6. Aelin terminou o primeiro e o ultimo livro com a mesma frase <3

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  7. Meu trio original se reencontrando. O que seria da gente se o Dorian não mandasse o Chaol atrás da Celaena quando ela tava em Endovier??

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  8. "Para qualquer fim"

    Ass: Ahgasa

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  9. Melhor casal.
    Melhor saga.
    Amei tudo no livro. Ri, chorei, me empolguei, vibrei e lutei juntos dos meus heróis.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!