29 de outubro de 2018

Capítulo 117

Aedion lutou até que o soldado inimigo a sua frente caiu de joelhos como se estivesse morto.
Mas o homem, com um anel preto no dedo, não estava morto.
Apenas o demônio dentro dele.
E quando soldados de incontáveis nações começaram a aplaudir, quando se espalhou a notícia de que uma curandeira de Torre Cesme havia derrotado Erawan, Aedion simplesmente se afastou das frentes de batalha.
Ele o encontrou apenas pelo cheiro. Mesmo após a morte, o cheiro persistia, um caminho que Aedion percorria pelas ruas destruídas e pelas multidões de pessoas comemorando e chorando.
Uma vela solitária havia sido acesa nas salas vazias que serviam de quartel general, onde eles colocaram o corpo em cima de uma mesa de trabalho.
Foi ali que Aedion se ajoelhou diante do pai.
Quanto tempo ele ficou lá, a cabeça baixa, ele não sabia. Mas a vela quase queimara até a base quando a porta se abriu, e um cheiro familiar entrou.
Ela não disse nada enquanto se aproximava em passos silenciosos. Nada quando se transformou e se ajoelhou ao lado dele.
Lysandra apenas se inclinou para ele, até que Aedion colocou o braço ao redor dela, apertando-a com força.
Juntos, eles ficaram ali e ele sabia que o luto dela era tão real quanto o dele. Sabia que o luto era por Gavriel, mas também pela perda dele.
Os anos que ele e o pai não teriam. Os anos que ele percebeu que queria ter, as histórias que queria ouvir, o macho que ele queria conhecer. E nunca conheceria.
Gavriel sabia disso? Ou tinha acreditado que seu filho não queria nada com ele?
Ele não podia suportar isso, aquela verdade em potencial. Seu peso seria insuportável.
Quando a vela queimou até o fim, Lysandra se levantou e levou-o com ela.
Silenciosamente, Aedion prometeu um grande enterro. Com toda honra, cada regalia imponente que pudesse ser encontrada no rescaldo dessa batalha. Ele enterraria seu pai no cemitério real, entre os heróis de Terrasen. Onde ele mesmo seria enterrado um dia. Ao lado dele.
Era o mínimo que ele podia fazer. Para se certificar de que seu pai saberia no além-mundo.
Eles voltaram para a rua e Lysandra parou para enxugar as lágrimas dele. Para beijar suas bochechas e depois sua boca. Toques amorosos e gentis.
Aedion deslizou os braços ao redor dela e abraçou-a com força sob as estrelas e a luz da lua.
Quanto tempo eles ficaram na rua, ele não saberia dizer. Mas então uma luz brilhou nas proximidades, e eles se separaram e se voltaram para a sua fonte.
Um jovem homem, com menos de trinta anos, estava ali.
Olhando para Lysandra.
Não era um mensageiro ou um soldado, embora vestisse as roupas pesadas dos rukhin. Havia um propósito tranquilo sobre ele, uma espécie de força silenciosa em sua estrutura alta enquanto ele engolia.
— Você é... você é lady Lysandra?
Lysandra inclinou a cabeça.
— Sou.
O homem deu um passo, e Aedion reprimiu a vontade de empurrá-la para trás de si. A vontade de desembainhar a espada e enfiá-la no homem cujos olhos cinzentos se arregalaram, e brilharam de lágrimas.
Que sorriu para ela, larga e alegremente.
— Meu nome é Falkan Ennar — disse ele, colocando a mão em seu peito.
O rosto de Lysandra permaneceu um retrato de uma confusão cautelosa.
O sorriso de Falkan não vacilou.
— Eu tenho procurado por você há muito, muito tempo.
E então elas escorreram, as lágrimas de Falkan fluindo enquanto contava a ela.
Tio dela. Ele era tio dela.
O pai dela era muito mais velho do que ele, mas desde que Falkan descobrira sobre a existência da sobrinha, ele procurava por ela. Por dez anos, ele buscara a filha abandonada de seu irmão morto, visitando Forte da Fenda sempre que podia. Nunca se dando conta que ela poderia ter seus dons também – talvez não possuísse nenhum dos traços de seu irmão.
Mas Nesryn Faliq o encontrou. Ou eles encontraram um ao outro. E então eles descobriram, com um pouco de sorte neste vasto mundo.
Sua fortuna como comerciante era dela, para herdar, se ela quisesse.
— O que você quiser — Falkan falou. — Você nunca mais passará necessidade outra vez.
Lysandra estava chorando, e foi com pura alegria em seu rosto que ela lançou os braços em volta de Falkan e o abraçou com força.
Aedion observou, em silêncio. Ainda estava feliz por ela, ele sempre seria feliz por ela, por qualquer raio de luz que encontrasse.
Lysandra se afastou de Falkan, no entanto. Ainda sorrindo brilhantemente, mais adorável que o céu noturno acima. Ela entrelaçou os dedos com os de Aedion e os apertou quando finalmente respondeu ao tio:
— Eu já tenho tudo o que preciso.


Horas depois, ainda sentado na sacada onde Erawan tinha sido transformado em nada, Dorian não conseguia acreditar...
Ele continuava olhando para aquele ponto, a mancha escura nas pedras, Damaris se sobressaindo. O único traço restante.
O nome de seu pai. O próprio nome dele. O peso disso caiu sobre ele, e não foi uma coisa totalmente desagradável.
Dorian flexionou seus dedos ensanguentados. Sua magia jazia em pedaços, o gosto de sangue persistindo em sua língua. Um esgotamento total que se aproximara. Ele nunca tivera um antes. Supôs que seria melhor se acostumar com isso.
Com as pernas tremendo, Dorian arrancou Damaris das pedras. A lâmina ficara preta como ônix. Ao deslizar os dedos com mais força pela lâmina, ele constatou que a mancha nunca seria limpa.
Ele precisava sair desta torre. Encontrar Chaol. Encontrar os outros. Começar a ajudar os feridos. E os soldados inconscientes na planície. Aqueles que não tinham sido possuídos já haviam fugido, perseguidos pelos estranhos feéricos que apareceram, os lobos gigantes e seus cavaleiros entre eles.
Ele deveria ir. Deveria deixar aquele lugar.
E ainda assim ele olhou para a mancha escura. Tudo o que havia restado.
Dez anos de sofrimento, tormento e medo, e a mancha era tudo o que restava.
Ele girou a espada em sua mão, seu peso parecia maior do que antes. A espada da verdade.
Qual tinha sido a verdade no final? Qual era a verdade, mesmo agora?
Erawan tinha feito tudo isso, abatido e escravizado tantos, para que pudesse ver seus irmãos novamente. Ele queria conquistar seu mundo, puni-los, mas queria se reencontrar com eles. Milênios se passaram, e Erawan não havia esquecido seus irmãos. Ansiava por eles.
Ele teria feito o mesmo por Chaol? Por Hollin? Ele teria destruído um mundo inteiro para encontrá-los novamente?
A lâmina negra de Damaris não refletia a luz. Não brilhava nem um pouco.
Dorian continuou apertando a mão em torno do cabo de ouro e disse:
— Eu sou humano.
A espada se aqueceu em sua mão.
Ele olhou para a lâmina. A lâmina de Gavin. Uma relíquia de uma época em que Adarlan tinha sido uma terra de paz e abundância.
E seria assim novamente.
— Eu sou humano — ele repetiu para as estrelas, agora visíveis acima da cidade.
A espada não respondeu dessa vez. Como se soubesse que ele não precisava mais disso.
Asas bateram, e então Abraxos estava pousando na varanda. Uma cavaleira de cabelos brancos em cima dele.
Dorian ficou de pé, piscando, enquanto Manon Bico Negro desmontava. Ela o examinou, depois examinou a mancha escura nas pedras da sacada.
Seus olhos dourados se ergueram para os dele. Cansados, pesados, mas ainda brilhando.
— Olá, principezinho — ela falou.
Um sorriso floresceu em sua boca.
— Olá, bruxinha.
Ele examinou os céus atrás dela em busca das Treze, em busca de Asterin Bico Negro, sem dúvida rugindo sua vitória para as estrelas.
— Você não as encontrará. Nem neste céu, nem em qualquer outro — Manon disse baixinho.
Seu coração se esforçou para entender. Como a perda daquelas doze vidas ferozes e brilhantes cavaram outro buraco dentro dele. Um que ele não esqueceria, um que ele honraria. Silenciosamente, ele cruzou a sacada.
Manon não recuou quando ele deslizou os braços ao redor dela.
— Eu sinto muito. — Ele falou com o rosto em seu cabelo.
Timidamente, lentamente, as mãos dela passaram por suas costas. Então se firmaram, abraçando-o.
— Eu sinto falta delas — ela sussurrou, estremecendo.
Dorian só a apertou mais, e deixou Manon se apoiar nele pelo tempo que ela precisasse, Abraxos olhando para aquela porção maldita de terra na planície, em direção à parceiro que nunca voltaria, enquanto a cidade abaixo comemorava.


Aelin caminhou com Rowan pelas ruas íngremes de Orynth.
Seu povo se alinhava naquelas ruas, com velas nas mãos. Um rio de luz, de fogo, que apontava o caminho de casa.
Direto para os portões do castelo.
Onde lorde Darrow estava, com Evangeline ao seu lado. A garota radiante de tanta alegria.
O rosto de Darrow estava frio como pedra. Duro como o as montanhas Galhada do Cervo além da cidade, enquanto permanecia bloqueando o caminho.
Rowan soltou um grunhido baixo, o som ecoado por Fenrys, um passo atrás deles.
No entanto, Aelin soltou a mão de seu parceiro, suas coroas de chama piscando enquanto atravessava os últimos metros até o arco do castelo. Até Darrow.
O silêncio caiu pela rua iluminada e dourada.
Ele negaria sua entrada. Aqui, diante do mundo, ele a jogaria para fora. Um tapa final e vergonhoso.
Mas Evangeline puxou a manga de Darrow, como se para lembrá-lo de algo. Parecia estimular o velho a falar.
— Minha jovem protegida e eu fomos informados de que, quando enfrentou Erawan e Maeve, sua magia estava praticamente esgotada.
— Estava. E permanecerá assim para sempre.
Darrow balançou a cabeça.
— Por quê?
Não era uma pergunta sobre o porquê de sua magia estar reduzida a nada. Mas por que ela foi enfrentá-los, com pouco mais do que brasas em suas veias.
— Terrasen é o meu lar — disse Aelin. Era a única resposta em seu coração.
Darrow sorriu só um pouquinho.
— Então assim é. — Ele abaixou a cabeça. Então o corpo. — Seja bem-vinda. — disse ele, e em seguida, acrescentou enquanto se levantava — Sua Majestade.
Mas Aelin olhou para Evangeline, a menina que ainda estava radiante.
Ganhe o meu reino de volta para mim, Evangeline.
Sua ordem para a menina, todos aqueles meses atrás.
E ela não sabia como Evangeline conseguira. Como havia mudado esse velho senhor diante deles. E ali estava Darrow, gesticulando para os portões, para o castelo atrás dele.
Evangeline piscou para Aelin, como se confirmasse suas suspeitas.
Aelin apenas riu, pegando a garota pela mão, e levando a promessa do futuro brilhante de Terrasen para o castelo.


Cada salão antigo e cheio de cicatrizes a fazia voltar. Prendia o seu fôlego e deixava que suas lágrimas escorressem. Trazia-lhe lembranças de como eram. De como agora pareciam tristes e desgastados. E do que eles se tornariam novamente.
Darrow levou-os para o refeitório, para encontrar qualquer comida e bebida que estivessem disponíveis na calada da noite, depois de uma batalha como aquela.
No entanto, Aelin deu uma olhada em quem a esperava no grandioso e desbotado  Salão Principal, e esqueceu sua fome e sede.
O corredor inteiro ficou em silêncio enquanto ela se dirigia para Aedion, e se jogou nele com tanta força que eles balançaram e tiveram que dar um passo para trás.
Em casa finalmente; em casa e juntos.
Ela tinha a vaga sensação de que Lysandra se juntava a Rowan e aos outros atrás dela, mas não se virou. Não quando sua risada alegre morreu ao ver o rosto cansado e abatido de Aedion. A tristeza nele.
Ela colocou a mão em sua bochecha.
— Sinto muito.
Aedion fechou os olhos, inclinando-se ao seu toque, a boca tremendo. Ela não comentou a respeito do escudo em suas costas, o escudo do pai dela. Nunca havia percebido que ele o carregava.
Em vez disso, perguntou baixinho:
— Onde ele está?
Sem palavras, Aedion a conduziu para fora do refeitório. Descendo as passagens sinuosas do castelo, seu castelo, para uma pequena sala à luz de velas.
Gavriel havia sido colocado em uma mesa, um cobertor de lã obscurecendo o corpo que ela sabia que estava rasgado embaixo. Apenas seu belo rosto era visível, ainda nobre e suave mesmo após a morte.
Aedion permaneceu na porta quando Aelin se aproximou do guerreiro. Ela sabia que Rowan e os outros estavam ao lado dele, seu parceiro com uma mão no ombro de Aedion. Sabia que Fenrys e Lorcan estavam com a cabeça inclinada.
Ela parou diante da mesa onde Gavriel havia sido colocado.
— Eu queria esperar para lhe oferecer o juramento de sangue após o seu filho tê-lo feito — ela falou, sua voz calma ecoando nas pedras. — Mas eu o ofereço agora a você, Gavriel. Com honra e gratidão, ofereço-lhe o juramento de sangue.
As lágrimas dela caíram sobre o cobertor que o cobria, e ela limpou uma antes de puxar a adaga da bainha ao seu lado. Ela puxou o braço dele debaixo do cobertor.
Um pequeno movimento da lâmina cortou a palma da mão dele. Nenhum sangue fluiu além de um ligeiro inchaço que se formou. No entanto, ela esperou até que uma gota deslizasse para as pedras. Então abriu e cortou o próprio braço, mergulhou os dedos no sangue e deixou cair três gotas na boca dele.
— Deixe o mundo saber — disse Aelin, com voz embargada — que você é um homem de honra. Que esteve ao lado do seu filho e desse reino e ajudou a salvá-lo. — Ela beijou a testa fria. — Você está é meu juramentado de sangue. E será enterrado aqui como tal. — Ela se afastou, acariciando sua bochecha uma última vez. — Obrigada.
Era tudo o que restava para dizer.
Quando ela se virou, não era apenas Aedion que tinha lágrimas escorrendo pelo rosto.
Ela os deixou lá. A equipe, a irmandade, que agora queria se despedir à sua própria maneira.
Fenrys, com o rosto ensanguentado ainda não tratado, caiu de joelhos ao lado da mesa. Um instante depois, Lorcan fez o mesmo.
Ela alcançou a porta quando Rowan se ajoelhou também. E começou a cantar as palavras antigas, as palavras de luto, tão antigas e sagradas quanto a própria Terrasen. As mesmas orações que ela uma vez cantou e cantou enquanto ele a tatuava.
Enquanto a voz clara e profunda de Rowan preenchia a sala, Aelin passou o braço pelo de Aedion e deixou que ele se apoiasse nela enquanto caminhavam de volta ao Salão Principal.
— Darrow me chamou de “Sua Majestade” — ela contou depois de um minuto.
Aedion deslizou seus olhos avermelhados para ela. Mas uma faísca os acendeu, só um pouquinho.
— Devemos ficar preocupados?
Os lábios doloridos de Aelin se curvaram.
— Eu pensei a mesma maldita coisa.


Tantas bruxas. Havia tantas bruxas, Dentes de Ferro e Crochans, nos corredores do castelo.
Elide examinou seus rostos enquanto trabalhava com as curandeiros no Salão Principal. Um lorde das trevas e uma rainha negra foram derrotados, mas os feridos permaneceram. E desde que ela ainda tinha força, ela ajudaria de qualquer maneira que pudesse.
Mas quando uma bruxa de cabelos brancos entrou mancando no corredor, com uma Crochan ferida pendurada entre ela e outra bruxa que Elide não reconheceu... Elide estava na metade do caminho, atravessando o salão onde ela passara tantos dias felizes durante a infância, quando percebeu que tinha se movido.
Manon fez uma pausa ao vê-la. Entregou a Crochan ferida para sua irmã de armas. Mas não fez nenhum movimento para se aproximar.
Elide viu o luto em seu rosto antes de alcançá-la. O embotamento e a dor nos olhos dourados.
Ela ficou imóvel.
— Quem?
A garganta de Manon tremeu.
— Todas.
Todas as Treze. Todas aquelas bruxas ferozes e brilhantes. Se foram.
Elide levou a mão ao coração, como se isso pudesse impedir que ele se quebrasse. Mas Manon diminuiu a distância entre elas e, mesmo com aquela dor no rosto machucado e ensanguentado, pôs a mão no ombro de Elide. Um gesto de conforto.
Como se a bruxa tivesse aprendido a fazer esse tipo de coisas.
A visão de Elide ardeu e se borrou, e Manon enxugou a lágrima que escapou.
— Viva, Elide — foi tudo o que a bruxa disse para ela antes de sair do salão mais uma vez. — Viva.
Manon desapareceu no corredor cheio, a trança balançando. E Elide se perguntou se o comando fora totalmente destinado a ela.
Horas depois, Elide encontrou Lorcan em vigília pelo corpo de Gavriel.
Quando ouviu sobre o acontecido, ela chorou pelo homem que lhe mostrou tanta gentileza. E pelo jeito como Lorcan se ajoelhava diante de Gavriel, ela sabia que ele acabara de fazer o mesmo.
Sentindo-a na porta, Lorcan se levantou, os movimentos lentos de pura exaustão. Havia de fato tristeza em seu rosto. Dor e arrependimento.
Ela abriu os braços e a respiração de Lorcan ficou mais pesada quando ele a puxou para mais perto.
— Eu ouvi — ele falou em seus cabelos — que você é uma das pessoas a quem devo agradecer pela destruição de Erawan.
Elide se afastou de seu abraço, conduzindo-o daquela sala de tristeza e luz de velas.
— É a Yrene quem você deve agradecer — disse ela, andando até encontrar um local tranquilo em um banco perto de janelas com vista para a cidade em celebração. — Eu apenas tive a ideia.
— Sem a ideia, estaríamos enchendo a barriga das bestas de Erawan agora.
Elide revirou os olhos, apesar de tudo o que tinha acontecido, tudo o que estava diante deles.
— Foi um esforço de grupo, então. — Ela mordeu o lábio. — Perranth... você ouviu alguma coisa sobre Perranth?
— Um cavaleiro ruk chegou algumas horas atrás. Lá está da mesma forma que aqui: com o desaparecimento de Erawan, os soldados que mantinham a cidade ou entraram em colapso ou fugiram. Seu povo recuperou o controle, mas aqueles que estavam possuídos precisarão de curandeiras. Um grupo delas será enviado amanhã para começar o serviço.
Alívio ameaçou fazer seus joelhos falharem.
— Graças a Anneith por isso. Ou Silba, suponho.
— As duas se foram. Agradeça a você mesma.
Elide afastou as palavras com um aceno, mas Lorcan a beijou.
Quando ele se afastou, Elide perguntou:
— O que foi isso?
— Peça-me para ficar. — Foi tudo o que ele disse.
Seu coração começou a martelar.
— Fique — ela sussurrou
Luz, uma luz tão linda encheu seus olhos escuros.
— Peça-me para ir a Perranth com você.
Sua voz falhou, mas ela conseguiu dizer:
— Venha para Perranth comigo.
Lorcan acenou com a cabeça, como se em resposta, e seu sorriso era a coisa mais linda que ela já tinha visto.
— Peça-me para casar com você.
Elide começou a chorar, mesmo que ela estivesse rindo.
— Você quer se casar comigo, Lorcan Salvaterre?
Ele a pegou nos braços, enchendo o rosto dela de beijos. Como se a última parte dele que estava acorrentada tivesse sido liberta.
— Eu vou pensar sobre isso.
Elide riu, batendo em seu ombro. E então riu de novo, mais alto.
Lorcan a colocou no chão.
— O quê?
A boca de Elide tremeu quando ela tentou parar de rir.
— É apenas que... eu sou a Senhora de Perranth. Se você se casar comigo, herdará o nome da minha família.
Ele piscou.
Elide riu novamente.
— Lorde Lorcan Lochan?
Soou tão ridículo ao sair de sua boca.
Lorcan piscou para ela e depois gargalhou.
Ela nunca ouvira um som tão alegre.
Ele a pegou em seus braços novamente, girando-a.
— Vou usá-lo com orgulho a cada maldito dia pelo resto da minha vida — disse ele com o rosto em seu cabelo, e quando ele a colocou no chão, seu sorriso havia desaparecido. Substituído por uma ternura infinita quando ele afastou o cabelo dela, prendendo-o atrás de sua orelha. — Eu vou casar com você, Elide Lochan. E orgulhosamente me chamarei lorde Lorcan Lochan, mesmo quando todo o reino rir ao ouvi-lo. — Ele a beijou gentil e amorosamente. — E quando estivermos casados — ele sussurrou — eu ligarei minha vida à sua. Assim nunca conheceremos um dia de diferença. Nunca mais sozinhos, nunca mais.
Elide cobriu o rosto com as mãos e soluçou, pelo coração que ele ofereceu, pela imortalidade que ele estava disposto a abrir mão por ela. Por eles.
Mas Lorcan apertou seus pulsos, gentilmente tirando as mãos do rosto dela. Seu sorriso era hesitante.
— Se você quiser — ele falou.
Elide deslizou os braços ao redor de seu pescoço, sentindo seu coração trovejando contra o dela, deixando seu calor afundar em seus ossos.
— Eu gostaria disso mais do que qualquer coisa — ela sussurrou de volta.

8 comentários:

  1. Lorcan vai deixar de ser imortal ou vai dividir com a Elide a sua imortalidade?

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    1. Elide terá a expectativa normal de um humano (ou não né, vai que o sangue de bruxa faz alguma coisa). Lorcan ligou sua vida com a dela, então quando ela morrer, ele morrerá também. Assim como acontece com Chaol e Yrene

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    2. Elide terá a expectativa normal de um humano (ou não né, vai que o sangue de bruxa faz alguma coisa). Lorcan quer ligar sua vida com a dela, então quando ela morrer, ele morrerá também. Assim como acontece com Chaol e Yrene

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  2. Coitado de Aedion. Chorando pela perda de Gavriel, o amigo gatinho de Rouwan. Que triste a morte dele. Lorcan, por fim se mostrou o feerico honrado que prometeu ser.E Manon, coitada. Vai demorar a se recuperar da perda das 13. Que dó!

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  3. esses Feéricos são mesmo uns amores!!Ainda quero um pra mim.Tudo durão mas fazem cada declaração de amor que dá água na boca.

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  4. Rio de lágrimas não, OCEANO. KKKK

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  5. Rindo e chorando aqui! Que coisa mais linda o brutamontes do Lorcan caidinho pela pequena e valente Elide!

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  6. Q lindoooo!!! Finalmente o Lorcan e a Elide vão ficar juntoooosss!!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!