29 de outubro de 2018

Capítulo 114

Ela estava morta.
Aelin estava morta.
Seu corpo sem vida tinha sido pendurado nos portões de Orynth, com o cabelo cortado rente ao couro cabeludo.
Rowan se ajoelhou diante dos portões, os exércitos de Morath passando por ele. Não era real. Não podia ser. No entanto, o sol aquecia seu rosto. O cheiro da morte enchia seu nariz.
Ele rangeu os dentes, desejando ele mesmo partir, estar longe deste lugar. Esse pesadelo acordado.
Aquilo não vacilou.
Uma mão roçou seu ombro, suave e pequena.
— Você escolheu isso para si mesmo, sabe — disse uma voz feminina cadenciada.
Ele conhecia aquela voz. Nunca se esqueceria dela.
Lyria.
Ela permanecer atrás dele, olhando para Aelin. Vestida com a armadura escura de Maeve, seu cabelo castanho trançado para trás de seu rosto delicado e adorável.
— Você trouxe esse destino para ela, suponho — sua parceira, sua parceira de mentira, refletiu.
Morta. Lyria estava morta, e Aelin era a pessoa que estava destinada a sobreviver...
— Você a escolheria a despeito de mim? — Lyria exigiu, seus olhos castanhos se enchendo de água. — Esse é o tipo de macho que você se tornou?
Ele não conseguia encontrar nenhuma palavra, nada para explicar, para se desculpar.
Aelin estava morta.
Ele não conseguia respirar. Não queria respirar.


Connall sorria para ele.
— Tudo o que aconteceu comigo é por culpa sua.
Ajoelhado na varanda de Doranelle, em um palácio que ele esperava nunca mais ver, Fenrys lutou contra a bile que subia por sua garganta.
— Sinto muito.
— Sente muito, mas você mudaria sua decisão? Eu era o sacrifício que você estava disposto a fazer para conseguir o que queria?
Fenrys balançou a cabeça, que de repente era a de um lobo... o corpo que ele uma vez amara com tanto orgulho e ferocidade. Uma forma de lobo, sem capacidade de falar.
— Você tomou tudo o que eu sempre quis — continuou seu gêmeo. — Tudo. Ainda assim lamentou minha morte? Será que sequer se importou?
Ele precisava dizer a ele, dizer ao irmão gêmeo tudo o que ansiava dizer, desejava ter conseguido transmitir. Mas a língua daquele lobo não expressava a linguagem dos homens e dos feéricos. Sem voz. Ele não tinha voz.
— Estou morto por sua causa — Connall cuspiu. — Eu sofri por sua causa. E nunca me esquecerei disso.
Por favor. As palavras queimaram em sua língua. Por favor


Ela não podia aguentar.
Rowan ajoelhado ali, gritando.
Fenrys soluçando em direção aos céus escuros.
E Lorcan... Lorcan em absoluto silêncio, os olhos sem enxergar nada, enquanto algum horror indescritível  se desenrolava a sua frente.
— Você vê o que posso fazer? Como eles são impotentes? — Maeve cantarolou para si mesma.
Rowan gritou mais alto, os tendões do pescoço sobressaindo. Lutando contra Maeve com tudo o que tinha.
Ela não podia suportar isso. Não aguentava.
Isto não era uma ilusão, não era um sonho. Isto, a dor deles, era real.
Os poderes valg de Maeve finalmente revelados. O mesmo poder infernal que os príncipes valg possuíam. O mesmo poder que ela suportara. Derrotara com chamas.
Mas ela não tinha mais chamas para ajudá-los. Não tinha nada.
— Não há realmente nada com a qual você possa negociar — Maeve falou simplesmente. — A não ser você mesma.
Tudo menos isso. Qualquer coisa menos isso...


— Você não é nada.
Elide estava diante dele, as torres altas de uma cidade que Lorcan nunca vira, a cidade que deveria ter sido seu lar, acenando no horizonte. O vento açoitava seu cabelo escuro, tão frio quanto a luz em seus olhos.
— Um nascido bastardo, um filho ninguém — ela continuou. — Acha que eu iria me sujar com você?
— Acho que você poderia ser minha parceira — ele murmurou.
Elide riu.
— Parceira? Por que você pensaria que tem direito a tal coisa, depois de tudo o que fez?
Não podia ser real, não era real. E ainda assim aquela frieza em seu rosto, a distância...
Ele aceitou. Merecia isso.


Maeve examinou-os, os três machos que haviam sido seus escravos, perdidos no seu poder sombrio, enquanto rasgava suas mentes, suas memórias, e ria.
— Pena que Gavriel não está aqui. Pelo menos ele caiu nobremente.
Gavriel...
Maeve se virou para ela.
— Você não sabia, não é? — ela estalou a língua. — O Leão não rugirá mais, sua vida, o preço pedido para defender seu filhote.
Gavriel estava morto. Ela sentiu a verdade nas palavras de Maeve. Deixou-as perfurar um buraco em seu coração.
— Me parece que você não podia salvá-lo — continuou Maeve. — Mas você pode salvá-los.
Fenrys gritava agpra. Rowan ficou em silêncio, seus olhos verdes vazios. Tudo o que ele tinha visto o levou a gritar, e agora a chorar.
Dor. Dor indizível e inimaginável. Como ela havia suportado, talvez pior.
E ainda assim...
Aelin não deu tempo para Maeve para reagir. Não deu tempo nem de ela virar a cabeça enquanto ela agarrava Goldryn, de onde estava ao lado dela, e a atirava na rainha.
Ela errou Maeve por dois centímetros, a rainha valg se desviando para o lado antes de a lâmina se enterrar no meio da neve, fumegando onde pousou. Ainda estava queimando.
Era tudo o que Aelin precisava.
Ela atacou, lançando chamas para todos os lados.
Mas não para Maeve.
Elas bateram em Rowan, em Fenrys e Lorcan. Golpearam seus ombros, dura e profundamente.
Queimando-os. Marcando-os


Aelin estava morta. Ela estava morta e ele falhou com ela.
— Você é um macho tão inferior — disse Lyria, ainda estudando o portão onde o corpo de Aelin balançava. — Você mereceu isso. Depois do que aconteceu comigo, você mereceu.
Aelin estava morta.
Ele não queria viver neste mundo. Nem por mais um batimento cardíaco.
Aelin estava morta. E ele...
Seus ombros começaram a doer. E então a queimar.
Como se alguém tivesse pressionado um ferro quente sobre ele. Um atiçador muito quente.
Uma chama.
Ele olhou para baixo, mas não viu nenhuma ferida.
— Você só traz sofrimento para aqueles que ama —  Lyria continuou.
As palavras eram distantes. Secundárias diante daquela ferida ardente.
Ele sentiu-se queimar novamente, uma ferida fantasma, uma lembrança...
Não uma lembrança. Não uma lembrança, mas uma tábua de salvação jogada no escuro. Em uma ilusão.
Uma âncora.
Como ele uma vez a ancorou, puxando-a do aperto de um príncipe valg.
Aelin.
Suas mãos se fecharam ao lado do corpo. Aelin, que conhecia o sofrimento, assim como ele. A quem foram apresentadas vidas pacíficas e ainda sim o escolhera, exatamente como ele era, pelo que ambos haviam suportado. Ilusões – isto eram ilusões.
Rowan rangeu os dentes. Sentiu aquela coisa enrolada em sua mente. Segurando-o em cativeiro.
Ele soltou um grunhido baixo.
Ela tinha feito isso – ela tinha feito isso antes. Despedaçado sua mente. Torcido e tirado dele aquilo que lhe era mais importante. Aelin.
Ele não deixaria que ela a tomasse novamente.


Lorcan rugiu com a dor que rasgou seus sentidos, através das palavras zombeteiras de Elide, através da imagem de Perranth, o lar que ele tanto queria, e que talvez nunca visse.
Rugiu e o mundo ondulou. Tornou-se neve, escuridão e batalha.
E Maeve. De pé diante deles, seu rosto pálido estava lívido.
O poder dela se lançou sobre ele, como uma pantera prestes a atacar...
Elide agora estava deitada em uma cama grande e opulenta, a mão ressequida tentando alcançar a dele. Uma mão envelhecida, crivada de marcas, as delicadas veias azuis se entrelaçando como os muitos rios ao redor de Doranelle.
E o rosto dela... Seus olhos escuros estavam opacos, suas rugas, profundas. Seu cabelo fino branco como a neve.
— Esta é uma verdade da qual você não pode fugir — ela falou, a voz rouca. — A espada acima de nossas cabeças.
Seu leito de morte. Isto é o que era. E a mão que ele roçou contra a dela permanecia jovem. Ele permanecia jovem.
Bile subiu por sua garganta.
— Por favor. — Ele colocou a mão no peito, como se isso fosse impedir o buraco implacável que se abria.
Fracamente, uma dor pulsante lhe respondeu.
As respirações de Elide arranharam seus ouvidos. Ele não podia ver isso, não podia...
Ele enfiou a mão com mais força no peito. Para a dor que havia lá.
Vida... a vida era dor. Dor e alegria. Alegria por causa da dor.
Ele viu isso no rosto de Elide. Em cada linha e marca de idade. Em todo o seu cabelo branco. Uma vida vivida juntos. A dor da despedida por causa da maneira como havia sido maravilhosa.
A escuridão estava diluída. Lorcan enfiou a mão no ferimento em chamas em seu ombro.
Elide soltou uma tosse seca que o destruiu, mas ele a guardou em seu coração, cada pedacinho dela. Tudo o que o futuro poderia oferecer.
Mas isso não o assustou.


De novo e de novo, Connall morreu. De novo e de novo.
Connall estava deitado no chão da varanda, seu sangue escorredo para o rio enevoado lá embaixo.
Seu destino, deveria ter sido o destino dele.
Se ele andasse pela borda da varanda, para aquele rio que rugia, alguém notaria a sua passagem? Se ele saltasse, o irmão em seus braços, o rio acabaria rapidamente com ele?
Ele não merecia um final rápido. Ele merecia uma sangria lenta e brutal.
Sua punição, sua justa recompensa pelo o que fez ao irmão. A vida que ele permitira ser colocada à sua sombra, que ele sempre soubera que estava à sua sombra, e que ele não tentara, não realmente, compartilhar sua luz.
Uma queimadura, violenta e inflexível, atravessou-o. Como se alguém tivesse empurrado seu ombro em uma fornalha.
Ele merecia isso. Ele a acolheu em seu coração.
Esperava que isso o destruísse.


Dor. A coisa que ela mais temia infligir a eles, contra a qual lutou e lutou para mantê-los longe.
O cheiro da carne queimada deles atingiu suas narinas, e Maeve soltou uma risada baixa.
— Isso era para ser um escudo, Aelin? Ou você estava tentando arrancá-los da miséria em que estão?
Ajoelhado ao lado dela, a mão de Rowan se contraiu com o horror que ele assistia, bem na lâmina de seu machado descartado.
O cheiro de pinho, neve e o aroma acobreado de sangue se misturaram, erguendo-se para encontrá-la enquanto a palma se cortou com a força com a qual ele contraía os músculos.
— Podemos continuar com isso, você sabe — continuou Maeve — até Orynth estar em ruínas.
Rowan olhava, sem realmente ver, a frente, a palma da mão escorrendo sangue na neve.
Seus dedos se curvaram. Levemente.
Um gesto, um aceno, pequeno demais para que Maeve notasse. Para qualquer um notar, exceto ela. Exceto pela linguagem silenciosa entre eles, o modo como seus corpos se comunicavam desde o momento em que se encontraram naquele beco empoeirado em Varese.
Um pequeno ato de desafio. Como ele uma vez desafiou Maeve diante do trono dela em Doranelle.
Fenrys soluçou de novo e Maeve olhou para ele.
Aelin deslizou a mão pelo machado de Rowan, a dor sussurrando em seu corpo.
Seu parceiro estremeceu, lutando contra a mente que o invadia outra vez.
— Que desperdício — disse Maeve, voltando-se para eles. — Estes machos finos deixaram o meu serviço só para acabar com uma rainha com apenas algumas gotas de poder em nome dela.
Aelin fechou a mão em torno da de Rowan.
Uma porta se abriu entre eles. Uma porta de volta para ele mesmo, para ela.
Os dedos dele se fecharam ao redor dos dela.
Aelin soltou uma risada baixa.
— Eu posso não ter mais nenhuma magia — ela falou — mas o meu parceiro tem.
Esperando do outro lado da porta escura para atacar, Rowan ergueu Aelin de pé enquanto seus poderes, suas almas, se fundiam.
A força da magia de Rowan a atingiu, antiga e furiosa. Gelo e vento se transformaram em chamas abrasadoras.
Seu coração cantou, rugiu, ao poder que fluiu de Rowan para dentro dela. Ao seu lado, seu parceiro a segurou. Inquebrável.
Rowan sorriu, feroz e perverso. Uma coroa de chamas, gêmea à dela, apareceu em cima de sua cabeça.
Como um, eles olharam para Maeve.
Maeve sibilou, seu poder sombrio se acumulando novamente.
— Rowan Whitethorn não tem o poder brutal que você teve um dia.
— Talvez ele não tenha — disse Lorcan um passo atrás deles, com os olhos limpos e livres — mas juntos, nós o temos. — Ele olhou para Aelin, uma mão subindo para a queimadura vermelha e raivosa marcando seu peito.
— E além de nós — disse Aelin, desenhando uma marca na neve com o sangue que ela derramara, o sangue dela e de Rowan — acho que eles também têm bastante.
Uma luz incandescente surgiu aos pés deles, e o poder de Maeve se manifestou, mas era tarde demais.
O portal fora aberto. Exatamente como as marcas de Wyrd nos livros que Chaol e Yrene trouxeram do continente sul haviam prometido.
Precisamente para onde Aelin queria. O lugar que ela vislumbrara enquanto voltava pelo portão de Wyrd. Para onde ela e Rowan se aventuraram dias atrás, testando este mesmo portal.
O vale da floresta era prateado ao luar, a neve, espessa. Árvores estranhas e antigas, mais antigas que aquelas de Carvalhal. Árvores que só podiam ser encontradas ao norte de Terrasen, no interior do país.
Mas não foram as árvores que fizeram Maeve parar. Não, foi a massa fervilhante de pessoas, suas armaduras e armas brilhando sob suas pesadas peles. Entre eles, grandes como cavalos, lobos rosnavam. Lobos com cavaleiros.
Abaixo no campo de batalha, portais após portais se abriram. Bem onde Rowan e a equipe os haviam desenhado com seu próprio sangue enquanto lutavam. Todos para serem abertos com este feitiço. Este comando. E em cada portal, essa multidão de pessoas podia ser vislumbrada. O exército.
— Ouvi dizer que você planejava vir para cá, veja bem — disse Aelin para Maeve, o poder de Rowan era uma canção em seu sangue. — Ouvi dizer que você planejava trazer as princesas-kharankui junto. — Ela sorriu. — Então pensei em trazer alguns amigos meus.
A primeira das figuras além do portal surgiu, montando um grande lobo prateado. E mesmo com as peles sobre sua pesada armadura, as orelhas pontudas da mulher podiam ser vistas.
— Os feéricos que moravam em Terrasen não foram completamente eliminados — disse Aelin. Lorcan começou a sorrir. — Eles encontraram um novo lar com a Tribo dos Lobos. — Também havia humanos montados em lobos. Como todos os mitos haviam afirmado. — E sabia que enquanto muitos deles vieram para cá com Brannon, houve um clã inteiro de feéricos que chegou do continente do sul? Fugindo de você, acredito eu. Todos eles, na verdade, não gostam muito de você, lamento dizer.
Mais e mais feéricos e cavaleiros de lobo se aproximaram do portal, com as armas a mostra. Além deles, estendendo-se para longe, a tropa fluía.
Maeve recuou um passo. Apenas um.
— Mas você sabe quem eles odeiam ainda mais? — Aelin apontou com Goldryn em direção ao campo de batalha. — Aquelas aranhas. Nesryn Faliq me contou tudo sobre como seus ancestrais lutaram contra elas no continente sul. Como eles fugiram quando você tentou manter seus curandeiros acorrentados, e então acabaram tendo que lutar com suas amiguinhas. E quando chegaram a Terrasen, ainda se lembravam. Parte da verdade se perdeu, se tornou confusa, mas eles ainda se lembram. Eles ensinaram seus filhos. Treinaram-nos.
Os feéricos e seus lobos além dos portais agora fixavam seus olhos sobre as kharankui híbridas na parte mais distante da planície.
— Eu disse a eles que lidaria com você — Aelin continuou, e Rowan riu — mas as aranhas... Oh, as aranhas são todas deles. Acho que eles estão esperando há algum tempo por isso, na verdade. As bruxas Dentes de Ferro também. Aparentemente, o clã Pernas Amarelas não foi muito gentil com aqueles presos em suas formas animais nestes últimos dez anos.
Aelin liberou uma labareda de luz. O único sinal que ela precisava dar.
Para um povo que pedira apenas uma coisa quando Aelin implorou para que lutassem, para que se juntassem a essa última batalha: voltar para casa. Voltar a Orynth depois de uma década se escondendo.
Sua chama dançou sobre o campo de batalha. E os feéricos perdidos de Terrasen, a lendária Tribo dos Lobos que os acolheram e protegeram ao lado, atacaram pelos portais. Direto nas fileiras desavisadas de Morath.
Maeve ficou mortalmente pálida. Empalideceu ainda mais quando a magia explodiu e se ergueu e aqueles híbridos de aranha caíram, seus gritos de surpresa silenciados sob as lâminas Asterion.
No entanto, a mão de Rowan apertou a de Aelin e ela olhou para o parceiro. Porém seus olhos estavam em Fenrys. Sobre o poder sombrio que Maeve ainda mantinha em torno dele.
O macho permanecia esparramado na neve, lágrimas silenciosas e intermináveis. Seu rosto era uma ruína sangrenta.
Através do rugido do poder de Rowan, Aelin sentiu os fios que partiam em seu próprio coração, sua própria alma.
Olhe para mim.  Seu comando silencioso ecoou pelo juramento de sangue até Fenrys.
Olhe para mim.
— Suponho que vocês pensem que agora podem acabar comigo de uma maneira grandiosa — Maeve falou para Rowan e ela, aquele poder sombrio crescendo. — Vocês, a quem eu mais prejudiquei.
Olhe para mim.
Com o rosto cortado e escorrendo sangue, Fenrys se virou para ela, seus olhos voltados cegamente para ela. E ficando limpos, apenas ligeiramente.
Aelin piscou quatro vezes. Eu estou aqui, estou com você.
Não obteve resposta.
— Vocês entendem o que é uma rainha valg? — Maeve perguntou a eles, triunfo em seu rosto apesar dos feéricos e lobos surgidos no campo de batalha além deles. — Eu sou tão vasta e eterna quanto o mar. Erawan e seus irmãos me procuraram por conta do meu poder. — Sua magia fluiu em torno dela em uma aura profana. — Você acredita que é uma assassina de deuses, Aelin Galathynius? Quem eram eles, senão criaturas vaidosas presas neste mundo? Quem eram elas, senão coisas que sua mente humana não pode compreender? — Ela levantou os braços. — Eu sou uma deusa.
Aelin piscou de novo para Fenrys, o poder de Rowan se acumulando em suas veias, preparando-se para o primeiro e provavelmente último ataque que seriam capazes de lançar, o poder de Lorcan se unindo ao deles. No entanto, mais e mais, Aelin piscava para Fenrys, para aqueles olhos meio vazios.
Eu estou aqui, estou com você.


Eu estou aqui, estou com você.
Uma rainha dissera isso a ele. Em sua linguagem secreta e silenciosa. Durante as horas indescritíveis de tormento, eles disseram isso um para o outro.
Não estava sozinho.
Ele não estava sozinho naquela época e ela também não. A varanda em Doranelle e a neve ensanguentada do lado de fora de Orynth se misturaram e brilharam.
Eu estou aqui, estou com você.
Maeve estava lá. Diante de Aelin e Rowan, queimando com poder. Diante de Lorcan, com seus dons sombrios como uma sombra ao redor dele. Feéricos, tantos feéricos e lobos, alguns os montando, derramando-se no campo de batalha através de buracos no ar.
Então funcionou. O plano louco deles, a ser posto em prática quando tudo tivesse ido para o inferno, quando não tivessem mais esperança alguma.
No entanto, o poder de Maeve aumentou.
Os olhos de Aelin permaneceram sobre os dele, ancorando-o. Puxando-o daquela varanda ensanguentada. Para um corpo tremendo de dor. Um rosto que queimava e latejava.
Eu estou aqui, estou com você.
E Fenrys se viu piscando de volta. Apenas uma vez.
Sim.
E quando os olhos de Aelin se moveram novamente, ele entendeu.


Aelin olhou para Rowan. Encontrou seu parceiro já sorrindo para ela. Consciente do que provavelmente os aguardava.
— Juntos — ela disse baixinho.
O polegar de Rowan roçou o dela. Em amor e em despedida.
E então eles entraram em erupção.
Chamas, incandescentes e cegantes, rugindo em direção a Maeve.
Mas a rainha negra esperava por isso. Ondas gêmeas de escuridão se arquearam em cascata por eles.
Apenas para ser paradas por um escudo de vento negro. Desviadas para os lados.
Aelin e Rowan atacaram novamente, rápidos como um raio. Flechas e lanças de fogo fizeram Maeve recuar um passo. Então outro.
Lorcan a golpeou de lado, forçando Maeve a recuar outro passo.
— Eu diria — Aelin ofegou, falando acima do glorioso rugido da magia que a atravessava, da canção inquebrantável dela e de Rowan — que você não nos prejudicou tanto, no final.
Com socos alternados, Lorcan atacou com eles. Fogo, e então a morte negra como a meia-noite.
As sobrancelhas escuras de Maeve se estreitaram.
Aelin atirou uma parede de fogo que empurrou Maeve mais um passo para trás.
— Mas ele, ah, ele tem contas a acertar com você.
Os olhos de Maeve se arregalaram, e ela se virou. Mas não rápido o suficiente.
Não rápido o suficiente, pois Fenrys desaparecera de onde estava caído e reapareceu – bem atrás de Maeve.
Goldryn queimou mais brilhante enquanto ele mergulhava nas costas dela.
No coração escuro dentro dela.

7 comentários:

  1. Gente, só eu que fiquei meio perdida com essa história do portal?? kkkkkk

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  2. Achei o negócio dos feericos meio aleatório... Tipo, no final do livro ela resolve colocar uns feericos q tavam escondidos em outra dimensão pra lutar?? Wtf

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    Respostas
    1. Eles não estavam em outra dimensão, estavam no norte. São os feéricos de Terrasen, aqueles que conseguiram fugir e se isolaram nas montanhas.
      E o feitiço só ligava lugares próximos, não mundos diferentes. Na verdade, fiquei me perguntando POR QUE eles não usaram isso antes. Teriam chegado muito mais cedo!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!