29 de outubro de 2018

Capítulo 10

O mundo se tornara apenas lama congelante, sangue vermelho e preto e os gritos dos moribundos subindo para o céu gelado.
Lysandra aprendera nos últimos meses que a batalha não era uma coisa ordenada e organizada. Era o caos e dor, e não havia duelos grandiosos e heroicos.
Apenas suas garras cortando e suas presas rasgando; o choque de escudos amassados e espadas ensanguentadas. Os exércitos que uma vez foram distinguíveis rapidamente se tornaram esparramado, e se não fosse pela escuridão das cores de seu inimigo, Lysandra não estava inteiramente certa de como teria discernido aliado de inimigo.
Suas fileiras se mantiveram. Pelo menos isso.
Escudo a escudo, ombro a ombro no campo nevado que desde então se tornara um poço de lama, eles encontraram a legião de Erawan que marchara através de Eldrys.
Aedion havia escolhido o campo, a hora, o ângulo dessa batalha. Os outros haviam pressionado por um ataque instantâneo, mas ele deixara que Morath marchasse o suficiente para o interior – exatamente para onde ele queria. A localização era tão importante quanto os números, foi tudo o que ele disse.
Não para Lysandra, claro. Ele mal dizia uma maldita palavra para ela nos dias de hoje.
Agora certamente não era a hora de pensar nisso. De se importar.
Seus aliados e soldados acreditavam que Aelin Galathynius vinha encontrá-los, permitindo que Lysandra vestisse a forma do leopardo fantasma. Ren Allsbrook até encomendara uma armadura para o peito, laterais e flancos do leopardo. Tão leve que não era um obstáculo, mas sólido o suficiente para que os três golpes que ela fora lenta demais para impedir – uma flecha nas costelas, depois dois golpes de espadas inimigas – tivessem sido desviados.
Pequenas feridas queimavam ao longo de seu corpo. Sangue emaranhava os pelos de suas patas do abate que ela provocara entre as linhas de frente, despedaçando espadas que desciam e quebrando flechas.
Mas ela continuou, a Devastação mantendo-se firme contra o que havia sido enviado para encontrá-los.
Apenas cinco mil.
Apenas parecia uma palavra ridícula, mas era a que Aedion e os outros usavam.
Mal o suficiente para ser considerado um exército, considerando a força total de Morath, mas grande o suficiente para representar uma ameaça.
Para eles, Lysandra pensou enquanto se lançava entre dois guerreiros da Devastação e se lançava sobre o soldado valg mais próximo.
O homem estava com sua espada erguida, pronta para atacar o soldado da Devastação diante dele. Sua cabeça virada quando trouxe a lâmina para cima, o valg inferior não viu a morte se aproximando até que suas mandíbulas estivessem ao redor do pescoço exposto.
Depois de horas nessa batalha, foi instinto morder com força, a carne se partindo como uma fruta madura.
Ela estava em movimento novamente antes de ele atingir o chão, cuspindo sua garganta na lama, deixando a Devastação que avançava para decapitar seu cadáver.
A que distância a vida de cortesã em Forte da Fenda agora parecia estar. Apesar da morte ao seu redor, ela não podia dizer que sentia falta disso.
Mais abaixo nas fileiras, Aedion gritou ordens para o flanco esquerdo. Eles deixaram parte da Devastação descansar ao ouvirem quão poucos Erawan enviara, e encheram as fileiras com uma mistura de soldados das forças dos próprios lordes de Terrasen, do príncipe Galan Ashryver e da rainha Ansel dos Desertos, ambos com guerreiros adicionais a caminho.
Não havia necessidade de revelar que eles tinham um pequeno batalhão de soldados feéricos, cortesia do príncipe Endymion e da princesa Sellene Whitethorn, ou que os Assassinos Silenciosos do Deserto Vermelho também estavam entre eles. Haveria um momento em que a surpresa de sua presença seria necessária, Aedion argumentara durante o rápido conselho de guerra que haviam conduzido ao retornar ao acampamento. Lysandra, cansada de carregar a ele, Ren e Murtaugh sem descanso de Allsbrook até a fronteira de Orynth, mal escutara o debate. Aedion venceu, de qualquer maneira.
Como ele ganhava tudo, por pura vontade e arrogância.
Ela não se atreveu a olhar para as linhas para ver como ele estava se saindo, ombro a ombro na lama com seus homens. Ren liderava o flanco direito, onde Lysandra estava posicionada. Galan e Ansel tinham ficado com a esquerda, Ravi e Sol de Suria lutando entre eles.
Ela não se atreveu a ver que espadas ainda eram manejadas.
Eles contariam seus mortos após a batalha.
Não havia muitos inimigos agora. Mil, se tanto. Os soldados que ela deixou para trás eram muito mais numerosos.
Então Lysandra continuou matando, o sangue de seu inimigo como vinho estragado em sua língua.


Eles venceram, embora Aedion estivesse bem ciente de que a vitória contra cinco mil soldados provavelmente seria passageira, considerando que a força completa de Morath ainda estava por vir.
O frenesi da batalha ainda não havia passado para nenhum deles – motivo pela qual Aedion acabara em sua tenda de guerra uma hora após o último valg ter caído, de pé ao redor de uma mesa coberta de mapas com Ren Allsbrook, Ravi e Sol de Suria.
Aonde Lysandra fora, ele não sabia. Ela sobrevivera, o que ele supunha ser o suficiente.
Eles não tinham lavado o sangue ou a lama que os cobriam com tanta intensidade que entrara sob seus capacetes e armaduras. Suas armas estavam em uma pilha abandonada perto das abas da tenda. Tudo precisaria ser limpo.
Mas depois.
— Perdas do seu lado? — perguntou Aedion a Ravi e Sol.
Os dois irmãos loiros governaram Suria, embora Sol fosse tecnicamente seu senhor. Eles nunca lutaram nas guerras antes, apesar de próximos da idade de Aedion, mas foram bem o bastante hoje. Seus soldados também.
Os senhores de Suria tinham perdido o pai para os blocos de execução de Adarlan uma década atrás, sua mãe sobrevivendo às guerras e a ocupação de Adarlan por sua astúcia e pelo fato de sua próspera cidade portuária ser valiosa demais para a rota comercial do império para ser dizimada.
Sol, aparentemente, era mais como sua mãe, esperta e inteligente.
Ravi, vivaz e ousado, era mais como seu falecido pai.
Ambos, no entanto, odiavam Adarlan com uma intensidade que queimava profunda e desmentidamente por seus pálidos olhos azuis.
Sol, seu rosto estreito salpicado de lama, soltou o ar pelo nariz. Nariz de aristocrata, Aedion pensava quando eram crianças. O lorde sempre foi mais um erudito que um guerreiro, mas parecia ter aprendido uma coisa ou duas nos anos sombrios desde então.
— Não muitas, graças aos deuses. Duzentos no máximo.
A voz suave era enganosa – Aedion aprendera essas semanas. Talvez uma arma em si, para fazer as pessoas acreditarem que ele era gentil e fraco. Para mascarar a mente afiada e instintos mais aguçados por trás dela.
— E o seu flanco? — Aedion perguntou Ren.
Ren passou a mão pelos cabelos escuros, lama caindo em flocos.
— Cento e cinquenta, se tanto.
Aedion assentiu. Muito melhor do que ele previra. As fileiras se mantiveram, graças à Devastação que intercalara entre eles. Os valg tentaram manter a ordem, mas uma vez que o sangue humano começou a ser derramado, eles desceram à luxúria da batalha e perderam o controle, apesar dos gritos de seus comandantes.
Todos valg inferiores, sem príncipes entre eles. Ele sabia que não era uma bênção. Sabia que a tropa de cinco mil que Erawan enviara, emboscando os navios de Galan Ashryver por Ilium antes de descerem em Eldrys, devia apenas diminuir seus números. Sem ilken, sem Dentes de Ferro, sem cão de caça de Wyrd.
Mesmo assim, ainda eram difíceis de matar. Tinham lutado mais que a maioria dos homens.
Ravi olhou o mapa.
— Nós voltamos para Orynth agora? Ou seguimos até a fronteira?
— Darrow nos ordenou que fôssemos para Orynth, se sobrevivêssemos — respondeu Sol, franzindo a testa para o irmão. À luz nos olhos de Ravi que tão claramente expressava para onde ele queria ir.
Darrow, que era velho demais para lutar, havia permanecido no acampamento secundário trinta e dois quilômetros atrás deles. Seria a próxima linha de defesa, se cinco mil soldados conseguissem destruir uma das unidades de combate mais habilidosas que Terrasen já vira. Com a notícia agora indubitavelmente chegando de que a batalha fora a seu favor, Darrow provavelmente voltaria para a capital.
Aedion olhou para Ren.
— Acha que seu avô pode convencer Darrow e os outros lordes a irem para o sul?
Guerra por comitê. Era um absurdo. Cada escolha que fazia, cada campo de batalha que escolhia, ele tinha que argumentar por isso. Convencê-los.
Como se essas tropas não fossem para a rainha, não tivessem vindo para Aelin quando ela chamou. Como se a Devastação servisse a qualquer outra pessoa.
Ren soltou um suspiro na direção do teto alto da tenda. Um grande espaço, mas sem adornos. Eles não tinham tempo ou recursos para mobiliá-la em uma tenda de guerra adequada, montando apenas um catre, alguns braseiros e essa mesa, junto com uma banheira de cobre atrás de uma cortina nos fundos.
Assim que essa reunião terminasse, ele encontraria alguém para enchê-la para ele.
Se Aelin estivesse aqui, ela poderia aquecê-la em um piscar de olhos. Ele espantou o aperto no peito. Se Aelin estivesse aqui, uma respiração dela e as cinco mil tropas que eles se exauriram matando hoje teriam sido cinzas no vento.
Nenhum dos lordes ao seu redor questionara aonde estava sua rainha. Por que ela não estava no campo hoje? Talvez eles não tivessem ousado.
— Se movermos os exércitos para o sul sem a permissão de Darrow e dos outros lordes, estaremos cometendo traição — Ren falou.
— Traição, quando estamos salvando nosso próprio maldito reino? — Ravi exigiu.
— Darrow e os outros lutaram na última guerra — disse Sol ao irmão.
— E perderam — Ravi desafiou. — Feio. — Ele acenou com a cabeça em direção a Aedion. — Você esteve em Theralis. Viu o massacre.
Os senhores de Suria não tinham nenhum amor por Darrow ou pelos outros lordes que haviam liderado as forças naquela posição final e condenada. Não quando seus erros levaram à morte da maior parte de sua corte, seus amigos. Pouco preocupavam-se que Terrasen estivesse tão em desvantagem que nunca houvera esperança alguma.
— Eu digo que devemos nos dirigir para o sul — Ravi continuou. — Posicionar nossas forças na fronteira, em vez de permitir que Morath se aproxime tanto de Orynth.
— E dessa forma quaisquer aliados que ainda possamos ter no sul não terão que viajar tão longe para se juntarem a nós.
— Galan Ashryver e Ansel dos Desertos irão aonde lhes dissermos, os feéricos e os assassinos também — lembrou Ravi. — As outras tropas de Ansel estão indo para o norte agora. Nós poderíamos encontrá-los. Talvez mandar martelar tanto do oeste quanto do norte.
Uma boa ideia e uma que Aedion havia contemplado. No entanto, convencer Darrow... Ele iria para o outro acampamento no dia seguinte, talvez conseguisse pegar Darrow antes que ele voltasse para a capital. Depois que ele se certificasse de que os feridos estavam sendo cuidados.
Mas parecia que Darrow não esperaria pela manhã.
— General Ashryver.
Uma voz masculina soou de fora – jovem e calma.
Aedion grunhiu em resposta, e certamente não foi Darrow quem entrou, mas um homem alto, de cabelos escuros e olhos cinzentos. Nenhuma armadura, apesar de suas roupas escuras e sujas de lama revelarem um corpo tonificado embaixo. Uma carta estava em suas mãos, que ele estendeu a Aedion enquanto cruzava a tenda com facilidade graciosa, então se curvou.
Aedion pegou a carta, seu nome escrito na caligrafia de Darrow.
— Lorde Darrow pede que você se junte a ele amanhã — disse o mensageiro, empurrando o queixo na direção da carta lacrada. — Você e o exército.
— Qual é o sentido da carta — Ravi murmurou — se você vai contar o que diz?
O mensageiro lançou um olhar confuso para o jovem lorde.
— Eu perguntei isso também, milorde.
— Então estou surpreso que ainda esteja empregado — disse Aedion.
— Não empregado — disse o mensageiro. — Apenas... colaborando.
Aedion abriu a carta, e esta de fato transmitia a ordem de Darrow.
— Para ter chegado aqui tão rápido, você teria que voar — ele falou ao mensageiro. — Isso deve ter sido escrito antes mesmo de a batalha começar esta manhã.
O mensageiro sorriu.
— Eu recebi duas cartas. Uma para a vitória, outra para a derrota.
Ousado – este mensageiro era corajoso e arrogante, para alguém que agia às ordens de Darrow.
— Qual é o seu nome?
— Nox Owen. — O mensageiro curvou-se na altura da cintura. — De Perranth.
— Eu ouvi falar de você — Ren disse, examinando o homem novamente. — Você é um ladrão.
— Ex-ladrão — Nox emendou, piscando. — Agora rebelde, e o mensageiro mais confiável de lorde Darrow.
De fato, um ladrão experiente faria um mensageiro inteligente, capaz de entrar e sair invisível de lugares.
Mas Aedion não se importava com o que o homem fez ou deixou de fazer.
— Suponho que você não voltará esta noite. — Um aceno de cabeça. Aedion suspirou. — Darrow percebe que esses homens estão exaustos e, embora tenhamos conquistado , não foi uma vitória fácil?
— Ah, tenho certeza de que sim — disse Nox, as sobrancelhas escuras erguendo-se alto com aquele leve divertimento.
— Diga a Darrow — interrompeu Ravi — que ele venha nos encontrar então. Em vez de nos forçar a mover um exército inteiro só para vê-lo.
— A reunião é uma desculpa — disse Sol em voz baixa. Aedion assentiu. Às sobrancelhas enrugadas de Ravi, seu irmão mais velho esclareceu: — Ele quer ter certeza de que nós não... — Sol parou, ciente do ladrão que ouvia cada palavra.
Mas Nox sorriu, como se entendesse o significado de qualquer maneira.
Darrow queria garantir que não tirassem o exército daqui e marchassem para o sul. Tinha-os cortado antes que eles pudessem fazê-lo, com esta ordem para marcharem amanhã.
Ravi grunhiu, finalmente pegando a essência das palavras de seu irmão. Aedion e Ren trocaram olhares. O senhor de Allsbrook franziu a testa, mas assentiu.
— Descanse aonde quer que encontre uma fogueira para recebê-lo, Nox Owen — disse Aedion ao mensageiro. — Nós partiremos ao alvorecer.


Aedion partiu para encontrar Kyllian para transmitir a ordem. As tendas eram um labirinto de soldados exaustos, os feridos gemendo entre eles.
Aedion parou por tempo suficiente para saudar aqueles homens, para oferecer um tapinha no ombro ou uma palavra de segurança. Alguns aguentariam a noite.
Muitos não.
Ele parou em outras fogueiras também. Para elogiar a luta, se os soldados vieram de Terrasen, Desertos ou Wendlyn. Em algumas delas, ele até compartilhou suas cervejas ou refeições.
Rhoe havia lhe ensinado isso – a arte de fazer seus homens quererem segui-lo, morrer por ele. Mas mais do que isso, a vê-los como homens, como pessoas com famílias e amigos que tinham tanto a arriscar ao lutar aqui. Não foi nenhum fardo, apesar do esgotamento que se apoderava dele, agradecer-lhes por sua coragem, suas espadas.
Mas levou tempo. O sol já havia se posto, o acampamento lamacento lançado em profundas sombras entre as fogueiras, quando se aproximou da tenda de Kyllian.
Elgan, um dos capitães da Devastação, deu-lhe uma palmada no ombro ao passar, o rosto grisalho do homem com um sorriso sombrio.
— Não é um mau primeiro dia, filhote — resmungou Elgan. Ele chamava Aedion assim desde aqueles dias iniciais nas fileiras da Devastação, fora um dos primeiros homens aqui a tratá-lo não como um príncipe que perdera seu reino, mas como um guerreiro lutando para defendê-lo. Grande parte de seu treinamento no campo de batalha ele devia a Elgan. Assim como sua vida, considerando as inúmeras vezes que a sabedoria do homem e sua espada rápida o salvaram.
Aedion sorriu para o velho capitão.
— Você lutou bem, para um vovô. — A filha do homem havia dado à luz apenas no inverno passado.
Elgan rosnou.
— Eu gostaria de ver você empunhando uma espada tão bem quando tiver a minha idade, garoto.
Então ele se foi, seguindo para uma fogueira que continha vários outros comandantes e capitães mais velhos. Eles notaram a atenção de Aedion e ergueram suas canecas em saudação.
Aedion apenas inclinou a cabeça e continuou.
— Aedion.
Ele reconheceria aquela voz mesmo se fosse cego. Lysandra saiu de trás de uma tenda, com o rosto limpo apesar das roupas enlameadas.
Ele parou, finalmente sentindo o peso da sujeira e sangue em si mesmo.
— O que.
Ela ignorou o tom dele.
— Eu poderia voar até Darrow hoje à noite. Entregar a ele qualquer mensagem que você queira.
— Ele quer que nós movamos o exército de volta para ele, e então para Orynth — disse Aedion, prestes a continuar até a tenda de Kyllian. — Imediatamente.
Ela entrou em seu caminho.
— Eu posso ir, dizer a ele que este exército precisa de tempo para descansar.
— Esta é alguma tentativa de cair nas minhas boas graças novamente? — ele estava tão, tão cansado para se preocupar em ficar contornando a verdade.
Seus olhos de esmeralda ficaram tão frios quanto a noite de inverno ao redor deles.
— Eu não dou a mínima para as suas boas graças. Eu me preocupo com este exército sendo forçado a movimentos desnecessários.
— Como você sabe o que foi dito na tenda? — Ele soube a resposta assim que expressou a pergunta. Ela estava em alguma forma pequena e despercebida – precisamente por que tantos reinos e cortes caçaram e mataram metamorfos. Espiões e assassinos incomparáveis.
Ela cruzou os braços.
— Se você não me quer em seus conselhos de guerra, então fale.
Ele observou o rosto dela, sua postura rígida. Exaustão pesava sobre ela, sua pele dourada estava pálida e os olhos, assombrados. Ele não sabia onde ela estava hospedada neste acampamento. Se ela até mesmo tinha uma tenda.
Culpa o corroeu por um batimento cardíaco.
— Quando, exatamente, nossa rainha fará o seu grande retorno?
A boca dela se apertou.
— Hoje à noite, se você achar que é sensato.
— Perder a batalha e só aparecer para brilhar na glória da vitória? Duvido que as tropas achem isso animador.
— Então me diga onde e quando, e eu farei.
— Assim como obedeceu cegamente à nossa rainha, agora me obedecerá?
— Eu não obedeço a ninguém — ela rosnou. — Mas eu não sou tola o bastante para acreditar que sei mais sobre exércitos e soldados do que você. Meu orgulho não é tão facilmente ferido.
Aedion deu um passo à frente.
— E o meu é?
— O que fiz, fiz por ela e por este reino. Veja esses homens, seus homens – veja os aliados que nós reunimos e diga que se eles soubessem a verdade, estariam tão ansiosos para lutar.
— A Devastação lutou quando acreditamos que ela estava morta. Não seria diferente.
— Poderia ser para os nossos aliados. Para o povo de Terrasen. — Ela não recuou nem por um momento. — Vá em frente e me castigue pelo resto da sua vida. Por mil anos, se você acabar se Estabelecendo.
Com Gavriel como pai, ele poderia muito bem viver esse tempo. Ele tentou não se debruçar sobre a possibilidade. Ele mal interagira com a realeza dos feéricos ou com seus soldados além do necessário. E eles basicamente se mantinham entre si. No entanto, eles não zombaram dele por seu status de semifeérico; realmente não pareciam se importar com o sangue que fluía em suas veias, desde que os mantivesse vivos.
— Temos inimigos suficientes — continuou Lysandra — mas se você realmente deseja me tornar um deles também, tudo bem. Não me arrependo do que fiz, nem nunca me arrependerei.
— Tudo bem — foi tudo o que ele conseguiu pensar em dizer.
Ela olhou astuciosamente para ele. Como se pesasse o homem ali dentro.
— Foi real, Aedion. Tudo. Eu não me importo se você acredita em mim ou não. Mas foi real para mim.
Ele não podia suportar ouvir isso.
— Eu tenho uma reunião — ele mentiu, e deu um passo ao redor dela. — Vá espionar em outro lugar.
Dor brilhou em seus olhos, rapidamente escondida. Ele era o pior tipo de bastardo por fazer isso.
Mas ele continuou indo para a tenda de Kyllian. Ela não foi atrás dele.


Ela era uma completa idiota.
Uma completa idiota por ter falado e agora sentir que algo dentro do seu peito estava espremido.
Ela tinha dignidade suficiente para não implorar. Para não ver Aedion entrar na tenda de Kyllian e se perguntar se era para uma reunião, ou porque ele estava tentando se lembrar da vida depois de tantas mortes hoje. Para não dar um centímetro de espaço para a ardência em seus olhos.
Lysandra dirigiu-se para a tenda confortável que Sol de Suria lhe dera perto da sua. Um homem gentil e inteligente – que não tinha interesse em mulheres. O irmão mais novo, Ravi, a olhava, como todos os homens. Mas ele mantinha uma distância respeitosa e conversava com ela, não com os seus seios, então ela também gostava dele. Não se importava em ter uma tenda no meio deles.
Era uma honra, na verdade. Ela saíra de se arrastar nas camas dos lordes, fazendo suas vontades com um sorriso, para lutar ao lado deles. E agora era uma dama por si mesma. Uma a quem os dois senhores de Suria e o senhor de Allsbrook reconheciam, apesar de Darrow renegá-la.
Tal fato poderia tê-la enchido de alegria se a batalha não a tivesse desgastado tão completamente que o caminho de volta para a tenda parecia interminável. Se o príncipe-general não tivesse enfraquecido seu espírito tão completamente.
Cada passo foi um esforço, a lama puxando suas botas. Ela se virou para um corredor de tendas, os estandartes mudando do veado branco para o verde esmeralda da Devastação para os peixes gêmeos prateados contra turquesa vibrante daqueles que pertenciam à Casa de Suria. Apenas cinquenta metros mais até sua tenda, então ela poderia se deitar. Os soldados sabiam quem ela era, o que ela era. Nenhum, se olhasse duas vezes na direção dela, gritou para ela da maneira que os homens haviam feito em Forte da Fenda.
Lysandra se arrastou até a tenda, suspirando aliviada quando abriu caminho entre as abas, mirando no catre.
Sono, frio e vazio, encontrou-a antes que ela se lembrasse de tirar as botas.

5 comentários:

  1. — Nox Owen. — O mensageiro curvou-se na altura da cintura. — De Perranth.

    Tão feliz que o Nox (que sempre me lembra a número de oxidação) voltou kkkkk

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  2. — Nox Owen. — O mensageiro curvou-se na altura da cintura. — De Perranth.
    — Eu ouvi falar de você — Ren disse, examinando o homem novamente. — Você é um ladrão.

    OMG!OMG!OMG!
    Ele apareceeeeeeu, sabia que ele iria dar as caras, mais não esperava por isso, não ele como mensageiro de Darrow!

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  3. EU TAVA ESPERANDO A HORA QUE NOX IA APARECER SOCORROOOOOOOO to mto emocionada

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Boa leitura, E SEM SPOILER!