29 de outubro de 2018

Capítulo 109

CAPÍTULO 109
As costas de Chaol se contorciam, a dor açoitava sua espinha. Seja da cura de
sua esposa dentro das muralhas do castelo ou das horas de luta, ele não fazia
ideia.
Não se importou, enquanto ele e Dorian galopavam através do portão sul até
Orynth, os dois eram pouco mais do que cavaleiros não marcados em meio ao
exército que corria para dentro. Preparando-se para o impacto do novo exército
marchando em direção a eles.
A noite logo cairia. Morath não esperaria até o amanhecer. Não com a
escuridão que pairava acima deles como uma nuvem horrível.
O que voou e afundou naquela escuridão, o que esperava por eles ... Dorian
estava quase caído em sua sela, com o escudo amarrado nas costas, Damaris
embainhado ao seu lado.
—Você olha como eu me sinto—, Chaol conseguiu dizer. Dorian deslizou os olhos
de safira para ele, uma faísca de humor iluminando as profundezas
assombradas. —Eu sei que um rei não deve se abaixar—, disse ele, esfregando o
rosto sujo de sangue e sujeira. Mas eu não consigo me importar.
Chaol sorriu sombriamente. —Nós temos pior para se preocupar.— Muito pior.
Eles correram em direção ao castelo, subindo a colina que os levaria até as
portas, quando um chifre atravessou o campo de batalha.
Um aviso. Com a vista que a colina oferecia, eles podiam ver claramente. O que
enviou os soldados correndo em direção a eles com urgência renovada.
Morath estava ganhando velocidade. Como se percebesse que a presa estava em
suas últimas pernas e não queria deixá-los se recuperar.
Chaol olhou para Dorian e eles puxaram os cavalos de volta para as
muralhas da cidade. Os soldados do khagan também o fizeram, descendo as
colinas que estavam escalando.
De volta para as ameias. E o inferno logo será liberado sobre ela mais uma
vez.
Caindo contra um wyvern morto, Aelin drenou o último de seu odre de água.
Ao lado dela, Ansel de Briarcliff ofegava entre os dentes cerrados, enquanto
a magia da curadora juntava as pontas de sua ferida. Uma fatia desagradável e
profunda no braço de Ansel.
Ruim o suficiente para que Ansel não tivesse conseguido segurar uma arma.
Então eles pararam, assim como a maré da batalha havia mudado, o inimigo
agora fugindo das muralhas de Orynth.
A cabeça de Aelin nadou, sua magia até a escória, seus membros cheios de
chumbo. O rugido da batalha ainda zumbia em seus ouvidos.
Coberto de sangue e lama, ninguém reconheceu a rainha onde haviam caído
de joelhos, tão perto dos portões do sul. Soldados passaram correndo, tentando
entrar na cidade antes que o exército às suas costas chegasse.
Só um minuto. Ela precisava apenas recuperar o fôlego por um minuto.
Então eles corriam para o portão sul. Em Orynth.
Em sua casa. Ansel jurou, balançando, e a curandeira estendeu a mão para
segurá-la. Não é bom. De modo nenhum. Aelin sabia o que e quem marchou em
direção a eles. Lysandra havia retornado aos céus há muito tempo, reunindo-se
aos rebeldes Ironteeth e Crochans. Onde Rowan estava agora, onde o cadre
estava, ela não sabia. Tinha-os perdido horas ou dias ou vidas atrás.
Rowan estava a salvo - o elo de acasalamento lhe dizia o suficiente.
Nenhuma ferida mortal. E através do juramento de sangue, ela sabia que Fenrys
e Lorcan ainda respiravam.
Se ela poderia dizer isso para o resto de suas amigas, ela não sabia. Não
queria saber, ainda não.
A curandeira terminou Ansel e, quando a mulher se virou, Aelin levantou a
mão. —Vá ajudar alguém que precisa— Aelin raspou.
A curandeira não hesitou antes de sair correndo, correndo em direção ao som
de gritos.
—Precisamos entrar na cidade—, Ansel murmurou, inclinando a cabeça contra
o couro encoberto atrás dela. - Antes que eles fechem o portão. -
Nós sabemos - disse Aelin, desejando forças para suas pernas exaustas para
que ela pudesse ficar de pé. Avalie a que distância esse host final e esmagador
estava.
Um plano. Ela tinha um plano para isso. Todos eles tiveram. Mas o tempo não
estava do lado dela. Talvez a sorte dela tivesse desaparecido com os deuses que
ela destruiu.
Aelin engoliu a secura da boca e grunhiu ao se levantar. O mundo oscilou,
mas ela ficou de pé. Conseguiu pegar as rédeas de um cavaleiro Darghan que
estava passando e ordenar que ela parasse.
Para levar a rainha ruiva meio delirante no chão. Ansel mal protestou quando
Aelin a colocou na sela atrás do soldado.
Aelin estava ao lado do wyvern abatido, observando sua amiga até que ela
passou pelo portão sul. Em Orynth.
Lentamente, Aelin se virou para a crescente onda de escuridão. Ela os
condenou. Atrás dela, o portão sul se fechou. O estrondo ecoou em seus ossos.
Soldados deixados no campo gritaram em pânico, mas as ordens foram embora.
Forme as linhas. Pronto para a batalha.
Ela poderia fazer isso. Ajuste o plano. Ela ainda examinava os céus em busca de
um falcão de cauda branca. Nenhum sinal dele. Boa. Bom, ela disse a si mesma.
Aelin fechou os olhos por um instante. Coloque uma mão no peito dela. Como
se pudesse estabilizá-la, prepará-la, para o que se agachou na escuridão que se
aproximava.
Soldados gritaram quando se reuniram, os gritos dos feridos e morrendo
soando por toda parte, as asas explodindo por toda parte.
Ainda Aelin permaneceu lá por um momento mais longo, um pouco além
dos portões de sua cidade. Sua casa. Ainda apertou a mão contra o peito,
sentindo o coração trovejando por baixo, sentindo a poeira de cada estrada pela
qual viajara durante esses dez anos para voltar aqui.
Para esse momento. Para este propósito.
Então ela sussurrou para si mesma, uma última vez. A história. A história dela.
Era uma vez, em uma terra há muito queimada, vivia uma jovem princesa que
amava seu reino ...
Yrene havia parado sua cura por apenas alguns minutos. Seu poder fluiu, forte e
brilhante, sem se mexer, apesar do trabalho que vinha fazendo há horas.
Mas ela parou, precisando ver o que aconteceu. Ouvindo que seus soldados,
com a vitória na mão, tinham fugido de volta para as muralhas da cidade, só a
mandaram correr para as muralhas do castelo mais rápido, Elide com ela. Como
ela esteve o dia todo, ajudando-a.
Elide estremeceu ao subir as escadas até as ameias, mas não se queixou. A
senhora examinou o espaço lotado, procurando por alguém, alguma coisa. Seu
olhar se fixou em um homem velho, uma criança com notáveis cabelos ruivos
ao lado dele. Mensageiros se aproximaram dele, então se afastaram.
Um líder - alguém no comando, percebeu Yrene depois de Elide, já
mancando para eles.
O velho encarou-os quando eles se aproximaram e começou. À vista de
Elide.
Yrene parou de se importar com as apresentações quando seu olhar pousou
no campo de batalha.
No exército - outro exército - marchando sobre eles, meio velado na
escuridão. Seis kharankui em suas linhas de frente.
Os soldados do khagan haviam se reunido nas muralhas, tanto fora quanto
dentro da cidade. O portão sul agora estava fechado.
Insuficiente. Não o suficiente para enfrentar o que marchou, fresco e
inebriante. As criaturas que ela mal conseguia distinguir em suas fileiras.
Princesas Valgas - havia princesas Valg entre elas.
Chaol. Onde estava Chaol - Elide e o velho estavam falando. —Não podemos
enfrentar esse número de soldados e ir embora—, disse a senhora, sua voz tão
diferente de qualquer tom que Yrene ouvira dela. Comandante e frio. Elide
apontou para o campo de batalha. As trevas - santos deuses, as trevas - que se
acumulavam sobre ela.
Um frio deslizou sobre o corpo de Yrene. —Você sabe o que é isso?— Elide
perguntou baixinho. —Porque eu faço.— O velho só engoliu. Yrene sabia disso
então. O que estava naquela escuridão? Quem estava nele. Erawan. O último do
sol desapareceu, colocando as neves ensangüentadas em tons de azul. Um flash
de luz se acendeu atrás deles, e a criança girou, um soluço saindo de sua
garganta quando uma mulher belíssima, ensanguentada e machucada apareceu.
Ela envolveu um manto em volta do corpo nu como um vestido, nem mesmo
tremendo de frio.
Um metamorfo. Ela abriu os braços para a garota, abraçando-a. Lysandra, Chaol
tinha ligado para ela. Uma dama na corte de Aelin. Sobrinha desconhecida para
Falkan Ennar.
Lysandra se virou para o velho. Aedion e Rowan enviaram a ordem, Darrow.
Qualquer um que puder pode evacuar imediatamente.
O velho Darrow olhou para o campo de batalha. Sem palavras, enquanto o
exército se aproximava cada vez mais e mais perto.
Como duas figuras tomaram forma em sua cabeça. E andou, desimpedido, em
direção às muralhas da cidade, as trevas rodeando em torno deles.
Erawan. O jovem de cabelos dourados. Ela saberia se fosse cega. Uma mulher
de cabelos escuros e pele pálida caminhava ao seu lado, com vestes ondulando
ao seu redor em um vento fantasma.
—Maeve—, Lysandra respirou. As pessoas começaram a gritar então. Em terror e
desespero. Maeve e Erawan tinham vindo. Para supervisionar pessoalmente a
queda de Orynth. Eles seguiram em direção aos portões da cidade, a escuridão
atrás deles se reunindo, o exército em suas costas inchando. Pincers clicaram
dentro daquela escuridão. Criaturas que poderiam devorar a vida, alegria.
Oh deuses. - Senhor Darrow - interrompeu Elide, afiada e dominadora. Existe
uma maneira de sair da cidade? Algum tipo de porta dos fundos pelas
montanhas que as crianças e os idosos poderiam tomar?
Darrow afastou os olhos do rei e da rainha Valg que se aproximava.
Foi o desamparo e o desespero que os preencheram. Isso quebrou sua voz
quando ele disse: - Nenhuma rota que lhes permita escapar a tempo.
- Diga-me onde está - ordenou Lysandra. —Então eles podem tentar, pelo
menos.— Ela agarrou o braço da menina. Então, Evangeline pode tentar fugir.
Uma derrota. O que parecia uma vitória triunfante estava prestes a se tornar
uma derrota absoluta. Um massacre.
Liderados por Maeve e Erawan, agora a meros cem metros das muralhas da
cidade. Apenas pedra e ferro antigos estavam entre eles e Orynth. Darrow
hesitou. Em choque. O velho estava em choque. Mas Evangeline apontou um
dedo. Em direção aos portões, em direção a Maeve e Erawan. —Olha.—
E lá estava ela. No azul profundo da noite descendente, em meio a neve
começando a cair, Aelin Galathynius apareceu diante do portão sul selado.
Tinha aparecido antes de Erawan e Maeve. Seu cabelo solto ondulava ao vento
como uma bandeira dourada, um último raio de luz com a morte do dia.
O silêncio caiu. Até os gritos pararam quando todos se voltaram para o portão.
Mas Aelin não recuou. Não fugiu da rainha e do rei Valg, que pararam como se
estivessem deliciados com a figura solitária que se atreveu a enfrentá-los.
Lysandra deixou escapar um soluço estrangulado. —Ela, ela não tem magia
esquerda.— A voz do shifter quebrou. —Ela não tem mais nada.—
Ainda Aelin ergueu sua espada. Chamas escorriam pela lâmina. Uma chama
contra a escuridão se reuniu. Uma chama para acender a noite. Aelin ergueu o
escudo e as chamas também o cercaram. Queimando brilhante, queimando sem
medo. Uma visão antiga, renasceu mais uma vez. O grito desceu as ameias do
castelo, pela cidade, ao longo das muralhas.
A rainha finalmente chegou em casa. A rainha veio para segurar o portão.

2 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!