29 de outubro de 2018

Capítulo 107

O fôlego de Rowan era um raspar constante em sua garganta quando ele investiu através das fileiras de soldados valg, gritando ao redor dele. Perto dali, cortando uma faixa através das massas de Morath, Aelin e o Senhor do Norte lutavam. Soldados enxameavam, mas nem a rainha nem o cervo recuavam.
Não quando a chama de Aelin, mesmo reduzida como estava, impedia que qualquer um de seus pontos cegos tomasse um golpe.
A cavalaria Darghan empurrou Morath para trás e, acima deles, ruks e serpentes aladas entraram em confronto.
Bestas, emplumadas e encouraçadas, colidiram com a terra. E ainda Borte lutou acima da rainha, protegendo-a das Dentes de Ferro que avistaram aquele cervo branco, tão bom quanto uma bandeira em meio ao mar de escuridão, e a marcaram como alvo. Ao lado de Borte, seu prometido guardava um de seus flancos, e Falkan Ennar, em sua forma de ruk, protegia o outro.
Seu cavalo Darghan destemido, Rowan girou seu braço esquerdo, o machado cantando. Uma cabeça de valg caiu, mas Rowan já cortava com sua espada o próximo oponente.
As probabilidades estavam contra eles, mesmo com o planejamento que haviam feito. No entanto, se eles pudessem libertar a cidade, reagrupar e reabastecer antes que Erawan e Maeve chegassem, eles teriam uma chance.
Porque Erawan e Maeve viriam. Em algum momento, eles viriam e Aelin teria wue enfrentá-los. Rowan não tinha intenção de deixá-la fazer isso sozinha.
Rowan olhou para Aelin. Ela abrira caminho mais adiante, a linha de frente se estendendo, enxames de soldados de Morath entre eles. Ficar perto. Ele tinha que ficar perto.
Uma Crochan voou baixo, passando por Rowan para se erguer cada vez mais para cima, direto para o ventre desprotegido de uma serpente alada de bruxa Dentes de Ferro.
Espada erguida, a bruxa voou ao longo de sua parte inferior, rápida e brutal.
Onde ela passou, sangue e gosma choveram.
A besta grunhiu, as asas tremulando, e Rowan lançou uma rajada de vento. A serpente alada caiu sobre as fileiras de Morath com um estrondo que fez seu próprio cavalo maldito se afastar.
Quando as asas trêmulas se acalmaram, quando Rowan firmou seu cavalo e derrubou os soldados que o atacavam, ele novamente procurou por Aelin.
Mas sua parceira não estava mais perto dele.
Não, adiantando-se, uma visão de ouro e prata, Aelin se afastou tanto que estava quase fora de vista. Não havia sinal de Gavriel também.
No entanto, Fenrys lutava perto do outro lado de Rowan, Lorcan à sua esquerda – um vento escuro e mortal que chicoteava em sincronia com sua espada.
Uma vez, eles tinham sido pouco mais do que escravos de uma rainha que os desencadeou sobre todo o mundo. Juntos, eles lideraram exércitos e dizimaram cidades.
Ele não se importava se saísse daqueles campos de batalha distantes. Não se importava se esses reinos caíssem ou sobrevivessem. Ele recebera suas ordens e as executara.
Mas aqui, hoje... Aelin não lhes deu ordem, nenhum comando além do primeiro de quando juraram obedecer: proteger Terrasen.
Assim eles fariam. E juntos, eles fariam isso, uma equipe mais uma vez.
Eles lutariam por este reino – sua nova corte. Seu novo lar.
Ele podia ver nos olhos de Fenrys quando ele cortou um soldado em dois com um golpe profundo no meio. Podia ver essa visão de um futuro no rosto furioso de Lorcan enquanto o guerreiro empunhava magia e lâmina para rasgar as fileiras inimigas.
Equipe, e ainda mais do que isso. Irmãos – os guerreiros que lutavam ao seu lado eram seus irmãos. Tinha ficado com ele através de tudo. E continuariam a fazê-lo agora.
Isso o fortaleceu tanto quanto o pensamento de sua parceira, ainda lutando à frente. Ele tinha que chegar até ela, ficar perto. Todos eles tinham. Orynth dependia disso.
Não mais escravos. Não mais furiosos e quebrados.
Um lar. Este seria o lar deles. O futuro deles. Juntos.
Os soldados de Morath caíam diante deles. Alguns correram quando viram quem lutava mais perto.
Talvez por que Maeve os havia reunido em primeiro lugar. No entanto, ela nunca foi capaz de aproveitá-los totalmente – seu potencial, seu verdadeiro poder. Tinha escolhido algemas e dor para controlá-los. Incapaz de compreender, até considerar, que a glória e as riquezas só iriam até certo ponto.
Mas um verdadeiro lar e uma rainha que os via como machos e não como armas... era algo pelo qual valia a pena lutar. Nenhum inimigo poderia fazer frente a isso.
Com Lorcan e Fenrys lutando ao seu lado, Rowan rangeu os dentes e incitou seu cavalo atrás de Aelin, no caos e na morte que se enfureciam cada vez mais e não parariam.


Aelin viera.
Tinha escapado de Maeve e viera.
Aedion não podia acreditar. Mesmo quando viu o exército que lutava com ela. Mesmo quando viu Chaol e Dorian liderando o flanco direito, atacando com as linhas de frente e os homens selvagens dos Caninos, a magia do rei explodindo em plumas de gelo sobre o inimigo.
Chaol Westfall não havia falhado com eles. E de alguma forma convencera o khagan a enviar o que parecia ser a maior parte de seus exércitos.
Mas aquele exército estava avançando em direção a Orynth, ainda muito além de Theralis.
Morath não parou de atacar os dois portões de Orynth. O sul permanecia forte. Mas o portão oeste estava começando a ceder.
Lysandra havia se transformado em uma serpente alada e disparado com o empurrão final e desesperado de Manon Bico Negro e das Crochans em direção à legião Dentes de Ferro, na esperança de esmagá-los entre elas e os ruks. A metamorfa agora lutava lá, perdida no meio da refrega.
Então Aedion avançou até o portão oeste, um grito de guerra em seus lábios enquanto seus homens o levavam até os portões de ferro e o exército inimigo ficando visível através das placas quebradas. No momento em que o portão se abrisse, tudo estaria acabado.
As pernas drenadas de Aedion tremeram, seus braços ficaram rígidos, mas ele se manteve firme. Por quaisquer respirações que lhe restavam.
Aelin viera. Era o suficiente.


A magia de Dorian saltou dele, derrubando os soldados que atacavam. Lado a lado com Chaol, os homens selvagens dos Caninos ao seu redor, eles abriram caminho através das fileiras de Morath, suas espadas mergulhando e subindo, suas respirações queimando em suas gargantas.
Ele nunca tinha visto a batalha. Sabia que nunca gostaria de ver novamente. O caos, o barulho, o sangue, os cavalos gritando...
Mas ele não estava com medo. E Chaol, andando perto dele, destruindo soldados entre eles, não hesitou. Apenas seguiu em frente, os dentes cerrados.
Por Adarlan – por tudo o que havia sido feito e pelo que poderia se tornar.
As palavras ecoaram em sua respiração ofegante. Por Adarlan.
O exército de Morath se estendia à frente, ainda entre eles e as muralhas maltratadas de Orynth.
Dorian não se permitiu pensar em quantos permaneciam. Ele só pensava na espada e no escudo em suas mãos, Damaris já banhada em sangue, na magia que ele empunhava para complementar seus ataques. Ele não se transformaria – ainda não.
Não até que suas armas e sua magia começassem a falhar. Ele nunca lutou em outra forma, mas tentaria. Como uma serpente alada ou um ruk, ele tentaria.
Em algum lugar acima dele, Manon Bico Negro voava. Ele não se atreveu a procurar por tempo suficiente para encontrar um reluzir de cabelo branco-prateado, ou pelo brilho de asas enxertadas com Seda de Aranha.
Ele não viu nenhuma das Treze. Ou reconheceu qualquer uma das Crochans que passou voando por cima dele.
Então Dorian continuou lutando, seu irmão de alma e armas ao seu lado.
Ele só se permitiria contar no final do dia. Se eles sobrevivessem. Se alcançassem as muralhas da cidade.
Só então ele registraria os mortos.


Havia apenas a cidade sitiada de Aelin, e o inimigo diante dela, e a antiga espada em sua mão.
Torres de cerco se aproximavam das muralhas, três agrupadas perto do portão sul, cada uma repleta de soldados.
Ainda longe demais para alcançar. E muito distante para a magia dela. Magia que já estava drenando, rápida e fugaz, de suas veias.
Não havia mais poder interminável. Ela precisava conservá-lo e usá-lo para sua melhor vantagem.
E usar o treinamento que foi incutido nela nos últimos dez anos. Ela tinha sido uma assassina muito antes de dominar seu poder.
Não foi difícil recorrer a essas habilidades. Deixar Goldryn tirar sangue, envolver vários soldados e deixá-los sangrando atrás dela.
O Senhor do Norte era uma tempestade debaixo dela, sua pelagem branca manchada de vermelho e preto.
Aquela chama imortal entre seus chifres nem sequer vibrava.
Acima, os céus choveram sangue; bruxas, serpentes aladas e ruk morrendo e lutando.
Borte ainda a cobria, engajando-se com qualquer Dente de Ferro que viesse de cima.
Minutos eram horas, ou talvez o contrário fosse verdade. O sol atingiu o pico e começou sua descida, as sombras se alongando.
Rowan e os outros estavam espalhados pelo campo, mas uma rajada de vento gelado de vez em quando lhe dizia que seu parceiro ainda lutava, ainda abria seu caminho através das fileiras. Ainda tentava alcançar o seu lado mais uma vez.
Lentamente, Orynth começou a se aproximar. Lentamente, as paredes foram de um marcador distante para uma presença imponente.
As torres de cerco atingiram as muralhas e os soldados caíram sem controle sobre as ameias.
No entanto, os portões ainda se mantinham. Aelin ergueu a cabeça para dar a ordem a Borte e Yeran para derrubarem as torres de cerco.
Bem a tempo de ver as seis serpentes aladas e cavaleiras Dentes de Ferro baterem nos ruks.
Espalhando Borte, Falkan e Yeran, ruks e serpentes aladas gritando enquanto batiam na terra e rolavam.
Abrindo caminho acima para uma gigantesca serpente alada mergulhar contra Aelin.
Ela explodiu uma parede de chamas no céu enquanto a serpente alada estendia suas garras para ela, para o Senhor do Norte.
A serpente alada desviou-se, subiu e mergulhou novamente.
O Senhor do Norte ergueu-se nas patas traseiras, mantendo-se firme enquanto a serpente alada os visava.
Mas Aelin saltou de suas costas e deu um tapa no flanco com a parte plana de sua espada, a garganta tão ferida pelos rugidos que ela não conseguiu formar as palavras. .
O Senhor do Norte apenas abaixou a cabeça quando a serpente alada desceu em direção a eles.
Ela não tinha magia suficiente – não para transformar a coisa em cinzas.
Então Aelin envolveu sua magia ao redor do cervo. E saiu do orbe de fogo, escudo e espada erguidos.
Ela se preparou para o impacto, examinou todos os detalhes da armadura do serpente alada, onde era mais fraca, onde poderia atacar se conseguisse evitar as mandíbulas.
O cheiro de carniça em sua respiração foi um bafo quente quando a mandíbula se abriu.
Sua cabeça atingiu o chão.
Não exatamente atingindo, mas foi esmagada.
Sob uma cauda maciça e cheia de cravos. Pertencente a uma serpente alada atacante com olhos de esmeralda.
Aelin se agachou quando a serpente alada sem cavaleiro se voltou para a bruxa Dentes de Ferro caída, ainda em cima de sua fera decapitada.
Com um golpe da cauda, a serpente alada de olhos verdes empalou a bruxa em seus espinho – e arremessou seu cadáver pelo campo.
Então o flash e o brilho. E um leopardo fantasma agora se aproximava dela, e Aelin foi na direção dele.
Ela jogou os braços ao redor do leopardo quando ele se levantou, o corpo enorme quase derrubando-a no chão.
— Bom encontro, minha amiga — foi tudo o que Aelin conseguiu dizer ao abraçar Lysandra.
Uma corneta soou da cidade – um pedido desesperado de ajuda.
Aelin e Lysandra se voltaram para Orynth. Para as três torres de cerco contra as muralhas do portão sul.
Olhos esmeralda encontraram os de turquesa e ouro. O rabo de Lysandra balançou.
Aelin sorriu.
— Vamos?


Ele tinha que chegar ao lado dela novamente.
Um campo de batalha separando-os, Rowan abriu seu caminho em direção a Aelin, Fenrys e Lorcan se mantendo perto.
A dor tornou-se um rugido surdo em seus ouvidos. Ele há muito tempo perdera a noção de suas feridas. Ele se lembrou delas apenas por causa do pedaço de ferro que uma flechada no ombro deixara quando ele a arrancou.
Um erro tolo e precipitado. O estilhaço de ferro era o suficiente para impedi-lo de se transformar e voar para ela. Ele não se atrevera a parar por tempo suficiente para retirá-lo, não com o inimigo fervilhante. Então continuou lutando, sua equipe com ele. Seus cavalos atacaram destemidos sob eeles, ganhando terreno, mas ele não conseguia ver Aelin.
Apenas o Senhor do Norte, atravessando o campo de batalha, seguindo para Carvalhal.
Como se ele tivesse sido libertado.
Fenrys, o rosto salpicado de sangue negro, gritou:
— Onde ela está?
Rowan examinou o campo com o coração trovejando.
Mas o elo em seu peito brilhava forte, brilhante como fogo.
Lorcan apenas apontou para frente. Para as muralhas da cidade que envolviam o portão sul. Para o leopardo fantasma que corria através das tropas de soldados de Morath, jorros de chamas acompanhando-o enquanto um guerreiro de armadura dourada corria ao seu lado.
Na direção das três torres de cerco causando estragos nas muralhas.
Com as laterais abertas das torres, Rowan podia ver tudo como se desenrolava.
Podia ver Aelin e Lysandra correndo pela rampa, cortando e destruindo soldados entre elas, andar após andar após andar. Onde uma perdia um soldado, a outra o derrubava. Onde uma atacava, a outra protegia.
Todo o caminho até a pequena catapulta perto de seu topo.
Soldados gritaram, alguns pulando da torre enquanto Lysandra se desfazia neles. Enquanto Aelin se atirava nos degraus que revestiam a base com rodas da catapulta, e começou a empurrar.
Virando-a. Para longe de Orynth, do castelo. Exatamente como Aelin lhe contara que Sam Cortland fizera em Baía da Caveira, os mecanismos da catapulta permitiram que ela girasse sua base. Rowan se perguntou se o jovem assassino estava sorrindo agora, sorrindo ao vê-la colocar a catapulta em posição.
Apontando para a torre de cerco à sua esquerda.
Na segunda torre, uma figura ruiva lutava para chegar ao nível superior. E girava a catapulta para a terceira e última torre.
Ansel de Penhasco dos Arbustos.
Um lampejo da espada de Ansel e a catapulta estalou, arremessando a pedra que continha. No mesmo momento em que Aelin desceu Goldryn na catapulta diante dela.
Pedras gêmeas subiram.
E acertaram a torre de cerco ao lado.
Ferro gemeu; madeira quebrou.
E as duas torres começaram a cair. Para onde Ansel de Penhasco dos Arbustos foi para escapar da destruição, Rowan não pôde ver.
Não quando Aelin permaneceu no topo da primeira torre de cerco, e correu sobre o braço agora estendido da catapulta, projetando-se sobre o campo de batalha abaixo. Não quando ela gritou para Lysandra, que se transformou novamente, uma serpente alada se levantando do salto de um leopardo fantasma.
Agarrando o braço estendido da catapulta com uma pata cheia de garras enquanto pegava Aelin com outra.
Com uma poderosa batida de asas, Lysandra arrancou a catapulta de seus parafusos do topo da torre. E girando, ela derrubou na última torre de cerco.
Fazendo-a desmoronar até o chão. Direto em uma horda de soldados de Morath tentando abrir seu caminho através do portão sul.
De olhos arregalados, os três guerreiros feéricos piscaram.
— Onde Aelin está — foi tudo o que Fenrys disse.


Salkhi permanecia no ar. Assim como Sartaq, Kadara com ele.
Isso era tudo o que Nesryn sabia, tudo o que importava para ela, enquanto eles enfrentavam serpente alada após serpente alada.
Elas eram muito piores na batalha do que ela havia previsto. Tão rápidas e destemidas quanto os ruks poderiam ser, as serpentes aladas tinham o tamanho. As farpas envenenadas em suas caudas. E cavaleiras desalmadas que não tinham medo de destruir suas montarias se isso significasse derrubar um ruk junto.
Perto agora. O exército do khaganato se aproximava cada vez mais da sitiada Orynth, flamejando e destruída. Se eles conseguissem manter sua vantagem, eles poderiam muito bem quebrá-los contra os muros, como haviam destruído a legião de Morath em Anielle.
Eles tinham que agir rapidamente, no entanto. O inimigo atacava ambos os portões da cidade, decidido a invadir o local. O portão sul se mantinha, as torres de cerco que o haviam atacado momentos atrás agora em ruínas.
Mas o portão oeste não permaneceria selado por muito tempo. Salkhi se ergueu do tumulto para recuperar o fôlego, e Nesryn se atreveu a avaliar quantos rukhin ainda voavam. Apesar das Crochans e das Dentes de Ferro rebeldes, eles estavam em menor número, mas os rukhin estavam descansados. Prontos e ansiosos pela batalha.
Não foi o número de rukhin restantes que arrancou o fôlego de seu peito.
Mas o que vinha por trás deles
 Nesryn mergulhou. Voou para Sartaq, Kadara arrancando a garganta de uma serpente alada no meio do voo.
O príncipe estava ofegante, salpicado de sangue azul e preto, quando Nesryn pairou ao seu lado.
— Faça o chamado — ela gritou por cima do barulho, doo rugido do vento. — Para as muralhas da cidade! Para o portão sul!
Os olhos de Sartaq se estreitaram sob o elmo e Nesryn apontou para trás.
Para o segundo exército rastejando às suas costas. Direito de Perranth, onde sem dúvida estavam escondidos.
O resto do exército de Morath. Bruxas Dentes de Ferro e serpentes aladas com eles. Esta batalha era uma armadilha. Para atraí-los aqui, gastar suas forças derrotando esta hoste.
Enquanto o resto se esgueirava por trás e os prendia contra os muros de Orynth.


O portão oeste se partiu enfim.
Aedion estava pronto quando aconteceu. Quando o aríete bateu, ferro rangeu e estourou. Então havia soldados de Morath em todos os lugares.
Escudo ao lado de escudo, Aedion organizara seus homens em uma falange para cumprimentá-los.
Ainda não foi o suficiente. A Devastação não pôde fazer nada para impedir a maré que se derramava do campo de batalha, empurrando-os para trás, para trás, para trás pela passagem. E mesmo Ren, liderando os homens em cima das muralhas, não conseguiu deter o fluxo que se abateu sobre eles.
Eles tinham que fechar o portão novamente. Tinham que encontrar uma maneira de fechar a torneira.
Aedion mal conseguia respirar, mal conseguia manter as pernas sob ele.
Uma corneta de alerta soou. Morath havia enviado um segundo exército. A escuridão encobria a extensão total de suas fileiras.
Príncipes – muitos deles. Morath estivera esperando.
— Eles limparam o portão sul! Estão trazendo tantas forças quanto conseguem para trás dos muros! — Ren gritou para ele por sobre a batalha.
Para se reagrupar e se reunir antes de encontrar o segundo exército. Mas com o portão do oeste ainda aberto, Morath apinhando-se, eles nunca teriam uma chance.
Ele tinha que fechar o portão. Aedion e a Devastação furaram e cortaram, uma parede para Morath atacar. Mas não seria suficiente.
Uma serpente alada caiu em direção ao portão, girando no chão enquanto se aproximava. Aedion se preparou para o impacto, para aquele enorme corpo despedaçasse portão por fim.
No entanto, a fera abatida parou, esmagando soldados sob seu tamanho, bem no arco.
Bloqueando o caminho. Uma barricada diante do portão oeste.
Intencionalmente, Aedion percebeu quando um guerreiro de cabelos dourados saltou da sela da serpente alada, a bruxa Dentes de Ferro morta ainda pendendo ali, a garganta esguichando sangue azul pelas laterais de seus couros.
O guerreiro correu na direção deles, espada em uma mão e adaga na outra. Correu na direção de Aedion, seus olhos castanhos examinando-o da cabeça aos pés.
O seu pai.

3 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!