29 de outubro de 2018

Capítulo 106

Através dos caminhos antigos e esquecidos de Carvalhal, através das montanhas Perranth, o Senhor do Norte e o Povo Pequeno os guiara. Rápidos e inflexíveis, correndo contra a desgraça, deram o último impulso para o norte.
Eles mal pararam para descansar. Haviam deixado suprimentos desnecessários para trás.
Os batedores ruk não se atreviam a voar à frente por medo de serem descobertos por Morath. Por medo de arruinarem a vantagem da surpresa.
Seis dias de marcha, aquele grande exército correndo atrás dela.
Terreno inóspito aplainado. Pequenos rios congelados para sua passagem. As árvores bloqueando a neve que caía.
Eles viajaram por toda a noite anterior. E quando amanhecera, o Senhor do Norte se ajoelhou ao lado de Aelin e se ofereceu como montaria.
Não havia sela para ele; nenhuma jamais seria permitida ou necessária. Qualquer um que ele permitisse em suas costas, Aelin sabia, nunca cairia.
Alguns se ajoelharam quando ela passou. Até mesmo Dorian e Chaol tinham inclinado a cabeça.
Rowan, no topo de um cavalo Darghan de olhos ferozes, apenas assentiu. Como se sempre tivesse esperado que ela terminasse aqui, à frente do exército que galopava nas últimas horas até a fronteira de Orynth.
Ela encaixara o capacete coroado em sua cabeça, junto com a armadura que havia adquirido em Anielle, e se equipara com quaisquer armas sobressalentes que Fenrys e Lorcan entregassem a ela.
Yrene, Elide e as curandeiras permaneceriam na retaguarda – até que os ruks pudessem levá-las a Orynth. Dorian e Chaol lideravam os homens selvagens dos Caninos no flanco direito, a realeza do khaganato no esquerdo, Sartaq e Nesryn nos céus com os ruks. E Aelin e Rowan, com Fenrys, Lorcan e Gavriel, tomariam o centro.
O exército havia se espalhado quando se aproximaram do sopé de Orynth, as colinas que os levariam até a borda da planície de Theralis, e ofereceriam sua primeira visão da cidade além dela.
Com o coração martelando, o Senhor do Norte inabalável, Aelin subiu o último daqueles montes, o mais alto e mais íngreme deles, e olhou para Orynth pela primeira vez em dez anos.
Um terrível silêncio pulsante a atravessou. Onde uma linda cidade branca uma vez brilhou entre rio, planície e montanha...
Fumaça e caos e terror reinavam. O turquesa Florine corria negro. O tamanho, a explosão do enorme exército que trovejava contra suas paredes, no céu acima...
Ela não tinha percebido. Quão grande seria o exército de Morath. Quão pequeno e precioso Orynth parecia diante dele.
— Eles estão quase atravessando o portão oeste — murmurou Fenrys, sua visão feérica devorando detalhes.
O exército do khagan se espalhou ao redor deles, estendendo-se pela colina. A crista de uma onda prestes a se romper. No entanto, até mesmo os soldados Darghan hesitaram, os cavalos pateando, para o exército entre eles e a cidade.
O rosto de Rowan era grave – grave, mas destemido, enquanto ele observava o inimigo.
Tantos. Tantos soldados. E a legião Dentes de Ferro acima deles.
— As Crochans lutam nas muralhas da cidade — observou Gavriel.
De fato, ela conseguia distinguir vagamente as capas vermelhas.
Manon Bico Negro não havia quebrado sua promessa.
E nem ela quebraria.
Aelin olhou para a mão, escondida por baixo da luva. Para onde uma cicatriz deveria estar.
Eu juro a você que não importa quão longe eu esteja, não importa o custo, quando você buscar o meu auxílio, eu virei.
Não haveria tempo para discursos. Nem para reunir os soldados atrás dela.
Eles estavam prontos. E ela também.
— Faça o chamado — ordenou Aelin a Lorcan, que levou um chifre aos lábios e soprou.
Abaixo nas fileiras, os arautos do khaganato sopraram suas próprias cornetas em resposta. Até que todos eles eram uma grande nota, tocando na direção de Orynth.
Eles sopraram os chifres novamente.
Aelin tirou Goldryn de sua bainha das costas e puxou o escudo quando ergueu a espada para o céu. Quando um fiapo de sua magia atingiu o rubi no pomo e o fez brilhar.
Os soldados Darghan apontaram seus suldes para frente, a madeira rangendo, a crina chicoteando ao vento.
Abaixo na linha, a princesa Hasar e o príncipe Kashin dirigiram suas próprias lanças para o exército inimigo. Dorian e Chaol puxaram suas lâminas e as apontaram para frente.
Rowan desembainhou a espada, um machado na outra mão, o rosto como pedra. Inquebrável
As cornetas soaram uma terceira e última vez, o grito de guerra cantando através da planície sangrenta.
O Senhor do Norte se ergueu, projetando Goldryn mais alto no céu, e Aelin soltou uma pluma de fogo através do rubi – o sinal que o exército atrás dela esperava.
Para Terrasen. Tudo isso por Terrasen.
O Senhor do Norte desceu novamente, a chama imortal dentro de seus chifres brilhando quando ele começou a carregar. O exército ao redor e atrás dela descia pela encosta, progredindo a cada passo, indo em direção às fileiras traseiras de Morath.
Empurrando contra Orynth.
Seu lar.


Avante para a batalha eles atacaram, destemidos e furiosos.
A rainha em cima do cervo branco não recuou a cada passo dado em direção às legiões que esperavam. Ela apenas girou a espada na mão – uma vez, duas, o braço com o escudo firme.
Os guerreiros imortais ao seu lado também não hesitaram, os olhos fixos no inimigo à frente.
Mais e mais rápido, a cavalaria do khaganato galopava ao lado dela, a linha de frente formando-se, mantendo-se enquanto se aproximavam da primeira fileira traseira de Morath.
O inimigo virou-se para eles agora. Lanças pontiagudas; arqueiros correndo em posição.
O primeiro impacto doeria. Muitos cairiam antes mesmo de alcançá-los.
Mas a linha de frente tinha que fazer isso. Eles não podiam quebrar.
Das linhas inimigas, surgiu uma ordem.
— Arqueiros!
Arcos gemeram, alvos foram marcados.
— Atirem!
Grandes flechas de ferro apagaram o sol, mirando na cavalaria que corria. Mas os ruks, dourados e marrons e pretos como a noite, mergulharam, mergulharam, mergulharam dos céus, voando asa com asa. E quando aquelas flechas se curvarão em direção à terra, os ruks as interceptaram, suportando o impacto enquanto protegiam o exército que os atacava.
Ruks caíram.
E até mesmo a rainha que liderava o ataque derramou lágrimas de raiva e pesar quando os pássaros e seus cavaleiros se chocaram contra o chão. Acima dela, tomando flecha após flecha, escudo erguido para os céus, uma jovem cavaleira rugiu seu grito de guerra.
As linhas de frente não podiam quebrar.
As bruxas Dentes de Ferro em suas serpentes aladas voaram para eles, para os ruks que voavam em busca de sua traseira exposta.
Na cidade, ao longo das paredes de Orynth, uma rainha de cabelos brancos gritou:
— Empurrem! Empurrem! Empurrem!
Bruxas exaustas subiram ao céu, sobre vassouras e bestas, espadas erguendo-se. Correndo para a legião aérea que se voltava para os ruks. Para esmagar a legião Dentes de Ferro entre eles.
No chão encharcado de sangue, Morath apontava lanças, piques, espadas e qualquer coisa que portavam para a cavalaria trovejante.
Não foi suficiente para detê-los. Não quando os escudos de vento, chama e da morte mais negra se encaixaram no lugar – e cortaram as primeiras linhas de Morath.
Derrubando os soldados se preparando para a batalha. Expondo aqueles que ainda esperavam para levantar suas armas.
Deixando Morath bem aberto para o exército dourado, quando se chocou contra eles com a força de um maremoto.

2 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!