29 de outubro de 2018

Capítulo 103

A tempestade parou o exército deles inteiramente.
Na primeira manhã, ela caiu com tanta força que Rowan não conseguia enxergar poucos passos a frente. Ruks estavam no chão, e apenas os batedores mais duros foram mandados para fora – explorando a frente.
Então o exército acampou onde estava. A menos de oitenta quilômetros da fronteira com Terrasen. A uma semana de Orynth.
Se Aelin tivesse todo o seu poder...
Não todo o poder dela. Não mais, Rowan se lembrou enquanto se sentava na tenda de guerra, sua parceira e esposa e rainha esticada no sofá ao lado dele.
O poder todo de Aelin era agora... ele não sabia muito bem. Onde estivera em Defesa Nebulosa, talvez. Quando ela ainda se colocava uma barreira. Não tão pouco quando ela chegou, mas não tanto como quando envolvera Doranelle com sua chama.
Certamente não o suficiente para encarar Erawan e vencer. E Maeve.
Ele não se importava. Tanto fazia se ela tinha o poder do sol, ou nem uma brasa.
Nunca importou para ele de qualquer maneira.
Do lado de fora, o vento soprava, e a tenda balançou.
— É sempre tão ruim assim? — Fenrys perguntou, franzindo a testa para as paredes tremeluzentes da tenda.
— É — Elide e Aelin responderam, então compartilharam um raro sorriso.
Um milagre, aquele sorriso nos lábios de Aelin.
Mas a expressão de Elide ficou séria quando ela acrescentou:
— Essa tempestade pode durar dias. Pode cobrir tudo com um metro de neve.
Lorcan, recostado perto do braseiro, grunhiu.
— Mesmo depois que a neve pare, será difícil atravessá-la. Soldados perdendo dedos dos pés e das mãos para o frio e a umidade.
O sorriso de Aelin esvaneceu-se completamente.
— Eu a derreterei tanto quando puder.
Ela faria isso. Chegaria ao limite de seu esgotamento para isso. Mas juntos, se eles conectassem seu poder, a força da magia de Rowan poderia ser suficiente para derreter um caminho. Para manter o exército aquecido.
— Nós ainda teremos um exército que chegará a Orynth exausto — Gavriel lembrou, esfregando sua mandíbula.
Quantos dias Rowan o viu olhando para o norte, para o filho que lutava em Orynth? Se perguntando, sem dúvida, se Aedion ainda vivia.
— Eles são profissionais — Fenrys respondeu secamente. — Podem lidar com isso.
— Fazer o longo contorno apenas aumentará a exaustão — Lorcan disse.
— Da última vez que ouvimos — Rowan falou — Morath ainda controlava Perranth. — Um estremecimento dolorido de Elide a isso. — Nós não podemos arriscar cruzar tão perto. Não quando poderia potencialmente nos enredar em um conflito que atrasaria nossa chegada em Orynth e diminuiria nossos números.
— Estive olhando os mapas uma dúzia de vezes — Gavriel franziu a testa para onde a mesa de trabalho estava disposta. — Não há um caminho alternativo para Orynth – não sem passar perto de Perranth.
— Talvez nós tenhamos sorte — Fenrys falou — e esta tempestade tenha atingido todo o norte. Talvez congele algumas das forças de Morath para nós.
Rowan duvidava que eles fossem tão sortudos. Ele tinha o sentimento de que toda a sorte que possuíram foi gasta com a mulher sentada ao lado dele.
Aelin olhou para ele, séria e cansada. Ele não podia imaginar como era. Ela dera tudo de si mesma. Dera sua humanidade, sua magia. Ele sabia que era a primeira que a deixava assombrada, com aquele olhar ferido em seus olhos. Que a fazia se sentir uma estranha em seu próprio corpo.
Rowan tomara seu tempo na noite passada para familiarizá-la novamente com certas partes de seu corpo. E do dele. Passou muito tempo fazendo isso também. Até que aquele olhar assombrado desapareceu, até que ela estava se contorcendo sob ele, queimando conforme ele se movia dentro dela. Ele não impediu que suas lágrimas caíssem, mesmo quando se tornaram vapor antes que tocassem o corpo dela, e havia lágrimas no rosto dela também, brilhantes como prata entre chamas, enquanto ela o segurava com força.
Ainda esta manhã, quando ele a mimou com beijos em sua mandíbula, seu pescoço, aquele olhar assombrado havia retornado. E permanecido.
Primeiro as cicatrizes dela. Então seu corpo humano mortal.
O suficiente. Ela dera o suficiente. Ele sabia que ela planejava dar mais.
Uma batedora rukhin chamou a rainha das abas da tenda, e Aelin deu um comando baixo para que entrasse. Mas a batedor apenas colocou a cabeça para dentro, seus olhos arregalados. Neve cobria seu capuz, as sobrancelhas, os cílios.
— Sua Majestade. Majestades — corrigiu ela, olhando para ele. Rowan não se incomodou em dizer-lhe que ele era apenas e sempre seria Sua Alteza. — Você deve vir comigo — a batedora arfava tanto que sua respiração se condensava no ar frio que entrava através das abas da tenda. — Todos vocês.
Levou alguns minutos para eles se aprontarem com seus agasalhos e equipamentos, para sair para a neve e o vento.
Mas então eles estavam todos avançando pelos montes, a batedora os guiando pelas tendas semienterradas. Mesmo sob as árvores, havia pouco abrigo.
No entanto, eles foram para a beira do acampamento, a nevasca cegante ao redor. Encobrindo o que a batedora apontava quando ela disse:
— Olhem.
Ao seu lado, Aelin tropeçou um passo. Rowan girou para ela para impedi-la de cair.
Mas ela não estava caindo. Estava cambaleando para frente, como se fosse correr na frente deles.
Rowan finalmente viu o que ela vira. Quem surgiu entre as árvores.
Contra a neve, ele era quase invisível com sua pelagem branco. Teria sido invisível não fosse a chama de ouro cintilando entre sua orgulhosa e imponente galhada.
O Senhor do Norte.
E a seus pés, ao redor dele... O Povo Pequeno.
A neve se agarrando em seus cílios, um pequeno som saiu de Aelin quando a criatura mais próxima moveu a mão, acenando. Como se dissesse: Siga-nos.
Os outros ficaram boquiabertos em silêncio diante do magnífico e orgulhoso veado que veio cumprimentá-los.
Para guiar a rainha de Terrasen para casa.
Mas então o vento começou a sussurrar, e não foi a canção que Rowan geralmente ouvia.
Não, era uma voz que todos eles ouviram enquanto os alcançava.
A ruína paira sobre Orynth, Herdeira de Brannon. Você deve se apressar.
Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio desceu pela espinha de Rowan.
— A tempestade — Aelin falou abruptamente, as palavras tragadas pela neve.
Você deve se apressar. Nós lhe mostraremos o caminho, rápido e fora de vista.
Aelin apenas ficou parada. Falou para aquela voz, tão antiga quanto as árvores, tão velha quanto as rochas entre elas:
— Você já me ajudou tantas vezes.
E você deu tanto de si, Herdeira de Brannon. Nós que nos lembramos dele sabemos que ele teria feito tal escolha, se pudesse. Carvalhal nunca esquecerá Brannonm ou sua Herdeira;
Aelin se endireitou, estudando as árvores, o vento espalhando a neve.
Dríade. Era a palavra que ele procurava. Dríade. Um espírito da árvore.
— Qual o custo? — Aelin perguntou, sua voz mais alta agora.
— Você quer realmente perguntar? — Fenrys murmurou.
Rowan rosnou para ele.
Mas Aelin parara e aguardava pela resposta do dríade. A voz de Carvalhal, do Povo Pequeno e das criaturas que o guardavam.
Um mundo melhor, o dríade respondeu enfim. Mesmo para nós.


O exército era um furor de atividade enquanto se preparavam para marchar – para correr para o norte.
Mas Aelin arrastou Rowan para a sua tenda. Para a pilha de livros que Chaol e Yrene trouxeram do continente sul.
Ela correu um dedo pelos títulos, procurando, esquadrinhando.
— O que você está fazendo? — seu parceiro perguntou.
Aelin ignorou a questão e murmurou quando encontrou o livro que procurava. Ela o folheou, cuidadosamente para não danificar as páginas antigas.
— Posso ser uma vaca estúpida — ela murmurou, virando o livro para mostrar a Rowan a página que procurava — mas não sem opções.
Os olhos de Rowan dançaram. Você está me incluindo nesse esquema em particular, princesa?
Aelin sorriu sombriamente. Eu não queria que você se sentisse de fora.
Ele abaixou a cabeça.
— Precisamos nos apressar, então;
Ouvindo a comoção do exército além da tenda, Aelin acenou. E começou.

12 comentários:

  1. Eu não acredito que o Senhor do Norte tenha aparecido :) :)

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  2. "Vc ja me ajudou tantas vezes" ela me irrita as vezes

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    1. Ué, não deixa de ser verdade. O Senhor do Norte sempre deu coragem e propósito à ela

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  3. O Senhor do Norte ♥
    E agora? O que a Aelin vai aprontar?

    Ass:Ahgasa

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  4. O Senhor do Norte apareceu❤❤❤
    Só quero ver o que a Aelin vai aprontar desse vez...

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  5. Reclamam que ela é arrogante, daí quando ela demonstra gratidão a acham irritante... Vai entender

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  6. Só fica melhor, embora ainda inconformada pela perca dos seus poderes ☹

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  7. Acho q vao dar um jeito de chegar mais rápido com um portal ou coisa parecida

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  8. Ai meu Deus oq ela vai aprontar agr?

    Ass:Dessa

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  9. Gente ela pode usar o porta que está no livro, era pra ela ter feito isso antes, eles até brincaram dizendo que só servia pra se divertir quando passear

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Boa leitura, E SEM SPOILER!