29 de outubro de 2018

Capítulo 101

Não mais humana.
A respiração de Aelin soou pesada em suas orelhas – eternamente pontudas e imortais – a cada passo de volta para o exército acampado. Rowan permanecia ao lado dela, uma mão ao redor de sua cintura.
Ele não a soltou nenhuma vez. Nenhuma vez, desde que ela voltou.
Desde que ela caminhou através dos mundos.
Ela ainda podia vê-los. Mesmo andando em silêncio sob as árvores, a escuridão cedendo à luz acinzentada antes do amanhecer, ela podia ver todos e cada um daqueles mundos pelos quais havia penetrado.
Talvez ela nunca parasse de vê-los. Talvez apenas ela neste mundo e em todos os outros soubessem o que estava além das paredes invisíveis que os separavam.
Quanta vida habitava e prosperava. Amava e odiava e lutava para continuar vivendo.
Tantos mundos. Mais do que ela podia contemplar. Será que os sonhos dela sempre seriam assombrados por eles? Vislumbrá-los, mas incapaz de explorá-los – esse desejo criaria raízes?
Os galhos de Carvalhal formavam uma treliça esquelética no alto. Barras de uma gaiola.
Como o corpo dela e este mundo poderiam ser.
Ela afastou o pensamento. Ela havia vivido – vivido, quando deveria ter morrido. Mesmo que sua parte mortal... tenha sido morta. Derretida.
As fronteiras externas do acampamento se aproximaram e Aelin olhou para as mãos dela. Frio – era um traço de frio agora pinicando-as.
Alterada em todos os sentidos.
— O que você vai dizer a eles? — Dorian perguntou ao se aproximarem do primeiro dos rukhin,
As primeiras palavras que qualquer um deles falara desde que começaram a jornada de volta para cá.
— A verdade — respondeu Aelin. Ela supôs que fosse tudo o que tinha para oferecer a eles, depois do que fez. — Sinto muito – sobre o seu pai. — Ela falou para Dorian.
O vento frio afastou os fios de cabelo de Dorian de sua testa.
— Eu também — ele disse, descansando uma mão sobre o punho de Damaris.
Ao seu lado, Chaol ficou em silêncio, embora olhasse de relance para o rei de vez em quando. Ele cuidaria de Dorian. Como sempre, Aelin supôs.
Passaram pelo primeiro dos ruks, os pássaros observando-os, e encontraram Lorcan, Fenrys, Gavriel e Elide esperando no limite das tendas.
Chaol e Dorian murmuraram algo sobre reunir os outros membros da realeza e se afastaram.
Aelin permaneceu perto de Rowan quando se aproximaram da corte. Fenrys a examinou da cabeça aos pés, as narinas dilatadas enquanto a farejava. Ele cambaleou um passo mais perto, horror rastejando em seu rosto. Gavriel apenas empalideceu.
— Você fez isso, não foi? — Elide ofegou.
Mas foi Lorcan quem respondeu, endurecendo, como se pressentisse a mudança que ocorrera com ela.
— Você... você não é humana.
Rowan rosnou em sinal de advertência. Aelin apenas olhou para eles, as pessoas que tinham dado tanto e decidiram segui-la até aqui, o destino ainda aguardando. Teve sucesso, e ainda assim falhou totalmente.
Erawan permanecia. Seu exército permanecia.
E não haveria Portadora do Fogo, nem chaves de Wyrd, nem deuses para ajudá-los.
— Eles se foram? — Elide perguntou suavemente.
Aelin assentiu. Ela explicaria depois. Explicaria para todos eles. Assassina de deuses. Isso é o que ela era. Uma assassina de deuses. Ela não se arrependia. Nem um pouco.
— Você... você se sente diferente? — Elide perguntou a Lorcan. A falta dos deuses que os vigiavam.
Lorcan olhou para as árvores acima, como se estivesse lendo a resposta em seus galhos emaranhados. Como se procurasse por Hellas lá.
— Não — ele admitiu.
— O que significa — refletiu Gavriel, os primeiros raios de sol começando a dourar seus cabelos dourados — eles terem ido embora? Existe um reino infernal cujo trono agora está vazio?
— Está cedo demais para esse tipo de besteira filosófica — interrompeu Fenrys, oferecendo a Aelin um meio sorriso que não encontrou seus olhos. Reprovação brilhava ali – não por sua escolha, mas por não contar a eles. No entanto, ele ainda tentou fazer pouco disso.
Condenado – aquele sorriso encantador e lupino poderia estar em seus últimos dias de existência.
Eles podiam todos estar em seus últimos dias de existência agora. Por causa dela.
Rowan leu isso em seus olhos, seu rosto. Sua mão apertou sua cintura.
— Vamos encontrar os outros.


De pé dentro de uma das belas tendas de guerra do khagan, Dorian estendeu as mãos diante de um fogo que ele próprio criou e estremeceu.
— Esta reunião poderia ter sido melhor.
Chaol, sentado em frente ao fogo, Yrene em seu colo, brincou com a ponta da trança de sua esposa.
— Realmente poderia.
Yrene franziu a testa.
— Eu não sei como ela não saiu e deixou todo mundo para se remoer. Eu teria saído.
— Nunca subestime o poder da culpa quando se trata de Aelin Galathynius — Dorian falou, e suspirou. O fogo que ele convocou tremulou.
— Ela selou os portões de Wyrd — Yrene franziu o cenho. — O mínimo que eles poderiam fazer é ser gratos por isso.
— Oh, não tenho dúvida de que eles são — disse Chaol, agora franzindo a testa também. — Mas o fato é que Aelin prometeu uma coisa e fez o oposto.
De fato. Dorian não sabia bem o que pensar da escolha de Aelin. Ou do que ela contou a eles sobre isso – sobre trocar Erawan por Elena. Os deuses a traíram por sua vez.
E então Aelin os destruiu por isso.
— Típico — disse Dorian, tentando humor e fracassando. Alguma parte dele ainda se sentia como se estivesse naquele lugar de lugares.
Especialmente quando alguma parte dele havia desistido.
A magia que parecera infindável ontem agora tinha um limite muito real e muito sólido. Um dom poderoso, sim, mas ele não achava que seria capaz de quebrar castelos de vidro ou fortalezas inimigas novamente.
Ele ainda não havia decidido se era um alívio.
Era mais poder, pelo menos, do que restara a Aelin. Que ganhara, era como soava. Aelin queimara cada brasa de sua própria magia. O que ela agora possuía, era tudo o que restou do que Mala lhe dera para selar o portão – para punir os deuses que haviam traído as duas.
A ideia ainda deixava Dorian enjoado. E a lembrança de Aelin escolhendo expulsá-lo daquele não-lugar ainda fazia com que ele rangesse os dentes. Não a sua escolha, mas que seu pai...
Ele pensaria em seu pai mais tarde. Nunca.
Seu pai inominável, que veio por ele no final.
Chaol não perguntou sobre isso, não forçara. E Dorian sabia que quando estivesse pronto para conversar, seu amigo estaria esperando.
— Aelin não matou Erawan — Chaol falou. — Mas pelo menos Erawan não pode trazer seus irmãos. Ou usar as chaves para destruir todos nós. Nós temos isso. Ela – vocês dois fizeram isso.
Não haveria mais colares. Não haveria mais salas debaixo de uma fortaleza escura para segurá-los.
Yrene passou os dedos pelos cabelos castanhos de Chaol e Dorian tentou lutar contra a dor no peito ao ver a cena. Ao amor que fluía tão livremente entre eles.
Ele não se ressentiu de Chaol por sua felicidade. Mas isso não impediu o corte afiado em seu peito toda vez que os via. Toda vez que via as curandeiras da Torre, e desejava que Sorscha as encontrasse.
— Então o mundo só foi parcialmente salvo — disse Yrene. — Melhor do que nada.
Dorian sorriu para isso. Ele adorava a esposa de seu amigo. Provavelmente teria se casado com ela também, se tivesse tido a chance.
Mesmo que seus pensamentos ainda se movessem para o norte – para uma bruxa de olhos dourados que caminhava com a morte ao lado e não a temia. Ela pensava nele? Imaginava o que aconteceu com ele em Morath?
— Aelin e eu ainda temos magia — disse Dorian. — Não como era antes, mas ainda temos. Nós não somos totalmente indefesos.
— O suficiente para enfrentar Erawan? — Chaol perguntou, seus olhos de bronze cautelosos. Bem ciente da resposta. — E Maeve?
— Nós descobriremos um jeito — respondeu Dorian. Ele rezou para que fosse verdade. Mas não havia deuses para rezar agora.


Elide manteve um olho em Aelin enquanto se lavavam na tenda da rainha. Um olho na água deliciosamente quente que havia sido trazida.
E mantida quente pela mulher na banheira ao lado da sua.
Como se em desafio pela reunião horrível que tiveram com a realeza do khaganato com o inesperado retorno de Aelin.
Triunfante. Mas apenas em alguns aspectos.
Uma ameaça derrotada. Outro atrapalhada.
Aelin havia escondido bem, mas a rainha também tinha suas maneiras. Sua absoluta quietude – o ângulo predatório de sua cabeça. O primeiro estava presente esta manhã. Absoluta quietude enquanto foi questionada, criticada, gritada.
A rainha não ficava tão quieta desde o dia em que escapara de Maeve.
E não era trauma que abaixava sua cabeça, mas culpa. Pavor. Vergonha.
Quase afundada na altura dos ombros nas banheiras altas e compridas, Elide foi quem sugeriu um banho. Para dar ao príncipe Rowan a chance de voar para o alto e para longe e expulsar um pouco de seu temperamento. Para dar a Aelin um momento para se acomodar.
Ela planejava tomar um banho esta manhã de qualquer maneira. Embora tivesse imaginado um parceiro diferente na banheira ao lado dela.
Não que Lorcan soubesse disso. Ele apenas beijou sua têmpora antes de caminhar pela manhã – para se juntar a Fenrys e Gavriel ao preparar o exército para sair.
Continuando sua marcha para o norte.
Aelin esfregou os cabelos compridos, a massa escorrendo sobre o corpo dela. À luz dos braseiros, as tatuagens nas costas da rainha pareciam fluir como um rio negro e vivo.
— Então a sua magia ainda está aí? — Elide deixou escapar.
Aelin deslizou os olhos turquesa para ela.
— Sua água está quente?
Elide bufou, arrastando os dedos pela água.
— Sim.
— Você quer saber o quanto, exatamente.
— Eu tenho permissão para saber?
— Eu não estava mentindo na reunião — disse Aelin, a voz ainda oca. Ela ficara lá e aceitara cada pergunta atirada da princesa Hasar, cada careta de desaprovação do príncipe Sartaq. — É... — Ela levantou os braços e posicionou as mãos no ar uma sobre a outra, com um espaço entre elas. — Aqui é onde o fundo estava antes — disse ela, balançando os dedos inferiores. Ela ergueu a mão de baixo até que pairou dois centímetros de sua mão superior. — Aqui é onde está agora.
— Você já testou?
— Eu posso sentir. — Aqueles olhos turquesa, apesar de tudo o que ela fez, eram pesados. Solenes. — Eu nunca senti um fundo antes. E agora senti sem ter que procurar. — Aelin afundou o couro cabeludo ensaboado na água, limpando as bolhas e óleos. — Não é tão impressionante, é?
— Eu nunca me importei se você tinha magia ou não.
— Por quê? O resto do mundo se importou. — Uma pergunta simples. Sim, quando elas eram crianças, muitos temiam o poder que Aelin possuía. Em que ela cresceria.
— Quem você é não é a sua magia — Elide disse simplesmente.
— Não é? — Aelin descansou a cabeça na parte de trás da banheira. — Eu gostava da minha magia. Amava.
— E ser humana? — Elide sabia que não deveria ousar perguntar, mas escapou.
Aelin olhou de soslaio para ela.
— Eu ainda sou humana, no fundo, sem possuir um corpo humano?
Elide considerou.
— Suponho que você seja a única pessoa que pode decidir isso.
Aelin murmurou, mergulhando debaixo d’água novamente. Quando ela saiu, Elide perguntou:
— Você está com medo? De enfrentar Erawan em batalha?
Aelin abraçou os joelhos, a tatuagem esticando-se por suas costas. Ela ficou em silêncio por um longo tempo.
— Tenho medo de não chegar a Orynth a tempo — disse ela por fim. — Se Erawan escolher arrastar sua carcaça até lá para lutar comigo, eu lidarei com isso, então.
— E Maeve? E se ela também chegar com Erawan?
Mas Elide sabia a resposta.
Eles morreriam. Todos eles. Tinha que haver algum jeito – alguma maneira de derrotar os dois. Ela supôs que Anneith não ajudaria agora. E talvez fosse hora de ela confiar mais em si mesma de qualquer maneira. Mesmo que a hora pudesse ter sido muito melhor.
— Tantas perguntas, Senhora de Perranth.
Elide corou e pegou o sabonete, esfregando os braços.
— Desculpe.
— Vê agora porque não lhe dei o juramento de sangue?
— Os machos feéricos a desafiam o tempo todo.
— Sim, mas eu gosto de não tê-la ligada a mim. — Um suspiro suave . — Eu não planejei nada disso.
— O quê?
— Sobreviver ao cadeado. Ao portão. Para realmente ter que... governar. Viver. Estou em território inexplorado, parece.
Elide considerou. Então puxou o anel de ouro do dedo dela. O anel de Silba – não de Mala.
— Aqui — disse ela, estendendo o anel entre suas banheiras, espuma pingando de seus dedos.
Aelin piscou para o ringue.
— Por quê? Entre nós duas, é mais provável que você enfrente Erawan ou Maeve.
Aelin não o pegou.
— Eu prefiro que você fique com ele.
— E eu prefiro que você fique com ele — Elide desafiou, segurando o olhar da rainha. Ela perguntou baixinho: — Você não deu o suficiente, Aelin? Não vai deixar que qualquer um de nós faça alguma coisa por você?
Aelin olhou para o anel.
— Eu falhei. Você percebe, não percebe?
— Você devolveu as chaves aos portões. Isso não é falhar. E mesmo que você tivesse falhado nisso, eu ainda te daria este anel.
— Eu devo à sua mãe, ver você sobrevivendo a isso.
O peito de Elide se apertou.
— Você deve à minha mãe, então deve viver, Aelin. — Ela se inclinou mais perto, praticamente empurrando o anel no rosto de Aelin. — Pegue. Se não por mim, então por ela.
Aelin olhou para o anel novamente. E então o pegou.
Elide tentou não suspirar quando a rainha o deslizou em seu dedo.
— Obrigada — murmurou Aelin.
Elide estava prestes a responder quando as abas da tenda se abriram, o ar gelado entrando – junto com Borte.
— Você não me convidaram para o banho? — a rukhin perguntou, franzindo a testa dramaticamente para a rainha.
Os lábios de Aelin se curvaram para cima.
— Pensei que rukhin fossem muito avessos à banhos.
— Percebe o quanto o cabelo dos homens é bom? Acha que isso não implica uma obsessão com a limpeza? — Borte atravessou a tenda real e se sentou no banquinho ao lado da banheira da rainha. Parecendo não se importar que a rainha ou Elide estivessem nuas.
Levou toda a força de vontade de Elide não se cobrir. Pelo menos com Aelin na banheira adjacente, a parede da banheira era alta o suficiente para lhes oferecer privacidade. Mas com Borte sentada acima delas assim...
— Aqui está o que eu penso —, declarou Borte, sacudindo a ponta de uma de suas tranças.
Aelin sorriu ligeiramente.
— Hasar é irritadiça e fria. Sartaq está acostumado com essas condições e não se importa. Kashin está tentando fazer o melhor possível, porque ele é tão legal, mas eles estão todos um pouco nervosos porque estamos marchando contra cem mil soldados, potencialmente mais a caminho, e Erawan não está fora da jogada. Tampouco Maeve. Então eles estão irritados. Eles gostam de você, mas estão irritados.
— Eu peguei esse tanto — disse Aelin secamente — quando Hasar me chamou de vaca estúpida.
Tomou todo o autocontrole de Elide não se lançar à princesa. E pelo grunhido que veio dos machos feéricos, até de Lorcan, deuses acima, ela sabia que tinha sido igualmente difícil para eles.
Aelin apenas inclinou a cabeça para a princesa e sorriu. Assim como sorria agora.
Borte dispensou as palavras de Aelin com um aceno.
— Hasar chama todos de vaca estúpida. Você está em boa companhia. — Outro sorriso de Aelin para isso. — Mas eu não estou aqui para falar sobre isso. Eu quero falar sobre mim e você.
— Meu assunto favorito — Aelin falou, rindo levemente.
Borte sorriu.
— Você está viva. Você conseguiu. Todos pensamos que você morreria. — Ela riscou uma linha no pescoço para dar ênfase, e Elide se encolheu. — Sartaq provavelmente me colocará para liderar um dos flancos da batalha, mas eu já fiz isso. Sou boa nisso. — Aquele sorriso se alargou. — Eu quero liderar o seu flanco.
— Eu não tenho um flanco.
— Então, com quem você cavalgará na batalha?
— Eu não tinha chegado tão longe — disse Aelin, levantando uma sobrancelha. — Desde que eu esperava estar morta.
— Bem, quando descobrir, espere que eu esteja nos céus acima de você. Eu odiaria que a batalha fosse monótona.
Apenas a rukhin de olhos ferozes teria a coragem de chamar a marcha contra cem mil soldados de monótona.
Mas antes que Aelin pudesse dizer qualquer coisa, ou Elide pudesse perguntar a Borte se os ruks estavam prontos para enfrentar as serpentes aladas, a cavaleira de ruk já havia partido.
Quando Elide olhou para Aelin, o rosto da rainha estava sombrio.
Aelin apontou para as abas da tenda.
— Está nevando.
— Tem nevado com pouco descanso há dias agora.
O engolir de Aelin foi audível.
— É uma neve do norte.


A tempestade atingiu o acampamento, tão feroz que Nesryn e Sartaq deram ordens aos ruks de ficarem no chão dia e noite.
Como se cruzar Terrasen dias antes os tivesse oficialmente colocado sob inverno brutal.
— Continuamos indo para o norte — Kashin dizia, descansando perto do fogo na barraca de Hasar.
— Como se houvesse outra opção — Hasar respondeu, tomando um gole de vinho quente. — Nós chegamos tão longe. Podemos muito bem ir até Orynth.
Nesryn, sentada em um sofá baixo com Sartaq, ainda se perguntava o que, exatamente, fazia nessas reuniões. Ruminou sobre o fato de que se sentava com os irmãos reais, o herdeiro do khaganato ao seu lado.
Imperatriz. A palavra parecia pairar sobre ela a cada respiração, cada movimento.
— Nosso povo enfrentou dificuldades como essa antes — Sartaq disse. — Vamos enfrentá-las novamente.
De fato, Sartaq havia ficado acordado durante a noite nessas semanas lendo as anotações e diários de guerreiros e líderes de gerações passadas. Eles trouxeram um baú deles do khaganato por esse motivo. A maioria Sartaq já havia lido, ele lhe contara. Mas nunca fazia mal refrescar a mente.
Se lhes desse uma chance contra cem mil soldados, ela não se queixaria.
— Nós não chegaremos a enfrentá-los se a tempestade não diminuir — apontou Hasar, franzindo a testa em direção às abas da tenda selada. — Quando eu voltar para Antica, nunca mais sairei.
— Sem gosto pela aventura, irmã? — Kashin sorriu debilmente.
— Não quando está esse frio infernal — Hassar grunhiu.
Nesryn abafou uma risada, e Sartaq escorregou seus braços ao redor dos ombros dela. Um gesto casual e desatento de contato.
— Nós continuaremos em frente — Sartaq falou. — Todo o caminho até Orynth. Nós juramos, e não voltamos atrás em nossas promessas.
Nesryn poderia ter se apaixonado por ele por essa única frase. Ela se recostou nele, aproveitando o seu calor, em agradecimento silencioso.
— Então só nos resta rezar — Kashin falou — para que esta tempestade não nos retarde tanto que não reste nada de Orynth para defender.

2 comentários:

  1. Tá errado esse capitulo,a parte do Darrow n é nesse capitulo

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  2. Mano eles estão se despedindo para a morte e o povo tá tomando banho??? Corre gente!!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!