3 de setembro de 2018

Capítulo 9

JONAS
PAELSIA

— Deixa eu ver só uma vez...
— Não, Lys — Jonas disse. — Tire a mão daí.
— Vamos, não seja tímido!
— Não estou sendo tímido. — Quando Lys tentou pegar a camisa de Jonas de novo, ele saiu de perto. — Pare.
Lysandra olhou feio para ele.
— Seu teimoso, me deixa ver o machucado.
— Não. — Ele se concentrou na fogueira, cutucando-a com uma vareta para não deixar o fogo apagar.
— Droga, Jonas. Está feio, não está? Pior do que você está dizendo.
Ele se recusou a encará-la para Lys não enxergar a verdade.
— Estou me sentindo ótimo. Nunca estive melhor. Agora vamos descansar por algumas horas e depois precisamos continuar. Temos um bom trecho para percorrer até chegarmos a Limeros.
— Não confia em mim?
Havia algo na voz dela que Jonas nunca tinha ouvido antes e que deixou seu coração apertado.
— É claro que confio. — Ele engoliu em seco, com um nó na garganta. — Confio em você mais do que em qualquer pessoa no mundo.
O lábio inferior dela tremia.
— A lama não está funcionando, não é? Você está piorando e não quer que eu saiba o quanto está doente.
Ele tentou rir.
— Pareço tão mal assim?
— Para dizer a verdade, parece, sim. — Lys segurou o rosto dele, forçando-o a encarar seu olhar sério. — Você vai morrer?
— Todos nós vamos morrer. Somos mortais, lembra? — Ele tentou manter o sorriso, mas percebeu que exigia força demais. — Só tenho a avaliação de Bruno, que disse que não me resta muito tempo. Mas ele não é nenhum especialista.
Lys ficou tensa, e Jonas notou que ela se esforçava para parecer determinada.
— Então temos que nos concentrar em encontrar alguém para ajudá-lo.
— Se aparecer alguém, sim. Mas minha prioridade é chegar a Limeros e matar o príncipe Magnus.
— E minha prioridade é curar você. Deveria ser a sua também.
Ele riu.
— Acha mesmo que mereço ser salvo depois de todos os problemas que causei? As coisas seriam muito mais fáceis para você sem minha presença.
A raiva surgiu nos olhos escuros dela.
— Você é mesmo tão idiota assim? Estou viajando com um completo imbecil por todos esses meses?
A indignação dela soou estranhamente afetuosa.
— Nossa, Lys, suas doces palavras aliviam tanto minha...
Antes que ele conseguisse terminar, Lysandra o segurou e o beijou com intensidade. De repente, a dor no braço e a dormência na mão desapareceram. Ele entrelaçou a mão nos cachos escuros dela e a puxou para mais perto.
— Estou apaixonada por você, seu idiota. E não vou perdê-lo. Entendeu? — Lys sussurrou junto aos lábios dele antes de beijá-lo mais uma vez.
A confissão o fez perder o fôlego, de modo que só conseguiu assentir em resposta.
— Agora, de novo, como fazemos para curar você? — ela perguntou quando finalmente se separaram.
Na verdade, ele já tinha quase perdido as esperanças de encontrar um modo de resolver seu problema. Mas a teimosia de Lysandra, sua devoção e amizade haviam lhe trazido nova determinação para enfrentar mais um dia. Jonas respirou fundo.
— Precisamos procurar uma bruxa.
Ela assentiu.
— Então vamos procurar uma bruxa.
Eles deixaram a fogueira no mesmo instante e seguiram sem demora para o norte de Paelsia, finalmente parando em uma vila poucos quilômetros depois da fronteira de Limeros com várias hospedarias e tavernas no centro, cercada por outros estabelecimentos comerciais e pela área residencial. Era o primeiro sinal de vida humana que os dois viam em mais de um dia. Durante a viagem, a temperatura havia caído muito, e o solo estava coberto por uma fina camada de gelo; alguns flocos de neve caíam do céu noturno nublado.
Lysandra desapareceu por um momento para explorar alguns casebres, voltando com roupas mais quentes. Jonas notou que ela tinha trocado seu vestido rosa, sujo e rasgado, por um novo, amarelo-claro.
— Onde arrumou tudo isso? — perguntou enquanto ela lhe entregava um manto de couro.
— No mesmo lugar onde arrumei isso. — Ela pegou um saquinho amarrado com barbante e o sacudiu para Jonas ouvir o tilintar das moedas.
Ele não conseguiu conter o sorriso.
— Estou impressionado.
— Agora vamos arrumar alguém para curá-lo.
Lys pegou a mão dele com cuidado e o ajudou a entrar na hospedaria mais próxima. Mesmo tarde da noite, estava cheia de hóspedes jantando em volta da lareira.
Jonas posicionou o tapa-olho, e Lysandra colocou algumas moedas sobre o balcão.
— Que tipo de acomodação pode nos oferecer por esse valor?
O dono da hospedaria ajeitou os óculos sobre o nariz.
— É suficiente para uma noite em um quarto confortável para você e seu... — Ele franziu a testa ao olhar para Jonas, pálido e suado.
— Marido — Lys respondeu.
— Marido. Sim. Um bom jantar está incluído também — o homem disse em tom agradável, mas ainda com a testa franzida. — Moça, desculpe me intrometer, mas seu marido parece muito doente.
— É porque ele está muito doente. — Ela colocou mais duas moedas de prata sobre o balcão. — Por isso também estamos procurando alguém para ajudá-lo. Precisamos de alguém com dons muito particulares e especiais, e estamos dispostos a pagar bem pela informação.
O dono da hospedaria levantou uma sobrancelha.
— Dons especiais?
Lys chegou mais perto e disse em voz baixa:
— Precisamos de uma bruxa que domine muito bem a magia da terra.
O homem se afastou, observando Lys e Jonas atentamente.
— Uma bruxa? Minha cara, vocês sabem que estão em Limeros, não sabem? Aqui não é Auranos. Nossas leis para bruxaria e magia negra não são tão brandas. O rei prende, e com frequência executa, todos os acusados de bruxaria, além de não tratar bem aqueles que os ajudam de qualquer maneira.
Jonas virou para a sala de jantar e notou que algumas pessoas olhavam com curiosidade na direção deles. Uma pessoa em especial chamou sua atenção: uma mulher que usava um manto preto de cetim e tinha o rosto oculto pelas sombras.
— Então pode esquecer. Não queremos causar problemas para ninguém — ele disse. Lys apertou sua mão com força. — Ai!
— Senhor, entendo os riscos, mas estamos dispostos a tentar a sorte — Lys explicou. — Sabe, somos recém-casados e... e já estou esperando uma criança. — Lágrimas surgiram em seus olhos castanhos. — Não posso perder meu amado marido tão cedo. Preciso dele, entende? Vou ficar perdida sem ele para me proteger e cuidar de mim. Por favor, faço qualquer coisa para curá-lo. Qualquer coisa, entendeu? Por favor, nos ajude.
Jonas ficou impressionado com a capacidade de manipulação de Lysandra. Resolveu ficar quieto e deixá-la assumir.
O dono da hospedaria ficou olhando para ela com a testa franzida até que Jonas viu lágrimas se formando em seus olhos.
— Minha cara. Você é tão corajosa... Você dois são muito corajosos. Este mundo precisa de mais jovens como vocês, dispostos a correr grandes riscos. A amar... É só isso que importa, não é?
— É, sim — Lysandra concordou. — Então, pode nos ajudar?
— Se pudesse, ajudaria. De verdade. Mas as supostas bruxas desta região se foram há muito tempo. — Ele ficou pensativo. — No entanto, ouvi dizer que muitas podem ser encontradas em Pico do Corvo. Eu recomendaria que procurassem ajuda lá.
Pico do Corvo, capital de Limeros, ficava a vários dias de viagem da fronteira.
Jonas não sabia se tinha todo esse tempo.
Eles comeram, dormiram e deixaram a hospedaria no dia seguinte, antes de amanhecer, com o plano de tentar encontrar — ou roubar — dois cavalos para acelerar a viagem.
Jonas tentou manter os passos firmes e ligeiros, sem deixar Lysandra perceber o quanto havia enfraquecido desde o dia anterior.
De repente, Lysandra agarrou seu braço.
— Alguém está nos seguindo — ela sussurrou.
Jonas parou de repente, com frio na barriga.
— Não sei se consigo lutar — ele admitiu com relutância.
— Não se preocupe. Eu cuido disso.
Mais uma vez, Jonas tentou manter o ritmo, mas as botas com solado liso não eram feitas para superfícies congeladas e escorregadias. Eles viraram uma esquina, depois outra, e Lysandra fez sinal para Jonas seguir em frente. Ele continuou, seus passos cambaleantes fazendo barulho sobre a neve, enquanto ela esperava atrás do tronco de um grande carvalho que ficava perto de uma fileira de estabelecimentos comerciais e tinha os galhos cheios de gelo.
Um instante depois, Jonas viu Lys sair do esconderijo e avançar contra uma figura coberta por um manto. Ela jogou a vítima contra a parede, pressionando a lâmina da adaga incrustada de joias de Jonas contra sua garganta.
Quando ficou claro que a pessoa que os seguia tinha sido pega, Jonas se aproximou e viu que a figura tinha mais ou menos o mesmo tamanho e a mesma altura de Lys.
— Por que está nos seguindo? — ela bradou.
— A arma não é necessária — respondeu uma voz feminina.
Jonas sabia que aquelas palavras não significavam nada para Lys, que tinha mais dificuldade de confiar nas pessoas do que qualquer um que ele conhecia. E, apesar do tamanho, ela era tão perigosa quanto qualquer homem, quando necessário.
— Isso cabe a mim julgar — Lys disparou, segurando a adaga com mais força. — Quem é você? — Antes de lhe dar tempo de responder, ela puxou o capuz do manto de cetim preto.
Jonas quase engasgou quando viu o rosto adorável da garota, apenas alguns tons mais claros que o cabelo castanho-escuro, com um par de olhos verde-esmeralda que os encaravam calmamente.
— Sou uma amiga — a garota disse. Não parecia estar com medo.
— Por que está nos seguindo? — Jonas perguntou, se aproximando. Ele achou que a estava reconhecendo. — Você estava na hospedaria ontem à noite, não estava?
— Estava. E é exatamente por isso que sei que está procurando uma bruxa capaz de ajudá-lo.
O coração dele deu um pulo ao ouvir aquilo.
— Você conhece uma bruxa?
— Eu sou bruxa. — Ela voltou a olhar para Lys. — Agora, afaste a arma ou posso mudar de ideia.
Lys trocou um olhar de dúvida com Jonas. Ele assentiu, e ela, com relutância, embainhou a adaga.
Quando Lysandra saiu de perto, a expressão da garota permaneceu serena, e não aliviada nem grata por ter sido libertada.
— Então... — Jonas disse, desconfiando daquele encontro aparentemente bom demais para ser verdade. — Qual é a armadilha?
— Não tem nenhuma armadilha — a garota respondeu com a voz calma. — Agora, aconselho que parem de perder tempo. Por sua aparência, Jonas Agallon, não lhe resta muito.
Um filete de suor escorreu pelas costas dele.
— Você sabe quem eu sou?
— Apesar de sua tentativa um tanto quanto fraca de se disfarçar, sim. — Ela olhou pra Lys. — E você é Lysandra Barbas, companheira de Jonas e fiel rebelde. Lindo vestido, por sinal. Uma fantasia simples, porém eficaz para alguém que passou a vida toda usando calças.
Lysandra cruzou os braços, olhando para a garota com profunda cautela e desconfiança.
— O que você é? Espiã a serviço do rei, talvez?
— Não.
— E por que devemos acreditar em você?
— Para mim, é indiferente se acreditam ou não.
— Acho que entendi — Jonas disse. — Você quer dinheiro. Quanto?
A garota suspirou, impaciente.
— Realmente não estou com disposição para debater minhas intenções. É extremamente cedo, o frio está muito desagradável, e só estou cumprindo minha obrigação ao me oferecer para salvar sua vida. Se não quiser aceitar por vontade própria, serei obrigada a forçá-lo.
Jonas arregalou os olhos. Para alguém que alegava indiferença, ela era muito insistente.
Lysandra a mediu de cima a baixo.
— Como você se chama?
— Olivia.
— Jonas — Lysandra disse devagar —, vamos dar uma chance a Olivia.
— Mas, Lys...
— Não — ela o interrompeu. — Está decidido. Olivia, do que precisa para começar?
— Primeiro, preciso sair deste vento frio.
Lysandra assentiu e os conduziu até o local mais próximo, um estabelecimento que vendia velas e lamparinas e que àquela hora ainda estava fechado.
— Afastem-se — disse Lys, aproximando-se de uma janela e se preparando para quebrá-la.
— Não precisa. — Olivia pegou na maçaneta e abriu a porta.
— É esse o costume em Limeros? Deixar as portas destrancadas? — Jonas perguntou.
— Não. Mas agora está destrancada.
Jonas e Lys trocaram olhares desconfiados ao acompanhar a bruxa até o interior da loja pequena e vazia, ocupada com mesas cheias de velas de todas as formas e tamanhos imagináveis. Lysandra logo pegou algumas e as acendeu com o sílex para iluminar melhor a pequena área.
— Mostre-me o ferimento — Olivia disse, apontando para Jonas. — Rápido.
Ele deixou a bolsa no chão.
Olivia suspirou, impaciente.
— Seria bom se fosse hoje.
Jonas olhou feio para ela.
Não fazia ideia do motivo para ela querer — precisar, ao que parecia — ajudá-lo, mas se tudo o que ela tinha dito fosse verdade, ele não podia correr o risco de perder a oportunidade. Estavam procurando uma bruxa experiente e, como num passe de mágica, Olivia tinha simplesmente ido até ele e oferecido seus serviços.
Aquele não era o momento de questionar suas intenções. Ele prometeu a si mesmo que faria isso mais tarde, quando não estivesse se sentindo a morte em pessoa.
Isto é, se Olivia de fato conseguisse fazer o que dizia ser capaz.
Lysandra o ajudou a desamarrar a camisa e expor o ombro esquerdo.
— Ah, Jonas! — ela ficou sem fôlego e torceu o nariz ao ver o ferimento purulento. — É a coisa mais asquerosa que já vi em toda minha vida. Estou surpresa por ainda estar em pé e respirando.
Ele estreitou os olhos.
— É, bem, imagine como estou me sentindo. Agora, pode me ajudar ou não?
Ela revirou os olhos e virou para Lysandra.
— Ele é sempre hostil assim?
— Ignore-o. O que você acha? Pode fazer uma lama medicinal nova?
Ou talvez ela tenha um saquinho de sementes de uva brilhantes e mágicas na bolsa, prontas para serem usadas. Jonas pensou. Então teria certeza de que tinha sido derrubado pela febre e aquilo não passava de um sonho.
— Foi isso que você aplicou antes aqui? — Olivia sentiu ânsia. — Minha nossa. Acho que vou vomitar.
Lys fez uma careta.
— Aparentemente a lama estava muito velha para reter a magia e não fez nenhum efeito.
— Por isso está tão repugnante. — Olivia ficou indignada. — Está bem. Sim, vou preparar mais um pouco de lama medicinal, já que lama é uma substância perfeita para magia da terra. Primeiro, preciso encontrar uma vaca.
Jonas estava fraco demais para expressar o quanto queria que ela começasse logo, mas aquilo era realmente inesperado.
— Por que precisa de uma vaca?
— Do que acham que a lama é feita? — ela perguntou, com um lampejo de diversão nos olhos verdes. — Excremento de vaca é um ingrediente comum em muitos preparados com magia da terra.
Olivia saiu sem esperar a resposta.
Jonas ficou observando-a, estupefato.
— Ela pretende me curar com excremento de vaca?
Lysandra deu um tapinha em seu outro braço.
— E você vai deixar.
Olivia voltou com um balde cheio de achados malcheirosos. Mandou Jonas tirar totalmente a camisa e retirou as bandagens quando estava pronta para começar.
Lysandra olhou o balde de esterco marrom.
— É só isso?
— Só.
Jonas rangeu os dentes.
— Vamos acabar logo com isso.
— Deite-se. — Olivia enfiou a mão no balde e tirou um punhado de lama fedorenta.
Jonas deitou sobre a mesa firme onde estava sentado. Estendeu o braço na direção de Lysandra, que segurou sua mão direita.
— Estou pronto — ele disse.
— Pense na cura — Lys sugeriu.
— Farei o possível.
A bruxa começou a espalhar a lama medicinal sobre o ombro dele. Até o mais leve toque era dolorido, mas era bom sentir a lama fria sobre a pele ardente.
— Mais — ele disse.
— Sim, você com certeza vai precisar de tudo — ela concordou.
Era muito diferente de quando Phaedra tinha curado Jonas com as sementes de uva. A magia de Olivia proporcionava uma sensação refrescante e agradável, enquanto a de Phaedra se assemelhava a lava sendo vertida em sua garganta e se espalhando por todos os membros.
— Isso é tão bom e reconfortante — ele disse. — É assim que devo me sentir?
— Reconfortante? — Olivia franziu a testa. — Eu não acho que...
Jonas levantou e gritou de dor. Era como se um soldado tivesse agarrado seu braço e o arrancado, para depois atear fogo e jogá-lo aos lobos. Ele se debatia, tentando desesperadamente tirar a lama ardente da pele.
— Segure-o — Olivia gritou para Lysandra. — Não podemos tirar nada ainda.
Lys obedeceu às ordens da bruxa imediatamente. Cada uma segurou um braço e pressionou Jonas sobre a mesa, enquanto ele se contorcia e agonizava.
— Ela está tentando me matar! — ele exclamou. — Lys... Lys, não deixe!
— Aguente firme — Lys sussurrou. — Por favor, aguente só mais um pouco.
Ele sentiu a lama penetrar ainda mais em sua pele, queimando cada camada, devorando músculos e ossos. Perfurava seu ombro como a mordida de um demônio com dentes de navalha.
Mas, tão de repente como tinha começado, a dor desapareceu por completo. Ele sentiu o corpo mole de novo, sob a mão das garotas, e só conseguiu ouvir o som de sua própria respiração ofegante.
— Pronto — Olivia disse, soltando um longo suspiro de alívio. — Viu? Não foi tão ruim assim, foi?
Ruim? Tinha sido mais do que ruim. Foi uma tortura.
A bruxa desapareceu nos fundos do estabelecimento. Lysandra pegou um pano e, com as mãos trêmulas, limpou o ombro de Jonas.
— Funcionou — ela disse, claramente admirada. — Ela não só o ajudou. Ela o curou de verdade.
Jonas conseguiu sentar. Pegou o pano de Lys e limpou o resto da lama do ombro, revelando uma área de pele lisa e imaculada. Nenhum ferimento, nenhuma infecção.
Mas... como? Jonas podia ter se convertido e passado a acreditar na magia de Mítica, mas não achava que uma bruxa fosse capaz de um milagre tão perfeito.
Bruno tinha dito que uma bruxa não podia curar um ferimento tão grave. Mas talvez o velho simplesmente não conhecesse nenhuma capaz disso.
Lysandra o agarrou e lhe deu um abraço apertado.
— Achei que ia perder você. Nunca mais me assuste assim, entendeu?
— Entendi — Jonas sussurrou entre os cabelos dela.
Olivia voltou, limpando as mãos em uma toalha.
— Está melhor?
Lysandra correu até Olivia e apoiou as mãos em seus ombros.
— E pensar que poucos instantes atrás eu não acreditava em nada relacionado a bruxas ou magia, e aqui está você... E fez muito mais do que eu poderia desejar. Obrigada. Muito obrigada! — Depois Lysandra puxou a garota e a abraçou com força.
Olivia arregalou os olhos surpresa e, sem jeito, deu alguns tapinhas nas costas de Lys.
— Fico feliz por ter conseguido ajudar a tempo.
Apesar dos temores iniciais, a bruxa tinha mais do que provado seu valor a Jonas.
— Minha mais profunda gratidão, Olivia — Jonas disse. — Devo minha vida a você.
Ela afastou Lysandra gentilmente.
— É, acho que sim.
Jonas esperou que ela dissesse o preço, provavelmente algum pedido exorbitante que ele nunca conseguiria pagar.
— E...? — ele perguntou.
Olivia inclinou a cabeça.
— E... preciso ir agora. Adeus.
Ela virou para a porta.
— Espere! — Jonas disse. — Aonde está indo? Procurar outros estranhos aleatórios por aí para curar?
— Talvez — ela respondeu.
A garota era um verdadeiro mistério. Mas, na verdade, tudo o que Jonas precisava saber a seu respeito era que ela era capaz de realizar magia poderosa.
— Venha conosco — ele disse.
Ela franziu a testa.
— Para onde?
— Para o palácio limeriano.
Olivia cruzou os braços e o analisou por um longo momento de silêncio.
— Jonas Agallon, líder rebelde fracassado cujo objetivo de vida é destruir o rei Gaius e devolver a paz e a liberdade para Mítica, quer que eu me junte a ele em uma viagem até o palácio limeriano.
— Na verdade, vou começar destruindo o filho dele. E, sim, quero que se junte a nós. Lys, o que acha?
Lysandra o encarou.
— Você tem razão, precisamos dela.
— Vou me tornar sua mais nova recruta rebelde? — Olivia perguntou.
— Você acabou de salvar minha vida sabendo quem eu era — Jonas argumentou. — E conhecendo meu objetivo.
— E você me quer por perto para salvá-lo de novo, se houver necessidade — Olivia afirmou.
— Não vou negar que seria um grande bônus. Sei que não tenho muito a oferecer, mas se eu obtiver sucesso... se conseguir fazer o que pretendo... Tudo será melhor em Mítica, para todos os que chamam esse lugar de lar.
Olivia virou, como se fosse embora, mas fez uma pausa.
— Está bem. Concordo em acompanhá-los nessa jornada.
— Ótimo — ele disse, com um sorriso no rosto. — Então vamos indo.

3 comentários:

  1. Será possível que ele não aprendeu nada com o felix???

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  2. Mas alguém achando que essa Olivia pode ter algo a ver com o cristal da terra??

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