16 de setembro de 2018

Capítulo 7

LUCIA
SANTUÁRIO

Antes que a imagem grande e brilhante de Timotheus desaparecesse da torre, ele pediu para Mia escoltar Lucia até o interior de sua morada. Enquanto outros imortais ajoelhavam diante dela, Lucia seguiu nervosa a Vigilante até a base da residência do ancião. Uma porta na superfície da torre, invisível antes que se chegasse a um braço de distância, se abriu.
A torre em si tinha cinquenta passos de circunferência e era desprovida de móveis no andar térreo. Aliás, era desprovida de tudo, à exceção de paredes lisas e brancas e de um piso espelhado igual ao que havia do lado de fora. Ela acompanhou Mia até uma sala tão pequena que era praticamente possível tocar todas as paredes abrindo os braços. Lucia olhou relutante para as portas de cristal opaco quando se fecharam.
— Você pode falar agora? — Lucia arriscou perguntar. — Ou ainda está sob o encanto de Timotheus?
— Posso falar — Mia disse em voz baixa. — E, no pouco tempo que temos juntas, devo insistir que tenha cuidado.
Lucia analisou o rosto da imortal, franzindo a testa para seu tom de voz preocupado.
— O que quer dizer com isso?
— Precisamos que a profecia seja verdadeira, que seja provada, e você finalmente chegou. Mas agora me preocupo que aconteça com você o que aconteceu com Melenia, seja lá o que Timotheus fez com ela. Tome cuidado com ele. Independentemente do que possa nos dizer, não confiamos mais nele.
Lucia se esforçou para encontrar as palavras certas, para acalmar a mente de Mia explicando que Timotheus não tinha ferido Melenia, que a anciã tinha escolhido o próprio destino ao ser gananciosa, maliciosa e cruel, mas as portas de cristal se abriram antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
As duas não estavam mais no andar térreo. Lucia passou pelas portas e entrou em outra sala branca, que era do tamanho de todos os aposentos de seu palácio combinados. Das janelas no outro extremo da sala, que iam do chão ao teto, Lucia podia ver toda a cidade — a praça espelhada, o labirinto intricado de construções de cristal e as colinas verdes para além dos portões. A feiticeira se virou e viu apenas um vislumbre da imortal antes de as portas se fecharem. Ela correu até lá, pressionando as mãos contra a superfície lisa, tentando reabri-las.
— Como chegou até aqui, Lucia?
A voz de Timotheus a paralisou, até que ela se virou lentamente. Do outro lado da sala — e não mais em uma imagem bidimensional projetada — estava o último ancião imortal.
Ela não tinha certeza se devia ficar aliviada por estar em sua presença ou impressionada pela magia que tinha testemunhado naquele dia.
— Tenho certeza de que está surpreso em me ver aqui, mas…
Timotheus levantou a mão brilhante e, com um movimento, arremessou-a para a lateral direita em alta velocidade. Ela bateu com força contra a parede.
Embora seus pés estivessem firmes no chão, Lucia descobriu que estava presa ali, como se uma força invisível a pressionasse.
Então Timotheus levantou a mão de novo com os olhos semicerrados, e os pés dela saíram do chão. Sua garganta ficou apertada, e de repente ela não conseguia respirar.
— Não sei que magia negra você usou para viajar até aqui — Timotheus vociferou —, mas achou mesmo que poderia simplesmente entrar na minha cidade e me matar? Que eu não tentaria me defender? Você é mais ingênua do que eu imaginava!
— Nã… não! — Lucia lutou contra o braço invisível que a estrangulava. — Não… foi… por… isso… — Ela tentou pronunciar as palavras, tentou se explicar, mas não tinha fôlego para falar. Ele não demonstrava nenhuma bondade.
— Você já deixou seus planos bem claros para mim em seus sonhos. Mas você não sabe de nada, criança. Prefere acreditar nos devaneios de um monstro do que nos próprios olhos e ouvidos. E agora me vejo em uma situação um tanto difícil. Meus companheiros imortais acreditam que você é a salvação pela qual esperam há mil anos. Mal sabem que você não passa de uma decepção.
Com o fio de força que ainda tinha, Lucia invocou a própria magia.
Cerrando os punhos, ela conjurou o fogo, e as chamas se elevaram de suas duas mãos enquanto ela olhava furiosamente para a figura que tinha acabado de arremessá-la como uma boneca de pano. Lembrando-se das lições mais importantes de Ioannes, ela focou inteiramente em absorver a magia de Timotheus, e não em resistir a ela. Respirando fundo, ela inspirou a magia do ar que a prendia à parede e, quando o aperto em seu pescoço começou a se afrouxar, descobriu que roubar a magia daquele imortal era quase tão fácil quanto cheirar uma rosa no pátio do palácio auraniano.
Pouco depois, seus pés estavam de volta ao chão.
Ela o observou com cuidado, os punhos flamejantes.
— Você pensa o pior de mim, e não posso culpá-lo por isso. Mas alguma vez teve alguma visão em que eu o matava?
— Vou extinguir suas chamas patéticas — ele disse, ignorando a pergunta dela. Um pequeno tornado de ar girava em volta das mãos dele.
— E vou roubar seu ar e sufocá-lo com ele pouco antes de incendiá-lo.
Um sinal de preocupação surgiu no olhar dele. Perceber que o imortal a temia aumentou a confiança de Lucia, e sua magia do fogo ardeu ainda mais.
— Kyan lhe ensinou muita coisa — ele disse.
— Sim. Mais do que imagina. E eu que achava que você sabia tudo!
— Estou lisonjeado que você achasse isso.
— Não fique. — Lucia se concentrou em controlar as trevas e então apagou as chamas. — Não vim aqui para matá-lo.
Ele inclinou a cabeça como único sinal de surpresa.
— Então por que veio, feiticeira? Como é possível que tenha vindo? E onde está seu querido amigo?
De novo, os olhos de Lucia começaram a arder, e ela ficou horrorizada ao perceber que estava prestes a chorar. Ela se forçou a conter as lágrimas, sabendo que o sucesso daquele encontro dependia de que se mantivesse forte.
— Kyan está morto — ela disse, apegando-se à sua determinação. — Eu vi quem ele realmente era… o que ele realmente era, e me dei conta de que estava errada. Todo esse tempo, eu estava errada sobre ele. Estava errada em ajudá-lo. Não sabia que ele queria destruir o mundo.
A expressão de Timotheus não mudou.
— Talvez não, mas sabia que ele queria me matar. E concordou em ajudá-lo.
— Não estou aqui para matar você, juro. Você tinha razão em me alertar. — Ela passou a mão pela pedra roxa e fria de seu anel. — Se não fosse por este anel, eu estaria morta. Ele destruiu a forma monstruosa de fogo que Kyan assumiu, e quando dei por mim… eu… eu estava aqui.
Lucia manteve um fluxo rápido de palavras sem deixar espaço para resposta, contando a Timotheus tudo o que podia sobre o tempo que passara com Kyan. Ela falara sobre a jornada nas Montanhas Proibidas no leste de Paelsia, onde encontraram o monólito de cristal escondido embaixo de uma cobertura de pedra negra. O monólito estava repleto de poder — um poder que Kyan queria usar para atrair Timotheus para fora do Santuário. Na fantasia de Kyan, Lucia drenaria a magia dele, como havia feito com a de Melenia, deixando-o vulnerável e fácil de matar. Então Kyan e seus irmãos elementares estariam livres das esferas de cristal para sempre, sem nenhum imortal ancião vivo para devolvê-los às suas prisões.
Lucia disse a Timotheus que tinha sentido pena de Kyan, usado por causa de sua magia durante toda sua existência. Que ansiava ter a família ao seu lado e a chance de realmente viver.
— Mas isso não era tudo o que ele queria — ela disse, quase sussurrando ao chegar ao fim da história. — Ele via fraqueza em todos os mortais, uma fraqueza que lhe causava repulsa. Queria queimar tudo, reduzir tudo e todos a cinzas, para que o mundo pudesse recomeçar como parte de sua busca pela perfeição. Os outros deuses da Tétrade com certeza querem a mesma coisa.
Finalmente, ela olhou para Timotheus, esperando encontrar um rosto chocado. Mas só encontrou cansaço e compreensão em seus olhos.
— Eu entendo — ele disse.
Sentindo-se fortificada pela reação gentil do imortal, Lucia continuou.
— Suponho que a explosão de magia que o matou tenha despertado algo no monólito, abrindo um portal que me trouxe até aqui. Quando me dei conta de onde estava, soube que precisava encontrar você. É o único que pode me ajudar.
— Ajudar com o quê, Lucia?
Ela sentiu as constrangedoras lágrimas quentes escorrendo pelo rosto.
— A consertar o que eu fiz — ela disse com a voz falha, rendendo-se ao choro. — Eu sinto muito… Sinto tanto. Estava errada e… quase ajudei Kyan a destruir tudo. Não sobraria nada no mundo, graças à minha estupidez. Não haveria lugar seguro no mundo para meu filho crescer.
Timotheus ficou em silêncio, olhando para Lucia com curiosidade.
— Seu filho?
Lucia fungou, e a surpresa à reação dele serviu para acalmar seu choro.
— Meu filho. Meu e de Ioannes.
Timotheus piscou.
— Você está grávida?
Lucia secou os olhos com a manga da túnica emprestada.
— Você não sabia? Foi você que indicou que essa seria a causa da minha magia estar desaparecendo. Você me disse no último sonho em que estivemos juntos que o poder de Eva desapareceu quando ela ficou grávida de um filho metade mortal. Deve ter previsto isso!
Timotheus piscou mais uma vez e sentou na cadeira branquíssima que havia ao seu lado.
— Não previ nada parecido com isso.
— Deve ser por isso que estou aqui. Certo? Sou mortal, mas o bebê… meu bebê pode ser metade imortal. — Ela balançou a cabeça. — O que não entendo direito, já que Ioannes se tornou mortal ao se exilar.
— Exilados ainda têm magia dentro de si em seu mundo, mesmo que ela comece a desaparecer no momento em que saem daqui. Isso, combinado à sua magia, é… possível. Mas não entendo por que não enxerguei isso antes. — Ele a encarou nos olhos enquanto se esforçava para levantar. — Usei minha magia em você. Posso tê-la ferido. Ferido o bebê. Você está bem? Precisa sentar?
Lucia recusou.
— Estou bem. — Ela passou a mão sobre a barriga reta. — Ainda está bem no início. Fico enjoada todas as manhãs, mas é só.
Timotheus abriu um pequeno sorriso.
— Você fez bem em me procurar.
Finalmente, ela relaxou a tensão que ainda restava em seus músculos.
— Fico feliz que concorde.
O raro sorriso dele logo sumiu.
— Kyan não está morto.
Ela o encarou.
— O quê?
Timotheus estendeu a mão. Um instante depois, uma chama surgiu sobre sua palma.
— O fogo é eterno. Não pode viver ou morrer; só pode ser contido. Kyan é a magia do fogo. E se a magia do fogo ainda existe, então ele também existe.
Lucia levou a mão à boca aberta, e seu coração, que tinha acabado de se acalmar, disparou de novo.
— O que vamos fazer? Como podemos detê-lo?
— Conter, não deter. Ele precisa ser aprisionado novamente.
— Como?
Ele não respondeu. Em vez disso, virou-se e foi até as grandes janelas. Lucia logo o seguiu.
Naquele instante, um pensamento terrível lhe ocorreu.
— Kyan acreditava que você era o único que poderia aprisioná-lo de novo. Mas você não sabe como fazer isso, não é? Eva devia saber, mas você não sabe.
Ela viu a tensão tomar conta dos ombros de Timotheus enquanto ele se mantinha em silêncio, os olhos fixos no Santuário, além das muralhas da cidade.
— Todo esse tempo… — ela murmurou, tentando conter sua frustração crescente por não ter todas as respostas de que precisava. — Todo esse tempo, pensei que suas pistas vagas e seus enigmas tinham a função de me irritar, de brincar comigo enquanto você esperava o momento exato para atacar. Mas agora entendo por que não podia me dizer nada real. Você não tem todas as respostas.
— Tenho muito menos do que gostaria de ter — ele disse por entre os dentes.
— Estamos correndo perigo, não estamos?
Timotheus olhou para a garota a seu lado.
— Sim, estamos. Como você acreditava em mim, eu acreditava que você saberia como deter essa magia que ameaça destruir a nós todos. Que o vasto conhecimento de Eva tivesse, de alguma forma, entrado em sua teimosa mente mortal.
Ele tinha um grande talento para fazer quase tudo o que dizia soar como um insulto. Lucia preferiu ignorar o último.
— Não entrou. Pelo menos não ainda.
Ele assentiu.
— Sei que seu anel é poderoso. Eva o usou enquanto lidava com a Tétrade e nunca foi corrompida por seus elementos.
— Corrompida… como Cleiona e Valoria. Tenho minha própria visão e vi… acho que vi que o que aconteceu. Elas tocaram os cristais e… a magia… ela… — Lucia balançou cabeça.
— A magia tomou conta delas — Timotheus completou a frase, assentindo. — A magia as modificou, e as jogou para fora de nosso mundo para sempre. Depois da grande batalha mil anos atrás, a Tétrade se perdeu entre os mundos. E os cristais continuaram perdidos durante todos esses séculos. Até você aparecer. Melenia também foi corrompida, mas de um modo diferente. Apesar de tantas alegações de poder e inteligência, quando ela tocou a esfera de âmbar, o ser que agora se autodenomina Kyan foi capaz de se comunicar com ela. Ele a manipulou a fazer o que queria.
Lucia mal podia acreditar nas palavras dele, mas depois de conhecer o deus do fogo, elas faziam sentido de uma maneira repugnante.
— Ela disse que o amava, que tinha esperado por ele durante todos esses séculos. Mas quando se encontraram, ele a descartou como se não significasse nada.
— Não estou nem um pouco surpreso. O fogo é incapaz de amar, ele apenas consome. — Timotheus a observou em silêncio por um instante. — Por causa de seu anel, Kyan vai estar enfraquecido. Você precisa encontrar a esfera de âmbar antes que ele recupere a força.
— Nunca vi essa esfera.
— Eu arriscaria dizer que Kyan manteria algo tão importante consigo. Aquela esfera é uma de suas poucas fraquezas, e permitir que ela caia nas mãos de outra pessoa seria criar uma oportunidade para seu aprisionamento. Portanto, você precisa encontrá-la. O primeiro lugar a procurar seria o local onde vocês travaram a batalha.
Ela assentiu com firmeza.
— Tem certeza disso?
— Receio que não existam certezas em situações como esta — ele admitiu.
— É o que estou aprendendo. Principalmente em relação a Melenia. — Ela se recusava a sentir qualquer empatia pela imortal de coração partido, mas agora a compreendia de uma maneira mais profunda. Ela não tinha se tornado uma deusa como Cleiona e Valoria. Sua corrupção tinha resultado em uma devoção a Kyan, o que a transformou em uma ferramenta manipulada e, quando não precisou mais dela, descartada como lixo.
Ioannes não tinha dispensado Lucia, mas ela conhecia muito bem a sensação de ser usada e manipulada.
— Melenia era esperta e talentosa antes de ser corrompida, muito antes de se voltar contra Eva — Timotheus continuou. — Ela era uma das poucas entre os que restaram que conhecia o segredo que devo guardar sobre esse mundo. O segredo que me mantém preso aqui.
— Que segredo?
— As folhas — ele disse. Ele tirou das dobras de seu manto uma única folha marrom, enrugada e morta.
Lucia a pegou da mão dele, e a folha se desintegrou com a mínima pressão que suas mãos criaram.
Ela deu de ombros.
— Folhas secas. Acontece.
— Não aqui. É um sinal, um pequeno sinal, de que a magia está desaparecendo. Mesmo com a Tétrade encontrada e espalhada por Mítica, é tarde demais para impedir.
— Impedir o quê?
— Este mundo… O que restou dele… — Ele fez uma pausa, e quando Lucia estava certa de que o imortal não ia continuar, acompanhou o olhar dele na direção da vegetação que havia além dos arcos da cidade, das colinas e dos vales que pareciam não ter fim.
— O que restou dele? — ela repetiu, sem entender. — Não entendi bem o que isso quer dizer.
— Meus companheiros imortais entram em pânico ao ver uma folha morta, sem imaginar que podia ser muito, muito pior. — Ele virou para Lucia com uma expressão amarga, e ela o encarou. — Você precisa saber o que poderia acontecer com seu mundo. Olhe mais uma vez para o meu belo Santuário.
Lucia piscou, depois virou mais uma vez para aquela paisagem impecável. Só que agora, para além da cidade, o verde que tinha admirado já não ia tão longe quanto antes. Dois quilômetros, talvez três, depois dos portões da cidade, o solo se transformava em terra seca e escurecida. E, como a lateral irregular de um penhasco, desaparecia totalmente. O céu azul tinha se transformado em uma superfície de escuridão completa, sem nenhuma estrela.
O Santuário consistia na cidade e, talvez, menos de dois quilômetros de vegetação. Tudo o que ia além disso estava destruído.
— O que aconteceu? — ela disse com a voz abafada.
— Um imortal chamado Damen foi criado ao mesmo tempo que Eva, mas com o poder de matar. Ele agia apenas movido por uma necessidade ardente de destruição, assim como o deus do fogo. A única diferença é que Kyan não tem poder real de escolha sobre quem é e o que deseja. Damen teve escolha e optou por nos prejudicar. Tentou acabar conosco. E, finalmente, tantos anos depois de seu ataque, não sobrou magia suficiente aqui para sustentar o pouco que resta deste mundo em declínio. Sem a Tétrade para reabastecer a vida deste mundo, o Santuário reduziu-se a este mero fragmento, com apenas uma fração de minha espécie ainda existente. Uso minha magia para ocultar a verdade dos outros e tentar manter o que resta desse mundo pelo máximo de tempo que puder.
Ninguém deveria carregar um fardo tão terrível sozinho, ela pensou, nauseada só com a ideia que ele havia compartilhado.
— A Tétrade. Se os cristais forem trazidos de volta para cá, isso o ajudaria?
Ele inclinou a cabeça.
— Não vai consertar o que já se foi, mas salvaria o que restou.
Lucia assentiu, sentindo uma determinação crescer dentro dela.
— Então é isso que preciso fazer. Preciso encontrar e aprisionar Kyan, esteja onde estiver, localizar as outras esferas da Tétrade e trazê-las de volta para cá. Então meu mundo e o Santuário estarão a salvo.
É claro que ela sabia que não seria tão fácil quanto parecia.
Timotheus não sorriu com a sugestão, mas um vestígio de esperança brilhou em seus olhos.
— Você vai dizer alguma coisa? — Lucia perguntou quando Timotheus ficou tão silencioso e imóvel quanto seus companheiros imortais durante o discurso. — Ou vai me direcionar ao portal mais próximo para eu voltar ao mundo mortal?
— Você deve ter me ouvido dizer antes que desativei todos os portais.
Ela esperou.
— Então… reative um deles.
— Sem outros anciãos, vai demorar.
— Minha magia poderia ajudar.
— Não. Precisa ser a minha. Você deve poupar a sua para quando encontrar Kyan. — Ele fez um sinal com a cabeça, como se acenasse para si mesmo. — Você vai ficar aqui na torre. Descanse. Coma. Recupere suas forças. Assim que possível, prometo ajudá-la a retornar a seu mundo para tentar fazer o que for necessário para salvar a todos nós. Se é o que realmente deseja.
Era o que desejava. Lucia nunca tinha desejado alguma coisa com tanta certeza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!