23 de setembro de 2018

Capítulo 3

LUCIA
PAELSIA

Jonas tocou o braço de Lucia.
— Tente ficar calma.
Ela virou para trás e lançou uma olhar tenso para ele. O que Jonas achava que ela ia fazer? Matar Cleo e Amara ali mesmo?
Era provável que fosse exatamente o que ele achava.
— Preciso de respostas — ela disse entredentes.
Ser recebida com portões fechados naquele complexo real por um enxame de soldados de Amara, todos de arma em punho, tinha acabado com o pouco de “calma” que ainda tinha guardada. Lucia se perguntou se o rebelde estava mais preocupado com a vida dela ou das dezenas de guardas armados que os cercavam.
— Lucia — Amara disse, desviando a atenção da feiticeira de seu companheiro bem mais desconfiado. A princesa kraeshiana estava apoiada em uma bengala de madeira. — Bem-vinda. Faz muito tempo que não a vejo. Muita coisa mudou para nós duas.
Lucia franziu o cenho ao olhar para a imperatriz ardilosa e sedenta por poder que, para todos os efeitos, era agora sua madrasta.
— Meu irmão e meu pai. Onde estão?
O grupo de guardas se aproximou, acotovelando-se para se posicionar, espadas apontadas na direção de Lucia.
Jonas finalmente abaixou o capuz do manto.
— Imperatriz Amara, dispense seus guardas. Isso não é necessário.
— Jonas! — Cleo exclamou. — É você!
A princesa auraniana sempre faz observações tão brilhantes, Lucia pensou com ironia.
— É bom vê-la de novo, princesa — Jonas disse, esboçando um sorriso.
— Digo o mesmo — Cleo respondeu com certa tensão na voz.
Jonas parecia muito mais feliz com o reencontro do que Lucia. Ver Amara e Cleo lado a lado fez a ira de Lucia se multiplicar. Ela esperava encontrar Cleo como prisioneira, à mercê da nova imperatriz, cujo exército ocupava toda Mítica. Mas claramente não era o caso.
— Seu pai se voltou contra mim. Ele tentou me matar — Amara disse com calma. — Mas garanto que não foi ferido. Tenho certeza de que você entende por que optei por mantê-lo trancafiado. É um homem perigoso.
Era mesmo, Lucia não negava.
— Você com certeza está satisfeita com isso — ela disse a Cleo.
O olhar de Cleo se tornou tão penetrante que seria capaz de cortar alguém.
— Você não tem ideia de como me sinto em relação a nada que aconteceu aqui.
Lucia tentou ao máximo manter a paciência.
— Onde ele está? — ela perguntou a Amara.
— Eu mesma vou levá-la para vê-lo — Amara respondeu com um tom leve e casual, como se não estivessem discutindo nada além do clima. — Minha nossa, Lucia, que criança linda. De quem é?
Lucia olhou para Lyssa em seus braços. Seu semblante doce não demonstrava nenhum sinal de aflição depois que sua mãe tinha mandado os portões pelos ares com magia do ar. Na verdade, a bebê dormia um sono profundo.
Ela encarou Amara nos olhos.
— Me leve até ele agora.
Amara hesitou, lançando um olhar para o guarda corpulento a seu lado, depois voltou a encarar Lucia.
— Com prazer. Por favor, me acompanhe.
— Espere aqui — Lucia disse a Jonas.
Ele recebeu a ordem com uma careta.
— Sim, vossa alteza — ele disse com falsa sinceridade.
Lucia sabia que Jonas ficava irritado com sua tendência a lhe dar ordens como se fosse um criado. Era mais um hábito do que uma decisão consciente.
A ideia de que ele, de alguma forma, tinha entrado em seu pesadelo naquela manhã ainda a perturbava. Jonas era um mistério para ela em vários aspectos, mas, apesar disso, Lucia tinha começado a confiar nele e a valorizá-lo.
No entanto, se ele esperava que ela seria doce e educada o tempo todo, estava viajando com a princesa errada.
A jornada dos dois juntos terminava ali. Jonas não teria mais que lidar com seu mau humor. Não havia motivo para sentir remorso.
Que seja.
Lucia sentiu algo… diferente em relação a Cleo quando passou pela princesa, mas preferiu ignorar e acompanhar Amara até a prisão do complexo. A imperatriz se apoiava no guarda e na bengala, mancando ao caminhar. Lucia se concentrou e enviou um sussurro de magia da terra que a ajudou a sentir o ferimento de Amara.
Uma perna quebrada.
Conquistar o poder supremo sobre uma terra recém-conquistada não vinha sem prejuízos, ao que parecia.
Ao passar pelas vilas e pelos chalés cinzentos que compunham o complexo real, Lucia esperou sentir algum tipo de familiaridade com aquelas terras. Seu pai biológico tinha governado a região — um louco que acreditava ser um deus. Ela não sabia nada sobre sua mãe biológica, apenas que também tinha morrido.
Sua irmã de sangue, Laelia, trabalhava como dançarina em uma taverna na cidade de Basilia, na costa oeste de Paelsia. Talvez um dia Lucia pudesse perguntar a Laelia sobre sua família biológica. Naquele momento, ela pensou, seu passado era insignificante.
Lucia estava concentrada em apenas três objetivos.
Reencontrar Magnus e seu pai.
Garantir o futuro de Lyssa.
E fazer o que fosse necessário para aprisionar Kyan na esfera de âmbar que ela guardava no bolso do manto.
Qualquer coisa além daqueles objetivos era uma distração indesejada.
Quando entraram na prisão, Amara conduziu Lucia pelos corredores estreitos. A imperatriz ferida não reclamou nenhuma vez — o que Lucia, de má vontade, respeitava.
Elas passaram por muitas portas de ferro trancadas, até que Amara finalmente parou diante de uma no fim do corredor e apoiou a mão nela.
— Se quiser falar com Gaius — Amara disse. — Precisa obedecer algumas regras.
Lucia arqueou as sobrancelhas.
— Ah, é? — Ela apontou para a porta, que se abriu no mesmo instante.
O guarda imenso ao lado de Amara levou a mão à espada imediatamente.
— Me poupe dessas demonstrações. — Lucia usou outra onda de magia do ar para jogar a espada para o fim do corredor, onde se fincou à parede de pedra, mas não tão fundo quanto ela gostaria.
Amara não perdeu a compostura da realeza. No entanto, sua expressão ficou séria.
— Sua magia do ar é incrível.
Não tão incrível como Lucia gostaria. Depois de roubar na noite anterior a reserva forte e peculiar de elementia de Jonas para sobreviver ao parto de Lyssa, Lucia estava sentindo que a magia do ar estava se esvaindo aos poucos.
Mas Amara não precisava saber.
— Quero falar com meu pai em particular — Lucia disse. — É bom que ele de fato não esteja ferido, como você disse.
— Não está. — Amara meneou a cabeça para o guarda, que a levou para longe da porta sem dizer nada.
Prendendo a respiração, sem saber o que encontraria lá dentro, Lucia virou para o interior da cela, sem conseguir enxergar nada além de sombras e escuridão.
Amara tinha mantido seu pai no escuro.
Uma fúria cresceu dentro dela.
— Minha bela filha. Mais poderosa e magnífica do que antes.
O som da voz grave do rei foi um alívio tão grande que lágrimas começaram a escorrer dos olhos da princesa. Ela mexeu a mão e acendeu as tochas das paredes com magia do fogo.
O rei Gaius piscou diante do brilho repentino de luz, protegendo os olhos com o dorso da mão.
— Pai. — A voz dela falhou ao falar. Ela entrou na cela, fechando a porta para protegê-los de ouvidos curiosos.
Ele estava com uma barba curta e olheiras escuras, como se não dormisse por dias.
— Peço desculpas por minha aparência, filha — ele disse. — Você me encontrou em um estado vergonhosamente infeliz.
Lucia não conseguia lembrar da última vez que tinha se permitido chorar. Não se permitiu dessa vez, mas, ainda assim, lágrimas quentes correram por seu rosto. Sua garganta estava tão apertada que era difícil falar, mas ela se esforçou.
— Sou eu que devo pedir desculpas. Eu abandonei você… você e Magnus. Eu estava errada. E por causa do meu egoísmo, muita coisa aconteceu… Não posso consertar tudo, mas vou tentar consertar o que puder. Por favor, me perdoe.
— Perdoar você? Não há nada para perdoar. Estou grato por você estar viva e bem. — Ele franziu as sobrancelhas escuras e se aproximou como se fosse abraçá-la, mas ficou paralisado ao ver o pequeno embrulho em seus braços. — De quem é essa criança, Lucia?
De novo, uma onda constrangedora de emoção dificultou sua fala.
— É minha… minha filha. O nome dela é Lyssa.
Ela esperava que a expressão gentil dele se tornasse dura, que o pai ficasse sério, que a repreendesse por ter sido tão descuidada.
Ele afastou o tecido macio do rosto de Lyssa e observou a neta.
— É linda como a mãe.
Lucia o encarou.
— Não está zangado?
— Por que estaria? — Ainda assim, havia seriedade em suas palavras. — É filha de Ioannes?
Ela assentiu.
— A filha de uma feiticeira e de um Vigilante exilado — ele refletiu. — Você vai precisar protegê-la.
— É o que farei, com sua ajuda — ela respondeu.
— Foi um nascimento rápido. Parece que não a vejo há uma eternidade, mas foram apenas alguns meses.
— Eu visitei o Santuário — ela disse. — O fato de eu ter estado lá… Tenho certeza de que acelerou o processo.
— Ela é recém-nascida.
— Nasceu ontem à noite — Lucia confirmou.
Ele a encarou, em choque.
— Você parece tão bem, considerando que acabou de dar à luz.
— Não foi um parto comum — Lucia confessou, sentindo necessidade de compartilhar o ocorrido com alguém de confiança.
Aquele homem — aquele Rei Sanguinário que tinha dado ordens para roubá-la do berço, que a tinha criado como filha por causa da profecia —, apesar de suas escolhas, de sua reputação e da forma como tratava os outros, jamais tinha sido cruel com Lucia. Apenas gentil. Apenas complacente.
Gaius Damora era seu pai. E ela o amava.
— O que está querendo dizer? — ele perguntou.
Ela explicou da melhor maneira possível — falou sobre a profecia de Timotheus de que ela morreria no parto. Falou que encontrou magia dentro de si para sobreviver. Achou melhor não mencionar a conexão misteriosa de Jonas com os Vigilantes e a magia que ele permitiu que ela usasse.
Lucia contou ao pai que, depois de uma onda de agonia em que tinha certeza de que perderia a consciência, Lyssa simplesmente… apareceu. Deitada sobre o chão encharcado pela chuva, com os olhos de um violeta vivo, brilhando na escuridão.
O mesmo tom de violeta do anel de Lucia.
Seu pai ouviu com atenção, sem interrompê-la nenhuma vez.
— Apenas mais uma prova de que Lyssa é muito especial — ele disse. — Especial como você.
— Eu concordo, ela é especial. — Uma sensação pesada em seu peito, que ela carregava fazia meses, finalmente se aliviou. — Onde está Magnus? — Lucia perguntou. — Ele está em outra cela?
Quando o rei a encarou, Lucia viu dor em seus olhos escuros.
Ela respirou fundo.
— O que aconteceu? Me conte.
E o pai contou. Falou sobre o encontro com a avó dela — uma mulher que Lucia acreditava ter morrido doze anos antes. Sobre ter sido capturado, junto com Magnus, por soldados de Amara. Sobre a associação de Amara com o deus do fogo e das pessoas oferecidas em sacrifício que ela havia aprisionado no fundo de um fosso. Sobre Kyan ter tomado posse do corpo de Nicolo Cassian e sobre o ritual ter sido interrompido de repente pela morte da avó dela, mas não antes de outros três deuses da Tétrade terem escolhido veículos de carne e osso — uma Vigilante que Lucia não conhecia, um amigo de Jonas que ela também não conhecia, e Cleo.
— E Magnus? — ela perguntou quando conseguiu recuperar o fôlego.
— Lorde Kurtis Cirillo o levou… para algum lugar. Sei que uma expedição de busca foi organizada. Não sei de mais nada porque fui trancafiado nesta maldita prisão. Sem poder fazer nada. — Havia fúria no olhar do rei, misturada com arrependimento. — Ele me odeia por tudo o que fiz, e não o culpo. Tentei ajudá-lo da única forma que podia… — Ele respirava com dificuldade e fez uma pausa como se tentasse se recompor. — Mas receio que não tenha sido suficiente.
Lucia estava prestes a perguntar como o pai achava que poderia ajudar, mas seus pensamentos foram levados para outro lugar ao ouvir o nome de um garoto de seu passado. Alguém odioso, cruel e incapaz de sentir remorso.
Kurtis Cirillo.
Lucia se lembrou de quando encontrara um gatinho moribundo se contorcendo nos corredores do palácio limeriano. Lorde Kurtis estava por perto, rindo de sua reação horrorizada. Ela teve pesadelos com o pobre filhote de gato por várias semanas depois do ocorrido.
Magnus odiava Kurtis, mas o tolerava por ser filho de lorde Gareth, amigo e conselheiro do rei.
— Onde Kurtis está agora? — ela perguntou.
— Não sei. Que eu saiba, não foi localizado. Só sei que ele tinha motivos para querer se vingar de Magnus.
Todo o resto que ela tinha ouvido do rei ficou em segundo plano. Tudo aquilo podia esperar.
— Precisamos encontrá-lo juntos — ela disse.
— Sou prisioneiro de Amara.
— Não é mais.
Ela lançou magia do ar na direção da porta, que se soltou das dobradiças. Amara estava do outro lado com seu guarda. Ela ficou alarmada quando Lucia deixou a cela com o pai a seu lado.
— E a busca por meu irmão? — Lucia perguntou. — Quais são as notícias?
Amara ficou pálida.
— Receio que não tenhamos nenhuma notícia ainda. Há um grupo de busca formado por trinta e quatro homens. Ainda podem encontrá-lo.
A imperatriz a temia. Todos a temiam. Sua reputação não apenas como feiticeira da profecia, mas também como uma feiticeira que não tinha nenhuma dificuldade em massacrar vilarejos inteiros, poderia lhe beneficiar por um tempo.
Lucia não podia esperar a expedição de busca.
Sua magia ainda era forte o bastante para derrubar portões e portas. Talvez pudesse canalizá-la de outra forma.
— Preciso de um cômodo privado — ela disse. — E de alguma coisa que pertenceu a Magnus, alguma coisa em que eu possa senti-lo.
Com a orientação de Ioannes, ela tinha realizado um feitiço de localização especial para encontrar e despertar a Tétrade. E já tinha ouvido falar de bruxas comuns capazes de encontrar pessoas ou coisas perdidas com sua magia, aprimoradas com sangue.
Lucia nunca tinha tentado antes, mas era uma feiticeira, não uma bruxa comum. Mesmo que sua magia estivesse enfraquecendo e não fosse confiável, tinha que ser possível.
Amara não tentou impedi-la nem exigiu que Gaius fosse preso novamente. Ela se tornou a anfitriã perfeita, atendendo aos pedidos de Lucia em um instante.
— Venham comigo — ela disse.
Lucia entregou Lyssa a seu pai quando chegaram à sala aonde Amara os levou.
— Quero ajudar, se puder — Amara ofereceu.
— Você não pode ajudar — Lucia vociferou. — Saia.
Amara semicerrou os olhos, depois lançou um olhar obscuro na direção de Gaius, mas não disse nada. Ela meneou a cabeça para o guarda, e os dois saíram da sala.
Lucia recebeu algo que pertencia a seu irmão. Seu manto preto tinha sido encontrado em um corredor. O rei o reconheceu e confirmou que pertencia a Magnus.
Estava rasgado e ensanguentado.
Ver aquilo encheu o peito de Lucia de medo. Seu irmão tinha sofrido na mão de Kurtis.
Sinto muito, ela pensou, apertando o tecido áspero. Eu culpei você, odiei você, duvidei de você. Eu o deixei quando você foi uma das melhores partes de minha vida. Me perdoe, por favor.
Ela o encontraria.
Com o pai a seu lado com a bebê, Lucia sentou no chão em uma área sem móveis, fechou os olhos e se concentrou.
A magia da terra parecia a ideal a invocar. Ela sentiu o peso do manto nas mãos. Imaginou Magnus — sua estatura alta, o cabelo escuro quase sempre sobre os olhos, já que ele odiava cortá-lo. Seu queixo quadrado, os olhos castanho-escuros que a olhavam com seriedade ou malícia, dependendo da situação e do dia. A cicatriz do lado direito do rosto devido a um ferimento que ele dizia não se lembrar com clareza.
A imagem do irmão logo se transformou em outra coisa.
Sangue em seu rosto, pingando de um corte recente sob o olho. Fúria no olhar. Ele pendurado em correntes que prendiam os braços sobre a cabeça.
— Posso vê-lo — Lucia sussurrou.
— Onde? Onde ele está? — Gaius perguntou.
— Acho que estou vendo algo que já aconteceu… — Ela apertou o manto com mais força.
O rosto de fuinha de Kurtis apareceu em sua visão, com um sorriso cruel nos lábios.
Lucia respirou fundo.
— Sinto o ódio de Magnus por Kurtis. Ele não teve medo, mesmo quando o covarde precisou acorrentá-lo.
— Vou matá-lo — o rei vociferou.
Lucia tentou ignorar o pai, tentou se concentrar apenas na visão em sua mente. Outra visão do passado já tinha vindo até ela — a morte de Eva, a feiticeira original, nas mãos de Melenia. O momento em que a Tétrade transformara Cleiona e Valoria em deusas, um milênio antes.
Ela mergulhou mais em sua magia da terra e a forçou a sair. Mesmo naquele momento ela podia sentir suas limitações crescentes, e isso a frustrava tanto que tinha vontade de gritar.
Timotheus lhe disse que a magia de Eva também tinha diminuído quando ela engravidara. E a perda de força e poder deu à sua irmã imortal a chance de acabar com sua vida.
Lucia fechou bem os olhos e se concentrou em Magnus. Apenas Magnus. Ela abraçou o manto junto ao peito e seguiu o rastro dos elementia da terra… o rastro de sua vida, seu sangue, sua dor…
Terra.
Terra profunda.
Várias pás de terra, uma após a outra, batendo em uma caixa de madeira fechada.
— Não… — ela sussurrou.
— O que você está vendo? — o pai perguntou.
— Não é o que estou vendo, é o que estou sentindo. É o que Kurtis fez com Magnus depois de torturá-lo. — A voz dela falhou. — Ele… ele enterrou Magnus vivo.
— O quê? — Gaius rugiu. — Onde? Onde meu filho está?
Lucia tentou se agarrar às terríveis sensações, aos pensamentos e às imagens aleatórias que se moviam em sua cabeça, mas eram tão difíceis de reunir quanto folhas secas em uma tempestade de vento.
— Está desaparecendo rápido demais para eu sentir! — ela gritou. — Não… ah, deusa, não. Eu senti o coração de Magnus batendo na escuridão… mas agora…
— Lucia! O que você está sentindo? — Gaius perguntou.
Lucia soltou um soluço de choro trêmulo e finalmente abriu os olhos. Tinha terminado — a magia tinha terminado, e o feitiço de localização que ela tinha tentado criar tinha acabado.
— Senti apenas morte. — Uma lágrima correu por seu rosto, mas ela não teve forças para contê-la. — Ele está morto… Magnus está morto.

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