16 de setembro de 2018

Capítulo 3

AMARA
LIMEROS

A imperatriz Amara Cortas estava sentada em uma cadeira dourada entalhada, no salão principal — menor do que o tolerável — da quinta. Era um trono temporário, mas servia bem para ela olhar com facilidade para baixo, na direção dos dois homens muito diferentes que se ajoelhavam em sua presença.
Carlos era o capitão da guarda kraeshiana, um homem de pele bronzeada, cabelo preto e ombros muito largos. Ele tinha mais músculos do que os suficientes para preencher o uniforme kraeshiano verde-escuro. Os fechos dourados, que prendiam a capa preta, brilhavam à luz das velas.
Lorde Kurtis Cirillo era mais jovem, mais magro, mais pálido, com cabelo escuro e olhos verdes. Embora Amara preferisse um castelo maior para passar seus dias, aquela quinta tinha a melhor casa em quilômetros, e pertencia ao pai de Kurtis, lorde Gareth.
— Levantem-se — ela ordenou, e os homens a obedeceram.
Os dois aguardavam o sinal para dar as últimas notícias sobre o cerco do dia anterior e a tomada do palácio limeriano.
Enquanto reorganizava seus pensamentos, Amara se encolheu por causa do doloroso machucado atrás da cabeça, adquirido na noite anterior. O gelo que segurava junto ao ferimento tinha começado a derreter.
— Dentre as doze baixas, havia alguém importante? — ela finalmente perguntou. Ela se virou para Kurtis, que saberia distinguir nobres de homens de menor importância muito melhor do que o guarda.
— Não, vossa graça — Kurtis respondeu de imediato. — A maioria era de soldados e guardas limerianos, alguns criados. Apenas aqueles que tentaram fazer oposição.
— Ótimo.
Doze mortos não era um número inaceitável, considerando quantas pessoas supostamente estiveram no palácio para testemunhar o discurso da princesa Cleiona na hora do cerco. Pelo relato de Carlos, três mil cidadãos de vilarejos próximos haviam se deslocado para ouvir aquela garota odiosa espalhar mais de suas mentiras.
Ela passou os olhos pelas faixas vermelhas e pretas que ocupavam as paredes de pedra com o brasão da família Cirillo: três cobras entrelaçadas.
Para um reino de gelo e neve, com pouca vida selvagem até onde Amara tinha notado, os limerianos pareciam valorizar muito as imagens de serpentes.
— Vossa graça… — Kurtis chamou com uma voz estridente.
— Sim, lorde Kurtis?
O jovem parecia aflito — sua boca retorcida já tinha se tornado familiar a Amara em seu pouco tempo em Mítica. Ela se perguntou se aquela era a expressão permanente do grão-vassalo ou se era resultado do desafortunado ferimento que sofrera pouco antes de se conhecerem. Havia curativos novos no coto sangrento em seu punho, onde antes ficava a mão direita.
— Estou hesitante em tocar em um assunto com que Carlos acredita que não devemos incomodá-la.
— Hã? — Ela olhou surpresa para o guarda, que virou para Kurtis com ódio explícito. — O que é?
— Ouvi conversas preocupantes sobre seu reinado entre seus soldados…
— Meu lorde — Carlos chamou —, se há algum problema com os homens que comando, eu mesmo posso falar com a imperatriz. Essa questão não requer a opinião de um limeriano.
Kurtis zombou dele, como se insultado pela brusquidão de Carlos.
— A imperatriz não merece saber que seus próprios soldados dizem que preferem abandonar os postos em vez de serem governados por… — ele hesitou, mas apenas por um instante — … uma mulher?
Amara se esforçou para manter a calma enquanto entregava o saco com gelo derretido para uma criada.
— Carlos, isso é verdade?
O guarda parecia pronto para cuspir fogo.
— Sim, vossa graça.
— E ainda acha que não é motivo de preocupação?
— Conversas são conversas. Ninguém tomou nenhuma atitude até agora para deixar esta missão e voltar a Kraeshia. E se alguém fizer isso, será severamente punido.
Ela analisou o rosto do militar, um homem que tinha sido leal a seu pai não muito tempo atrás.
— Como você se sente em me ver como a primeira governante de Kraeshia? Vai continuar obedecendo minhas ordens sem desejar abandonar o posto?
Ele endireitou os ombros gigantescos.
— Sou leal a Kraeshia, vossa graça, então sou leal a quem estiver ocupando o trono. Posso garantir que tenho controle sobre meus homens.
— Sim, mas a questão é: eu tenho? — Era esse o motivo de ela ainda não ter comemorado a vitória ao se tornar imperatriz. O controle que exercia parecia frágil, como gelo recém-congelado sobre um lago. Não havia como saber ao certo se arrebentaria no instante em que fosse submetido a alguma pressão.
Mais uma razão pela qual necessitava que a magia de seu cristal da água fosse libertada. A pequena esfera de água-marinha escondida no bolso de um de seus vestidos no guarda-roupa não tinha nenhuma utilidade no momento. Ela precisava descobrir como desencadear a poderosa magia de seu interior.
— Vossa graça — Kurtis chamou, e ela não pôde deixar de notar que a expressão dele havia se suavizado um pouco depois de dar a notícia que Carlos preferia esconder. — Também ouvi os soldados falando sobre uma possível volta do príncipe Ashur de suas viagens.
— Ah, é? E o que tem isso? — A dor irradiou do ferimento em sua cabeça.
Ela queria deitar pelo resto do dia, descansar e se curar, mas uma imperatriz não podia demonstrar nem mesmo uma parcela mínima de fraqueza.
— Por ser seu irmão mais velho, acreditam que o príncipe Ashur vai assumir como imperador. Acreditam que sua posição é apenas temporária. E acham que, assim que a notícia sobre as mortes de sua família chegar aos ouvidos dele, onde quer que esteja, Ashur retornará sem hesitação.
Amara respirou fundo e contou mentalmente até dez, bem devagar. Depois contou até vinte antes de colocar um pequeno sorriso no rosto.
— Isso também é verdade? — ela perguntou a Carlos com a maior gentileza que conseguiu.
O rosto do guarda parecia ter virado pedra.
— É, vossa graça.
— Sinceramente, espero que estejam certos — ela disse. — Ashur certamente é o primeiro na linha de sucessão para o trono, antes de mim. Então é claro que vou abdicar do título no instante em que ele aparecer. Poderemos fazer o luto pela perda de nossa família juntos.
— Vossa graça — Carlos disse, fazendo uma reverência, as sobrancelhas grudadas. — Seu luto é compartilhado por todos nós. Seu pai e seus irmãos eram todos grandes homens.
— De fato eram.
Mas mesmo grandes homens podiam ser vencidos pelo veneno.
Amara estava tentando ao máximo não se sentir um escorpião peçonhento que atraía vítimas inocentes para sua toca. Ela sabia que não era a vilã na história de sua vida. Era a heroína. Uma rainha. Uma imperatriz.
Mas sem o respeito dos soldados de que necessitava para expandir seu reino, ela não tinha nada. Carlos podia não acreditar na importância de alguns boatos divergentes, mas logo virariam a voz de uma rebelião completa.
Por enquanto, apesar de seu título, Amara tinha que agir com cuidado até ter a magia necessária para dar conta de seu recém-descoberto poder.
Um dia, muito em breve, Amara Cortas não responderia a nenhum homem, nunca mais. Eles responderiam a ela.
E se estavam contando com o retorno de seu irmão para expulsar a garota do trono que havia tomado com força e sacrifício, ficariam extremamente decepcionados.
Afinal, um dos sacrifícios havia sido o próprio Ashur.
— Estou grata que tenha decidido me contar isso — ela se dirigiu a Kurtis de novo. — E se meu irmão chegar, por favor, saibam que o receberei de braços abertos. — Quando Kurtis se curvou, ela voltou o olhar decepcionado para o guarda que pretendia manter as conversas sobre traição em segredo. — Carlos, qual o status da busca pela princesa Cleiona?
— Doze homens, incluindo o rei, ainda estão procurando, vossa graça.
Menos de um ano atrás, antes de ser incorporada à família real que conquistou seu reino ao se casar com Magnus, Cleo era uma princesa mimada que vivia uma vida de excessos em Auranos. Amara sabia que ela era, na verdade, uma garota exigente e difícil, apesar do comportamento alegre e radiante que apresentava socialmente.
Na noite anterior, a nova imperatriz tinha cometido o erro de subestimar a princesa e lhe oferecer sua amizade. Amara rapidamente se arrependera.
O ímpeto de sobrevivência de Cleo quase se igualava ao seu próprio.
— Dobre o número de guardas — ela instruiu. — Ela não pode ter ido muito longe.
Carlos se curvou.
— Como desejar, vossa alteza.
— Na verdade, tenho certeza de que a princesa congelou e está sob um metro de neve agora. — A voz do rei Gaius roubou a atenção de Amara. Ela ergueu os olhos para ver que o homem havia entrado no salão e se aproximava devagar, acompanhado de dois de seus guardas.
Kurtis e Carlos imediatamente se curvaram diante do rei.
Amara vislumbrou Gaius e arregalou os olhos, chocada. O rosto dele estava machucado, cheio de cortes e arranhões. Havia uma palidez doentia em sua pele. O pescoço estava sujo de sangue, que também estava presente nas dobras das mãos e debaixo das unhas, já seco.
— Carlos, vá buscar um médico agora! — ela ordenou ao se levantar do trono para encontrar o rei no meio do grande salão.
— Não — Gaius disse, levantando a mão. — Isso não será necessário.
Na noite anterior, quando saiu para procurar a princesa, ele era um homem bonito, alto e forte, com cabelo escuro e olhos castanhos profundos, embora às vezes cruéis; mas naquele momento parecia ter saído da própria cova.
Amara acenou com a cabeça para Carlos fazer o que ela havia pedido, e o guarda saiu do salão no mesmo instante.
— O que aconteceu com você? — ela perguntou, acrescentando preocupação, e não apenas choque, a seu tom de voz.
O rei massageou o ombro, demonstrando muita dor.
— Sofri uma queda horrível enquanto procurava a princesa. — Ele ficou tenso. — Mas estou bem.
Uma mentira deslavada.
Gaius passou os olhos pelo grão-vassalo, atendo-se ao ferimento.
— Pelo amor da deusa, rapaz! O que aconteceu com você?
Kurtis olhou para o coto envolto em curativos, e seu rosto corou, trêmulo.
— Ontem, quando tentei escoltar a esposa de seu filho para fora do palácio, ele tentou me impedir.
— Ele cortou sua mão.
— Sim — Kurtis admitiu. — E acredito que seja um crime digno de punição. Afinal, eu só estava seguindo suas ordens.
— Preciso sentar. — Gaius fez sinal para um dos guardas de uniforme vermelho lhe trazer uma cadeira e praticamente desabou sobre ela. Amara o observava, cada vez mais surpresa. Aquele não era um homem que costumava demonstrar qualquer tipo de fraqueza. Aquilo teria sido o resultado de uma queda?
Se estivesse à beira da morte por qualquer motivo, ela precisava que Gaius lhe dissesse como revelar a magia do cristal da Tétrade antes que fosse tarde demais.
— Sim — Gaius continuou, com uma voz fraca. — Magnus certamente tomou algumas decisões questionáveis nos últimos tempos.
Amara tentou mais uma vez.
— Gaius, insisto que seja examinado por um médico.
— E insisto que estou bem. Vamos mudar de assunto, para um muito mais interessante. — Ele fez sinal para um dos guardas. — Enzo, traga a garota.
O guarda deixou o salão e voltou alguns instantes depois com uma bela jovem de cabelo curto e escuro.
— Esta — o rei passou os olhos pela garota — é Nerissa Florens.
Amara arregalou os olhos, encontrando certo humor na apresentação inesperada.
— Nunca ganhei uma garota de presente antes.
— Você precisa de uma criada. Nerissa cuidava da princesa Cleiona e era muito habilidosa em sua função, ouvi dizer.
Em vez do incômodo provocado por ter sido presenteada com uma pessoa qualquer, Amara descobriu-se curiosa.
— Suponho que isso signifique que você é leal à princesa.
— Pelo contrário, vossa alteza — Nerissa respondeu com firmeza. — Sou leal apenas a meu rei.
Amara observou a garota com atenção e a analisou de cima a baixo. Cabelo curto não era um estilo comum nem em Kraeshia nem em Mítica. Transmitia a imagem de alguém que não tinha tempo para vaidade. Ainda assim, Nerissa era bastante atraente. Ela tinha um nariz delicado, olhos grandes e determinados, e um rubor no rosto bronzeado. Tinha uma postura altiva, muito mais altiva do que qualquer criada que Amara já tinha visto.
Ela finalmente assentiu.
— Muito bem, Nerissa, estou mesmo precisando de uma criada habilidosa. No entanto, se você diz que é leal apenas ao rei, vou precisar que transfira essa lealdade para mim agora. Gaius?
— Sim, é claro — o rei respondeu sem hesitar. — Nerissa, Amara é sua única preocupação a partir de agora. Cuide dela e satisfaça todas as suas necessidades.
Nerissa abaixou a cabeça.
— Sim, vossa alteza.
Amara continuou a avaliar a garota, que não devia ser muito mais velha do que ela própria com seus dezenove anos.
— Você não parece ter medo de mim.
— Deveria, vossa alteza?
— O palácio onde você ganhava seu sustento foi tomado por um exército inimigo; seu príncipe e sua princesa foram depostos. E aqui está você, diante de seus conquistadores. Sim, acho que deveria demonstrar um pouco de medo.
— Aprendi há muito tempo, vossa graça, que não importa o que eu possa estar sentindo, devo demonstrar apenas força. Peço desculpas se essa filosofia não for aceitável.
Amara observou a garota por mais alguns instantes, pensando que as duas tinham muito em comum.
— Tudo bem, Nerissa. Estou ansiosa para saber mais sobre sua temporada com a princesa.
— Sim, vossa graça.
— Ótimo — disse o rei. — Agora que isso está resolvido, lorde Kurtis…
— Sim, vossa majestade? — Kurtis endireitou a postura como um soldado sob os holofotes.
— Enquanto eu estiver fora, gostaria que cuidasse dos preparativos para realocar a imperatriz no palácio limeriano. A quinta de seu pai pode ficar um pouco apertada e, claro, não tem o tipo de acomodação que minha esposa merece. Quando eu voltar, espero encontrá-los lá.
Kurtis se curvou.
— Farei exatamente o que está pedindo, vossa majestade.
Amara observava o rei cada vez mais confusa.
— Aonde você vai?
Gaius gemeu ao levantar da cadeira, fazendo o esforço de um homem com o dobro de sua idade para ficar de pé.
— Preciso liderar a busca pelo meu filho.
— Muito pelo contrário — ela disse. — O que você precisa é descansar na cama e deixar o tempo curá-lo da queda.
— Mais uma vez — ele disse com firmeza —, me vejo em desacordo com minha nova esposa.
Ela manteve um sorriso no rosto.
— Posso falar com você? A sós? — Amara pediu com o máximo de doçura possível.
— É claro — ele disse, sinalizando para um guarda, que logo abriu a porta e escoltou todos para fora.
Quando a sala ficou vazia, Amara fechou os olhos e respirou fundo várias vezes, tentando se obrigar a conduzir a conversa com delicadeza.
— Se insiste em sair nessa busca — ela disse —, acho que deve deixar o cristal do ar comigo, por segurança.
Talvez a delicadeza estivesse além de suas habilidades específicas.
Mas Gaius não se deixou intimidar.
— Acho que não — ele apenas respondeu.
Amara sentiu um nó nas entranhas.
— Por que não?
Ele arqueou a sobrancelha escura.
— Ah, por favor! Admito que posso não estar em minha melhor forma no momento, mas não sou idiota.
Era o que parecia.
— Você não confia em mim.
— Não, nem um pouco, na verdade.
Amara tentou conter a frustração. O rei não fazia ideia de que ela também possuía uma parte da Tétrade, e ela não tinha a menor intenção de contar.
— Vou conquistar sua confiança.
— E vou conquistar a sua. Um dia.
Ela diminuiu a pequena distância que havia entre eles e segurou as mãos do rei, notando a expressão de dor.
— Podemos começar hoje. Compartilhe comigo o segredo para liberar a magia. A resposta está aqui, sei disso. Aqui em Mítica.
— Não tentei esconder isso.
Ela não tinha parado de pensar no assunto durante a viagem, enquanto atravessavam o Mar Prateado. Tanto tempo para pensar, para se preocupar, para planejar…
— Só posso imaginar que sua filha seja parte disso, assim como foi essencial para encontrar os cristais no início.
A expressão dele se fechou.
— É isso que você acha?
— Sim. — Ela não temeria aquele homem e sua reputação violenta quando contrariado. Amara era a única a ser temida naquela sala, naquele reino e, um dia, em todo o mundo. — Talvez seja Lucia e não Magnus que você esteja procurando nessa jornada inoportuna.
— Minha filha fugiu para se casar com o tutor e pode estar em qualquer lugar.
— Estou certa, não estou? — Um sorriso tomou conta de seu rosto. — Lucia é a chave de tudo. Sua profecia vai muito além do que eu já imaginava. Não fique carrancudo, Gaius. Eu disse que você podia confiar em mim, e pode. Vou provar. Vamos encontrá-la juntos.
— Quero encontrá-la, mas garanto que minha filha não é a peça que falta nesse quebra-cabeça que você busca.
Amara não conseguiria uma confirmação dele sobre essa questão. Não hoje, e talvez nunca. Ela se forçou a sorrir com doçura e assentir.
— Muito bem. Serei paciente, então, e vou me concentrar na mudança para o palácio enquanto você estiver fora.
Ele a observou com atenção, encarando seus olhos com tanta intensidade que ela não conseguia saber se Gaius estava tentando memorizar seu rosto ou ler seus pensamentos. Amara prendeu a respiração enquanto esperava ele falar.
— Volto assim que possível. — Ele a puxou para mais perto e lhe deu um beijo no rosto. Ela se forçou a não se esquivar diante do cheiro evidente de morte que exalava dele.
Gaius manteve o olhar fixo nela por mais um instante, depois virou e saiu da sala sem dizer mais nada.
Ela sentou no trono, esperando Carlos voltar com ajuda médica. Assim que o guarda entrou com uma médica, Amara dispensou a mulher e o chamou.
Carlos se ajoelhou a seus pés, fitando o chão.
— Vossa graça, percebo que devia ter lhe contado o que lorde Kurtis contou. Garanto que está tudo bem e não acredito que haja motivos para se preocupar.
— Levante. — Quando ele obedeceu, Amara não se deu ao trabalho de sorrir. Sorrisos eram exaustivos quando não eram genuínos. — Você vai me contar tudo de agora em diante, mesmo o que não parecer importante. Se tal transgressão se repetir… — As palavras “mando arrancar sua pele” estavam na ponta de sua língua, mas ela optou por não as dizer em voz alta. — … vou ficar muito zangada.
— Sim, vossa graça. — Ele piscou. — Isso é tudo?
— Não. — Irritada, ela passou a mão pelo machucado em sua cabeça, imaginando quanto tempo demoraria para melhorar. — O rei vai partir em breve para procurar o filho. Quero que mande dois ou três de nossos melhores homens atrás dele.
— Para ajudar?
— Não. — Aquilo mereceu um sorriso genuíno. — Para dar um flagra na mentira de meu novo marido.

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