1 de setembro de 2018

Capítulo 35

MAGNUS
LIMEROS

— Tudo bem — Magnus disse, tão calmo quanto possível, depois que Amara e dois de seus guardas deixaram o templo. — É hora de negociar. Pretendo sair daqui com vida, então a única questão é: quanto ouro isso vai me custar?
O guarda que o havia empurrado e chamado de moleque se aproximou, examinando-o como se fosse cocô grudado na sola de sua bota.
— Ouro?
— Sim. Pelo que conheço dos kraeshianos, gostam de um estilo de vida cheio de excessos, como os auranianos. Meu pai é rei. Tem muito ouro. Posso fazer uma boa quantia chegar às suas mãos.
— Por vocês três?
— Amara ordenou que nos matassem e queimassem os corpos. Há corpos do lado de fora que substituiriam os nossos de maneira satisfatória.
— Proposta interessante. Mas não vai acontecer.
Magnus ficou muito sério.
— Ela acabou de matar o próprio irmão e pretende colocar a culpa em mim. Acha mesmo que vai poupar a vida de qualquer um que tenha testemunhado?
— Ela precisa de nós.
— Amara não precisa de ninguém. Agora que conseguiu aquele cristal, já tem tudo o que veio buscar. Não podemos permitir que entre em um navio com ele. Não podemos permitir que saia de Limeros.
Magnus atraiu a atenção de todos os três guardas. Fora de seu campo de visão, Cleo se aproximou devagar de Nic e se ajoelhou para recolher a adaga descartada por Amara.
Ela não estava ajudando em nada. Cleo podia ter muitas habilidades secretas, mas Magnus podia apostar que a fina arte do manuseio de armas não era uma delas.
De repente, seus movimentos chamaram a atenção de um guarda, que a agarrou e tirou a adaga de sua mão com um golpe. Ele a atingiu com força no rosto, fazendo-a gritar e cambalear para trás. Ela caiu sobre o altar, batendo a cabeça em uma quina.
Magnus precisou de toda a sua força de vontade para não sair do lugar. Precisava esperar o momento certo.
Os outros dois guardas viraram para olhar para ela, rindo.
Magnus agiu. Agarrou o braço de um dos guardas, aproveitando o momento de surpresa para roubar sua espada e fincá-la no tronco do kraeshiano. Funcionou melhor do que o esperado. Pelo menos até o punho de outro guarda acertar seu queixo, fazendo sua cabeça girar e seus dentes baterem. Ele soltou a espada, que caiu no chão com grande estardalhaço. Magnus se esquivou a tempo de escapar da lâmina. Durante a nova tentativa do guarda de matá-lo com a espada, Magnus segurou o metal entre as mãos. Cortou sua pele, mas conseguiu usar o cabo para acertar o estômago do guarda, arrancando assim a espada das mãos dele.
Sem hesitação, Magnus girou e perfurou a garganta do guarda.
Então alguma coisa atingiu a lateral de sua cabeça, e ele caiu no chão com o braço em um ângulo estranho. Quando desabou, escutou o som horrível de algo se partindo e uma dor insuportável no braço.
Ele estava prestes a levantar de novo, mas o guarda — o mesmo que o havia empurrado mais cedo — surgiu sobre seu corpo, pressionando a ponta da espada contra seu peito.
— Não levante — o guarda rosnou. — E largue a arma.
Magnus soltou a espada ensanguentada.
— Note que não o matei primeiro, como prometi que faria — ele disse.
— Não, não matou. E eu também não matei você, ainda.
— Está esperando um convite especial?
O guarda olhou para ele com desprezo depois de ver de relance seus dois colegas caídos.
— Acho que pode estar certo a respeito da princesa Amara. Ela não me deixará vivo depois do que vi aqui hoje.
Magnus ainda não estava morto, o que significava que havia chance de negociação.
— Fico feliz por estar certo sobre alguma coisa esta noite. De verdade.
— Onde estão os outros cristais?
Magnus rangeu os dentes.
— Quer os cristais, então?
— Não dou importância para ouro. Ouro pode ser roubado, gasto, perdido. Aqueles cristais… são um poder que pode ser útil para mim.
Tudo o que Magnus sabia sobre os cristais com absoluta certeza era que pertenciam apenas a uma pessoa: ele mesmo. No entanto, aquele guarda não precisava saber disso.
— Certamente posso levá-lo até o próximo local, já que pediu com tanta educação.
O guarda o golpeou com a espada.
— Onde?
— Eu digo, e você me mata. Não parece um bom negócio. — Sem contar que Magnus não tinha ideia de onde estavam os outros dois cristais.
O rosto do guarda revelou uma expressão de cobiça.
— Eu poderia matá-la, sabia? A princesa Amara. Poderia embarcar naquele navio, roubar o cristal, e jogar o corpo dela no mar.
— Recomendo com entusiasmo que tente fazer isso. Vá. Parta agora, enquanto ainda tem uma chance de alcançar o séquito dela.
— Primeiro preciso cuidar de vocês três. Não sabem de nada que possa me ajudar. Não têm utilidade para mim.
O braço que Magnus costumava usar para empunhar a espada estava muito machucado, provavelmente quebrado. Ele não tinha uma arma. Estava deitado com uma lâmina pressionada contra o coração.
Tinha lutado até que bem. Infelizmente, fora derrotado, e sua vida seria o preço a pagar por isso.
Naquele momento, mais tarde… que diferença faria no final?
Magnus mentira para Cleo. Assim que o rei descobrisse o que havia feito — matado Cronus para salvar a vida da garota —, sua confiança em Magnus seria quebrada para sempre. A cicatriz em seu rosto era uma lembrança constante do que acontecia quando desagradava o pai. Ele a ganhara como punição quando era apenas um garoto inocente, ainda que travesso. Como homem, era totalmente responsável por suas ações, e outra cicatriz era o mínimo que esperava receber. Não se arrependia de seus atos, mas o que tinha feito não era apenas um ato desleal; era um ato de traição.
E ele sabia muito bem que a pena para traição era a morte.
— Vá em frente, então — gritou. — O que está esperando?
— Nada. — O guarda olhou para ele. — Imagine só que sorte a minha, ser o responsável por matar o herdeiro do Rei Sanguinário. Que honra.
Mas então um braço envolveu o guarda e uma lâmina já ensanguentada cortou sua garganta, criando um enorme jato vermelho que espirrou em seu uniforme verde.
O guarda soltou a espada, cambaleou para trás e pressionou a ferida aberta em sua garganta com a mão, desabando de lado como uma montanha pesada e convulsionante.
Cleo largou a adaga, que caiu no chão liso e gelado fazendo barulho.
— Isso — ela disse, com a voz rouca e trêmula — nos deixa quites. Certo?
Magnus olhou para ela, completamente atordoado.
— Certo.
Os dois se entreolharam por mais um instante, e depois ela correu para Nic, que assistia a tudo do outro lado do templo em estado de choque. Ele a puxou para perto de si, dando-lhe um abraço apertado.
Parecia que Magnus tinha escapado da morte no exato momento em que estava pronto para aceitá-la.
Que inesperado.
Ele levantou usando o braço que não estava ferido e olhou para a princesa.
— Precisamos encontrar Lucia. E recuperar aquele cristal que Amara levou.
Nic olhou para o corpo de Ashur uma última e dolorosa vez, e então ele e Cleo deixaram o templo. Magnus observou quando a princesa passou por ele, agora mais irritado do que antes.
— O que foi? — ela perguntou.
— Nada — ele resmungou em resposta. — Pare de perder tempo. Vamos.
Magnus percebeu uma coisa terrível. Uma coisa que sabia que não causaria nada além de dor e sofrimento daquele dia em diante.
Mas era impossível evitar.
Estava apaixonado por ela.

9 comentários:

  1. Eu SAAAAABIIIIAAAAAAAA... e talvez possa ser a única e dizer o seguinte, curti muito tudo isso.

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    1. vc não é o unico, eu queria ou : jonas e cleo ou : magnus e cleo

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  2. Essa série é quase resta um

    j.

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  3. Cleo e Magnus
    Jonas e Lisandra

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  4. isssssooooooooo, ai minha deusa, estava torcendo para eles se apaixonarem.
    quero tanto os dois juntos.

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    1. Somos 2.
      Eles são perfeitos um para o outro.
      Jonas tem que ficar com a Lys. Pronto falei.
      Agora cadê a Lucia?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!