3 de setembro de 2018

Capítulo 34

JONAS
KRAESHIA

Jonas não tinha tido a chance de assassinar o rei, mas salvar seu amigo da morte fez aquela viagem a Kraeshia ter valido a pena.
Aquela viagem extremamente curta.
Enquanto uma parte dele queria ficar e ajudar Mikah e os rebeldes com a revolução, sabia que precisava voltar a Mítica. Assim que Olivia voltou, depois de entregar a mensagem ao príncipe, eles estavam prontos para embarcar no navio limeriano e partir.
Ele apertou a mão de Mikah.
— Boa sorte para você.
— Obrigado. Vou precisar. Para você também.
Jonas se virou para Nic e Olivia.
— Ele já chegou?
— Ainda não — Nic respondeu.
— Não vamos partir sem ele.
— Certo — Nic piscou e cruzou os braços. — Quanto tempo exatamente acha que devemos esperar?
Jonas inspecionou as docas, procurando algum sinal de Felix, mas não o via desde a noite anterior. Desde pouco depois de finalmente contar a verdade sobre Lysandra. Ele queria ter esperado pelo menos até chegarem a Mítica em segurança, mas Felix perguntava sem parar por ela. Então Jonas cedeu e contou a trágica história do assassinato de Lysandra. Felix desapareceu pouco depois, resmungando alguma coisa sobre precisar de uma bebida, de algo que o ajudasse a perder a consciência e suportar aquela notícia.
Jonas poderia ter se juntado a ele, mas percebeu que Felix precisava ficar sozinho. Não apenas para encontrar conforto em seu luto por Lysandra, mas para se recuperar de toda a tortura e dos traumas que lhe foram infligidos em Joia.
No momento em que abrira a porta da cela e vira Felix ali, no chão, quebrado, espancado, coberto de sangue, com cheiro de morte... Tudo o que tinha conseguido fazer era aguentar firme e ajudar o amigo a sair daquele calabouço.
Finalmente, Felix apareceu nas docas, se aproximando a passos lentos e firmes, e Jonas suspirou aliviado.
— Está pronto? — Jonas perguntou quando ele chegou mais perto.
Felix tinha olheiras fundas, e sua pele estava pálida e cansada.
— Estou tão pronto que voltaria nadando só para sair logo deste lugar — ele franziu as sobrancelhas quando Jonas apoiou a mão em seu ombro. — Estou bem, não precisa se preocupar comigo.
— Acho que vou me preocupar de qualquer jeito, só por garantia.
— Prometa, Agallon, que quando chegarmos, vamos encontrar esse deus do fogo e cortá-lo em pedacinhos fumegantes. Entendeu? Ele vai pagar pelo que fez com Lysandra.
Jonas assentiu com firmeza.
— De acordo. Agora, vamos embora.
— Esperem! — Mikah os chamou pouco antes de embarcarem. — Jonas, pedi a Taran para vir aqui esta manhã para se despedir de vocês. Achei que gostariam de conhecer o segundo em comando antes de partir.
— Ah, sim, Taran. O auraniano que quebrou meu nariz — Felix disse, apontando para o rosto. — Por sorte, Olivia também cuidou disso.
— Acho que podemos esperar mais alguns minutos — Jonas disse. — Ficarei honrado em conhecê-lo.
Um homem alto, com cabelo cor de bronze, desceu pelo convés e parou ao lado de Mikah.
— Jonas Agallon, este é Taran Ranus.
Jonas estendeu a mão para cumprimentá-lo.
— Chute algumas bundas kraeshianas por mim, certo?
— Com prazer — Taran levantou a sobrancelha quando Nic se aproximou.
— Nicolo Cassian — Jonas disse, franzindo a testa para a maneira desajeitada como Nic olhava para o rebelde. — Este é Taran...
— Ranus — Nic concluiu. — Seu sobrenome é Ranus, não?
— Como sabia?
— Tem um irmão chamado Theon.
Taran sorriu.
— Irmão gêmeo, na verdade.
— Gêmeo idêntico.
— Exato. Theon sempre foi o melhor, o filho perfeito, seguindo os passos de nosso pai. Eu sou o... bem, o que quer que eu seja. O encrenqueiro, acho. Quando as coisas se acalmarem por aqui, preciso voltar a Auranos para fazer uma visita. Faz muito tempo desde a última vez que tive contato com minha família. Imagino que conheça Theon?
Nic observava Taran como se estivesse atordoado, de alguma forma assustado pela menção ao nome de Theon.
— Nic? — Jonas chamou ao ver que o amigo continuava em silêncio.
— Eu... eu sinto muito por lhe dar esta notícia — Nic começou. — Mas seu pai e seu irmão... estão mortos.
— O quê? — Taran olhou para Nic em choque. — Como?
— Seu pai, foi um acidente. Terrível, mas inevitável, e não houve culpado. Mas seu irmão... — Os olhos de Nic iam de um lado para o outro com incerteza, até se transformarem em um olhar solene. — Ele foi assassinado. Pelo príncipe Magnus Damora.
Taran deu um passo para trás, curvando-se de leve na altura da cintura.
Todos ficaram em silêncio por minutos longos e desconfortáveis, exceto pelo barulho das aves marinhas e do som das ondas quebrando na praia.
— Mikah... — Taran disse, com uma mortalha de pesar cobrindo o rosto. — Preciso partir com eles agora. Hoje. Preciso ir para Mítica, vingar a morte do meu irmão. Mas prometo não deixar a revolução. Voltarei assim que puder.
Mikah concordou.
— Faça o que tem que fazer.
— Então você vem conosco? — Jonas perguntou. — Simples assim?
O brilho amigável no olhar de Taran se transformou em um lampejo de fúria.
— É um problema para você?
— Não é se você não transformar em problema.
— Não tenho nenhum conflito com você, mas vou encontrar o príncipe Magnus. E quando encontrá-lo, ele vai pagar pelo que fez à minha família. Sei que foi ele que o mandou aqui. Isso significa que vai tentar me impedir?
Jonas ficou olhando para ele por um longo tempo. Naquele momento, era aliado do príncipe, mas aquilo não tinha relação alguma com aquele luto pessoal.
E até onde sabia, Magnus merecia o que quer que Taran reservasse a ele.
— Não, não vou impedir.
— Ótimo.
Taran partiu para juntar alguns pertences que levaria na viagem, e Jonas virou para Nic.
— Tenho a sensação de que Taran não é o único encrenqueiro entre nós. Você não precisava ter contado a verdade sobre o irmão dele. Está tentando reavivar antigos conflitos com o príncipe, é isso?
Nic deu de ombros, mas havia certa dureza em sua expressão quando encarou os olhos curiosos de Jonas.
— Tudo o que fiz foi dizer a verdade. Taran merece saber o que aconteceu com Theon. E acha que Magnus não deve pagar por seus crimes?
— Não foi o que eu disse, não mesmo. Só me pergunto qual é sua motivação.
— Puro e verdadeiro ódio pelo príncipe Magnus e por sua família maligna. Essa é minha motivação. Cleo está completamente cega no que diz respeito a ele. Vou fazer o que for preciso para protegê-la.
— Que maravilha. Temos um navio cheio de pessoas em busca de vingança voltando para casa conosco.
— Quanto mais, melhor.
O olhar de Nic foi para além de Jonas, para as docas atrás dele. Em um instante, todo o sangue parecia ter sumido de seu rosto, deixando-o pálido como a neve.
— O que foi agora? — Jonas olhou para trás e viu alguém, um estranho, aproximando-se do navio. — Deixe-me adivinhar, outro fantasma do seu passado?
Nic se manteve em silêncio, boquiaberto.
Jonas virou e olhou de novo para o homem, que continuava se aproximando. Um kraeshiano alto com cabelo preto na altura dos ombros, preso em um rabo de cavalo.
— Quem é, afinal? — ele perguntou.
— Aquele — Nic disse, a voz rouca e quase inaudível — é o príncipe Ashur Cortas.

4 comentários:

  1. Quando vc vai postar a continuação?
    OBS:espero que breve 😭

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  2. Amo seu blog 😍
    Espero que lace logo a continuação 😌

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  3. NAAAAAOOOOOOO, POR FAVOR, IMPLORO, POSTE OS OUTROS. Desculpe as letras maiúsculas, é que meu grito é de desespero pela agonia de ter que esperar.
    Obrigada karina, ansiosa para a próxima postagem.

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  4. Essa série é uma caixinha de surpresas.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!